30 junho 2012

Reunião do Curso do 7ºAno de 1949/50...

...do Liceu de Castelo Branco.
Foi no dia 1 de Julho, quando quis dar os parabéns á Maria Alexandrina e ninguém atendeu o telefone que eu resolvi ligar pelo telelé... Ela e o Olímpio estavam lá para as bandas de Seia, no Casal de Travancinha, em casa da Julinha Hermano Pedro (era assim que a conhecíamos no Liceu...)
Pouco depois, um sms explicava melhor o que se passava...


A Maria Júlia Hermano Pedro e o marido António Amaral,
foram os anfitrões.



Era assim que a DrªMaria Júlia Hermano Pedro aparecia no Livro de Despedida daquele ano.



O Olímpio contactou comigo para anunciar que não estavam em Santarém... "Aqui, da Casa da Comenda, no Casal da Travançinha, o meu Curso do 7ºAno envia-te um abraço."
Fiquei a saber que tinham escolhido aqueles primeiros dias deste mês que agora finda, para se reunirem... para se reverem.. cada vez mais novos de espírito"!






O Olímpio também não perde ocasiões como esta.

Na caricatura do Livro de Despedida, em 1950



Algumas caras conhecidas que deixaram marcas naquele Liceu de Nun'Álvares, encontraram-se agora ali, para os lados de Seia...



O João Preto Tomé, a Maria Júlia, a Maria Alexandrina, o Olímpio, A Maria do Carmo, o Pinto Elvas, a Teresa Oliveira e o casal Aquiles Gonçalo.
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A Maria do Carmo Gonçalves Ribeiro com o marido Cor.Pinto Elvas

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E a sua "figura" feita pelo Robalo Cordeiro em 1949

Maria do Carmo Gonçalves Ribeiro
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O Eng.João Preto Tomé também esteve presente...
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... e o seu "alter ego" de 1950, também com o traço do Dr.Adelino Robalo Cordeiro fez-lhe uma boa companhia.

O João Antunes Preto Tomé em 1949.
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A próxima "figura" é a Maria Teresa Oliveira que há muito tempo eu não via...
Maria Teresa Oliveira
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Era conhecida, naquela época pela "Teresa Toureira"!... Certamente gostava muito de touros e de touradas... O caricaturista não deixou escapar esta informação.

A Maria Teresa Oliveira numa caricatura com o traço do RC.
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O Aquiles Borronha Gonçalo está na mesma!... Vá lá... com mais uns anitos em cima... Aqui o vemos com a esposa neste reencontro de Seia.
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O Aquiles no Livro de Curso... Ainda gostava de saber a "história" daquele melão...
Deve ser "fresca"...
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Na 6ªfeira, dia 1 de Junho - à tarde, foram chegando à Quinta, na Travancinha, para os cumprimentos e a para conversa... Depois ainda houve tempo de festejarem o aniversário da Maria Alexandrina, a que não faltou o irmão, médico em Seia, ali mesmo ao lado...A Maria Alexandrina e o Zé Pereira



No Sábado, dia 2 de Junho - a manhã , o almoço e a tarde foram passados na Quinta; mas o jantar já foi em Seia, no Museu do pão e com direito a uma visita guiada ao Museu; regressaram já tarde à Casa da Comenda .

No Domingo, dia 3 de Junho - houve missa na Igreja de Travancinha , e uma visita ao CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela em Seia; almoço/ degustação na Quinta da Bica em Seia e despedida até para o ano .

29 junho 2012

O vácuo...

...é o título do artigo de Opinião que Vasco Pulido Valente nos deixou no seu espaço do "Público", que sai às sextas-feiras.

Vasco Pulido Valente


O vácuo

Levantada a pesada histeria do futebol, em que abafámos durante quinze dias, talvez se possa voltar a pensar neste pobre país, que nos deu a sardinha assada e o sr. Seguro. Para lá do défice, que, como toda a gente sabia, não se vai cumprir sem meia dúzia de apertões complementares, fica ainda um sarilho que se julgou temporário, mas continua a crescer, com sintomas cada vez mais graves, e que não parece interessar aos curiosos peritos da nossa praça: o Presidente da República.
No último domingo, o Presidente da República foi apupado em Guimarães, “capital europeia da cultura” (uma extravagância que sobreviveu ao presente desastre), e em Castro Daire, uma vila remota que não se costuma distinguir nos tumultos da Pátria, e que desta vez também resolveu molhar a sopa.
Em Guimarães, o bom povo (com alguns camaradas do PC à mistura) chamou “gatuno” ao Prof. Cavaco, alegadamente por causa da promulgação do Código do Trabalho: um acto de uma certa, embora pouca, racionalidade. Em Castro Daire, dezenas de pessoas (não deve haver muito mais) queriam protestar contra o encerramento do tribunal e as portagens de auto-estrada (a A24) que liga Viseu a Chaves: um puro disparate constitucional. Do alto da sua enormíssima importância, Cavaco não comentou. Disse meia dúzia de banalidades sobre o “grande sucesso” de Guimarães e voltou, suponho que depressa, para Lisboa. Mas se naquela cabeça existe um resto de bom senso, com certeza que pensou com inquietação na fragilidade dele e do regime.
O que as cenas de Castro Daire e de Guimarães demonstram, para lá de qualquer dúvida, é que o Presidente deixou de ser visto como um árbitro da cena política portuguesa e passou a ser visto como um cúmplice. Quer queira quer não queira, Cavaco perdeu a autoridade, tradicionalmente associada a Belém. O país percebeu o silêncio culpado sobre Sócrates, que ele julgou necessário para ser reeleito ; e percebeu a seguir a razão dos discursos que fizeram e apoiaram a coligação da direita. Principalmente, ninguém lhe desculpou, ou desculpará, a fita inominável sobre a “pensão de reforma” ou, por mais que ele se explique, a água turva do BPN e o Algarve. Da antiga confiança com que o eleitorado inexplicavelmente o favorecia, não sobra nada. Ao primeiro problema sério, o regime e os portugueses descobrirão para seu desgosto e surpresa que Belém é um vácuo.


