31 maio 2007

Os fósseis da Guimarota

São “respigos” de um artigo assinado por Teresa Miguel, no Público de hoje, que aqui deixo a quem estiver interessado num assunto que me diz respeito…

Não por ser um Fóssil! Mas por que ensinei estes assuntos durante uma vida…

Fósseis de mamíferos primitivos regressaram para os portugueses


Têm 150 milhões de anos. Puseram uma mina perto de Leiria no roteiro mundial da paleontologia. Foram para Alemanha, para investigação. Uma parte está de volta.

Thomas Martin veio de propósito da Alemanha para devolver a Portugal e ao Museu Geológico, em Lisboa, estes fósseis do Jurássico Superior. Os primeiros foram levados para a Alemanha nos anos 60, pela equipa do paleontólogo Walter Kühne, da Universidade Livre de Berlim, que os descobriu.
(…)
"Os fósseis são muito pequenos, mas não é por isso que não são muito importantes", diz o paleontólogo. "Os fósseis mais importantes da Guimarota são mamíferos primitivos, que viviam no tempo dos dinossauros. Os dinossauros eram gigantes e os mamíferos eram anões, mas teriam um grande futuro."
Os dinossauros extinguiram-se há 65 milhões de anos, no Cretácico Superior, e os mamíferos, que tinham aparecido há cerca de 230 milhões de anos, no período Triásico, tal como os dinossauros, puderam então começar a reinar. Se assim não fosse, nós talvez cá não estivéssemos.
(…)
"Os mamíferos do Jurássico e do Cretácico eram muito pequenos, porque os dinossauros eram muito grandes e activos durante o dia. Tinham o tamanho de um ratinho, os maiores eram como ouriços. Provavelmente, viviam de noite, no escuro, para os dinossauros não os verem."
(…)Estes fósseis, que cabem na palma da mão, ganharam fama mundial. "A Guimarota forneceu o primeiro esqueleto de um mamífero do Jurássico", diz
(…)
A vinda do cientista alemão não surgiu do nada. Há dez anos, o geólogo Miguel Ramalho, director do Museu Geológico, começou os contactos para que os fósseis voltassem. Como aliás tinha sido acordado, tanto que há mais de 30 anos até regressaram alguns. "Nos últimos três anos, retomei os contactos. Thomas Martin disse-me que não havia problema", conta Miguel Ramalho. No início do ano, chegou uma leva de fósseis, por correio normal. "O acordo foi que o material seria devolvido depois da investigação. Ainda temos projectos em curso, mas todo o material vai regressar a Portugal", garante o paleontólogo alemão. (…)
Os fósseis são de muito pequena dimensão, mas têm uma importância fundamental para a paleontologia
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Fiquei satisfeito por ter tido conhecimento da acção do Miguel Magalhães Ramalho em todo este “affaire”…
Conheci-o na década de cinquenta quando ambos frequentávamos a Associação de Estudantes na Politécnica. Era já então uma figura carismática e muito voltado para a sua área académica das Geologias, onde fazia “pendant” com os colegas assistentes Matos Alves e o João Telo Pacheco e, mais tarde um pouco, com o Galopim de Carvalho.

Miguel Magalhães Ramalho, em 1 de Agosto de 1970

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Uns anos depois, em 1 de Agosto de 1970, integrado numa Visita de Estudo na Península de Setúbal (Mata do Rei, Cabo Espichel e Serra da Arrábida) organizada pala Liga da Protecção da Natureza (de que o Miguel Magalhães Ramalho era Presidente) e patrocinada pela Câmara de Setúbal, percorri com ele alguns locais de interesse geológico, e também botânico, da nossa península.
Uma visita de estudo cheia de interesse…
(Voltarei a est
a Visita de Estudo um dia destes…)

