31 janeiro 2009

Mais dois apontamentos...

Primeiro apontamento:
.
As perguntas que ficaram por responder:
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1. A quem é que o Senhor Primeiro Ministro, José Sócrates, comprou o apartamento na rua Brancamp, no Edifício Heron Castilho?
.
2. Segundo o registo predial do prédio, o Senhor Primeiro Ministro comprou a parte da sua ex-mulher. Como pagou?
.
3.Com que dinheiro é que Maria Adelaide de Carvalho Monteiro pagou o apartamento?
.
4. Qual era a profissão da Mãe do Senhor Primeiro Ministro?
.
in. "Correio da Manhã"
de 31 de Janeiro de 2009

Segundo apontamento:
"Testemunha ouviu Manuel Pedro dizer a João Cabral (quadro da Freeport) que Sócrates já tinha recebido 400 mil."
.
in."Correio da Manhã"
de 31 de Janeiro de 2009

As "garotas" de Wenzel...

Humor antigo
com o traço de
Wenzel
in, "Anedota ilustrada",
nº3, em 1960

- Foi ela que insistiu em vir assim! Quer que toda a gente saiba que não tem nada a esconder...

Apontamento ... 2

Sinais do futuro
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"Cavaco como supremo magistrado"

:...:.(com a devida vénia a Octávio Ribeiro)
.
Quem atente no teor da carta rogatória enviada pelas autoridades britânicas e depois recorde as palavras da procuradora Cândida Almeida e o último comunicado da PGR fica com várias dúvidas que se podem verter numa só pergunta: estará a justiça portuguesa a fazer tudo o que lhe é constitucionalmente exigível para o esclarecimento cabal das suspeitas em torno da viabilização do projecto Freeport?
Todos os que civilizadamente pagam os seus impostos e procuram comportar-se na vida em sociedade de forma honesta exigem que a resposta a esta pergunta seja um veemente ‘sim. Exigem que a justiça separe o que é essencial do acessório: neste caso, a busca da verdade material com recurso a todos os meios legais deve prevalecer sobre oportunos nacionalismos balofos. Sobre as lógicas de velhas quintas do Ministério Público, dominadas por ‘barões’ e ‘marquesas’, como há tempos ilustrou o actual PGR.
Um Estado em que os cidadãos perdem a confiança nos políticos e o respeito pela Justiça torna-se um pântano a caminho da anarquia ou de outra ordem musculada.
É bom que o Presidente da República retire ou reafirme a confiança em Pinto Monteiro.
Octávio Ribeiro

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Texto publicado no
"Correio da Manhã"
em 31 Janeiro 2009 - 00h30


Apontamento... 1

"Mãe compra a pronto casa a offshore."
Maria Adelaide de Carvalho Monteiro, a mãe do primeiro-ministro José Sócrates, comprou o apartamento na Rua Braamcamp, em Lisboa, a uma sociedade off-shore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas.
Em Novembro de 1998, nove meses depois de José Sócrates se ter mudado para o terceiro andar do prédio Heron Castilho, a mãe do primeiro-ministro adquiria o quarto piso, letra E, com um valor tributável de 44 923 000 escudos – cerca de 224 mil euros –, sem recurso a qualquer empréstimo bancário e auferindo um rendimento anual declarado nas Finanças que foi inferior a 250 euros (50 contos)."
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in."Correio da Manhã"
31.01.2009
.
Para ler e reflectir...


As minhas turmas no Liceu 2ºQ 1978/79

1ºAno compl. - Turma I
em 1977/78.
Fui professor desta turma
em Ciências Naturais


Alcides Lopes Mordomo
Álvaro Manuel Pereira Carreira
Ana Paula Almeida Coelho Gonçalves
João Paulo Barradas Félix Cândido
José Carlos Gonçalves Carvalho
José Mário Santos Mourinho Félix
Luís Anselmo de Sousa Pereira
Virgínia Maria Lopes Homem

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Faziam também parte desta turma os alunos:
Ana Judite Ventura Guilherme
Carlos João Martins Monteiro
José Alberto da Cruz Santos
Luís Manuel Farinha Nunes e
Luisa Emília Raimundo Marques


30 janeiro 2009

Eu tive uma rosa

Eu tive uma rosa

Eu tive
Uma rosa,
Bonita
Cheirosa,
Nascida
Num charco.

Colhi-a
Na mão,
Plantei-a
Num vão,
Debaixo
De um arco.

Como uma
Semente,
Ficou
De repente,
Tão cheia
De vida...

Era linda
A flor,
Vestida
A primor,
Corola
Garrida...

Mantive
Com ela,
A rosa
Amarela,
Um amor
Sedento!...

Contive
O desejo,
Recebi
Um beijo
De amor
Violento...

E tive
Com ela,
A flor
Amarela,
Vida de
Tormento...

A bonita
Rosa,
Sendo tão
Formosa,
Tem espinhos
Agrestes!...

Que picam
Mansinho,
Penetram
Fininho,
Agudos
Silvestres...

Que ferem
A alma
E rasgam
A palma
Da mão
Que a colheu...

Num dia
Banal,
A tantos
Igual,
Quis subir
Ao céu.

