31 julho 2007

Michelangelo Antonioni

O cineasta italiano Michelangelo Antonioni,
um dos grandes mestres do cinema europeu,
morreu ontem. segunda-feira, na sua casa de Roma
com 94 anos.

Michelangelo Antonioni

O realizador faleceu "tranquilamente, na sua poltrona, tendo ao seu lado a mulher, Enrica Fico".

"Com Antonioni morre não só um dos maiores realizadores, mas também um mestre da modernidade", declarou hoje o presidente da câmara de Roma, Walter Veltroni, num comunicado.

Cineasta da incomunicabilidade ou da dificuldade de viver e amar, dirigiu duas dezenas de filmes, entre os quais "Escândalo de Amor" (1950) e "O Grito" (1957), a trilogia constituída por "A Aventura" (1960), "A Noite" (1961) e "O Eclipse" (1962), e ainda "O Deserto Vermelho" (1964), "Blow-up" (1966), ou "Identificação de uma Mulher" (1982).

Consagrado internacionalmente, ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 1964, com "O Deserto Vermelho", a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1967 com "Blow-up", o Prémio Especial do Júri de Cannes com "Identificação de uma Mulher" em 1982, um Óscar de Hollywood pelo conjunto da sua carreira em 1955 e também um Leão de Ouro pela carreira em Veneza, em 1997.

Tinha dificuldade em deslocar-se e em falar devido a um acidente vascular cerebral que sofreu em 1985.

As minhas fotos preferidas

Cabeça de velho pastor
Veiros - Alentejo

Foto obtida em 23 de Abril de 1973

30 julho 2007

Ingmar Bergman

O realizador de cinema Ingmar Bergman morreu aos 89 anos em sua casa, na ilha sueca de Faarö (Gotland), anunciou hoje a filha Eva Bergman à agência sueca TT.
Ingmar Bergman morreu "calma e pacificamente" anunciou Eva Bergman, sem no entanto precisar as causas exactas da sua morte nem a data.

Ingmar Bergman

Segundo o jornal sueco Dagens Nyeter, o cineasta morreu hoje de manhã, por volta das 7h00 (6h00 em Lisboa).

Corriam há vários meses rumores persistentes sobre a degradação do seu estado de saúde.

Nascido a 14 de Julho de 1918 em Uppsala, a norte de Estocolmo, Ingmar Bergman realizou ao longo da sua extensa carreira mais de 40 filmes, entre os quais se destacam "Um Verão de Amor" (1951), "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Em Busca da Verdade" (1961), "Lágrimas e Suspiros" (1972) "Sonata de Outono" (1978) "Fanny e Alexander" (1982) ou "Saraband" (2003).

Além da sua obra cinematográfica, Bergman foi durante toda a vida um homem de teatro, tendo encenado numerosas peças, nomeadamente as do seu ídolo de juventude, August Strindberg.

A sua carreira começou no teatro nos anos 40 com um estágio de encenação na Ópera de Estocolmo e em 1960 foi contratado como encenador pelo prestigiado Dramaten, o Teatro real de arte dramática.

Foi no entanto o cinema o seu meio de expressão de eleição. "Fazer filmes é para mim um instinto, uma necessidade como comer, beber ou amar", declarou em 1945.

Em 1955 alcançou o seu primeiro êxito internacional com a comédia "Sorrisos de uma noite de Verão", mas a partir do final dessa década os seus filmes tornaram-se cada vez mais sombrios, mostrando casais em crise ou seres amargurados pela ausência de Deus.
Cineasta das mulheres, como alguns o consideravam, proporcionará os seus mais belos papéis a actrizes como Maj Britt Nilsson, Harriet Andersson, Eva Dahlbeck, Ulla Jacobsson e Liv Ullmann. Teve aventuras amorosas com várias das suas actrizes, casou-se cinco vezes e teve nove filhos.

Na opinião de Woody Allen, Bergman era "provavelmente o maior artista do cinema desde a invenção da máquina de filmar".

Eles foram meus Professores...

