30 setembro 2015

Esta tarde, em Castelo Branco...

... no Museu Tavares Proença Júnior, a IN-CM fez o lançamento da moeda, da série Etnografia Portuguesa, alusiva às colchas de Castelo Branco e seus maravilhosos bordados.
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As duas faces da moeda
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Estiveram presentes os autores:

Isabel Carriço e Fernando Branco.

NB - Contra o que era meu desejo, não pude estar presente esta tarde em Castelo Branco mas deixo aqui os meus mais sinceros parabéns aos autores da moeda hoje apresentada. [29 09 2015]

29 setembro 2015

Apenas de um ombro amigo...

... é o que às vezes precisamos.
num poema da Isabel Monteiro,
uma Amiga que hei-de sempre tratar por
Bebé Ribeiro.
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Isabel Monteiro
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Às vezes precisamos
ser rio corrente
desafio das margens
ventos e nortadas
rendilhadas ondas
marulho no mar

Às vezes precisamos
ser mais que infinito
no seu definir
enlaçando estrelas
baloiçando nuvens
sombras e luar.

Às vezes precisamos
apenas de um ombro
amigo
para poder chorar.
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Isabel Monteiro
(Bebé Ribeiro) 

28 setembro 2015

No fundo do saco antiguidades...

.. numa crónica de Vasco Pulido Valente
na sua habitual coluna de "Opinião" 
na última página do Público de Domingo à qual deu o título de 
"Há milagres?"
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Vasco Pulido Valente
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O espectáculo da campanha já não se aguenta. Não deve haver ninguém em Portugal inteiro que não esteja farto de abraços, de frases, de jantares e dessa inovação que se destina a caçar à má-fé o cidadão desprevenido e que se chama “arruada”. Nenhum dos políticos que por aí se mostram diz nada que possa remotamente interessar ao país. Só varia o tom.
Passos Coelho exibe a sua voz doce com uma inacreditável paciência. Costa passou do estilo Messias para uma agressividade crescente e crescentemente disparatada. Esta semana foi buscar o BPN e o negócio dos submarinos (que tem 20 anos). Por que não os crimes de Calígula ou os pecados de Salazar? Ele grita, ele ameaça, ele promete e até dá pulinhos de entusiasmo como um índio para convocar o espírito da guerra.
Entretanto, caso muito estranho, as conferências de peritos na televisão discutem ardorosamente as razões por que ele vai perder. Estão a pôr as barbas de molho? Acreditam mesmo que percebem Costa e o seu bando? O próprio Costa acredita ou dá a impressão de acreditar. Um dia declara que não tenciona aprovar o orçamento da coligação (que ele, de resto, não conhece). No dia seguinte, anuncia que impedirá um eventual governo da direita, porque ele é o único homem capaz de criar um consenso nacional e garantir a estabilidade. Não se sabe se trouxe estas manias da Câmara de Lisboa ou se o ataque de nervos foi recente. Mas muita gente abre a boca de espanto com estas novas pretensões do homem que dividiu o PS e laboriosamente se afastou da esquerda radical com um grosso programa, que dez sábios lhe fabricaram por amor.
Seja como for, os seus fiéis lamentam que ele, a última esperança antes do desastre, ande tão sozinho. Os novos “barões” do partido (que o país nunca viu) aparecem pouco e não se recomendam. Os velhos ficam em casa. E foi preciso ir buscar ao fundo do saco antiguidades como Basílio Horta, que dois terços dos portugueses julgam que viveu na 1ª dinastia. E, no entanto, o PS persiste em transportar de autocarro a grande “base” do partido, para eleger o taumaturgo que irá resolver os problemas da Pátria com a facilidade com que o CSI descobre o assassino. É facto que ele não explica como e que não se vê no PS nenhuma tendência para o salvar das feras. Mas, de quando em quando, há milagres.
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27 setembro 2015

Fotografias de Setúbal...

Zona oriental da Cidade
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Mitrena e Praias do Sado vistas da Gâmbia

26 setembro 2015

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida
não deixa de ter razão.
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António Aleixo

25 setembro 2015

Moeda da Colecção Comemorativa...