Vasco PC continua a ser forte e directo...
... e vai dizendo as verdades.

O estudo da Deco...

No Setubalense de hoje, dia 29 de Junho, na secção “Três reparos”, podemos ler algo de curioso e que espelha o “pensamento” da Sr.ª Presidente:
“…as obras de qualificação de um espaço público junto da rua de Badajoz, inaugurado em 25 de Abril deste ano, ficaram por concluir. Os moradores queixam-se que nunca mais ninguém apareceu no local e faltam marcações de lugares de estacionamento, postes de iluminação e a reconversão ainda de alguns espaços que ficaram simplesmente por fazer…”
Ou seja, em 25 de Abril, teria havido grande “alarido” e “fotos” nos jornais… “Missão cumprida”, Sr.ª Presidente… Depois, vem o “está-se nas tintas”... o deixa andar


Maria das Dores Meira
Presidente da Câmara de Setúbal
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Neste mesmo dia, 29 de Junho, no Facebook, acompanhámos alguns munícipes nos seus desabafos cheios de substância… A propósito do estudo da DECO que coloca em último lugar ( Não! Não leu mal!! É mesmo o último lugar na escala!...) a cidade de Setúbal, numa totalidade de 125 cidades, distribuídas por cinco países, no que diz respeito a qualidade de vida.

Diz uma Senhora, nada e criada em Setúbal:
“…incrível a Câmara Municipal de Setúbal...devia, em vez de por em causa o estudo da Deco, pensar no porquê dos péssimos resultados obtidos para a cidade de Setúbal... O importante é melhorar a qualidade de vida da cidade... nesta cidade falta tudo desde cinema, comércio, ciclovias, teatro, limpeza, segurança, cultura, turismo, hotéis, etc…, etc... Compare-se com Aveiro, com Viseu... Viver em Setúbal é de facto péssimo... não tem qualidade de vida...”
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E mais adiante, uma outra, dizia:
“Pois só temos que fazer uma coisa.....unir esforços para fazer de Setúbal um destino turístico de eleição e colocar esta cidade do rio Azul ao nível que merece!!!”
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“Aveiro tem também um enquadramento natural muito interessante mas tem muita qualidade de vida... nem se compara com Setúbal...”
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Um outro interessado no debate, dizia a seguir:
Quando os paraísos naturais são invadidos por parasitas, o que acontece com mais frequência é a falência do hospedeiro por óbvia ausência de recursos. Setúbal é um albergue de minorias em prol da igualdade de direitos; o que nos sobra é a pura ausência de deveres e de responsabilidades. Por onde anda a identidade cultural dos setubalenses?
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Em 24 de Abril de 1974
a Cidade de Setúbal disputava, com a cidade de Braga, o 3ºlugar na “hierarquia das cidades com maior desenvolvimento e nível de vida”… Por onde andava Vexa nessa altura, Sr.ª Presidente?!...
Eu também não estava cá em Portugal, em 1143… e, nem por isso deixo de saber o que é que o D. Afonso Henriques fez a Mãezinha dele, por essa altura… E Vexa? Tentou saber alguma vez o que se passou cá por Setúbal, antes da sua "luminosa” chegada a esta cidade onde detém agora todo o poder?!...
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Já sei!... Já sei!... Naquele tempo, as fotografias eram ainda de rolo… e a preto e branco. Os jornalistas, esses, eram dados a pressionar e a “pisar” quem lhes permitisse serem “pisados”… E só deixavam de “morder” a troco de “vantagens”… o que muitos tentavam sem êxito…
As “coisas” ficaram mais fáceis… e a troco de “dez reis de mel coado”, os jornais fazem tudo o que se lhes pede…
O estudo feito pela Deco não teve como objectivo denegrir a Câmara Municipal de Setúbal!... Os dados colhidos, independente e aleatoriamente, é que permitiram as conclusões havidas… Que aliás são óbvias... para quem, desde há muitos anos, vive na cidade o seu dia-a-diaNão tente encontrar desculpas, Sr.ª Presidente! Tenha a humildade de reconhecer que pouco tem feito pela cidade, onde vive (?) desde há bem pouco tempo…E lembre-se, quando fala para os jornais, que há leitores que criticam os seus argumentos, com muito mais conhecimentos da cidade em que vivem do que aqueles que V.Exª poderá adquirir até largar a cargo em que, temporariamente, foi empossada
Um dia destes falarei de Castelo Branco, a segunda melhor cidade de Portugal ContinentalA segunda, Sr.ª Dr.ª Maria das Dores Meira!!!... Logo a seguir a Viseu…

Escrito no vento...

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
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Antoine de Saint-Exupéry

28 junho 2012

Dr.Aníbal Cunha...