Ano lectivo de 1954-55

Noções Gerais de Química – Física
Cadeira do 2ºAno do Curso de Ciências Biológicas


A Professora Branca Edmée Marques de Sousa Torres nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1899 e ali faleceu em 19 de Junho de 1986.

Branca Edmée Marques, em 1926

Em 1930 solicitou um Bolsa de estudos à Junta de Educação Nacional que lhe é concedida em Novembro do ano seguinte.
Partiu para Paris em Dezembro e trabalhou no Laboratório Curie do Instituto de Rádio daquela cidade, durante três anos sob a orientação da Maria Curie, onde trabalhou durante mais um ano após o seu falecimento, em 1934.

Tendo já demonstrado qualidades de excelente experimentadora, Maria Curie confiou-lhe o estudo das leis da separação do actínio a partir das terras raras actiníferas, mas esse projecto não se concretizou porque em Dezembro de 1933 ainda não lhe tinha sido renovada a bolsa de estudo pela Junta da Educação Nacional.

Em 21 de Novembro de 1935, já depois da morte de Marie Curie (em 1934), foi-lhe concedido o grau de Docteur en Sciences Physiques com a menção de “trés honorable”, a mais alta classificação em provas de doutoramento em França. Em 13 de Junho de 1936 foi-lhe reconhecida a equiparação deste Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas.

Depois retomou a sua actividade na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa prosseguindo uma carreira de docência e investigação científica notáveis.
Só em 1942 passou a 1ªAssistente. Entre 1942 e 1953 passou a exercer por contrato, renovável ano a ano, funções de Professor Extraordinário e em 1949 prestou provas para Professor Agregado. Em 1954 concorreu a uma vaga de Professor Catedrático em que ficou aprovada em mérito absoluto mas só ascendeu à categoria de Professor Catedrático após um segundo concurso em 1966.

Merece uma referência particular o seu contributo para o desenvolvimento da investigação científica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Branca Edmée Marques conseguiu implantar e desenvolver os seus estudos sobre a radioactividade, no Laboratório de Química da Faculdade de Ciências, onde em 1936 foi criado o Laboratório de Radioquímica. Este laboratório veio a dar origem ao Centro de Estudos de Radioquímica da Comissão de Estudos de Energia Nuclear de que foi Directora até ao fim da sua carreira académica.

A Professora Branca Edmée Marques no Centro de Radioquímica, da Comissão de Estudos de Energia Nuclear da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

(É desta figura que eu me lembro, quando aluno)
Estas duas fotografias encontram-se no livro "Memórias de Professores Cientistas"

Por ocasião do Centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques teve a honra de ser convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para participar nas cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em Outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora de Madame Curie.

Esta Professora tinha muito orgulho na relação que teve com Madame Curie. Lembro-me que, de vez enquanto, nas suas aulas se referia de forma carinhosa a uma tal Maria (Maria, seuleman…) que nós, depois, viríamos a saber tratar-se de Madame Curie… Fazia gala em nos transmitir o grau de intimidade que adquiriu com aquela célebre cientista polaca, Maria Sklodowska, tornada Maria Curie após ter casado com o cientista francês Pierre Curie.

Este apontamento é baseado num texto de
Maria Alzira B. Almoster Moura Ferreira
publicado in' "Memórias de Professores Cientistas"
Ed.Faculdade de Ciências da Universidade e Lisboa - 2001

29 julho 2007

Academia Luisa Todi - 1971

Em 15 de Junho de 1971 teve lugar,
na Academia Luísa Todi,
a Audição Escolar dos Alunos
da D. Natividade Lopes da Silva e
da D. Maria Emília Santos.

A Capa do Programa da Audição Escolar

Numa primeira parte actuaram os alunos dos 3 aos 6 anos, na lista dos quais ressalta o nome da Leninha Murta, uma miúda loirinha muito viva e simpática que nos deliciou com um pequeno tema de Levine “A 4ª e 5ª lição do Magic Piano".
A Alexandra O’Neill tocou “A Scottich Dance", de Lela Ward e a Madalena Trigo interpretou duas peças: “The Toy Xylophone” de Barbara Mason e “L’Ami dês enfants nº1” de M.Wolfarth.