...Colchas de Castelo Branco
da Série Etnografia Portuguesa

Em 29 de Setembro de 2015, pelas 18h 30m 
no Museu Francisco Tavares Proença Júnior
em Castelo Branco.
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As duas faces da moeda
da autoria de:

Isabel Carriço e Fernando Branco
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Obrigado pelo convite, Isabel.

24 setembro 2015

A vida mais ou menos...

Esta manhã, lendo o suplemento do "Público" no Café da Brasileira, enquanto aguardava a chegada de companhia, saltou-me aos olhos uma frase de um conto do António Lobo Antunes que ele intitulou "A vida, mais ou menos". 
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António Lobo Antunes
(numa caricatura de Rui Zilhão)

 Era uma conversa dele, Lobo Antunes, com a recordação de uma Amiga querida recentemente falecida, ainda "jovem". Contava-lhe que, após a sua morte, o Pai lhe tinha mostrado, sem uma palavra, uma dedicatória sua num livro, em que ela lhe dizia que gostava muito dele.

É então que surge essa frase espantosa que define num breve momento a grandeza de um escritor que teima, normalmente, em mostrar-se um enorme cabotino...

"Espantei-me por transgredires uma das nossas regras, que é a de gostar sem nos referirmos a isso, por pudor, por discrição, porque não é preciso."

E termina o conto desta maneira, falando sempre para a Amiga cuja memória recordava: " Mesmo que não mostre, e faço os possíveis por não mostrar, tenho saudades de te ouvir. Que gaita de coisa ter tantas saudades de te ouvir."
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in "Público"
em 09.Mar.1997

23 setembro 2015

Recebi hoje uma prenda...

... vinda de Castelo Branco.
Obrigado António Salvado!...
Por te lembrares sempre de mim.
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António Salvado
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Acabado de editar - Setembro de 2015 - chegou hoje às minhas mãos, o novo livro de António Salvado, a que o autor deu o nome de 
"O olhar do ver
 O ver do olhar" 
seguido de 
"Cantares de Amigo
 Cantares de Amor"
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Integrando as 
"Comemorações dos 500 anos da morte de
João Roiz de Castelo Branco
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E, como sempre, com uma dedicatória bonita que te agradeço:
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António Salvado inicia a sua obra actual com um breve texto:

"O olhar do ver 
 O ver do olhar.
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Como abelha pousando em flor,
 também o frémito do olhar e
do ver sorveu em vasta floração
(e por terras diferentes) os
grãos de pólen que, transportados
pela brisa do encantamento, 
a estas novas fecundações
deram origem."
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Vou transcrever dois dos teus poemas que escolheste para "primeiros". 

1. 
A tua grácil figura,
a esbelteza do teu corpo, 
o teu menear que é tudo
isso que o ar faz mover, 
imagem feliz de toda
a perene juventude
que dulcifica a beleza
entregando-lhe um contorno -
tu vais além de Afrodite:
em tuas veias circula
o sangue mais fresco e puro
que te faz filha da Vida.
E se tens límpida a alma,
teu corpo é feito de carne.
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3. 
Aparição tão fugaz, 
inverso do meu desejo:
começo a sofrer por crer
que distante  mais te afastas
do teu vão permanecer.

Ter-te ali sem possuir
o que tens no pensamento:
se é uma vaga presença
fortuita  sem fim à vista
o seres à minha frente.

Mas não me canso do jogo
diário que tu praticas:
não apoucas o amor
que sinto maior por ti
e pelo teu desamor.

Esta contradição estranha
entre a verdade e o engano.
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NB:
Não me despeço por muito tempo, António... 
Espero voltar dentro em breve para falar o teu outro livro também agora publicado com o título:   "Poemas nascidos da Cantiga partindo-se"

22 setembro 2015

Já era assim há 100 anos...

... e continua!... Muito pior do que então.
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Joseph Pulitzer
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"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."
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Joseph Pulitzer
1847- 1911 
jornalista e editor americano

21 setembro 2015

Humor antigo...

in. "O Mundo ri"134
de Setembro/64

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- Afinal, convidas-me para vir a tua casa para quê?  A corrente é de 110 volts...

20 setembro 2015

Escrito no vento...

"Jamais esqueçam que não existe dinheiro público. Todo o dinheiro arrecadado pelo governo é tirado do orçamento doméstico, da mesa das famílias."
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Margaret Thatcher

19 setembro 2015

Um pássaro voou cantando...