É hoje, dia 28 de Junho, que a Reitoria da Universidade do Porto (Praça Gomes Teixeira) acolhe a abertura da homenagem a Aníbal Cunha, figura ímpar na história da instituição e do ensino da Farmácia em Portugal, e Figura Eminente da U.Porto em 2012:

Prof.Aníbal Cunha

A abertura solene da homenagem, marcada para as 18 horas, será assinalada com a conferência "Um exemplo de excelência da Acção em Tempos de Mutação Crísica", a cargo do General António Ramalho Eanes. Após a cerimónia de abertura, é inaugurada a exposição "A Farmácia no tempo de Aníbal Cunha", no Átrio de Química da Reitoria da U.Porto.
São três dezenas de artigos em exposição, todos com uma história diferente e que acompanham tanto a história de Aníbal Cunha como a própria história da Farmácia na Cidade do Porto. Será possível ver instrumentos de trabalho, tal como encapsuladores em bronze, alambiques de cobre e ferro, frascos, boiões e potes de farmácia ou curiosidades tais como o diploma do curso de Medicina de Sir Arthur Conan Doyle, o criador do mítico detetive Sherlock Holmes, ou anúncios publicitários à Pasta Medicinal Couto.
Em exposição, vão estar ainda objectos que marcam eventos que marcaram o rumo das ciências no século XX: uma das placas de Petri em que Fleming descobriu a penicilina ou uma cópia assinada de "Molecular Structure of Nucleic Acids: A Structure for Deoxyribose Nucleic Acid", ou o artigo em que James Dewey Watson e Francis Crick propõem uma estrutura em dupla-hélix para o DNA.
Paralelamente a esta exposição, comissariada por Carlos Afonso, vai decorrer um ciclo de conferências sobre temáticas diversas, relacionadas com Aníbal Cunha e com a evolução das Ciências Farmacêuticas. Até final do ano, o programa da homenagem inclui também um conjunto alargado de mesas redondas, atividades académicas dinamizadas por estudantes da FFUP, visitas ao Museu de Farmácia, entre outras iniciativas
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Natural do Porto, Aníbal Cunha (1868-1931) notabilizou-se ainda pela forte intervenção social e cívica. Ainda jovem, em 1891, foi um dos membros da tentativa de revolta republicana de 31 de Janeiro, após a qual foi obrigado ao exílio em Espanha e no Brasil. Regressado a Portugal, termina os seus estudos na Escola de Farmácia, instituição fundadora da Faculdade de Farmácia, com média de 19 valores.
Em 1911, ano da fundação da U.Porto, tornou-se o 1.º assistente da escola, onde acabaria por ter um papel importante na autonomização do ensino da Farmácia, processo que culminou em 1921, com a transformação da Escola em Faculdade. Enquanto director da FFUP e vice-reitor da U.Porto, Aníbal Cunha desempenhou ainda um papel decisivo na construção do edifício que acolheu a faculdade durante 94 anos (1918-2012), papel reconhecido com o nome da rua onde se encontra o edifício.

Em 1956/58, gastei algumas "solas de sapatos" a percorrer a rua Aníbal Cunha que atravessa a rua da Torrinha e ficava a "dois passos" do Lar da JUC, na rua da Cedofeita... Agora, são só recordações!... Boas recordações...

A DrªAdelaide Salvado...

...vai apresentar, no dia 30 de Junho, a sua obra mais recente a que deu o título "As fontes de S.Pedro de Vir-a-Corça (Maggia e sacralidade)".

Maria Adelaide Salvado


A cerimónia do lançamento deste livro vai realizar-se na Capela de S.Pedro de Vir-a-Corça, depois de amanhã, sábado, pelas 17 horas, cabendo a sua apresentação ao Jornalista Dr. Fernando Paulouro das Neves, historiador e actual director do Jornal do Fundão


Capela de S.Pedro de Vir-a-Corça.

Uma lição de História, em 20 de Maio de 1995


Pendurados lá no alto do penhasco, os alunos/as de uma "classe sénior" ouvem, com a maior atenção, as palavras de Adelaide Salvado, perante o "pasmo" de duas jovens turistas "perdidas" por aquelas paragens remotas...


A aula de 20 de Maio de 1995 - lá no alto, a trinta metros da portada da Capela de S.Pedro de Vir-a-Corça.

Parece ser antiga a relação de Adelaide Salvado com o local escolhido para o lançamento do seu livro. O tema e o título que lhe deu também confirmam essa relação...


Desejo-lhe, para sábado, um dia de pleno êxito e daqui, das margens do Rio Azul, lhe envio os meus parabéns.

27 junho 2012

Horizonte...

Um poema de Pedro Homem de Melo


Pedro Homem de Melo


Horizonte
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Este é o caminho que deve
Cobrir-se, apenas, de neve.
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O caminho da carne silenciosa
Onde o verme esquece a rosa.
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O caminho da paz.
O caminho do frio.
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Este é o caminho intacto
Mas vazio…
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in "Os Poetas ignorados"

1957

26 junho 2012

Maria Afonso...

Já sucedeu há uns tempos... e foi através do Outlook que a Maria Afonso Neves Sancho, minha antiga aluna aqui no Liceu de Setúbal, contactou comigo. Tinham decorrido entretanto 42 anos... Fiquei sensibilizado quando li a mensagem que me enviou. Estou mesmo um "choramingas"!!...