Na parte final, foi a vez das mais adiantadas e actuaram, entre outras, a Maria Teresa Palma Leal que executou três peças, entre elas “Twins” de Ivine Adair, a Maria João Pinto de Sousa que terminou com “Storiella d’altri tempi” e a Margarida Mendes de Matos que executou duas peças de Ivone Aldair e duas outras: “Ma poupée dance” de Roger Pillonel e “Tempo di minuetto” de Pozzoli.



Estas provas finais das classes de iniciação costumavam ser feitas na presença de um júri que era presidido por um Professor do Conservatório Nacional.

28 julho 2007

Castelo Branco Antiga

A Avenida Nun'Álvares, em 1975
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Foto obtida em 1 de Setembro de 1975

Em primeiro plano, a casa do Dr.José Lopes Dias e a do Dr.Júlio Goulão; logo a seguir a do sr.José Grilo e, lá mais ao fundo, o Liceu de Nun'Álvares. Do outro lado da avenida, os Bombeiros e os "Fradinhos".

27 julho 2007

Setúbal de outros tempos...

A Cidade de Setúbal
desde a Avenida Daniel de Sousa à Estrada de Santas...
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Foto obtida em 22 de Fevereiro de 1985

26 julho 2007

Beira Baixa - Notícias de 1953 - Março

7 de Março
4º Concerto pró Arte
...assistiu ao Concerto o ExºSr.Dr.Ivo Cruz, Director do Conservatório Nacional e iniciador do Movimento Pró Arte. Sua Exª, que foi apresentada pelo sr.Francisco António Ribeiro Russinho nos termos mais elogioso, falou sobre a criação da Pró Arte explicando a sua finalidade e recordando a obra já realizada.

28 de Março
O Cine Teatro Avenida de Castelo Branco, SARL
com capital – 3.000.000$00,
apresenta o Relatório e Contas de 1952
com um saldo de 228.055$00

28 de Março
I Grande Rali Automóvel às Termas de Monfortinho.
Programa Geral
Sábado, 28 -- às 8 horas ---- Partida dos concorrentes de Lisboa, Porto, Coimbra, Castelo Branco, Covilhã e Monfortinho.
Sábado, 28 -- às 15 horas ---- Partida de todos os concorrentes de Castelo Branco com destino a Monfortinho.
Sábado, 28 -- às 17 horas ---- Início da 1ª Prova Complementar.
Sábado, 28 -- às 22 horas ---- Recepção e Homenagem aos Concorrentes.
Domingo,29 -- às 10 horas ---- Início da 2ª Prova Complementar.
Domingo,29 -- às 16 horas ----Distribuição dos prémios.

Números atribuídos, no Sorteio, aos concorrentes:
Castelo Branco
01 - José Pedro Ferrão
02 - Silvério Neves Grilo
03 - Manuel Marques Ribeiro
04 - António Aparício da Mata
05 - José Lopes Penha
06 - Artur Vicente Valente
07 - Manuel Afonso Salavisa
08 - Jerónimo Manzarra
09 - José dos Reis Sanches
10 - José Pereira
11 - Joaquim Nunes Ribeiro

Covilhã
36 - António Ascensão
37 - Eng.Júlio dos Santos Pinto
38 - António Pereira Nina
39 - Mário Pontífice
40 - N.N.
41 - José Maria Gabriel
42 - Hilário Dias Freire
43 - Armando António Martins
44 - Ramiro Pontífice de Sousa
45 - José Orlando Fael Freire
46 - Dr.Rui Pontífice
47 - D.Regina Alves da Silva
48 - Alberto Freire Miguel