... num poema de Ruy Cinatti.
que lhe deu o nome de
"Nesta hora enquanto te olho lembro..."
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Ruy Cinatti
(num retrato de Maluda)
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Nesta hora, enquanto te olho, lembro
Aquele sorriso aberto entre poucas flores de Outono.
Eu contando histórias...tu sentindo
A minha timidez cortada de olhares rápidos.
Assim foi...até que um pássaro voou cantando.
Depois, o ondular vibrante dos pinheiros,
Nossos corpos rolando
Nos planos inclinados de um sol quase a extinguir-se.
O próprio tempo esquecendo-se
De nos ver inseparados.

Rui Cinatti

1915-1986

18 setembro 2015

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Tem quase um palmo de boca
não pode guardar segredos;
porém a testa é que é pouca:
tem pouco mais de dois dedos...
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António Aleixo
Cauteleiro e analfabeto...

17 setembro 2015

A obra de Isabel Carriço

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"Mana é mana.... e ela tem moedas e medalhas lindíssimas!" 
- O comentário é da Margarida Monteiro Grilo, irmã da Isabel Carriço, que acrescenta:
"... a mana e o cunhado, (são) dois verdadeiros artistas... Merece ser conhecida a obra deles tanto em moedas, como medalhas comemorativas...
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Foi em Setembro de 2010, que a Margarida Carriço, irmã da Isabel,  fez chegar "às minhas mãos" esta informação que aqui vos deixo e me deixou a pensar em fazer um breve apanhado da Obra da Isabel e do Fernando Branco.
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A Obra é de facto valiosa e merece ser conhecida embora o tempo disponível, por vezes se revele curto para uma pesquisa que muitas vezes se torna morosa...
Posto isto creio que será melhor começarmos pelo princípio...
A primeira medalha surgiu em 1973

Medalha 1973
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NICOLAU COPÉRNICO - V CENTENÀRIO - 1973 
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Anverso e reverso da medalha

Anverso – Copérnico sobre um fundo onde se lê: CLARISSIMUS ET DOCTISSIMUS DOCTOR NICOLAUS COPERNICUS TORUNENSIS CANONICUS WARMIENSIS ASTRONOMUS INCOMPARABILIS.
Reverso – sua Teoria da Rotação da Terra à Volta do Sol
Diâmetro: 70 mm – Ed. Gravarte
XVII FIDEM –Budapeste 1977  (*)
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Nicolau Copérnico foi um famoso astrónomo e matemático polaco que viveu entre os séculos XV e XVI.
Deixou o nome ligado à teoria do heliocentrismo, que afirma ser o Sol o centro do Sistema Solar, e que se opõe à teoria do geocentrismo que era aceite na época em que viveu e defendia ser a Terra que ocupava o centro do sistema.
Nicolau Copérnico nasceu em Torun, na Polónia, em 19 de Fevereiro de 1473. Com 18 anos, matriculou-se ma Universidade de Cracóvia e aos 24 anos frequentava a a Universidade de Bolonha no Curso de Direito Canónico.
Copérnico realizou a sua primeira observação em 9 de Março de 1947, em Bolonha, apontando para a estrela Aldebaran, a estrela alfa da constelação Touro, a mais brilhante daquele grupo estelar, que entrava em eclipse nesse dia.
Doutorou-se em Direito Canónico no ano de 1503 e tornou-se Cónego da Catedral de Frauenburg, tendo construído nesta cidade o seu observatório Astronómica.
Escreveu, em Latim, algumas obras sobre Astronomia sendo a principal delas denominada "Das revoluções das esferas celestes" que foi publicada em 1543, o ano da sua morte
Nesta obra, Copérnico defende que o centro do Universo é o Sol e que os planetas circulam em órbitas circulares em redor do Sol pela seguinte ordem: Mercúrio, Vénus Terra, Lua, Marte, Júpiter, Saturno e, depois, as estrelas fixas.
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Os autores:
Isabel Carriço e Fernando Branco
Escultores
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Antiga aluna do Liceu de Castelo Branco, conheci-a, menina ainda, quando tinha cerca de dez anos. Era a filha mais velha do meu professor de Educação Física Dr.António Carriço que foi médico na nossa cidade durante muitos anos e que deixou muitas recordações daqueles tempos de transição para a década de 50, principalmente para os alunos que formavam as equipas de voleibol a que dedicou uma boa fatia do tempo que dedicou ao ensino. Recordo também as segundas-feiras que se seguiam aos dias em que a Académica perdia... No Ginásio, a turma de 30 alunos era dividida em duas metades que jogavam, durante o tempo inteiro, um jogo que era designado por "brutebol"... enquanto o Prof. passava os olhos pela "Bola".
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NB - (*) 
Em 1977, representaram Portugal no XVII Congresso do FIDEM, em Budapeste.
Curiosamente, na primeira semana deste mês de Setembro/15, decorreu em Sófia um Congresso da FIDEM, onde Portugal esteve representado por um professor de Castelo Branco:
"José Simão, escultor e docente da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART), foi seleccionado com três trabalhos para integrar a representação portuguesa ao 33º Congresso da FIDEM-Federação Internacional da Medalha, organização mundial que congrega artistas, coleccionadores e fabricantes, que este ano reúne, de 2 a 6 de Setembro, em Sofia, capital da Bulgária."