Esqueceu
Depressa,
Eterna
Promessa,
De um amor
Profundo...

A traição
Recente
Caíu,
De repente,
Nas bocas
Do mundo!

Um cravo
Senil,
Plantado
Em abril,
Roubou
Minha flor...

Perdeu
A frescura!...
Numa noite
Escura,
Ficou
Sem vigor!...

Pétala
Que cai,
No vento
Se esvai...
A rosa
Está nua!...

Caída
Num canto,
Chorosa
Num pranto,
Teima e
Não recua.

Sozinha
Na rua,
Só a cobre
A lua
De afecto
E luar...

Carece
Na alma,
Um pouco
De calma...
...P’ra ser
E amar...

Sente
Um arrepio,
Na alma
Tem frio...
Pensa que
Está só...

Cansada
Da vida,
Regressa
Dorida...
Rasteja
No pó...

E vem mais
Vivida...
Mais tempo
De vida...
Mais gasta
Voltou!...

Vem ver
O Amigo,
Um abraço
Antigo...
Por ela
Esperou!...

Sossegou
Então,
Aquele
Coração...
E lhe
Perdoou!...

E a flor
Amarela,
Mais linda
E mais bela,
Sentiu
Outro dia!...

Sentiu
O alvor...
Sentiu
Mais amor...
Sentiu
Que vivia...

Sentiu
Alvorada...
Sentiu que
Era amada...
Sentiu
Que o amou!...

E ao pensar
Na vida,
Ainda
Sofrida...
A rosa
Chorou...

15-06-1998

j.averomar

Alte Pinakothek - Munique

A Doente de Amor
Jan Steen
1626 (?)- 1679


A Doente de Amor
.
No quadro é representada com subtil ironia uma mulher jovem que sofre os padecimentos de amor, a quem um médico toma o pulso. Na folha de papel que a jovem tem na mão está escrito:”Der Helpt geen medezun want her is minne pyn” (Não há remédio eficaz quando se trata de penas de amor). A este tema alude também Cupido, com arco e flecha, por cima da porta, e o quadro pendurado sobre a cama (Vénus e Cupido ?) A personagem do médico é também tratada com ironia: de facto, não é retratado em trajo da época, mas num fato de fantasia inspirado na comédia italiana, usado no século XVII no teatro holandês.

Cfr. Hermann Bauer
In “Grandes Museus do Mundo
Ed.Verbo – Setembro/1973

Oleiros 1948

Passeios em Oleiros
no Verão de 1949


Esta fotografia vai fazer 60 anos...

Decidiam-se quase de véspera… mas quando resolviam dar um passeio (a pé, claro!...) lá íamos todos, até as pernas aguentarem… Nós, os mais novos, não nos queixávamos muito, mas recordo alguns “regressos” um pouco penosos…
Em alguns passeios, e lembro um que fizemos às Mougueiras, um cavalicoque” (ou seria ainda a Catita, uma égua linda que era o enlevo da Casa Romão?) conduzido pelo Aníbal, acompanhava-nos. Mas o cavalo era só um e as damas cansavam-se mais depressa …
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A foto mostra-nos como o tempo não perdoa. Dos presentes na foto, apenas quatro teimam ainda em andar por cá… o mais novo dos quais deve ter agora 60 anos… De qualquer modo não sei o que aconteceu aos irmãos de Álvaro.
.
As primas “Romões” estavam ali em força, com a presença da sobrinha de Viseu, a Ana Máxima, que teria tido falta na Figueira da Foz se lá tivesse que assinar o ponto… e da Ana (?), da prima Gracinda, com apenas uns mesitos de idade, a reforçar o “clã” ali já tão bem representado.
Para lá das representantes da família Romão, apenas o Professor Francisco de Matos, marido da Gracinda e o António Mendonça, de Álvaro mais a irmã e o meu irmão Olímpio ali se vêem. Deduzo que tenha sido eu o fotógrafo de serviço… Já naquela altura!...
.
Na foto podemos identificar,
na 1ªfila: a prima Celestina, em desiquilíbrio, o Prof.Francisco e a Gracinda, agarrada ao pescoço do marido, o António Mendonça, a prima Guiomar, a Ana Máxima, a prima Aura e a irmã do António de Álvaro.
Na 2ªfila, lá atrás: o Olímpio, a prima Arminda, a “miúda” Ana (?) e a prima Hermínia.
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Fica assim, mais uma memória de tempos felizes e mais uma memória de Oleiros de que muito pouca gente se deve lembrar agora…

29 janeiro 2009

Não há banqueiros, há supervisores...

Um Editorial de
Helena Garrido
no Jornal de Negócios
29.01.2009 13:00

Helena Garrido

Afinal os bancos também podem cair, abatidos pela ganância e invadidos por vigaristas. Esta é a realidade a que nos estamos a habituar desde há quase dois anos, abalados e desnorteados pelo facto de sabermos que o sistema bancário só funciona no actual modelo porque confiamos nele. O que nos pode e deve consolar é a actuação das autoridades e o facto de se estarem a descobrir as vigarices.

(…) Hoje, com uma grande violência, verificamos que nada nem ninguém tinha condições de proteger as nossas poupanças, se a elas tivessem acesso vigaristas. Como tiveram.