Monfortinho
56 - Eng.Mário Rodrigues
57 - D.Margarida Riobom
58 - Fernando Stock

Lisboa
15 - José Domingos Barreiro
16 - Eng.José Luis Abreu Valente
17 - Ernesto Martorell
18 - Joaquim Meneses Ferreira
19 - N.N.
20 -António Leitão de Oliveira
21 - Júlio Sousa
22 - Fernando Pinto Basto
23 - Henrique Burnay Bastos
24 - Eng.Joaquim Luis Cunha Silva Cardoso
25 - Alberto Graça
26 - Franklim Barbosa
27 - José Emídio da Silva
28 - D.Fernando de Mascarenhas
29 - Albino Reais Pinto
30 - João Castelo Branco
31 - Nuno Barros
32 - Daniel Magalhães
33 - Joaquim Filipe Nogueira
34 - José Ferreira Batista
35 - António Augusto Parente
61 - Manuel Nunes dos Santos

28 de Março
Campanha Nacional de Educação de Adultos
Castelo Branco
No Salão Nobre do Governo Civil tomou posse a Comissão Distrital da Campanha Nacional de Educação de Adultos que ficou assim constituída:
Governador Civil, Dr.José de Carvalho
Director do Distrito Escolar, sr.Francisco Pinto Mouro
Delegado do Inst. Nac. Trab. e Previdência, Dr.António Vasconcelos Costa e Melo
Representante da Imprensa local, Dr.Augusto Duarte Beirão
Representantes das Organizações Corporativas, srs.José Pedro Cordas e Prof.Manuel Antunes Preto

28 de Março
Grupo dos Amigos dos Escalos de Baixo
Os Corpos Directivos ficaram assim constituídos:

Assembleia-Geral:
Presidente: Tenente-Coronel Francisco Pinto Lopes
Vice-Presidente: Dr.Jaime Pissarra Lopes Dias
Vice-Presidente: Dr.Alfredo Beja Godinho
Secretário: Reg.Agr. Luis Gonçalves Beato Junior
Secretário: Ag.Téc.Eng.José Neves Fazenda

Direcção
Presidente: Padre Joaquim Barbosa Camelo
Vogal: Padre Manuel da Assunção Jorge ( pároco da freguesia )
Vogal: Nuno da Cunha Navarro
Vogal: Manuel das Neves Beato
Vogal: Manuel Félix dos Santos
Vogal: José Dourado Teixeira
Vogal: Vitorino das Neves Beato
Vogal secretário contabilista: Joaquim Fazenda Barreiros

Conselho Fiscal
Presidente: Padre Joaquim Barbosa Camelo
Vice-Presidente: Tenente Manuel Duarte Silva
Vogal: Manuel Maria da Silva Magno
Vogal: José Lopes Roxo

25 julho 2007

Os meus heróis de BD

"O Sortilégio do Bosque das Brumas"
de François Bourgeon


François Bourgeon nasceu em Paris em 1945.Faz os estudos clássicos, aperfeiçoa o seu desenho em diversos ateliers e faz exame de admissão à École dés Metiers d’Art de onde sai após três anos de estudos com um diploma de Mestre vidreiro.Bourgeon foi educado originalmente para ser um artista de vidro, mas as dificuldades em encontrar o emprego e uma paixão para o desenho alterou o seu curso que dirigiu para um rumo diferente.
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"A violência no século XIV"
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Nascido em 1333 e falecido por volta de 1400, Froissart tem exactamente a mesma idade de Mariotte. A descrição que ele faz da “Jacquerie” nas suas “Chroniques”, poderá ajudar a situar as acções do Cavaleiro no contexto da época.


Nota: A Jacquerie foi uma revolta camponesa que ocorreu no Norte de França, entre 28 de Maio e 24 de Junho de 1358 durante a Guerra dos Cem Anos. A designação deriva de Jacques Bonhomme, o nome com conotação paternalista dado genericamente a um camponês da região. A revolta iniciou-se de forma espontânea, reflectindo a sensação de desespero em que viviam as camadas mais pobres da sociedade, depois da Peste Negra, numa altura em que a França se encontrava num vazio de poder e à mercê das companhias livres, bandos de mercenários renegados que vagueavam pelo país.