Maio/1950 - Dois apontamentos - Julho/1950

13-05-1950
Récita Académica
Na passada 4ªfeira, os estudantes do Liceu de Castelo Branco deram uma récita no Cine Teatro Vaz Preto.
Os objectivos principais desta récita -- disse-o o sr. Reitor do Liceu nas palavras de abertura -- foram proporcionar à cidade, a verificação pública do nível cultural e educativo do nosso Liceu e a obtenção de alguns fundos para pôr a funcionar a cantina escolar, tão necessária e útil para uma grande parte dos alunos. E se quanto a este último, o resultado não é animador, apesar da numerosa assistência que enchia por completo a casa de espectáculos...
E o articulista finaliza:
... e esta não podia ser melhor nem mais positiva para firmar o justo crédito do Liceu como meio de cultura e instrução que honra a nossa cidade e constitui orgulho dos albicastrenses. Estão de parabéns Castelo Branco e, muito especialmente, professores e alunos. Daqui felicitamos vivamente o sr. Reitor Dr. Joaquim Sérvulo Correia.


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01-07-1950
Orfeão Maior
O Orfeão Maior do nosso Liceu pode ser ouvido através da Emissora Nacional, num programa de cerca de 20 minutos que será transmitido na próxima 2ªfeira, 3 de Julho, às 21horas e 25minutos, ou seja, imediatamente depois do noticiário das 21 horas.

Setubalense - 1951 - Setembro

15-09-1951
C.M.Setúbal
José Valido Santana é comandante dos Bombeiros Municipais.

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22-09-1951
Notícias Pessoais
Américo Ribeiro melhorou o seu Estabelecimento de Fotografia.

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26-09-1951
Crise
"Porque não adiar o acto?" Ninguém ignora que a situação económica de Setúbal não é nada agradável. Pelo contrário, agrava-se, pois não se pode já comer o pão ganho com o suor do rosto porque a escassez de trabalho a isso leva.
Com tal panorama de miséria pingue, anuncia a Casa Popular da Delegação da Caixa Geral de Depósitos, um próximo leilão que traz bastante apreensivas as pessoas que tiveram a necessidade de a ela recorrerem...

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29-09-1951
O Coronel Pompeu de Sousa deixou o comando do Regimento de Infantaria nº11

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29-09-1951
Tribunal
Homens que são feras.
Foi assassinado com requintes de malvadez, o guarda da Estação de Serviço "Setubauto", cujos assassinos, depois de terem roubado algum dinheiro que a vítima guardava, se puseram em fuga para parte incerta.

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29-09-1951
Tribunal - Última Hora
A P.S.P. de Setúbal conseguiu prender já, um dos principais autores da bárbara agressão – um ex-empregado da firma, o qual confessou com todos os pormenores, a cena.

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29-09-1951
C.M.Setúbal
José Eduardo Martins insurge-se contra o facto de não terem sido ainda distribuídas as últimas moradias do Bairro da Conceição, em Carta ao Director.

30 maio 2007

As "Bonecas" de Jean Bellus

Jean Bellus - França (1911 - 1967)
in "Anedota Ilustrada", nº9
1961


E já que me autoriza a sair com a sua encantadora filhinha...
quer ter a bondade de me empresrar também o seu automóvel?!

As minhas fotos preferidas

Na piscina do Clube Naval

Gi, em 6 de Setembro de 1968

Beira Baixa - Notícias de 1952 - Agosto

9 de Agosto
Nova Licenciada
Licenciou-se em Engenharia Química pela Universidade do Porto, no dia 30 de Julho, com a classificação de 16 valores, a srª Engª Maria do Rosário Silva Tavares Dias Cravo


16 de Agosto
Ciclistas
A Ideal Reparadora Ciclista
de
José Mourinha da Silva ( o mais novo )
já abriu a sua oficina de bicicletas na
rua dos Prazeres, nº14

( junto à Pensão Ideal )


23 de Agosto
Escola Normal Amato Lusitano Castelo Branco

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O resultado dos Exames de Estado, do Ano Lectivo de 1951/52
Adelina da Silva Carrondo....... ... aprovada com 15 valores.
Alcinda Maria Boavida............... aprovada com 13 valores.
Ana do Espírito Santo Martins...... aprovada com 12 valores.
Elvira da Silva Almeida............... aprovada com 13 valores.
Emília da Assunção Costa Miguel.. aprovada com 12 valores.
Esperança da Piedade Antunes..... aprovada com 15 valores.
Maria Ália Henriques................. aprovada com 14 valores.
Maria do Céu Antunes................ aprovada com 15 valores.
Maria Helena M. Inácio............... aprovada com 13 valores.
Nazaré Cardoso Carmona........... aprovada com 13 valores.
Não houve reprovações
Castelo Branco, 20 de Agosto de 1952
A Direcção

