28 fevereiro 2007

As minhas fotos preferidas

Madrugada de um dia que há-de vir...

10 de Novembro de 1969

.
Numa "visita de estudo" aos fósseis da zona a norte de Sesimbra que fiz com os meus alunos do 6ºano, encontrei próximo da Aldeia do Meco um "ciganito ranhoso" a quem tirei esta foto. Foi Sebastião da Gama o "mentor" do nome que então lhe atribuí... retirando dos versos, a carga negativa que continham...

Luís Vaz de Camões

O Príncipe dos Poetas

A edição das Rimas de 1607


Soneto

Sete anos de pastor Jocob serviu
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel, lhe dava Lia,

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida

começa de servir outros sete anos,
dizendo:”Mais servira se não fora
para tão longo amor tão curta a vida
!”


Diz o Prof. Costa Pimpão que “ da personalidade de Camões, a característica mais importante, a que mais devemos apreciar, porque ela foi a condição da existência do próprio poema, é a sua independência”.

27 fevereiro 2007

Uma boa notícia!...

Via e-mail, recebi esta tarde a notícia!
O meu blog
www.memoriarecenteeantiga.blogspot.com, que havia tido problemas em 22 de Fevereiro e estava impossibilitado de emitir mais "posts"... afinal nada tinha de mal! Comunicaram-me que está de novo operacional...com o pedido de muitas desculpas!
Passo agora a ter dois blogs que tentarei manter vivos.
João de Castelo Branco

Aplicações...

Vem hoje no Diário de Notícias.
É público! E notório...

"Os rendimentos do trabalho dependente de Vítor Constâncio totalizaram os 280 889,91 euros em 2005.

Neste ano, só em aplicações financeiras e contas bancárias, o governador do Banco de Portugal declarou um montante global de 570 454 euros.

Em comparação com 2004, a situação económica do governador não se alterou significativamente: ganhou nessa altura 272 628,08 euros, não tendo modificado a carteira patrimonial ao nível imobiliário.

Aparente adepto de não pôr todos os ovos no mesmo cesto, Constâncio colocou no BPI a fatia maior das suas poupanças:
192 180 euros num fundo de investimento;
50 256 euros num plano poupança-reforma (PPR);
204 454 euros numa aplicação de capitalização;
16 664 euros numa carteira de títulos e ainda
65 810 euros em produtos derivados de bolsa.

Na CGD, o governador do Banco de Portugal tem um depósito a prazo de 119 222 euros e 86 680,9 euros num fundo de investimento.

O BES é responsável pela gestão de um outro fundo de investimento mais modesto, no valor de 21 868 euros.

Os dois vice-governadores, José Martins de Matos e Pedro Duarte Neves, ganharam, respectivamente, 244 536 euros e 254 586 euros.

Do ponto de vista de aplicações financeiras, Martins de Matos tinha investidos mais de 142 mil euros, no final de 2005, enquanto que o ex-presidente da Anacom foi mais ambicioso ao despender mais de 331 mil euros.

Logo abaixo, na mesma 1ªpágina do Diário de Notícias:

"Constitucional aprova penhora de salário mínimo"

"O Tribunal Constitucional declarou, em Novembro do ano passado, que não é inconstitucional a penhora de qualquer percentagem do salário mínimo quando não existem outros bens do executado que possam ser penhorados."

25 fevereiro 2007

Beira Baixa - Notícias de 1951 - 4ºTrimestre

6 de Outubr0
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A Drª Maria Cândida Monteiro Trindade e o Dr. Alberto mudam o seu consultório para a Avenida Nun' Álvares nº 34 ( a seguir à Caixa Geral de Depósitos)

6 de Outubro
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Móveis e Estofosc
arpetes, passadeiras, tapetes.
Selé, Marceneiro
3, Praça Luis de Camões, 4

6 de Outubro
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Rita Antunes
modista
Travessa da Ferradura, 13-1º

13 de Outubro
Companheiros da Alegria
Se o espectáculo que realizaram na nossa cidade mostrou a alegria comunicativa daquela plêiade de gente moça, muitos artistas de valor, também é certo evidenciou um novo cantor sobejamente conhecido entre nós, o sr. José Mendes Carronda que noutras terras teve uma actuação brilhante.
Em Vila do Conde, Castelo Branco conquistou mais um triunfo porque o sr. José Mendes Carronda soube, com a sua voz melodiosa, fazer vibrar e fazer-nos sentir a alegria comunicativa da sua voz bem timbrada...