"(…) E todos deziam: “He verdade” he verdade! Amaldiçoado seja aquelle por quem os gentis homéis da morte se escusé!” Entonces se reuniram e partiram, sem outro comselho e nenhumas armas, mais que nam fora que paos ferrados e facas pera a casa de um cavalleiro que a breve espaço dalli residia. De guisa que destruíram a morada e mataram ai cavalleiro, aa molher e filhos pequenos e grandes e cuidaram de queimar a casa. Depois foram a outro bello castelo e peor inda fezeram: pois tomaram o cavalleiro e o ataram a húa fforte estaca e violaram sua molher que estava prenha de hum filho e a filha e todallas creanças e depois o dito cavalleiro com gramdes martírios e queimaram e destroiram o castello. Assi fezeram cô muitos castellos e booas moradas. E tanto se multiplicaram que em breve eram seis mil, e por toda a parte onde hiam o seu numero crescia, pois todollos da sua laia hos seguiam. De guisa que todollos cavalleiros e escudeiros, suas molheres e filhos deante delles fugiam e levavam as damas e donzelas seus filhos pêra dez ou vinte légoas, pêra se garantirem, e deixavam suas moradas vazias e seus teres adentro; e aquella maa gente, reunida sem maioral nem armas, roubava e queimava tudo e matava e fforçava e violava todallas damas e mancebas sem doo nem merçee commo se cãaes raivosos forem. Nuúca fúria assi houvera entre Christans e Sarracenos… "
Extracto das Chroniques de Froissart

O texto que ficou escrito compõe a primeira página de "O Sortilégio do Bosque das Brumas", o primeiro volume de "Os Companheiros do Crepúsculo", de François Bourgeon.


A capa do álbum "O Sortilégio do Bosque das Brumas"


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Mariotte e Anicet
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A selvajaria da "Jacquerie"
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Anicet, em maus lençóis, e Mariotte .

Anicet e a espada do "cavaleiro"

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Na página seguinte, Bourgeon refere-se a outros dados da História da Arqueologia aludindo a "O Animal de Tollund".
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"Datam de 1937 as primeiras descobertas feitas pelo arqueólogo Karl Heinrich Rubinstein, em Tollund. É dele a seguinte descrição:
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"À primeira vista Primata ou Lemuriano de uma raça desconhecida, é impossível classificá-lo numa destas famílias. O pequeno ser mede, em pé, 52 cm, e parece colocar-se verticalmente. O corpo é desprovido de pêlos, excepto no crânio. Os quatro membros são compridos comparados com o torso e desproporcionados entre o antebraço e o braço e entre a perna e a coxa. As patas dianteiras são dotadas de mãos com quatro dedos, sendo o polegar oponível; as patas traseiras terminam por um pé semelhante ao nosso, mas muito maior, com quatro dedos. A cabeça é pequena, do tamanho de um punho fechado de uma criança de dez anos e o alto do crânio está revestido de cabelos. O focinho é curto e largo, com narinas de grande mobilidade. Apresenta dois grandes incisivos e dois caninos aguçados. De cada lado da cabeça surge uma orelha de forma ovóide..."

Novas ossadas, descobertas em 1955 no coração da Floresta Negra e em 1973 na Bretanha, levam um matemático a compará-las à narração feita anteriormente. A conclusão é irrefutável: trata-se do mesmo animal!


É ainda na Bretanha que Pierre Cauteller traz à luz do dia um conjunto de estruturas de forma semiesférica, adquirindo a convicção de não se tratar de fornos mas sim de habitações a uma escala reduzida, possuindo uma chaminé central.


Teria, então, uma espécie de animal totalmente desconhecida existido na mais alta antiguidade, sobrevivido na Europa até ao fim da Idade Média, sem deixar vestígios nos textos e na memória das gentes?!!!


