13 março 2011

São personagens simpáticas...

A coluna "Opinião" de
Vasco Pulido Valente

tem hoje o título "Inocentes"
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Vasco Polido Valente
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José Sócrates resolveu apresentar ontem de surpresa e sem, como devia, informar o Presidente da República, o IV PEC deste último ano. A conversa não mudou: o PEC é preciso para tranquilizar a Europa, depois daquele não haverá outro, seria muito irresponsável e muito negativo para Portugal que a oposição não o aprovasse, e por aí fora.
Esta homilia foi pregada com o mesmo fervor e sem o menor vestígio de embaraço ou vergonha em 21 de Março, 16 de Junho e 10 de Outubro de 2010 e repetida agora, em 11 de Março de 2011.
Presumo que lá pelo Governo nunca se fizeram contas, ou que não existe maneira de as fazer, e, quando o dinheiro falta, Sócrates vai à caça do dinheiro dos portugueses. Mas, como as despesas não diminuem, nem a economia cresce, ninguém leva a sério estas razias e os juros continuam a subir. O mais estranho é que o país não se parece importar. A complacência indígena para os governantes que levaram Portugal ao desespero e à miséria roça a santidade
(...)
Aqui, os políticos, que, por incultura, incompetência, corrupção e estupidez, defraudaram o próximo e lhe estragaram seriamente a vida, são personagens simpáticas (e, às vezes, respeitáveis), que a populaça aprecia.
Não passa pela cabeça de nenhum patriota pedir contas do sofrimento inútil que lhe infligiram. Nem os jornais, nem a televisão se atrevem a tratar os "notáveis" como eles merecem. A própria universidade os convida para presidir a obscuras comissões, que não servem de nada e onde eles pontificam a seu gosto e arbítrio. A política é única profissão no país que goza da mais completa impunidade. Quem se admira com a impunidade de Sócrates devia olhar à volta com cuidado.

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