Tínhamos, afinal, na banca uma confiança quase próxima da fé. Sem nunca nos termos dado conta disso. Hoje temos consciência de que também toda a arquitectura da supervisão e regulação estava em grande parte alicerçada na confiança, fundada na carreira e no estatuto de quem dirigia os bancos.

(…) o sistema bancário estava alicerçado na confiança que as autoridades tinham na capacidade e seriedade dos banqueiros. Não era qualquer um que chegava ao topo de uma instituição financeira. A sua carreira ou a sua história familiar, idónea e profissional, justificavam essa confiança das autoridades. E todo o sistema estava apoiado no pressuposto da seriedade de quem dirigia os bancos. Porque não existem sistemas de informação, em democracia e mercado livre, que tranquem as portas da vigarice.

O mais grave nesta crise bancária é a ferida que se abriu na confiança que tínhamos nos banqueiros e nos bancos.

(…)Hoje nenhum supervisor pode confiar num banqueiro com base no quadro de referências que tinha no passado. E, mais grave ainda, sabe que não terá nunca, em democracia e com a banca em mãos privadas, meios para garantir que nada acontecerá a um banco.

A escolha é nossa. Se queremos liberdade e mercado, teremos de nos sujeitar aos riscos dessa opção. Ninguém será capaz de prevenir vigarices. Teremos de ser nós a escolher melhor o nosso banco, estando atentos à informação dos supervisores.

Os banqueiros, como os idealizávamos, podem estar em vias de extinção. Mas, até mais bem do que mal, há supervisores e há a justiça.

Outro apontamento...

"João Pedroso era professor em exclusividade na Universidade de Coimbra quando a ministra o contratou."
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Maria de Lurdes Rodrigues não explica como celebrou contratos de quase 300 mil euros com o jurista, quando este era pago pelo Estado para ser apenas professor."
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O "Público" perguntou por escrito a Maria de Lurdes Rodrigues, se a ministra sabia, ou se procurou saber, se Pedroso estava em exclusividade quando o contratou, mas não obteve resposta."
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José António Cerejo
in. "Público"
29.01.2009

Apontamento...4

“O estudo estrangeiro que diz bem do nosso governo é um clássico. A Pátria tem esta fraqueza: tudo que, de bom ou mau, de nós se diga para lá de Olivença tem uma enorme repercussão nas nossas lusas meninges. Quem nos governa sabe disso. Daí que governos sucessivos ao longo do século XX, tenham pago a jornalistas e a uns denominados intelectuais para escreverem sobre o caso português. Agora chegou a vez dos técnicos de organizações internacionais se prestarem a esta função.”
.
Helena Matos
in. “Coisas lá de fora
Público, em 29 Jan 2009

Apontamento...3

“…histórias recentes elevaram essa complacência para níveis preocupantes. Essas histórias têm nome. Chamam-se Casa Pia e José Sócrates. O PS terá um dia de fazer o balanço destes dois episódios distintos da sua vida, episódios em que aquele partido reagiu de igual modo perante acusações de natureza absolutamente diversa aos seus dirigentes: nos dois casos, importantes dirigentes socialistas alegaram que foram vítimas de cabalas.”

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Helena Matos
in. “Espaço Público
29 Jan 2009

Apontamento... 2

“…era o que poderemos designar como um socialista histórico. Fazia parte daquele grupo que se fizera adulto nas crises académicas dos anos 60 e 70, reforçada, depois de 74, os seus pergaminhos democráticos combatendo as tentações totalitárias dos comunistas e, durante o cavaquismo, integrara a corte de Soares em Belém. Foram mais de 20 anos a ver-se, ele e todo o seu grupo, como infinitamente cultos e superiores nas mesas espelhadas dos gabinetes. E são eles que agora têm pela frente, como seu líder, um homem que noutro contexto teriam literalmente arrasado. Por elitismo intelectual. Mas não só.”
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Helena Matos
in. “Espaço Público
29 Jan 2009

Apontamento... 1

Aquelas casas! Que horror!”. Assim comentava, nos bastidores de um debate, alguém da área do PS, a traça das casas cujos projectos José Sócrates garante ter assinado, embora os respectivos proprietários digam não ser ele o autor dos projectos.
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Helena Matos
in.” Espaço Público
28 Jan 2009

Uma Turma do 1ºAno...

Liceu Nacional de Setúbal
1946/47
1ºAno - Turma B

Foto obtida em Maio de 1947

Podemos identificar nesta fotografia,
no 1ºplano: Maria José Constantino Liberato, Maria Helena Gomes, Francisca Serralha, Maria Luisa dos Santos Pinto e a Maria Lucrécia Santos Coelho;
no 2ºplano: Paulina Maria Sertório Pimentel, Maria Amélia Veiga Cardoso, Maria de Lurdes Leal (a "Lili"), Maria da Saudade Cristina Peres, Maria Helena Cardoso de Amorim, Maria de Lurdes Andrade, Maria Manuela Cola e Maria do Carmo Noronha Gamito;
no 3ºplano: o Contínuo, Sr. Agostinho Fava, José Luís Trindade Alves, João Carlos Rosa Salgueiro, José Carlos Núncio Sequeira Lopes, Prof.ª Maria Sofia Guimarães, José Figueiredo Pereira Rica, Rui Benjamim Palhão da Cruz e o Henrique Nascimento Sá;
no 4ºplano: Manuel Afonso Rodrigues da Cruz, José Frigolet Rogado, Frederico Armando Martins Benzinho, Prof. Orlando Serradas Duarte, José da Silva Cardoso, Manuel Maria Poirier Braz e Luís Cabral Adão.