"Caro Sr. Dr. Matos
Um meu amigo do facebook mandou-me uma foto que tinha conseguido na net através do professor.
Gostei muito de a rever. E até a publiquei.
Assim vim agradecer-lhe a atenção pessoalmente (tão pessoalmente quanto a net o permite ;-)
Gostaria de saber mais do professor. A minha vida tem sido muito interessante.
E continuo a divertir-me muito nesta grande aventura,
Como presente de reencontro envio-lhe o link de uma reportagem que fizeram cá em casa.
Com os melhores cumprimentos
Maria Afonso Sancho "
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A Maria Afonso fez parte de um excelente grupo de alunos que eu tive no ano lectivo de 1969/70. A foto que se segue foi obtida na primeira semana de Abril de 1970.
Para além da Maria Afonso Sancho podemos ver, na 1ªfila, o João (Rita) Lagarto, um dos bons actores de teatro, de cinema e de TeVê, que actuam em Portugal; a Emília Santinhos (Vaz Pereira) uma excelente médica cirurgiã no Hospital de São Bernardo; um pouco mais atrás, o Maurício Abreu que "virou" um dos melhores fotógrafos de Portugal. a Helena Mantas, uma muito boa professora na Escola Técnica, actual Sebastião da Gama, o saudoso arquitecto José Carlos Gonçalves, autor da medalha comemorativa do Cinquentenário do Edifício do Liceu; e espalhados ao acaso podemos ver a Elvira Proença, o Eduardo Marques, o Lobo Soares, a Margarida Trindade Santos, a Maria José Heliodoro... e todos os outros!

Mês e meio antes, em 22 de Fevereiro de 1970, o Liceu de Setúbal fez-se representar no corso Carnavalesco que Câmara Municipal levava a efeito na Avenida Todi. Um templo grego e umas "musas folionas", enquadradas por "alguns faunos" bem intencionados, circularam pela Avenida num dia cheio de sol e alguma brisa... A Maria Afonso foi uma das "musas" que desfilou... Antes do Corso houve fotos à porta do Liceu: aqui, todos os "faunos" e todas "musas" que desfilaram na Avenida Lusa Todi.

E aqui, apenas os que eram meus alunos.
De pé: a Maria Afonso Sancho, o saudoso José Carlos Gonçalves, o Eduardo Pereira Marques e NN. Sentado: António Vinhas de Sousa


Já no decorrer do desfile, a "musa" Maria Afonso.

A Maria Afonso Neves Sancho, em 02 01 1970, num corredor do Liceu.


A Maria Afonso criou também um blogue no qual pude ler, logo na 1ªpágina, o pequeno texto que transcrevo: "Tive muito êxito na vida. E agora decidi fazer da minha vida um êxito. Busco o que é perene e eterno neste Universo composto de mudança. Portanto tenho muito com que me entreter. Aqui vou publicando textos e links que acho serem suficientemente curiosos para trocarmos ideias sobre os temas focados. Muitos têm que ver com as minhas dúvidas. Portanto um blog de discussão. Com poucas certezas. Pois obviamente tudo o que aqui se diz é pura ficção..."Maria Afonso, uns anos depois.

Mais recentemente, continua uma mulher bonita...
e também uma jornalista cheia de valor.

Maria Afonso Sancho com Maria Flávia de Monsarás, fundadora do Centro Português de Astrologia.


Fui descobrir mais “coisas” no blogue alimentado por esta minha antiga aluna e não resisto à tentação de transcrever aqui uma carta escrita pela Maria Afonso ao “cronista social” Carlos Castro, no dia 13 de Janeiro de 2011, um dia depois de ter sido divulgado, com grande alarido, o assassinato deste seu amigo, num hotel de Nova Iorque.
Espero que a Maria Afonso Sancho não me leve a mal esta transcrição… Acho que fez um bonito “desabafo” e uma bela "despedida", num texto que considero muto bem escrito