29 maio 2007

Os Livros de Despedida - 1953 . 3º

O Livro de Curso de 1952/53
Terceiro "capítulo"


Foto do Curso - Alunos e Professores
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Fotografia do bloco à esquerda

Na 1ªfila:
Joaquim Morgado Fernandes Carmona, Amândio Azevedo Robalo, Américo Mendes, Joaquim Martins Baptista e António José Galeão Proença.

Na 2ªfila:
António dos Santos Tavares, Maria Luisa Vieira Pinto Garcia (a Mia) e Ilda do Carmo Silva,
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Na 3ªfila:
Luis Joaquim Carrega Marçal Grilo, jjmatos, Armando Lourenço Rodrigues,José Pereira Castilho Monteiro, Jorge Manuel de Matos Tropa, José Joaquim Delgado Domingos, Eugénio Augusto Fevereiro Chambel, Maria Júlia Ribeiro Costa e Aurília Silveira Fernandes.
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Joaquim Morgado Fernandes Carmona

O que hei-de então dizer?
Que queres ser um militar?
Que tens uma estrela na vida
Que te ilumina
Que te fascina
Que te domina
Que dá lucro ao sapateiro?
Que por tua idoneidade
Foste por unanimidade
“Chefe de turma” escolhido?
Ou queres talvez que eu diga
Que por “Tocha” és conhecido?


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Amândio de Azevedo Robalo


Nesta hora da partida
Tua saudade é sentida
Saudade dos tempos lindos
Dos tempos que já lá vão
O das idas ao uncal
O das idas ao g
arrafão

O Amândio em 24 de Junho de 1978

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António José Galeão Proença

Votado à electricidade
É dos rádios amador
Ele tem certa vaidade
Em ser um bom guiador

Amores, não lhos conheço
Todavia ouvi dizer
Que em certa tarde coitado
Andou c’o sangue a ferver.
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O Tó Zé Proença em 1955 (?)

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António dos Santos Tavares

Andam pombos a voar…
Um concurso certamente
E o Tavares vai ganhar…

Aplausos…aclamações…
A taça já não lhe foge.
Mas ai!... tantas ovações
E o coração lá tão longe…


O António Tavares, em 26 de Junho de 1982

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Maria Luisa Vieira Pinto Garcia

Foi assim que a heroína
Desta história pequenina
Veio até junto de nós
Bem vestida… porque não,
Se ela faz um figurão
Com a toilette dos avós?

Não sei quem foi que lhe disse
Que ela podia se “miss”
Se usasse outro penteado
Foi ao Sérgio num pulinho
E passado um instantinho
Tinha o cabelo voado.


A Mia em 2 de Junho de 1973

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Ilda do Carmo Silva


É bonitinha
E jeitosinha
A colega desta estampa
Mas cuidadinho,
E juizinho
Rapazes…
Que levam tampa.

O coração novo em folha
Não tem sombra de lesão;
Como fruto a quem o colha
Ele espera ocasião

O seu aspecto é sério
Suas falas acertadas
No seu silêncio há mistério
Mas também largas piadas.

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Luis Joaquim Carrega Marçal Grilo


Magro e alto
Com cada passo que parece um salto
Lá vai muito senhor do seu nariz
O Luís

Das Manias:
Como ele se vê:
Pinto melhor que o Malhoa
A guache ou a pastel
E os amores que já tive
Em toda a parte onde estive
Davam p’ra encher um quartel!
(…)
Como eu o vejo:
Pintas pior que o Picasso
Fazes quadros a granel
Mas nos amores não me fales,
Será melhor que te cales:
“Nisso, amigo, és um pastel!!!”