16 setembro 2015

Ganhem ou não ganhem...

... numa crónica de Vasco Pulido Valente
na sua habitual coluna de "Opinião" 
na última página do Público de Domingo à qual deu o título de 
"Um debate"
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Vasco Pulido Valente
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Na ponta da Europa, isolado pela ameaça da Espanha, Portugal tomou sempre como exemplo os países do Norte e foi nesses países que procurou o que devia ser. A política portuguesa copiou a política francesa, o pensamento copiou o pensamento francês e, em grosso, a literatura a literatura francesa.

O que nós, no fundo, queríamos ser era um modelo do que se chamava um país próspero e ordeiro, como Paris nos dizia que fôssemos. Havia, no entanto, uma pequena dificuldade: não tínhamos dinheiro, excepto o que até ao fim do século XIX nos vinha do Brasil, o que pedíamos emprestado à banca internacional e as remessas da emigração. Quando a Ditadura caiu o cidadão comum não pensava em África (e muito menos no Império), pensava nos salários da Alemanha, no Estado Social da Suécia, na suavidade fiscal do Luxemburgo e no parlamentarismo da última república que de Gaulle higienicamente eliminara.

Os fundos de Bruxelas atenuaram durante 30 anos de alguma tranquilidade e progresso a insatisfação indígena, enquanto pelo meio o “cavaquismo” na sua língua-de-trapos proclamava falsamente que Portugal “estava na moda” ou no “pelotão da frente”. Mas, retórica à parte, o país não crescia e continuava longe da modernidade, da riqueza e da independência mítica com que os portugueses sonhavam desde o princípio de novecentos. À superfície, a imitação do modelo europeu ia enganando os mais crédulos, mas não enganava quem não ignorava a verdadeira situação do país. O castelo de cartas da nossa tão gabada democracia não aguentaria o menor solavanco.

E o solavanco veio em 2008-2010, mostrando a miserável realidade das coisas, como já mostrara em 1807 com a invasão francesa e o fim do monopólio comercial com o Brasil; e em 1890-93 com o ultimato dos credores. Os portugueses foram outra vez separados das suas fantasias. Só que uma parte deles não desistiu de uma ilusão de séculos e continuou a imaginar que o desastre era a obra de forças maléficas, que a salvífica intervenção do povo iria liquidar. Sem um tostão e com muita propaganda andam ainda por aí e gozam de uma certa respeitabilidade. Mas nunca mudarão nada, como não mudaram os liberais, nem os republicanos, nem a extrema-esquerda em 1975. O Portugal mágico de felicidade e de justiça só vive no fanatismo deles. Ganhem ou não ganhem em 4 de Outubro o destino deles (como o nosso) não será agradável.