(esta foto foi gentilmente cedida pelo antigo aluno, aqui presente, Dr.Manuel Maria Poirier Braz)

28 janeiro 2009

Outro apontamento...

Sócrates corresponde muito mais ao tipo de finório vivaço do que ao de governante competente.”
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Vasco da Graça Moura
In. Diário de Notícias
28 Jan 2009

Um apontamento...

O Presidente do Conselho Executivo para a Avaliação dos Professores, um órgão consultivo da Ministério da Educação, foi um dos autores do estudo “Políticas de valorização do 1º ciclo do ensino básico em Portugal.”, apresentado esta 2ªfeira em Lisboa, onde eram feitos rasgados elogios à actuação da equipa de Maria de Lurdes Rodrigues.”
.
In. Diário de Notícias.
28 Jan 2009

Apontamento...

Quem tem medo da avaliação são os maus professores.”
.
Patrícia de Jesus,
in. Diário de Notícias
28 Jan. 2009

Foi há 60 anos...

Liceu Bocage
Ano da Inauguração do novo edifício.
1 9 4 9
.
O início do ano de 1949 é frio e chuvoso.
Rezam as memórias que era, por essa altura, Capitão do Porto de Setúbal, o senhor Comandante Duarte de Almeida Carvalho e Piloto Mor o senhor José Joaquim Lopes. Cândido Bogarim era então Piloto da Barra.

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Na Estação de Fruticultura da Varzinha pontificava o senhor Eng. Lopes da Fonseca e o Eng. Armando Henrique Roovers da Costa Neves, espreitava já a sua vez, como Director Adjunto daquela Instituição.

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Nas vésperas do aniversário do nascimento de Luisa Todi, o Café Central inaugurava uma secção de Restaurante, no andar superior das suas instalações, na praça de Bocage, onde reside hoje o Millenium BCP

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No segundo domingo de Janeiro, o saudoso Domingos do Rosário marcou o golo solitário do Vitória contra o Belenenses, que venceu por 3-1, o encontro das Salésias.

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No dia 12 de Janeiro, sob a presidência do sr. Dr. Manuel António Gamito, teve lugar mais uma reunião do Rotary Clube de Setúbal.
Fez a conferência o sr. Dr. Gago da Silva que traçou a biografia do ilustre setubalense Dr.Vicente José de Carvalho que foi Director da Faculdade de Medicina do Porto.
Censura foi feita pelo senhor Dr. José Martins do Soveral Rodrigues.

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Na tarde de 15 de Janeiro é inaugurada nas Salas do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz, em Lisboa, a Exposição do moço pintor Celestino Alves, setubalense ilustre.

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Em 17 de Janeiro, o Dr.Manuel Gamito, distinto advogado e Reitor do Liceu, em entrevista concedida a um jornal da cidade afirmava:
Só com a grande reconstrução moral e material do país, que vem desde a entrada de Salazar no poder, foi possível a obra de construção do Liceu de Setúbal”.
E mais adiante, referindo-se à medicina escolar, acrescentava:
“ ... desde o seu primeiro médico escolar, ( primeiro desde que se criou a sério, a medicina escolar nos Liceus), o actual Delegado Distrital de Saúde, o querido e devotado médico Dr. Manuel Rodrigues Mateus, até ao actual, Dr. José Maria Mendes, que os serviços médico-pedagógicos do Liceu de Setúbal são qualquer coisa de muito proveitoso e positivo na vida dos Liceus”.

27 janeiro 2009

As Bonecas de Don Flowers

Humor antigo
com o traço de
Don Flowers



- Foi a dançar um tango com o Alberto... a caneta dele entornou!...

26 janeiro 2009

Poesia

Dobre (1913)

Fernando Pessoa no Chiado,
por Lagoa Henriques

Peguei no meu coração
E pu-lo na minha mão

Olhei-o como quem olha
Grãos de areia ou uma folha.

Olhei-o pávido e absorto
Como quem sabe estar morto;

Com a alma só comovida
Do sonho e pouco da vida.

In “Cancioneiro"

25 janeiro 2009

Memória recente 25.Out.2008

25 de Outubro de 2008

Maria de Lurdes Macedo Mendes de Matos

24 janeiro 2009

As minhas turmas... 2ºI - 1978/79

2ºAno - Turma I
em 1978/79
.
Fui professor desta turma
em Ciências Naturais

Ana Cristina Soares Ribeiro Nascimento e Oliveira
Ana Isabel Alves da Silva
Ana Maria Fortuna Andrade
Alice Alves Silva da Avó
André Filipe Miguens Marques Barreto
António Jorge da Silva Maurício Pinto da Costa
Carlos José Cardoso Reis
Cecília de Fátima Paulino Vaz
Célia Moura Rosa Assembleia


Dina Maria Marreilha dos Santos
Fernando Eduardo N. P. Brito
Francisco José Pereira Aníbal
Jorge Manuel Pinho Ferreira
José Augusto Barros Ferreira
Margarida Soares Ribeiro Nascimento e Oliveira
Maria Antónia Pinto Basto Costa
Maria Catarina Vaz Nascimento
Maria Conceição Caldeira Bettencourt


Maria José da Silva Lobo
Maria Teresa Durães Albuquerque
Maria Teresa Oliveira Pires dos Reis
Maria Vitória Aldeias Oliveira
Moisés Vinhais Rebelo
Rui Manuel Vicente Duarte Alves

23 janeiro 2009

As minhas fotos preferidas...