"Quinta-feira
13 01 2011

Querido Carlos
Quando me falaste em eu ir passar a consoada em tua casa respondi-te logo que não. Sou neta de um declarado "herege" mas filha de católicos. Por isto o Natal sempre foi uma comemoração discreta e calma, por toda a minha infância. As comemorações natalícias quinquilheiras, dos últimos tempos, dão-me vontade de fugir. Ficava sempre com montes de coisas giras; mas inúteis a encher, ainda mais, as gavetas.Entretanto pensei, como agora faço para avaliar da importância das coisas na minha vida, se eu estivesse no meu leito de morte ou a outra pessoa morresse, eu gostaria de ter feito isto? Informei-te Carlos que afinal ia, porque tu eras muito importante para mim. Esta ida a tua casa foi a única excepção ao meu retiro calmo e frugal durante as festas. Aproveito esta época para meditar, desintoxicar e escrever. Saindo de casa apenas para ir à ginástica. Foi muito agradável estar com as tuas irmans, o Guilherme e o Cláudio.Todos encantadores. E pessoas brilhantes. Fiz "asneiras". Ai! Comi bacalhau e aqueles doces deliciosos. Mas compensou o mal que fariam com o Bem que souberam. E depois trocamos um daqueles nossos olhares, de completa verdade, quando me surpreendeste com um presente de produtos de beleza todos com ingredientes naturais e de agricultura bio. Achei estranho que apesar de estares socialmente divertido e correcto, te notar, no fundo, tão triste e amargurado. Costumo oferecer abraços terapêuticos a amigos e conhecidos. Mas tenho de explicar antes que são: abraços sem desejo, tal como um pai ou uma mãe reconforta o filho que fez um dóidói. Contigo não foi preciso repetir esta lengalenga para o abraço ser logo compreendido e aceite. Perguntei-te, frente a toda a gente, no meio da sala "queres um abracinho?" Tu, como um menino pequenino, acenaste logo que sim com a cabeça. E ficaste ali afundado nos meus braços até te sentires com forcas para voltar ao mundo. Pediste-me mais dois abraços, durante aquela noite. Até que alguém estranhando (não é costume as pessoas andarem a reconfortar-se com abraços durante uma festa) te ou nos perguntou "que namoros são esses?" Tu recompuseste a imagem socialmente aceitável. Envergonhado?Senti que estavas a precisar de miminhos. Não entendi a tua amargura interior quando me tinhas falado daquela linda relação romântica que estavas a viver. Gente apaixonada tem o chacra do coração resplandecente. Ao tal rapaz denominei-o "Ele do Carlos Castro", quando fiz o vosso tema astrológico no pc. Disseste-me várias vezes durante a consulta telefónica, que o Cláudio Montez te tinha dito o mesmo que eu. Foi no dia 21 de Novembro. Avisei-te da possibilidade de violência. Que se alguma vez se zangassem... devias abandonar o local até tudo acalmar. Pois Plutão, Saturno e Marte podem ligar-nos ao Grande Mal. E cada um de nós contem a Totalidade do Universo dentro de si. Insisti, nessa noite de Natal que devias viver plenamente esse amor tão lindo. Que nunca tinha visto uma relação gay ser tão romântica. Que os jovens têm uma cabeça muito menos complicada do que os crescidos. Que deixasses de te ralar com a diferença de idades. Que aproveitasses com gratidão o amor lindo que me relataste. Sempre me surpreendeste com a tua capacidade de acreditares em estranhos e deixar-te magoar. Como o desgosto que tiveste, quando a outra maluca inventou que tinha cancro e rapou a cabeça. Os teus amigos conheciam o Renato melhor que eu. Nenhum deles estava muito convencido dessa vossa relação. Se calhar apenas inventaste a relação que gostarias de ter tido. Eu acreditei em ti. Pouco do que nos contam agora bate certo com o que me tinhas dito. Nem a faculdade onde ele estudava, sequer. Porem o bonito foi que depois da troca de presentes despedimo-nos todos, eu, tuas irmãs e teus amigos, com aqueles grandes abraços coração com coração.A inda voltamos a falar quando te agradeci o jantar. Continuavas sem ter o chacra do coração resplandecente. Tinha ficado surpreendida com a qualidade dos produtos naturais que me deste e estava à espera que voltasses de NY para te dar os parabéns pela excelente escolha. Afinal tenho de to agradecer assim. De agora para a frente não quero saber mais nada desta historia toda. Passei a manhã a ver tv, em que tudo isto foi esmiuçado. Fiquei com azia pela primeira vez na vida. Quanto mais se mexe no Mal mais tudo fede. Prefiro guardar para mim a memoria da agradável zona da tua totalidade, que me tocou viver. Felizmente reatamos a nossa amizade. Depois de todos os equívocos, invejas e mentiras, que como um furacão, rodeavam a eleição dos Mais e Menos Elegantes que fazíamos nos anos 80 do século passado. E até acho que há dias me enviaste divertido, uma piscadela de olho e um daqueles teus acenos de mão, que queriam dizer "não te rales". Depois de teres saído de cena com um "grand finale": dramaticamente assassinado num grande hotel em NY. "Grand Finale" este que te tornou celebridade global. Referido apenas como um "famoso jornalista português". Tu que abominavas ser reduzido pela classificação de "cronista social". Apesar de eu te ver e sentir, acima de tudo como POETA. Ate sempre, Amigo!Mas entretanto sempre que precisares recebe muitos: bj, miminhos e abracinhos para ti, querido Carlinhos."
Publicada por Maria Afonso Sancho, em 13 01 2011, às 1:26 AM.

25 junho 2012

As "garotas" de Iñigo...

Humor antigo
com o traço de
I ñ i g o


- Mamã!... Mamã!... Descobri que o Luis me ama!...
Ensinou-me já a mudar o filtro do óleo do seu automável!

Escrito no vento...

Aquele que tem fé nunca está só.”
.

Thomas Carlyle

24 junho 2012

O alho-porro, no Porto...

...nas noites de São João

S.João


Quando estive lá no Porto,
Nas noites de São João
Não havia “martelinhos”…
Só alho-porro na mão!...
.
Se o dia de sol aberto
Alegrava o coração
Logo à noite o alho-porro
Subia de cotação…
.
Da rua de Santo António
Subida sem pé no chão
Diziam que era o milagre
Da noite de São João
.
Nas noites de São João
Sem rezas nem ladainhas
Toda a ternura acabava
Nos bailes das Fontainhas
.
Depois já, de madrugada,
A precisar de socorro...
Paira por toda a cidade
O pivete a alho-porro

Ainda serão como dantes, tal como as conheci durante dois anos, as festas do São João no Porto?!...

Devem ser, mas a chinfrineira dos martelinhos deve ter tirado muito do encanto e da gentileza que tinha o "toque" do alho-porro...

23 junho 2012

Parabéns!... 23 de Junho

O meu irmão Olímpio faz anos hoje...
Deixo-lhe aqui um abraço enorme.


Olímpio Mendes de Matos

22 junho 2012

A um espanhol nunca direi: Pois bem!...

Um Poema de Afonso Lopes VieiraAfonso Lopes Vieira

Pois Bem!


Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...


E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear


E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!

Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.

21 junho 2012

Ainda bem que não passou de boato...

... Segundo as "crenças populares", Eunice Muñoz tem direito a mais "sete anos de vida"!!... Eunice Muñoz continua por cá...

"Existe um rumor aqui no facebook que é necessário desmentir. Não se preocupem, está tudo bem comigo. Trata-se de uma brincadeira de muito mau gosto, que só conseguiu deixar preocupados familiares e amigos”, foi a mensagem que Eunice Muñoz partilhou através da sua página oficial na rede social Facebook.
Relembramos que a atriz deu uma queda durante os ensaios da peça "O Comboio da Madrugada", no Teatro Dona Maria II, em Maio, tendo ficado com dois punhos fraturados, uma ligeira fratura na coluna cervical, a cabeça partida junto à testa, um hematoma muito grande no olho esquerdo e alguns dentes partidos.



Com as minhas desculpas à grande Eunice e àqueles, poucos, dos meus leitores que teriam lido o apontamento que escrevi esta manhã, deixo aqui a rectificação do lapso cometido que colhi no Facebook.

Escrito no vento...

"O problema do nosso tempo é que o futuro já não é o que costumava ser..."
.
Paul Valery

20 junho 2012

As "garotas" de Carrillo...

Humor antigo
com o traço de
C a r r i l l o

Duas horas depois do casamento:
Ele - Agora compreendo porque chorava a tua Mãe... Era de alegria!...

19 junho 2012

Portugal 2 - Holanda 1...

Esta ainda vai a tempo!...
Portugal fez uma bela exibição...

Obrigado, Zaida. A foto está magnífica...

Fotografias de Castelo Branco...

Estas "casetas" comerciais existiam na Praça do Município, no espaço que é hoje ocupado pelo triangulo ajardinado que confina com as escadinhas do Edifício do Tribunal e tinham por fundo o edifício do Governo Civil. Por cima delas, protegido por um varandim de cimento, havia um espaço também acimentado onde, por volta de 1945 fazíamos umas belas "jogatanas" de futebol... A avaliar pelo "bólide" aqui presente, presumo que esta foto seja anterior a 1940...
Talvez o fotógrafo Ceia seja o seu autor, pois o José Pedro Barata ainda não tinha chegado a Castelo Branco, nessa altura...(foto de autor desconhecido)

18 junho 2012

Actas da Câmara Municipal

Sessão de 27 de Outubro de 1959 (cont.)
…realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores, Doutor Joaquim Arco, Doutor José Caldeira Areias, Eng. António Barroso, Joaquim Rodrigues Simões, Raul Veríssimo de Mira e Afonso Henriques Rocha
Assistiu à reunião o Primeiro-Oficial da Secretaria (Carlos Gentil) (?)
Átrio do edifício da Câmara Municipal