15 setembro 2015

Parabéns!... 15 de Setembro

O Manuel Maria faz anos hoje! 250 anos!...
...mas é ele que hoje nos vai presentear com um "daqueles" poemas de que a maioria dos seus admiradores apenas ouviu falar... Houve "dificuldade" na escolha e as Glosas que aqui deixo são do "mais suave" que encontrei no livro citado em baixo.
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Manuel Maria Barbosa du Bocage
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Glosas
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São uns cornos mui bem feitos
Uns cornos mui delicados
São cornos, que torneados
Se podem trazer aos peitos.
Cornos que sobem direitos,
Pela sua varonia,
E sem mais cronologia
Tem gravados na armadura
Os timbres da fidalguia,
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Venha cá, sô Boticário,
Você sabe em que se mete,
De tão rafado cadete
Sendo terceiro, está vário?
Advirta que é necessário
Reportar acções insanas:
Estude em fazer tisanas,
Algum purgante ligeiro,
Mas não seja alcoviteiro
Muito menos de sacanas.
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P'ra que viva a cozinheira,
Que tão boas papas fez!
Confesso por esta vez
Que bem me sabe e me cheira:
O Papa em sua cadeira
Vestido de estola e capa
Não faz coisa tão guapa:
A cozinheira faz mais;
O Papa faz Cardeais, 
a cozinheira faz papas.
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in. "Bocage
Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas."
Marujo Editora

14 setembro 2015

Outros amarão as coisas que eu amei...

...num poema a que
Sophia de Mello Breyner Andresen

deu o nome de
"Quando"
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Sophia de Mello Breyner Andresen
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Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen
in 'Dia do Mar' - 1947

13 setembro 2015

Uma altercação de taberna...

... vista por Vasco Pulido Valente
na sua habitual coluna de "Opinião" 
na última página do Público de ontem à qual deu o título de 
"Um debate"
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Vasco Pulido Valente
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"Não se percebe por que razão o jornalismo português (profissional ou amador) resolveu achar que António Costa tinha ganho a Passos Coelho.
A ideia parece ser que um debate é uma espécie de altercação de taberna em que ganha quem der mais murros no adversário e se mostrar, de maneira geral, mais malcriado e belicoso. Se este modelo se aplica a uma discussão sobre o Estado e a vida dos portugueses nos próximos cinco anos, temos, de facto, razão para desesperar. António Costa gritou e esbracejou mais do que Passos Coelho. E Passos Coelho foi falando com uma certa serenidade e não permitiu que, da parte dele, a conversa degenerasse num chinfrim com o primeiro-ministro. Mas, dizem os peritos, perdeu. O público e os comentadores gostam de excitação e de alarido, como os pacóvios gostam de ver desastres.
Veio a seguir um coro geral de lamentações. Afinal, o debate não tinha esclarecido ninguém. Primeiro, porque se discutiu durante muito tempo a personagem de Sócrates (um argumento absurdo). Segundo, porque os portugueses não perceberam metade do que ouviram (a reforma da segurança social, a saúde, a troika, a dívida pública e por aí fora). Só que, se não perceberam, o único critério que lhes ficou foi a intensidade do barulho dos dois cavalheiros em presença. E isto para não entrar no capítulo das mentiras, que ferveram do princípio ao fim: sobre a bancarrota, sobre o pedido de resgate, sobre o “memorando”, sobre o melancólico facto de que, à mais pequena crise nos mercados financeiros, não haverá dinheiro para as salvíficas promessas de Costa ou para os sonhos sem sentido de Passos.
Não passou pela cabeça dos jornalistas que “presidiam” ao debate com a sua insuportável embófia perguntar às duas notabilidades que ali putativamente discursavam ao país onde tencionavam arranjar o dinheiro para a redenção da Pátria. Ao contrário do que um observador ingénuo talvez concluísse, em todo aquele espectáculo, digno de Las Vegas (e tirando uns 600 milhões que faltam à segurança social), não se ouviu a imunda palavra “dinheiro” uma única vez. Vivemos numa situação periclitante em que o menor abano pode deitar tudo abaixo. Mas naquela arena (não sei que outra coisa lhe devo chamar) não se mencionou a Europa, a América ou a China. 
Apesar da retórica sobre a “globalização”, Portugal acaba em Badajoz. 
E o dr. Costa e Passos Coelho, coitados, suspeito que também.

12 setembro 2015

Escrito na pedra...