Nas Furnas, em 13 de Dezembro de 2008

As netas...

22 janeiro 2009

Liceu de C.Branco

Foi num sábado, dia 22 de Março de 1952, que este grupo de alunos do 6ºAno do Liceu Nacional de Nun'Álvares, de Castelo Branco se passeou pelo Jardim do Paço, no dia em que a sua Turma ofereceu uma prenda de casamento à professora de Físico-Químicas, DrªMaria Augusta de Carvalho.

No sector feminino, estiveram presentes:

A Susana Vaz Oliveira, a Célia Maltez, a Marília Nunes Pereira, a Conceição Faria de Sousa, a Primavera, a Maria Isabel Alçada Baptista, a Maria José Folgado Pereira e a Ilda do Carmo Silva. (pela ordem)
Apenas a Susana não responderia hoje à chamada...
.
Este "apontamento da minha memória" foi sugerido por um contacto que tive há poucos dias, a partir da cidade do Porto onde vive, da Maria Isabel Alçada Baptista que, para todos nós que com ela convivemos naquela época, há-de ser sempre a "Bita".
.
"Caro João José,
Escrevo-te através do e-mail da minha filha Rosarinho para
agradecer as tuas palavras aquando do falecimento do meu irmão António.
Nas pesquisas que fomos fazendo na internet, encontrámos
o teu blog e fiquei muito sensibilizada por gostares tanto dele e por te lembrares de me dar uma palavra neste momento triste.
É sempre reconfortante sentirmos a presença dos amigos nestas ocasiões.
Obrigada e um abraço da
Bita"
.
Sei que a Isabel não vai importar-se por ter tornado público, um documento que devia ficar apenas ficar arquivado na intimidade do dossier "Amizade". Quero mostrar, no entanto, que o Respeito e a Amizade são características que ainda vamos mantendo... apesar das voltas que estas coisas têm sofrido nas últimas décadas.
.
Não vejo a Bita há muitos, muitos anos...
Fomos colegas no Curso de Ciências Biológicas na Universidade do Porto, em 1957/58, ela um ano à minha frente; anos mais tarde, foi Professora aqui no Liceu Nacional de Setúbal, imediatamente antes de 1974. Creio ter sido aqui em Setúbal, por essa altura, que estive com a Bita, na última vez que a vi.
Foi com muito agrado que recebi agora esta bonita mensagem da Bita.

Ah., poeta!!!!!

Soneto à maneira de Camões :
dedicado à Ministra da Educação
do Governo de Sócrates:

Maria de Lourdes Rodrigues


Tão mesquinha e tão vil, tu que pariste
As normas do estatuto do docente,
Não tens nada de humano, não és gente,
Nada mais que injustiças produziste.

Se lá nesse poleiro aonde subiste
O estado do ensino tens presente,
Repara como és incompetente,
Como a classe docente destruíste.

Se pensas que esta gente está domada,
Te aceita a ti, ao Valter e ao Pedreira,
Estás perfeitamente equivocada:

Em breve encontraremos a maneira
De vos correr p'ra longe à cacetada,
Limpando a educação de tanta asneira!

(Com a devida vénia ao autor desconhecido)

21 janeiro 2009

Desde esse dia

"Deixa de ser só um dia...
Contam-se anos, por esse dia.
E passou um ano, desde esse dia
por onde se contam os dias..."
.
Texto encontrado na Net
escrito em Janeiro de 2006,
por uma "cientista" desconhecida.

20 janeiro 2009

Parabéns!... 20 de Janeiro

O meu neto João faz hoje 7 anos.
Parabéns!... Um beijinho e um grande abraço.

João Gonçalves Mendes de Matos

19 janeiro 2009

Alte Pinakothek - Munique

Danae
Jan Gossaert
, dito Mabuse
1478 – 1541


Danae

Um acontecimento fundamental na biografia do pintor, que viveu primeiro em Antuérpia (1503 – 1507), depois em Bruges (1510 – 1513) e, finalmente, em Middelburg, foi uma viagem a Roma (1508 – 1509), da qual recebeu concretas impressões, particularmente da arquitectura clássica, que contribuíram para o afastar do mundo das formas do gótico tardio.
Numa loggia classicizante apoiada por colunas, Danae está sentada, pronta para receber a divina chuva de ouro: através das colunas edifícios fantásticos de formas góticas e clássicas. O quadro é manifestação de um fenómeno paralelo ao que é representado pelas obras de um Burgkmair e de um Altdorfer da primeira fase, em que os elementos renascentistas são usados generosamente, mas ligados entre si com critérios de gótico tardio.