13 de Outubro
Pedido de Casamento
Pelo sr. Joaquim Rodrigues Ribeiro Russinho foi pedida em casamento no dia 12 do corrente, para seu filho sr. Augusto Maria Martins Ribeiro Russinho, a visitadora sanitária srª.D.Maria Udite Esteves Valente, gentil e prendada filha da srª D. Maria Emília do Rosário Valente e de seu marido sr. Valente (já falecido)

20 de Outubro
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Modista
Isabel Salvado participa às suas clientes que saiu para Lisboa a fim de assistir às passagens de modelos para a estação de Inverno

20 de Outubro
Vida Religiosa
Foi nomeado pároco de Mouriscas, para onde seguirá dentro de dias, o Revº Padre João Mendes Pires da Silva, que foi coadjutor na nossa paróquia

3 de Novembro
Dádiva
Aos corações generosos 40$00

10 de Novembro
Nascimento
Com muita felicidade deu à luz no dia 30 do passado mês, uma robusta criança do sexo masculino a srª D. Piedade dos Santos Faria Crisóstomo esposa do sr. Martinho Felix Crisóstomo

17 de Novembro
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Fernando Noé participa aos seus estimados clientes e amigos e ao público em geral que acaba de adquirir um esplêndido Ford "Consul", 4 lugares, fazendo redução de preços em viagens longas. Rua de Santa Maria, nº107 Telefone 303

8 de Dezembro
Nova Licenciada
Concluiu há pouco o Curso de Matemática na Universidade de Coimbra a srª Drª. D. Maria Adelaide da Silva Caio.

15 de Dezembro
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Óptica Ideal
Oculista profissional
Carlos Lopes Pereira
Alameda Salazar, nº23 Castelo Branco

15 de Dezembro
Casamento
Realizou-se no passado dia 9, na Capela de Sant'Ana, o casamento da Srª D. Maria Udite Esteves Valente, com o sr. Augusto Maria Martins Russinho. Foram padrinhos da noiva o Exmº Sr. Dr. Ulisses Vaz Pardal e sua esposa D. Maria Amália Sanches Vaz Pardal e por parte do noivo o sr.Dr. António Tavares Carriço e D. Maria Amália Tavares Carriço.

24 fevereiro 2007

As freiras de Amarante

ACORDÃO DA RELAÇÃO SOBRE A CONTENDA DO CANO DAS FREIRAS DE AMARANTE

Acordão da Relação, vistos os autos, etc., etc.

As authoras D.Abbadessa, Discretas e mais religiosas do Convento de Santa Clara de Amarante, mostram ter um cano próprio por onde despejam as suas immundícies e enxurradas, o qual atravessa de meio a meio a Fazenda dos Frades Domínicos da mesma villa.

Provaram ellas, authoras, a posse em que estão de o limparem quando precisarem. Os réus, o Prior e mais religiosos do Convento de S.Gonçalo, assim o confessam, e se defendem, dizendo, que lhes parece muito mal que lhes bulam e mexam na Fazenda sem ser à sua satisfação; que conhecendo a necessidade da limpeza do cano das Madres, tinham feito unir o seu cano ao d'ellas para mais facilmente se providenciarem as couzas, por cujo modo vinham a receber proveito. Portanto, e o mais dos autos, vendo-se claramente que aquella posse só poderá nascer do abuso; Vendo-se mais a bôa vontade com que os réus se prestam e obrigam a limpar o cano das Madres, authoras, e que outro sim, da união resulta conhecido benefício, conclue-se visivelmente que há duvidas e questões de parte da Madres, que podem nascer do capricho sublime, de um temperamento ardente, que preciza mitigar-se para bem de ambas as partes.