In. “Público”
23.05.2015
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Não há absolutamente ninguém que faça um sacrifício sem esperar uma compensação. É tudo uma questão de mercado.
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Cesare Pavese
1908-1950

Escritor italiano

11 setembro 2015

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Vós que lá do Vosso Império
prometeis um mundo Novo
calai-vos que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério
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António Aleixo

10 setembro 2015

09 setembro 2015

Setubalense - 1968 - Setembro

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04 Setembro
Rainha do Sado
Lucrécia Ramos Brás é a Rainha do Sado de 1968.
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07 Setembro
Para que possamos ir da Cidade à Serra pela beira-mar é necessário concluir a estrada da Figueirinha e Portinho da Arrábida,
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07 Setembro
Dr. Oliveira Salazar
As emissoras deram esta manhã a notícia de que, por virtude de uma queda que dera na sua residência de Verão, no Estoril, o Senhor Presidente do Conselho foi, a noite passada, operado a um hematoma, por dois neuro-cirurgiões, sendo o seu estado satisfatório. O boletim médico mencionado na notícia era assinado pelos Professores Drs. Eduardo Coelho, Vasconcelos Marques e Almeida Lima.
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07 Setembro
Casamento
Na Igreja de S.Sebastião, celebrou-se no dia 5, o casamento da Sr.ª D. Maria Manuela Gonçalves da Costa com o Sr. José Alves Fernandes Cândido.
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14 Setembro
Anúncio da Junta de Freguesia de Santa Maria da Graça.
“Missa pelas melhoras do Senhor Presidente do Conselho”.
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21 Setembro
A doença do Senhor Presidente do Conselho.
O estado do Senhor Presidente do Conselho não sofreu alteração durante a noite. Neste momento a situação é estacionária.” É uma declaração do neurocirurgião Vasconcelos Marques.
Às 20h 30m, foi lido aos jornalistas o seguinte comunicado:
O estado do Senhor Presidente do Conselho é aproximadamente estacionário: respiração auxiliada, tensão arterial 16/8; pulso 80 ppm; temperatura 38,3ºC. Embora haja melhoras de actividade reflexa, o prognóstico mantêm-se reservado.
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23 Setembro
Demissão
Lourenço da Conceição demitiu-se do cargo de director artístico da Ribalta.
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23 Setembro
O preço da portagem na Ponte Salazar aumentou para 20$00 ( era de 10$00).
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25 Setembro
Funeral
Eng.º António Porto Soares Franco
Realizou-se anteontem em Azeitão, o funeral do Sr. Eng.º António Porto Soares Franco, de 63 anos. Era membro do Conselho Municipal e administrador da firma J.M. da Fonseca, Sucs.
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28 Setembro
O Chefe do Estado empossou o Professor Doutor Marcello Caetano, no cargo de Presidente do Concelho de Ministros.
O novo Governo fica assim constituído:
Presidente do Conselho – Professor Doutor Marcello José das Neves Alves Caetano
Ministro-Adj. à Presidência do Conselho – Eng. Alfredo de Queirós Ribeiro Vaz Pinto
Ministro da Defesa Nacional – Gen. Horácio José de Sá Viana Rebelo.
Ministro do Interior – Prof. Dr. António Manuel Gonçalves Rapazote.
Ministro da Justiça – Prof. Mário Júlio Brito de Almeida Costa.
Ministro da Finanças – Dr. João Augusto Dias Rosas.
Ministro do Exército – Brigº José Manuel Bettencourt Rodrigues.
Ministro da Marinha – Comodoro Manuel Pereira Crespo
Ministro dos Negócios Estrangeiros – Dr. Alberto Franco Nogueira.
Ministro das Obras Públicas – Eng. Rui Alves da Silva Sanches.
Ministro do Ultramar – Prof. Joaquim Moreira Silva Cunha.
Ministro da Educação – Dr. José Hermano Saraiva.
Ministro da Economia – Dr. José Gonçalves da Cunha Sotto Mayor Correia de Oliveira.
Ministro das Comunicações – Eng. José Estêvão Abranches Couceiro do Canto Moniz.
Ministro das Corporações – Prof. José João Gonçalves de Proença.
Ministro da Saúde e Assistência Social – Dr. Lopo Carvalho Cancela de Abreu.
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28 Setembro
Posse
Na Escola Técnica
Tomou posse do lugar de Professora Auxiliar do Ensino Técnico, a Sr.ª Dr.ª D. Maria Irene Ribeiro Gonçalves da Silva Alves que se encontra colocada na Escola Industrial e Comercial de Setúbal.
A posse foi-lhe conferida pelo Director da Escola, Sr. Dr. Rogério Noel Peres Claro.
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30 Setembro
Finalmente vai ser proibido o trânsito a veículos na rua Antão Girão, no sentido Norte-Sul.