Graças à consulta de numerosos documentos relativos a este fenómeno, Bourgeon consegue fazer reviver, através da gente pequena do Bosque das Brumas,aquilo que poderá ter sido a vida destes pequenos habitantes."
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Uma "mulher" de Tollund
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As "estruturas semiesféricas" com uma chamié central

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Cemitério dos "Tollund" ou uma carnificina?
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É o toque do "despontar do dia"...Estás a ouvir, Mariotte?!
Vão cortar-nos em postas!

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Maldito seja aquele cavaleiro! Maldita seja a ruiva! Malditos os jovenzitos portadores da desgraça!

24 julho 2007

As minhas fotos preferidas

A Escola do Montalvão e encosta da Reboreda


Foto obtida em 10 de Abril de 1975

23 julho 2007

Os Livros de Despedida - 1955

O Curso de 1954/55
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Este "livro de despedida" não apresenta a clássica Fotografia do Curso.

A capa do livro


.De entre os “poetas” ilustres que debitaram versos para este Livro de Despedida sobressai o nome do nosso saudoso Amigo Joaquim Semedo Toco, mas o Brás Venâncio, o Ângelo Bastos, a Maria José Rainha e o Pina de Carvalho, este com uma “série” que denominou “Os Bebíades” (na pele de um "Camões da pingoleta"…) distinguem-se também na obra poética deste livro. Deixamos para o fim os nomes do Luís Nuno Ferraz de Oliveira (Gólgota – 1985) e do meu Amigo dos tempos do Jardim-Escola (1942), José Correia Tavares que, pontualmente, aqui deixaram o seu nome…nessa altura ainda pouco conhecido.
De entre os autores das caricaturas sobressai, à distância, o José Vieira Lopes, seguido pelo Amado Ramos Estriga. O Adelino Robalo Cordeiro e o Luís Grilo assinam duas presenças cada um. Todos estes artistas possuíam um traço que os caracterizava sem deixar margem a qualquer dúvida.
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Maria Gabriela Bragança Ramos Correia


É trágico, brutal a negra Morte
Arrebatar uma vida em mocidade!
Em pleno Abril, em plena flor da idade
Se mostrou tão cruel a sua sorte

Esta é a primeira quadra do soneto assinado pel’”O Curso do 7ºAno”.
Mas os versos, que envolvem a sua caricatura, parecem terem sido muito bem escolhidos:

“Naquele engano de alma ledo e cego
Que a fortuna não deixa durar muito.”
Camões
e
“Rosa do amor, rosa purpúrea e bela
Quem entre os goivos te esfolhou a campa?”
Garrett


A Gabriela faleceu no dia 5 de Novembro de 1954, vítima do tufão que varreu a cidade, quando saía das aulas pelas 12h 45m.
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Maria Natália Melo de Almeida

Nariz um pouco afilado,
Esbelta como uma dália,
Morenaça engraçada
Quem será? É a Natália.

De manhã às oito e meia
Sai de casa esbaforida
E só com duas passadas
Atravessa a Avenida

Chega toda afogueada
A bata por apertar
O estômago a dar horas
E as lições por estudar.

A propósito da catástrofe que atravessou a cidade naquela manhã de Novembro, fui descobrir um “apontamento” que cabe bem aqui, ao fim de todos estes anos decorridos: É uma notícia retirada do semanário "Beira Baixa", de Castelo Branco, saído no dia 13 de Novembro de 1954:
“O Sr. Dr. Fausto Seabra de Almeida que aguardava em sua casa a chegada de sua filha, aluna do Liceu, para almoçar, logo que se apercebeu de que havia tantas vítimas, dirigiu-se ao Hospital da Misericórdia para prestar os seus serviços clínicos e ali esteve esperando, a cada passo, encontrar a sua filha entre os sinistrados o que, graças a Deus, não aconteceu por ter ficado ilesa”

A Natália em 7 de Junho de 1991


A Natália Seabra em 4 de Julho de 1992

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Maria Regina d’ Oliveira Reis

Tem uma cara engraçada
E um andar interessante,
É da Regina que falo
Moça bela e elegante.