Pelo que, mandam, que o cano das authoras seja conservado sempre corrente e desembaraçado, unido ou não unido ao cano dos réus, segundo o gosto d'estes, e inteiramente à sua disposição, sem que as freiras, authoras, possam intrometer-se no dia, na hora, nem nos modos ou maneiras da limpeza, a qual já fica entregue à vontade dos réus, que a hão de fazer com muita prudencia e bem, por terem bons instrumentos, seus proprios, o que é bem conhecido das authoras que o não negaram nem contestaram. E quando aconteça, – o que não é presumível, – que os réus, de proposito ou por omissão, deixem entupir o cano das authoras,em tal caso lhes deixem o direito salvo contra os réus, podendo desde logo governar na limpeza do dito cano, mesmo por meios indirectos, usando de suspiros, e ainda usando do cano dos réus, procedendo primeiro a uma vistoria feita pelo juiz de fóra e com assistencia de peritos louvados sobre os canos das authoras e réus.

Pague-se as custas do processo,etc.

Porto, 11 de Novembro de 1793


Nota - Estes autos ainda hoje se acham archivados n'um dos cartórios da comarca de Amarante.

As freiras de Amarante

ACORDÃO DA RELAÇÃO SOBRE A CONTENDA DO CANO DAS FREIRAS DE AMARANTE

Acordão da Relação, vistos os autos, etc., etc.

As authoras D.Abbadessa, Discretas e mais religiosas do Convento de Santa Clara de Amarante, mostram ter um cano próprio por onde despejam as suas immundícies e enxurradas, o qual atravessa de meio a meio a Fazenda dos Frades Domínicos da mesma villa.

Provaram ellas, authoras, a posse em que estão de o limparem quando precisarem. Os réus, o Prior e mais religiosos do Convento de S.Gonçalo, assim o confessam, e se defendem, dizendo, que lhes parece muito mal que lhes bulam e mexam na Fazenda sem ser à sua satisfação; que conhecendo a necessidade da limpeza do cano das Madres, tinham feito unir o seu cano ao d'ellas para mais facilmente se providenciarem as couzas, por cujo modo vinham a receber proveito. Portanto, e o mais dos autos, vendo-se claramente que aquella posse só poderá nascer do abuso; Vendo-se mais a bôa vontade com que os réus se prestam e obrigam a limpar o cano das Madres, authoras, e que outro sim, da união resulta conhecido benefício, conclue-se visivelmente que há duvidas e questões de parte da Madres, que podem nascer do capricho sublime, de um temperamento ardente, que preciza mitigar-se para bem de ambas as partes.

Pelo que, mandam, que o cano das authoras seja conservado sempre corrente e desembaraçado, unido ou não unido ao cano dos réus, segundo o gosto d'estes, e inteiramente à sua disposição, sem que as freiras, authoras, possam intrometer-se no dia, na hora, nem nos modos ou maneiras da limpeza, a qual já fica entregue à vontade dos réus, que a hão de fazer com muita prudencia e bem, por terem bons instrumentos, seus proprios, o que é bem conhecido das authoras que o não negaram nem contestaram. E quando aconteça, – o que não é presumível, – que os réus, de proposito ou por omissão, deixem entupir o cano das authoras,em tal caso lhes deixem o direito salvo contra os réus, podendo desde logo governar na limpeza do dito cano, mesmo por meios indirectos, usando de suspiros, e ainda usando do cano dos réus, procedendo primeiro a uma vistoria feita pelo juiz de fóra e com assistencia de peritos louvados sobre os canos das authoras e réus.

Pague-se as custas do processo,etc.
Porto, 11 de Novembro de 1793

Nota - Estes autos ainda hoje se acham archivados n'um dos cartórios da comarca de Amarante.

Ode anacreôntica

Bocage

Elmano Sadino


Ode anacreôntica

Em torno de áurea colmeia
Amor adejava um dia;
E, a mãozinha introduzindo.
Húmidos favos colhia.
Abelha mais forte que eu,
Porque de Amor não tem medo,
Eis do guloso menino
Castiga o furto num dedo.

Chupando o tenro dedinho,
Entra Cupido a chorar;
E, ao colo da mãe voando,
Do insecto se vai queixar.

Vénus, carinhosa e bela,
Diz, amimando-o no peito:
“Desculpa o que te fizeram,
Recordando o que tens feito.

O ténue ferrão de abelha
Dói menos que os teus farpões;
O que ela te fez no dedo
Fazes tu nos corações.