08 setembro 2015

Parabéns!... 8 de Setembro

Alexandra faz anos hoje!
Os meus parabéns... 
e um abraço grande. 
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Alexandra Kolontai Fernandes Ferreira Godinho

07 setembro 2015

Morreu o Melo e Cunha

Acabo de receber a notícia.

Manuel Ribeiro Melo e Cunha
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"Cap.Fragata Manuel Ribeiro Melo e Cunha
Lamentamos informar que faleceu em 5 de Setembro, o nosso camarada Capitão de Fragata Manuel Ribeiro Melo e Cunha. Tinha 79 anos. Ingressou na Escola Naval em Novembro de 1954 e especializou-se em Electrotecnia , tendo cumprido várias comissões de embarque e uma comissão de serviço numa unidade de fuzileiros em Angola. Foi promovido a capitão de Fragata em 1977 e, a seu pedido, passou à Reserva no mesmo ano, tendo passado à Reforma em 1993. Era um homem de comportamento muito peculiar e muito confiável, o que lhe grangeava muitas  simpatias e amizades na nossa corporação. À sua Família, especialmente à sua mulher Rosário e aos seus filhos, assim como aos seus camaradas do Curso "D.Duarte de Almeida", apresentamos as nossas sentidas condolências.
O corpo do Comandante Melo e Cunha seguirá no domingo pelas 17:30 horas para o Convento de Jesus em Setúbal e o funeral realiza-se na 2ªfeira, depois de uma missa de corpo presente."
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Melo e Cunha frequentou apenas o 3ºCiclo no Liceu de Castelo Branco e ingressou depois na Escola Naval do Alfeite seguindo a sua vida como oficial da Marinha.  

Manuel Ribeiro Melo e Cunha
Auto-caricatura no Livro de Despedida de 1953/54
do Liceu de Castelo Branco
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Esta caricatura era acompanhada por uns versos que lhe foram dedicados pela sua colega Matilde. Deixo apenas a última quadra onde já era prevista a ideia de dedicar a sua vida à marinha de guerra.
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Depois de tudo o que digo
a vida breve caminha
E com um rumo certeiro
Ele vai singrar na marinha.
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Veio repousar em Setúbal.
Que descanse em paz.

Que sorte têm as crianças......

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No Universo...
... só as crianças sabem do que andam à procura... 
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- Olá, bom dia! - disse o principezinho.
- Olá, bom dia - disse o agulheiro.
- O que estás aqui a fazer? - perguntou o principezinho.
- Faço pacotes de passageiros. Cada pacote leva mil - disse o agulheiro. - Faço a expedição dos comboios que os transportam, uns para a direita, outros para a esquerda...
       E um rápido iluminado, a rugir como um trovão, fez tremer a cabina do agulheiro.
- A pressa com que eles vão! - exclamou o principezinho. - Andam à procura de quê?
- Nem o próprio maquinista sabe - disse o agulheiro.
       E passou outro rápido, a rugir, em sentido inverso.
- Já estão de volta? - perguntou o principezinho
- Não são os mesmos - respondeu o agulheiro. - É uma troca.
- Mas não estavam bem onde estavam?
- Nunca se está bem onde se está - disso o agulheiro.
      E rugiu o trovão de outro rápido iluminado.
- Estes andam atrás dos outros? - perguntou o principezinho.
- Não, não andam atrás de nada. - disse o agulheiro. - Vão dentro do comboio a dormir ou então a abrir a boca. Só as crianças é que vão de nariz esborrachado nas janelas...
- Só as crianças sabem do que andam à procura - disse o principezinho. - São capazes de perder tempo com uma boneca de trapos que, por causa disso, passa a ser muito importante para elas. Se alguém lha tira, desatam a chorar...
- Que sorte têm as crianças! - disse o agulheiro.
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in "O Principezinho"
     Antoine de Saint-Exupéry
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Que sorte têm as crianças...
- "...e porque é que deixam os agulheiros andar à solta"?!...