Cfr. Hermann Bauer
In “Grandes Museus do Mundo
Ed.Verbo – Setembro/1973

18 janeiro 2009

Uma carta ao primeiro-ministro... (4)

Excerto de um texto longo mas que vale a pena ler…
nem que seja aos bocadinhos!
.
4º Bocadinho…
.
Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal fora, a inaugurar ETAR's e a selar aterros. Também o vi a plantar árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora, mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.
Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da escola. O resto é comigo.
Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho. Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem cumprido muito mal esse papel.
A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas, curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro ortográfico. Traumatizados? Huuummm... não me parece. Na verdade, senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.
Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem sei bem se tem um ou dois filhos...) e pergunto-me se também é válido para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí. Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com dificuldade em resolver este sistema de três equações a três incógnitas... dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho... sabes escrever o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é perfeitamente suficiente...
Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer?
E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar por estúpida.
Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala, tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste Portugal é apenas 'os meus sentidos pêsames'.
Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente, com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos e escrevem obscenidades.
Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah... espere lá... as faltas a vermelho acabaram... agora já não há castigos...
Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir 'senhor engenheiro para cá', 'senhor engenheiro para lá'. É que o meu marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.
Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho dúvidas.
Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.

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'A que novos desastres determinas

De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? '
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Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,
Uma mãe preocupada

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(Termina aqui esta carta de "uma mãe preocupada" que é grande mas... se lê com inteiro agrado!)

17 janeiro 2009

As Bonecas de Don Flowers

Humor antigo
com o traço de
Don Flowers

- Mas como se atreve este médico a chamar vulgar à minha constipação?!!...

Candidata a "Frase do ano"...

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."
Autor desconhecido
(obrigado Cris V.)

Para reflectir...antes de votar nas próximas eleições!

Frases que os envergonharão até morrerem...
... e que envergonharão os seus filhos... e os seus netos!...
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Eles não se lembraram disso quando proferiram estas "sentenças"...
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Compete-nos a nós professores fazer-lhes frente e mostrar a toda a gente, o nosso real valor.
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"Admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública"

(Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006)

"Vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos"

(Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008)
...um sujeito que envergonha a minha cidade!...

"C
aso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil"
(Jorge Pedreira, Novembro/2008)

"Quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!"

(Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008)

"[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!"

(Margarida Moreira - DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008)

Não esqueceremos estas "sentenças"...

Beira Baixa - 1958 - Dezembro

7 de Dezembro
Falecimento
Maria do Carmo Mendonça ( A Pícara )
Finou-se, na 2ªfeira de madrugada, a Sr.ª Maria do Carmo Mendonça, que toda a cidade conhecia por "Pícara" e pelas suas extravagantes indumentárias e carinho invulgar pelos gatos e pássaros que eram os seus únicos companheiros numa casinha esburacada e triste. Tinha 84 anos e era natural de Penamacor. Residia nesta cidade desde os 14 anos.

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7 de Dezembro
Banco de Portugal
Tomou posse do lugar de 1ºEmpregado do Banco de Portugal nesta cidade, o Sr. Adriano Gonçalves de Morais Júnior
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14 de Dezembro
Casamento
Na Igreja da Sé, realizou-se na 3ªfeira o casamento, a que presidiu o Reverendo Padre Eduardo Dias Afonso, tio da noiva, da gentil Sr.ª D. Maria Hermínia Salavisa Salazar, filha do Sr. Augusto Salazar Antunes e de sua esposa Sr.ª D. Ilda Salavisa Salazar d'Eça, com o Sr. Paulo Nina de Oliveira, industrial na Covilhã, filho do falecido industrial José Paulo de Oliveira e da Sr.ª D. Ilda Nina de Oliveira.
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14 de Dezembro
Nascimento
Na sua residência deu à luz um menino, no dia 9, a Sr.ª D. Maria da Estrela Fraústo Diogo Correia, esposa do nosso prezado amigo e assinante Rui Diogo Correia.
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14 de Dezembro
Aniversário
Faz anos no dia 15, o Sr. Domingos dos Santos Pio.
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14 de Dezembro
Pedido de Casamento
Por seus pais, Sr. Manuel Lopes Romãozinho, importante industrial em Cebolais de cima e Sr.ª D. Arminda de Oliveira Pires de Moura Romãozinho, foi pedida para o Sr. Ernesto de Oliveira Romãozinho, no passado dia 29, a mão da menina Maria de Lourdes Lopes Ferreira, prendada filha do Sr. Higino Lopes Ferreira, conceituado comerciante desta cidade e da Sr.ª D. Maria da Piedade Lopes Ferreira. O casamento deve realizar-se em meados do próximo ano.
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14 de Dezembro
Júlio Hermano Pedro
O Diário do Governo de 6 do corrente, trouxe-nos a agradável notícia da promoção deste nosso prezado amigo, a Chefe de Serviços de Exploração de 1ªClasse, dos CTT.
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14 de Dezembro
Cidade
Fotografia, com legenda, do local onde se ergueram, mais tarde, os edifícios do Arcádia e do Aviz.