”Nasceu em Setúbal, assentou praça aos 14 anos e, em 1786, partiu como guarda -marinha para Goa, onde viveu dois anos agitadamente.
De novo em Lisboa, em 1790, continuou na mesma vida inquieta, que o levou ao Limoeiro, às prisões do Santo Ofício e ao internamento no mosteiro de S.Bento da Saúde, e daí para o Convento dos Oratorianos, depois de haver figurado na Nova Arcádia, onde foi conhecido por Elmano sadino. Morreu em grande pobreza ganhando com traduções o sustento próprio e de uma irmã. (J.Nunes de Figueiredo e Domingos Pechincha)

23 fevereiro 2007

As "bonecas" de Don Flowers

Don Flowers foi um "cartoonista" de muito valor que a partir de 1930 distribuiu as suas "bonecas" pelos jornais e revistas de todo o mundo.


Dotado de um traço simples mas muito pessoal e característico, apresentava as suas "bonecas" em situações muito atrevidas e sempre com ascendência insuperável sobre os "boys" que as assediavam...


Este americano viu as suas "bonecas" circularem nas revistas de humor que se publicavam em Portugal a partir dos anos 50.


O "Can Can", o "Cara Alegre" e o "Mundo Ri" foram publicações portuguesas que surgiram depois daquela data

No "Mundo Ri" nº 92

No Cara Alegre nº 173

Olhem só a cara de parvo que Don Flowers atribuíu a este "namorado"....


Bonecas" de Don Flowers

De quem estarão a falar?

.
Esta é uma rubrica que todo o apreciador de banda desenhada conhecia...


22 fevereiro 2007

Vai fermosa...

Redondilha

Luís de Camões


Descalça vai para a fonte,
Leanor pela verdura;
Vai fermosa e não segura.

Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
sainho de chalamote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
cabelos de ouro o trançado,
fita de cor encarnado,
tão linda que o mundo espanta;
chove nela graça tanta
que dá graça à fermosura;
Vai fermosa e não segura.

.
"O mais célebre dos escritores portugueses viveu quase isolado dos seus pares. Nenhum deles em sua vida se lhe refere, e só depois de morto um ou outro lhe faz alusão!

Nasceu em Lisboa? Nasceu em Coimbra? Ignora-se Filho de Simão de Camões, descendente de um fidalgo vindo da Galiza no tempo do rei D.Fernando, pensa-se que estudou em Coimbra.

Em 1542 estava em Lisboa, Desterrado para o Ribatejo em 1546, partiu para Ceuta no ano seguinte, e lá, combatendo, perdeu o olho direito.

Volta a Lisboa em 1549 e três anos depois é preso por motivo de uma briga. Enfim perdoado, soltam-no e logo vai servir o Rei à India em 1553. Tristemente aventurosa e desadaptada lhe correu por lá a vida..."

...J.Nunes de Figueiredo e Domingos Pechincha

21 fevereiro 2007

Os Livros de Despedida - 1950

O Curso de 1949/50

A Fotografia

7ºAno de 1949/50 Alunos e Professores

Vamos identificar apenas os Professores, todos eles sentados na primeira fila: Dr.Joaquim Lopes Dias, Dr.Melo e Leite, Dr.José Nunes Parro, Dr.Pina, Dr.João de Sena Esteves, Dr.Joaquim Sérvulo Correia (Reitor), Dr.José de Sena Esteves, Dr.Augusto Russo, Dr.Curado Banha, Padre Aurélio Granada Escudeiro, Dr.Catana Diogo e Dr.António Carriço.


O Joaquim Maria Marques, o Mário Roseiro, a Maria Júlia e a Magna Cerqueira Vicente fizeram os versos de quase todos. O Olímpio também puxou pela veia poética e assinou os versos do Raul Cabarrão, do Rui Romãozinho. As caricaturas têm todas o traço inconfundível do Adelino Robalo Cordeiro.


Apresenta uma capa sóbria… muito simples! E os versos dedicados “Aos nossos Pais”, “Aos nossos Professores" e “Aos nossos amores” alojam-se nas primeiras páginas do Livro de Despedida de 1950.

Depois… Depois é uma série de versos e caricaturas de que apenas podemos mostrar algumas que aqui ficam.

.

Magna Cerqueira Vicente

“Todos sabem, julgo eu
Que é artista consumada,
Recita de tal maneira
Que fica a gente encantada
Também é coisa sabida
Sua tendência p´ra poesia
É triste por natureza
E dada à melancolia”

.