(cont.) Seguidamente, o Senhor Vereador Afonso Henriques Rocha disse:
Solicita-me Vossa Excelência a minha opinião sobre a vinda de Celulosa para Setúbal, o que passo a fazer.
Como componente de uma pequena indústria local que tem como fim. a venda de automóveis e acessórios, com oficina de reparação de automóveis equipada com máquinas para diversos trabalhos metalo-mecânicos, julgo de grande interesse e altamente vantajoso para o desenvolvimento da minha indústria como de outras congéneres, bem como para a actividade do comércio local, que se criem novas fontes de riqueza, principalmente grandes unidades industriais, necessariamente consumidoras em larga escala de produtos e serviços fornecidos por estas mesmas actividades e assim se verifica que, de Janeiro a Março, a indústria de que faço parte tem um período de paralisação, julgo, pelo motivo de se estar no defeso, valendo-nos justamente nessa altura, as grandes unidades industriais existentes, como sejam , Sapec, Sécil, Uep, Iola, et cetera, assim como alguns trabalhos que nos são solicitados pela indústria das conservas que aproveitam o período do defeso para fazerem vistoria e as respectivas reparações das suas máquinas, a fim de estarem devidamente aptas a trabalharem no início da safra,
No relativo aos problemas surgidos quanto a certas actividades actualmente existentes e tradicionais na nossa região, ouso emitir a opinião convicta e, creio, profundamente séria, de que à solicitação da mão de obra a fazer por qualquer unidade industrial de grande envergadura, acorreria grande massa de trabalhadores desejosa de trocar a sua actual profissão, incerta e pouco rendosa por outra que além de melhor remuneração lhe garante um trabalho permanente e certo, que lhes permitirá ver um melhor futuro para si e para a sua família.
Justificando esta minha opinião, devo dizer que na minha pequena indústria local, tenho empregado inúmeros marítimos como lavadores, lubrificadores, et coetera, que embora seja uma pequena indústria, portanto sem as garantias que lhes poderá oferecer uma grande unidade industrial, estes marítimos têm trocado a sua profissão, não empregando mais, porque para mais não tenho lugar, estando certo que o que sucede comigo, sucederá com os meus colegas e ainda, com as grandes empresas existentes que acima indico.
Pelo exposto e desde que a empresa garanta que a sua indústria não prejudicará as actividades existentes é com o maior entusiasmo que desejo que venha a celulosa e todas as grandes unidades industriais que possam vir aumentar e desenvolver a nossa cidade de Setúbal proporcionando aos seus habitantes, trabalho e bem estar de que todos nós desejamos.
A seguir, o Senhor Vereador Engenheiro Raul Veríssimo de Mira afirmou:
Vê na instalação da celulose a possibilidade de aproveitamento de largos areais impróprios para a agricultura mas de bom aproveitamento para o revestimento florestal à base de eucaliptos o que, além de constituir uma nova fonte de riqueza produziria outros benefícios para a lavoura.
Exprime todavia o receio de que a celulose venha contribuir para o impedimento da instalação de outras indústrias, mas reconhece as vantagens imediatas, no campo social e económico que a instalação, no concelho, desta grande unidade fabril constitui. No que respeita aos inconvenientes apresentados para a cultura do arroz não se lhe afiguram com sério fundamento, uma vez que o arroz é tratado com água doce e os detritos da celulose se escoam necessariamente para o mar.
Não pode deixar de salientar que, para a própria lavoura, a instalação de novas indústrias tem interesse por absorverem a mão de obra que esta vais dispensar por virtude da sua inevitável e necessária mecanização.
O Senhor Vereador Doutor José Caldeira Areias disse:
Não falo como técnico visto não ter tido oportunidade de estudar, sequer superficialmente, o problema da influência dos resíduos da indústria da Celulose sobre as espécies biológicas de interesse local.
Penso que não interessa à região formar-se uma corrente de opinião contra ou a favor da instalação da nova indústria mas sim, em face do problema social de Setúbal, em que se obtenham garantias seguras de que a laboração da Celulose não traga prejuízos à fauna do Sado, salinas e outras actividades locais ligadas ao Rio.
Tem-se perdido algumas indústrias para Setúbal, torna-se portanto de fundamental interesse a criação de um estado de espírito que favoreça o seu afluxo e nunca que provoque o seu agastamento.
A Celulose representaria inegavelmente um apreciável valor económico e social para a cidade. Desde que seja garantida suficientemente a defesa das actividades já existentes, a instalação desta nova unidade industrial seria um belo instrumentos de progresso para Setúbal.
Por fim, o Senhor Vereador Joaquim Rodrigues Simões afirmou:
Como lavrador, embora pequeno, mas encanecido (?) na sua actividade e no conhecimento prático das coisas da região, quero afirmar que considero altamente benéfico para a agricultura, o estabelecimento de novas e grandes indústrias em Setúbal. A agricultura e a indústria são as duas grandes alavancas do desenvolvimento económico, concorrendo ambas na tarefa de fomentar o progresso. Com a indústria aumenta o comércio, eleva-se o nível de vida e, consequentemente, valorizam-se os produtos agrícolas.
No respeitante ao perigo de conspurcação das salinas, desejo lembrar como agricultor e também como salineiro - que é em pequena escala – que existe grande e florescente actividade de extracção de sal marinho em toda a zona de Alcochete e Baixa da Banheira, na vizinhança imediata do Barreiro e dos depósitos da Companhia União Fabril.

17 junho 2012

Balada da neve...

... um poema de Augusto Gil


Augusto Gil



Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.


in. "Luar de Janeiro" - 1909

16 junho 2012

Eles que se lixem!...

Na sua coluna de "Opinião", aos Sábados, no "Público"
VPC aborda um tema que foi criticado, na altura própria,
por todos os agentes (sérios) ligados ao ensino...
Só os "políticos de pacotilha" e os "professores de lambreta" viram o "furo" que ali estava a surgir... para "se aproveitarem da situação"...



Vasco Pulido Valente

"Portugal tem um número extravagante (e suponho que nunca visto num país tão pequeno) de 4154 cursos “superiores”. Destes, 1320 produzem mais do que 10,32 por cento dos desempregados. Perante isto, o Ministro da Educação resolveu diminuir o número de vagas, sobretudo em “Educação Básica” e em “Educação de Infância”. Como se chegou a uma situação practicamente sem conserto, que levará com certeza uma vida humana a endireitar? A resposta é a de sempre: partidos, câmaras, clientelas, que por acaso, dominavam o voto de um concelho e até, às vezes, de uma freguesia. Escusado será dizer que esta espécie de educação “superior” é o exacto contrário de uma educação superior ou mesmo de uma educação. Só analfabetos a poderiam conceber e aprovar.
Basta meia dúzia de exemplos para ilustrar o cidadão comum. Em Portugal, existem 20 faculdades de Direito, com a consequência inevitável de que os licenciados em Direito estão no desemprego ou trabalham, precariamente, “no que vai aparecendo”… Outro exemplo: há uma Escola Superior de Educação em Arcozelo.uma segunda em Fafe. E há ainda uma Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas (como serão as que não se aplicam?) na Universidade de Trás-os-Montes e uma Faculdade de Estudos Artísticos na Universidade do Algarve.
Quem quiser um bom olhar sobre a loucura que nos trouxe aqui, leia a lista do princípio ao fim com alguma atenção e tente não esquecer quem pagou a conta. Mas tente principalmente não esquecer as vítimas, a que a megalomania roubou o futuro.
Desde 1985, o Presidente da República e o primeiro-ministro não perderam o mais preliminar discurso para proclamar aos portugueses que o nosso grande capital era o “capital humano”. Quem estudasse com aplicação abria infalivelmente um mundo novo de abundância e de oportunidade, como na “Europa”. A repetição desta ladainha convenceu – e como não iria convencer? – milhares de jovens, que, de facto, estudaram, se esforçaram e esperaram, obviamente, uma recompensa digna. A recompensa foi o desemprego e, pior ainda, o desemprego a longo prazo. Hoje, Pedro Passos Coelho incita a emigrar 62.000 licenciados, para quem Portugal não arranjou, nem arranjará, lugar. São uma obra do Estado e de umas dezenas (ou centenas) de câmaras geridas por iletrados, que já não serve para ganhar votos. Eles que se lixem!