(Ver fotocópia)
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14 de Dezembro
Casamento
Na Igreja Matriz do Rosmaninhal, no dia da Padroeira, celebraram o seu casamento a Sr.ª D. Maria Antonieta Serejo Goulão, gentil filha do Sr. Dr. João Lobato Carriço Goulão e da Sr.ª D. Maria dos Santos Serejo Goulão e o Sr. Dr. Francisco Barata Pereira dos Santos, Conservador do Registo Civil e Juiz do Julgado Municipal de Penamacor.
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28 de Dezembro
Grémio da Lavoura -- Eleição dos Corpos Gerentes
Conselho Geral:
Presidente: Dr. Alexandre de Almeida Garrett
Vice-Presidente: Manuel da Silva
Secretário: José Rodrigues Marinho
Secretário: Manuel Cardoso de Almeida
Direcção: (efectivos)
Presidente: Dr. Luís Laia Nogueira
Secretário: Eng. Adriano Godinho
Tesoureiro: José de Paiva Morão
Direcção: (substitutos)
Presidente: Dr. Ulisses Vaz Pardal
Secretário: José Castanheira
Tesoureiro: Manuel José Bidarra

Uma carta ao primeiro-ministro... (3)

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO
Excerto de um texto longo mas que vale a pena ler…
nem que seja aos bocadinhos!

3º Bocadinho…
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Mas, por falar em Velho do Restelo...
... Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo d'Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.
Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia, espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20 anos.
Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra, mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que perfeita e inequívoca imagem eles compõem:
'Estavas, linda Inês, posta em sossego,De teus anos colhendo doce fruito,Naquele engano d'alma ledo e cego,Que a fortuna não deixa durar muito (...)'
Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade, à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo? Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?
Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro, é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.
Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos conteúdos programáticos por 'alegado teor pornográfico' e o de Inês de Castro igualmente, por 'incitamento ao adultério e ao desrespeito pela autoridade'.
Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do 'lápis' azul?
E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de rima, cada palavra escolhida a dedo... o que implicou tudo isto senão uma carga infinita de disciplina e rigor?
Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma desonestidade acolá.

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(Amanhã haverá mais um bocadinho...)

16 janeiro 2009

As Bonecas de Don Flowers

Humor antigo
com o traço de
Don Flowers


- Se não gostas da voz dela, posso baixar o som.

Parabéns!... 16 de Janeiro de 1968

O João Miguel faz anos hoje.
Parabéns!... E um abraço enorme.

João Miguel Macedo Mendes de Matos

15 janeiro 2009

As minhas turmas...10ºC - 1978/79

10ºAno - Turma C
em 1978/79
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Fui professor desta turma
em Ciências Naturais

Ana Lúcia da Silva Bailador
Ana Luisa dos Santos Neves
Ana Luisa Trindade Mendes Anjos
Ana Paula Tavares Pires
Dídia Maria Vasconcelos Tavares
Elina Alexandra Duarte Ferreira
Isabel Alexandra Ramos Rosário
Isabel Maria Barreto Batista
José Domingos da Silva Rodrigues

Leonel António da Silva
Lígia Raquel G. N. Custódio
Luisa Maria Ferreira Romão
Maria Helena Felício Jorge
Maria Filomena Ribeiro Candeias
Maria Isabel Silvestre Sousa Mendes
Maria Margarida Boavida Pontes Gonçalves
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Foram alunos desta turma, também:
Ana Luisa dos Reis Veríssimo
António José Santos Monteiro
Francisco José Duarte Contreras Leão
Joaquim Fernando Rodrigues Moita Calado
José Américo de Almeida Brito
José Augusto Serrano Couceiro
José Carlos dos Anjos Amieira
João José de Almeida e Silva
Luís Miguel Chagas da Costa Gil
Manuel Fernando Rodrigues Évora
Maria Clara Nunes Barros Madeira
Maria Inês Rocha Moreira,
que, por qualquer motuvo, não apresentaram fotografia...

14 janeiro 2009

Uma carta ao primeiro-ministro... (2)

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO
Excerto de um texto longo mas que vale a pena ler…
nem que seja aos bocadinhos!
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2º Bocadinho…
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Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum.
Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus! Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas iniciativas!
Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino assente em medidas gratuitas.
Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua professora de matemática e o seu professor de português. As imagens sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina, rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor, então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via. Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na aula de português sorriam, entusiasmados.
Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive das emoções, mas onde o rigor é 'obstinado', como dizem os poetas. Eu já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o que faltava, senhor engenheiro!
Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo, senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao nível da mediocridade.

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(Amanhã haverá mais um bocadinho...)

Para ler e meditar...

Ministério rescindiu com João Pedroso por incumprimento.
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Ex-dirigente do PS vai ter de repor 133.100 euros, em 12 prestações, dos 287.980 que recebeu para fazer um trabalho que abandonou a meio.
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O Ministério da Educação rescindiu em Novembro, por "incumprimento definitivo", o contrato que tinha com João Pedroso, antigo chefe de gabinete de Ferro Rodrigues e de António Guterres e membro da Comissão de Jurisdição do PS até Outubro.
(…)

O custo total da prestação de serviços a efectuar até 31 de Dezembro de 2007 por João Pedroso ascendia a 266.200 euros (com IVA), a que acresciam os 45 mil (mais IVA) já pagos.
(…)
A escolha destes juristas, para executar os serviços contratadas em 2005, foi feita pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues através de um despacho interno, em Junho daquele ano.