Adelina da Silva Carrondo


Sempre muito caladinha
Sem nunca quase falar.

.

Maria do Carmo Gonçalves Ribeiro

És risonha, faladora
E sabes bem recitar;
A teatros e bailados
Nunca tu podes faltar.

.

António dos Santos Carreto Curto

De mil donzelas amado
E causa de muita dor…

.

António Sarmento Lobato de Faria

P’ra malta o maior amor
É a pinga predilecta
P´ra ti o maior desejo
É seres um dia atleta.

.

Aquiles Borronha Gonçalves

Uma capa velha e remendada
Cobrindo uma grande estatura
Uma anedota mal contada
E uma ordem aldrabada
Pintam bem esta figura.

.

João Antunes Preto Tomé

Estatura agigantada,
Ondinha feita a “martelo”
Por vezes tão levantada
Que até parece um castelo.

.

Manuel António Barbosa Marçal Grilo

Gesticula com ardor
Nas ruas albicastrenses
Ao discutir, com calor,
Os jogos do “Belenenses”.

.

Olímpio Mendes de Matos

Alexandria folgou
Porque um dia aportou
Um “pequeno aventureiro”
Que por ser muito matreiro
Uma loira “conquistou”.

.

António Preto dos Santos

Meninas não chorem mais,
Acabem-se já os prantos.
--Afinal porque chorais?
--Porque vai partir o Santos!

20 fevereiro 2007

Soneto

Nicolau Tolentino (1741 – 1811)

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na cama, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
--“Sumiu-se-lhe o colchão?! É forte pena!
Olhe não fique a casa arruinada…”

--“Tu respondes-me assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?” E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.


Sobre Tolentino, escreveu o Dr.José Rodrigues Lapa:
“… este humorista, um dos maiores da nossa literatura, teve uns olhos extraordinários para ver as realidades e um talento de primeira ordem para no-las tornar presentes, sensíveis. A alta sociedade ficou naturalmente fora da sua actividade satírica: não iria pintar os ridículos de quem lhe dava o peru…”

É tempo de Carnaval... 4

O Carnaval no Clube Setubalense - 13.Fev.1988

Fardada de boneca?

A matiné era infantil....

...mas

.

...os adultos também se divertiram!

.
O Ilusionista, quando apareceu

fez maravilhas...


...imensamente aplaudidas!
.
No Carnaval de 1993


Apareceram umas "Minizinhas" a precisarem de cuidados...
.

Mas que grande laçarote!...
.

Uma enfermeirinha bonita.

19 fevereiro 2007

Figuras ilustres de Setúbal

Setúbal, 1950- 60


O Dr. José Soveral Rodrigues e o Eng. Armando Athayde de Medeiros

O Eng. Medeiros era o Director da Escola Técnica quando eu cheguei a Setúbal em 1959 e durante alguns anos foi um "habitué" do Café Central, numa Tertulia onde "imperavam" muitos Professores do Liceu e da Escola Técnica e na qual eu me integrei. Apesar da diferença de idades que me separava dos meus ilustres companheiros, não fazem a mínima ideia de quanto eu aprendi no Salão daquele café... a ouvir "histórias" da nossa Cidade e das suas gentes...
O Dr. Soveral Rodrigues "apareceu" no meu caminho, um pouco mais tarde através dos contactos no Clube Setubalense, onde durante muito tempo e até à sua morte, há bem pouco tempo, foi o Sócio nº1.
Aconteceu termos almoçado com muita frequência. E era exactamente durante esses almoços que decorriam nos mais variados restaurantes, nas imediações da nossa Cidade que o Dr.Soveral nos deliciava com a sua prodigiosa memória...
Sempre de caneta aprontada e escrevendo em guardanapos de papel ou no próprio papel que muitas vezes servia de toalha, eu não perdia pitada de tudo aquilo que este grande Amigo tinha para nos dizer sobre algumas facetas da História da nossa Cidade. E que memória ele tinha! E que memória ele manteve até ao fim...
Foi Director do Hospital de Setúbal e, entre outros acontecimentos, foi ele quem recebeu no dia 16 de Novembro de 1943, quando o Hospital era ainda no Largo de Jesus, o ministro Duarte Pacheco após o desastre rodoviário ocorrido próximo de Vendas Novas. Mas já nada havia a fazer...
O Dr. Soveral Rodrigues faria os seus 38 anos, dois dias depois desta ocorrência.