Gosta imenso de cinema
E não menos de falar,
Pois a sina já lhe disse
Que não nasceu p’ra estudar.

A Regina, que já não vejo há…dezenas de anos, era irmã do meu Amigo Rónias, Rui de Oliveira Nunes, infelizmente já falecido. Num “laboratório” que tinha na sua casa, na rua de Santa Maria, fiz pela primeira vez uma “hidrólise da água” e ouvi, também pela primeira vez, as ondas sonoras emitidas por um “receptor de Galena” (para quem não “pesca” destas coisas, a Galena é um Sulfureto de chumbo, minério de cor cinzenta e brilho metálico) que ele construiu quando andávamos no 4ºAno.

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Raul Belo Romãozinho de Matos Ferreira
Tem peneiras que se fez
Ás do volante a valer
E mais tarde quer vir ser
Um segundo Gonzalez…

Recordas noites saudosas
De estrelas e claro luar…
E elas todas a escutar
As guitarras bem chorosas.

Uma janela se abria
Um lenço que desfraldava,
Uma moça que chorava,
De tristeza ou alegria.

Por causa duma “trigueira”
Foi grande o seu sofrimento
Até chegar o momento,
Da conquista derradeira.
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António Ramos dos Santos Figueiredo

Eis um cábula entre os mais assinalados
Que passaram por esta terra Lusitana
Em cinema e fans especializado
Começando e acabando na Silvana.
E na arte do cravanço já formado
Não podendo aguentar mais a força humana
E entre a malta, a custo, edificaste
Os calotes que nunca mais pagaste

É o Correia Tavares, que assina estes versos, também "ajudado" por Camões…
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O Figueiredo, em 4 de Maio de 1980
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Ângelo Patrício Soares de Bastos



Fracos, pobre, oprimidos,
Ele deseja advogar.
Que não sejam esvaídos
Seus sonhos e meu pensar

Depois de tanto escrever
Aguardo, que forte e duro,
Seja sempre o seu viver
E risonho o seu futuro.

Foi o Semedo toco o autor dos versos que terminam assim.
O Ângelo foi Presidente da Câmara da Sertã de onde era natural.
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Maria Emília de Oliveira Salavessa


Quando eu a conheci, inda ela era
Uma criança, mal sabendo falar
Mas já na sua alma a primavera
Lindas flores anda a cultivar.

Quando as outras brincavam, ela lia,
Pois a leitura era a sua paixão;
Inteligente, tudo compreendia;
A tudo dava a máxima atenção.

Lembro-me da Maria Emília, miúda ainda, quando em 1940 (?) morava, com a irmã Maria José e os Pais, na Praça Velha, numa casa entre o Palácio Mota e a Casa do Arco.

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Maria da Graça Pires Carreto


Alegre por natureza
Pronta a rir e a folgar,
É mesmo assim esta Graça,
Que tem graça no falar!

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Maria Luísa Ribeiro Goulão

(…)
Para poder calcular
Quanto tempo levará
Um Belo raio de sol
Junto de nós a chegar.

Agora, só em aparte
É que já aconteceu
Como a primeira mulher
Que no mundo apareceu.
Como Eva foi tentada
Por causa de uma maçã
A Luísa foi tentada
Mas sim por uma romã.



A Maria Luisa, em 9 de Junho de 1985

A Maria Luisa faleceu num acidente de viação quando viajava num transporte público, quase no mesmo local onde o Raúl Romãozinho, seu marido, havia encontrado a morte também num desastre automóvel.
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Abel Castiço Pedroso


Abel Castiço é chamado
Pelo Registo Civil
Este rapaz afamado
Qu’usa calças de funil.


O Abel em 4 de Junho de 1998

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João Antunes Bártolo

Filósofo cem por cento
Da lógica partidário,
É “intuitivo”, “evidente”
“Isso não está no sumário”

Apaixonado por música
Até já ouvi contar
Que Verdi o processou
P’la “Aida” querer roubar.