VPV, hoje, não nos traz nada que já não soubéssemos...

Escrito no vento...

Todos os dias há um sol novo”.
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Heraclito

15 junho 2012

Setubalense - 1964 - Outubro

3 de Outubro
Exército

Foi promovido a Coronel o Sr.David Martins Calado, comandante do RI 11
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5 de Outubro
Liceu Nacional de Setúbal
Segundo Notícia do Barreiro, inserta no nosso colega "Diário de Lisboa", há naquela vila, um grande descontentamento entre os alunos do 3ºCiclo que este ano estão matriculados no Liceu de Setúbal, por terem conhecimento do horário que lhe foi estabelecido, pois este principia ás 14 horas, e os meios de transporte de que dispõem não garante com segurança a chegada a tempo às aulas, a menos que se desloquem com grande antecedência, tal implicando novas despesas com o almoço.
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5 de Outubro
Câmara Municipal de Setúbal
Finalmente a regularização da Travessa da Alfândega?
A Câmara Municipal de Setúbal resolveu adquiria à Sr.ª D. Aida Valido Pedroso, pela quantia de 180 contos, o prédio urbano situado na Travessa da Alfândega, nº11, 13 e 15, imóvel que se destina a ser demolido para efeito do alargamento da referida travessa.
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10 de Outubro
Cultura
Quando o pano desceu...
O "5º Mandamento" no Cine Teatro Luisa Todi
O Grupo Ribalta levou à cena a peça "O 5º Mandamento", de Carlos Tomás Cebola
... Permitam todavia os intervenientes que falemos ainda do "Homem"-- esse homem inconfundível que é Carlos Ferreira. Director, encenador, interprete, foi ele o corpo e o espírito dum espectáculo originalíssimo de encenação, de cor, de beleza e de imprevisto. Parabéns, pois ao "homem"Carlos Ferreira - como aliás a todos que colaboraram com ele.
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10 de Outubro
Cultura
Dos Novos (coluna com 3 poemas):
"O último beijo" - de Conceição Areias.
"Despedida" - de Mona Lisa
"Sonhos" - de Rogério Severino
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14 de Outubro
Óbito
Faleceu ontem Prof. Francisco Gentil
Francisco Soares Branco Gentil, nasceu em Alcácer do Sal em 27 de Fevereiro de 1878. Tinha 86 anos.
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14 de Outubro
Incêndio
O arrastão "Madalena Sobral" em chamas.
Foi salva toda a tripulação.
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14 de Outubro
Notícias pessoais
Em Portimão, teve, no sábado, o seu bom sucesso, a Sr.ª D.Maria das Dores Mercedes Feu Leote Tavares Esquível, esposa do Sr. Dr. Manuel Sanches Inglês Esquível, Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência.
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17 de Outubro
Óbito
Morre em Setúbal Ilídio Teodoro Paninho, comerciante com 61 anos. Era sogro do oficial da Marinha Mercante, Sr.João Cardoso de Magalhães.
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19 de Outubro
Vitória FC
Marc Velge ofereceu 32 metros de gradeamento para o Estádio do Vitória
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21 de Outubro
Câmara Municipal de Setúbal
Comissão de Toponímia
Presidente - Dr.Manuel Jose Constantino de Goes
Vereador Manuel Pacheco Wengorovius
Ag.Téc.Eng. Luis Filipe Carvalho da Silva
Eng.João Botelho Moniz Borba
Dr.Estêvão Moreira e
Sr.Guilherme Faria
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24 de Outubro
Notícias pessoais
Joaquim Manuel Canas Moreira
Terminou há dias o curso de Medicina na Universidade de Lisboa, com 25 anos.

14 junho 2012

A Manuela Picciochi não resistiu mais...

Faleceu ontem a Drª Manuela Picciochi, nossa colega de Biologia na Facudade de Ciências de Lisboa.
Deixo-lhe aqui a minha homenagem com a certeza de ela ter cumprido na íntegra todos os seus deveres como Professora, como Pessoa e como Amiga dos seus amigos.
Um abraço sentido para o Paulo com o desejo sincero de que possa superar a falta que a Manuela lhe vai fazer...

Drª Maria Manuela Jorge Vicente Picciochi

Que descanse em Paz.

Num passeio há poucos dias...



... visitámos Gibraltar.O rochedo é imponente e a sua altura assusta um pouco...

Tem uma vista soberba sobre a cidade espanhola de La Línea e sobre o aeroporto cuja pista se cruza com a avenida Winston Churchill, a importante via de ligação ao centro da cidade. É vulgar o semáforo ficar vermelho e os carros pararem para que um avião aterre ou levante voo, o que demora em média cerca de 10 minutos. Aterrava um avião quando fiz esta fotografia




Lá do alto toda a gente apontava as câmaras para tudo o que vislumbrava...

A cidade de La Línea vista lá do alto

Desta vez foi o Flórido quem "bateu a chapa"...
... e ficou obra asseada!

A Main Street em Gibraltar

Ir a Gibraltar e não ver os "macacões" não é coisa que se faça...
e muito menos "tirar-lhes o retrato"...
Já repararam bem na "carinha" do bebé?! Já viram o tamanhinho dele?!...