18 fevereiro 2007

Que será, será...

Autor de "Que sera, sera" morre aos 92 anos
Público, 18.02.2007

O compositor norte-americano Ray Evans, autor da famosa canção "Que sera, sera" e vencedor de três Óscares da Academia de Hollywood, morreu anteontem num hospital de Los Angeles, na sequência de uma paragem cardíaca.

Evans tinha 92 anos e compôs a maior parte das suas obras em parceria com John Livingston, que morreu em 2001.

Raymond Bernard Evans nasceu em Salamanca, Nova Iorque, a 4 de Fevereiro de 1915. Licenciado em Economia pela Universidade da Pensilvânia, Evans teve a sua iniciação musical na faculdade, onde tocava clarinete num grupo universitário. Foi na universidade que conheceu Livingston, então jornalista e líder de uma banda especializada em festas e bailes estudantis. Em 1937, Evans e Livingston decidiram mudar para Nova Iorque, dando início a uma profícua colaboração com mais de seis décadas.

O duo ganhou três Óscares: em 1948, 1950 e 1956 pelas canções Buttons and Bows, Mona Lisa e "Que sera, sera", respectivamente. Esta última transformou-se num sucesso mundial também devido à sua interpretação original - Que sera, sera foi cantada pela actriz Doris Day no filme O Homem que Sabia Demais, de Alfred Hitchcock.

Livingston ao piano e Ray Evans

.

Quando, nos anos 50, Doris Day era a vedeta que arrastava multidões de fans aos seus filmes (eu era um deles...), bem podemos dizer que foi ela quem deu um maior mediatismo a Evans e Livingston, ao interpretar muitíssimo bem a canção "Que será, será", no filme "O homem que sabia demais" onde contracenava com James Stewart

As edições deste disco sucediam-se na "Valentim de Carvalho", da rua do Carmo, em Lisboa e na "Vadeca", na rua de Santo António, no Porto... Foi aqui, em 1957, que adquiri o disco em vinil, de 78 rot/min. Onde vai este tempo?! E onde vai o disco...que não consigo encontrá-lo?!...

Numa versão posterior, encontrei, cá por casa, a célebre música, desta vez interpretada por Alan Copeland.

A capa

.

A contra capa.

O conteúdo...

O pormenor

...e, já agora, a letra da canção.

Que Sera Sera


When I was just a little girl

I asked my mother what will I be

Will I be pretty

Will I be rich

Here's what she said to me


Que sera sera

Whatever will be will be

The future's not ours to see

Que sera sera


When I was just a child in school

I asked my teacher what should I try

Should I paint pictures

Should I sing songs

This was her wise reply


Que sera sera

Whatever will be will be

The future's not ours to see

Que sera sera


When I grew up and fell in love

I asked my sweetheart what lies ahead

Will there be rainbows day after day

Here's what my sweetheart said


Que sera sera

Whatever will be will be

The future's not ours to see

Que sera sera


What will be, will be

17 fevereiro 2007

As "miúdas" mais bonitas...

Na festa dos 90 anos da D.Adelaide Fernandes
estiveram ontem duas "miúdas" muito bonitas...

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... a bisavó

.
e a bisneta.

É tempo de Carnaval... 3

Corso de 10 de Fevereiro de 1970

Uma alegoria ao Tríptico de Luciano

Terça-feira de Carnaval

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No "parau" da Escola de Condução Rogério Gonçalves

Uma "chinesinha" vestida "à maneira"....

.

Carnaval de 1981

Em 28 de Fevereiro, houve Baile de Máscaras no Salão.

...a diversão e a alegria reinaram no Clube Setubalense.

D.Edite do Rosário

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Um cidadão exemplar que não passava ao lado do Carnaval...
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A minha aluna Ana Alves faz um intervalo nos estudos...
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Um grupo de alunas do Liceu

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Carnaval de 1988

Em 13 de Fevereiro, o Clube Setubalense abriu as portas para uma matiné infantil

Três máscaras e...três balões coloridos!

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A Lara e a prima, divertidas.