O despacho diz que o trabalho em causa - "sistematização, harmonização de legislação, normas e procedimentos da educação" - "contará com a colaboração de consultores externos, com currículos relevantes e adequados às tarefas a realizar". Mais não diz sobre esses currículos, mas a nota biográfica posteriormente remetida ao ministério por João Pedroso mostra um perfil em que não há qualquer referência à área da educação.
Terminado o prazo de um ano do primeiro contrato, uma grande parte do trabalho estava por fazer. No entanto, "foi considerado que era relevante prosseguirem os trabalhos"…
João Pedroso - que é também juiz de direito em licença sem vencimento desde 1990 …

...Sem aludir a qualquer consulta ou pedido de parecer que lhe tivesse sido feito, escreve que "a complexidade do trabalho, a sua natureza, a necessidade de financiamento adequado aconselham que a prossecução deste trabalho seja externalizada e adquirida em prestação de serviços a uma entidade que constitua uma equipa técnica com competências para realizar este trabalho, pelo que, em consequência, proponho a que se considere, com a concordância do referido GT, desde já concluído o seu trabalho do referido GT" (sic).
É nesse documento que João Pedroso, "atendendo a que os membros do anterior GT têm uma especial aptidão técnica jurídica na área da educação resultante da elaboração do trabalho anterior, bem como os seus CV's, e que não existe no mercado tal aptidão", se propõe executar a "prestação dos serviços necessários para o desenvolvimento e conclusão dos trabalhos". Para isso pede 220 mil euros, mais IVA, e diz que constituirá a equipa adequada para fazer o trabalho até ao fim de 2007.

o secretário-geral do Ministério da Educação (ME) que, tal como a ministra e outros altos quadros do ministério, pertence ao centro de investigação sociológica do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, onde trabalha o ex-ministro Paulo Pedroso, irmão de João Pedroso -, subscreveu um memorando em que propõe a adjudicação por ajuste directo, nos precisos termos em que Pedroso o fizera, da conclusão do trabalho iniciado em 2005.
E a quem é que o secretário-geral propõe a adjudicação? A João Pedroso. E porquê? "Afigura-se-nos que a experiência profissional, o conhecimento profundo da administração pública e o domínio detido sobre a legislação da educação, bem como o facto de ter liderado a primeira fase deste projecto, conferem ao mestre em Direito João Pedroso as condições específicas únicas para a concretização do projecto", explicou o secretário-geral no memorando que teve a concordância da ministra em 30 de Janeiro de 2007.
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A senhora Ministra concordou...

Nesse memorando, o secretário-geral justifica ainda a adjudicação com o facto de Pedroso ter apresentado a sua proposta depois de ter sido "consultado". O PÚBLICO pediu uma cópia da alegada consulta, mas a secretaria-geral informou que ela foi feita "em reunião realizada no ministério".
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Passado quase um ano sobre o prazo contratual, e considerando que "no máximo" tinham sido feitos 50 por cento das tarefas pagas, a secretaria-geral determinou em Novembro a restituição, em 12 prestações, por João Pedroso, de metade dos valores recebidos ao abrigo do segundo contrato, correspondente a 133.100 euros. Do trabalho dado como feito pelo ministério, porém, quase tudo corresponde a tarefas relativas ao contrato de 2005. Quanto ao contrato de 2007, quase nada foi feito. O PÚBLICO não conseguiu ouvir João Pedroso. A notícia de que a contratação de Pedroso tinha sido feita por ajuste directo, dada em Novembro de 2007 pelo Rádio Clube Português, levou nessa altura o ministério a justificá-la, em comunicado, com a alegação, nunca fundamentada, de que aquele jurista era "especialista na área da educação".

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Cfr. José António Cerejo
in, "Público"
14.01.2009


Meus caros Amigos
Perceberam agora como funcionam "aquelas coisas" lá no "nosso" Ministério??!!...
...não devemos perder a fé!...
Certamente há-de vir um tempo em que estas coisas terão-de ser julgadas...

Uma carta ao primeiro-ministro...

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO

Excerto de um texto longo mas que vale a pena ler…
nem que seja aos bocadinhos!

1º Bocadinho…
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"Sr. Engº José Sócrates,
Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.
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Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).
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Gostaria de começar por lhe falar do 'Magalhães'. Não sobre os erros ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhor engenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de e-escolinha.
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O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia dos factos associados ao projecto 'Magalhães':

. No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães.

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. No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas quatro linhas de texto informando que o 'Magalhães' é um projecto do Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação, escola, concelho, etc. e, por fim, a oportunidade de assinalar, com uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o 'Magalhães'.
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. No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros 'Magalhães' na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis.
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. No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um 'Magalhães' debaixo do braço.

Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos sobre a futura utilização e utilidade do 'Magalhães'. Às perguntas que colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder. Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.
Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo pensou para o 'Magalhães'? Que planos tem para o integrar nas aulas? Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas? Sabe, é que
50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho, mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.
Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum.

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(Amanhã haverá mais um bocadinho...)