O João Bártolo com o Pina de Carvalho em 3 de Maio de 1980

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João dos Santos Ramalho Eanes

É bom rapaz, bom amigo,
De carácter generoso,
E já agora vos digo:
De “chumbar” não há perigo
Pois é muito estudioso.

Falemos do coração
E mudemos de sentido:
Poderei dizer então
Que tem sido brincalhão
Com as setas de Cupido.


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João Teixeira Leão Meireles

Já amou muita menina
E também já foi amado,
O que resultou em Idanha
O rapaz ficar queimado.

A sua estadia em Fão
Foi um tempo de conquistas
Uma loira, uma morena
Que deram muito nas vistas

O João Meireles com o Olímpio Matos em 5 de Junho de 1999, na cerimónia de descerramento de uma placa homenageando o Dr.José Lopes Dias


O João Meireles e o João Ramalho, em 8 de Junho de 1985

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Joaquim da Conceição Semedo Toco


Pouco mais de palmo e meio
Tem este moço de altura
O que não impede contudo
De fazer boa figura
Mas por falta de um centímetro
Ele está sentenciado
A não ir para o Exército
Que é o seu sonho doirado…

O Joaquim Toco e a Maria Amélia, em 15 de Junho de 1979

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José Cabaço Neves


Rompem clarins o espaço perturbado
Ergue-te breve que é chegada a hora,
Sacode a fronte e parte muito embora
No partir siga a dor do berço amado.

Faz-te gigante e luta!…

Estes versos do Luis Nuno Ferraz de Oliveira parecem prever com muita antecedência o que sucedeu a este nosso particular e saudoso Amigo… que a guerra no Ultramar roubou ao nosso convívio.
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José Eduardo Pires Fernandes

Eis aqui quase “cume da cabeça”
Da Beira Baixa, a aldeia do Fratel
Onde a terra acaba e o Tejo começa
E o Zé bebeu o seu primeiro pichel
P’ra Castelo Branco veio esta boa peça
De garrafão, mala e saquitel
Deu-se mal co’as águas; foi veranear
Até Alcácer mas tornou a voltar.

E assim foi andando o bom petiz
Do seu estudo colhendo o doce fruito
Naquele engano d’alma cego e feliz
Que os mestres não deixam durar muito
Nas janelas do Cansado e do Aviz
As belas Tágides caçavas
E dos livros sempre neurasténico
Fazias lastro, cartuxos, higiénico.

(…)
Adeus, Zé, saúde e felicidades
Até um dia que te volta a encontrar
Sabes que sou amigo e se p’ra pouco valho
Podes sempre contar com o Pina de Carvalho

O Zé Pequeno, comigo e com o Fernando Ribeiro, em 15 de Junho de 1979

O Zé Eduardo em 3 de Maio de 1996

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Manuel António de Matos Pina de Carvalho

Vais deixar-nos. Quem cuidará
de ti como eu? Estou preocupada.
(Tua Mãe)

Continua como até aqui.
Ficarei satisfeito.
(Teu Pai)

Lembras-te netinho, daquele dia
Em que dormiste a meu lado?
Os momentos mais felizes da minha vida
(Tua Avó)

Rezarei por ti
(Tua Madrinha)

Faz-te homem.
(Teu Padrinho)

Peço desculpa ao “poeta” de serviço, o António Figueiredo!
Os teus versos iriam "estragar" os depoimentos que aqui transcrevo…

O casal Pina de Carvalho em 11 de Junho de 1994


O "Carapelesse"(lembras-te... que era assim que nos referíamos a ti?) com a filha mais nova, em 7 de Junho de 1991


O "Clã" Pina de Carvalho em Castelo Branco, em 7 de Junho de 1991

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Paulo Nina de Oliveira

Pertence ao grupo dos bem trajados
Pois mostra certo esmero no vestir
Fato impecável, fioco algodoado
O melhor que há, diz ele a sorrir
Le dernier cri, alface molhada
Gravata italiana, sapato de polir
Não quero dizer que seja um pipi
Mas é sem dúvida um perfeito dandi.