Os versos são do Tony Lobato de Faria.


O Luís, em 18 de Junho de 1977


O Luís Grilo, em 23 de Maio de 1981

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João José Mendes de Matos

Fazer uns versos agora
Que o curso vai acabar
É difícil, pois quem chora
Não terá gosto em cantar,
Mas já que pediste uns versos,
Uns versos te quero dar,
Para que depois mais tarde
Tu te possas recordar
D’aquele ano em que “gataste”
Por’stares a “qu’rer brincar”
Num exercício fatal…
Ou quando ias pr’o Paço
A sonhar e a namorar Com essa boa menina
Que à Covilhã já foi dar
(essa tal do “chocolate”
Com a marca de Regina
………………………………………… (1)
………………………………………… (2)

Matinhos: uma ilusão
Todos nós temos na vida
Tu ganhaste o coração
Ela ficou iludida…
Mas continua a gozar,
A dançar
E a cabular
“Esta vida são dois dias”
Não vale a pena ‘studar
Até ao ponto final(3)
…Que dês um good biólogo
Deseja-te com fervor
O teu amigo
Anforsal

(1 e 2) – Cortado pela censura
(3) – vulgo: a morte



jjmatos, em 16 de Setembro de 1988

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Armando Lourenço Rodrigues

Nada mais de ti, tenho a dizer;
E quer vás para o ar a navegar,
Quer vás para terras do Ultramar
Que a vida difícil possas vencer .


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José Pereira Castilho Monteiro

Nuns traços gerais
Sem graça e sem brilho
Vou tentar apresentar
- O Castilho:
Moreno de tez
Tipo inglês
Alto e bem lançado
É raro o Zé
estar sentado!
Rosto franco, jovial,
D’olhos verdes sem rival!
É loiro e não fuma
Aspirações… tem uma!!!

Eis o Zé na aparência
Vamos ver como é na essência…


.

Jorge Manuel de Matos Tropa

(Os versos são do João frei Roy)

No dia tantos do tal
De tempos que já lá vão
Nasceu este Jorge Tropa
Ma vilinha de Mação.
(…)
Deseja-te felicidades
E que nunca fiques mal
Que venhas a ser “Oh! Tropa
Um magnífico General


(O Jorge Tropa não foi General mas sim Veterinário)

O Jorge Tropa, em 24 de Junho de 1978

.

José Joaquim Delgado Domingos

…A sombra esvaiu-se, algo aprendeu
Coração liberto, o amor morreu…

Olha em derredor, fita os horizontes
Eles lhe trarão, tesouros aos montes

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Eugénio Augusto Fevereiro Chambel


(Os versos são do Carlos Garcia de Castro)

- Tens aí cinco paus p’ra me emprestar?
- És um gajo lixado p’ra cravar.
- Ó pá, o que é que queres, se o filme é bom?
- Ah!... Sim? Bem, nesse caso também vou.
(…)
- Sopeira, meu amor, oh! Que delícia!
- Permita-me, menina, uma carícia

.

Maria Júlia Ribeiro Costa

Figura gentil
Rosto delicado
Andar senhoril
Cabelo ondulado.
De olhos castanhos
Convite ao amor
D’encantos tamanhos
Causam certo ardor
(…)
Contaram-me até
Que a Júlia perdeu
Lá p’la Nazaré
Qualquer coisa seu
E um tal Lúcifer
Achou e guardou
Quem Cupido fere
Jamais se curou!

Eu sem ser cigana,
Vou ler tua sina:
-Anda estende a mão
A mão pequenina -
-Tens linhas cruzadas
Na palma da mão
Que querem dizer
- A aviação…!
É esta a razão do teu divagar
Que mesmo acordada
Só te faz sonhar

.

Aurília Silveira Fernandes


Dos lados de S. Francisco
(aldeia no meio do mato)
Veio esta linda menina
Linda de cara… e de fato!

Especialista em gramática
Meteu-se também a literata…
Só consegue a boa nota
Dada a sua grande lata…

28 maio 2007

Clube Setubalense - 9 de Maio de 1981

Passagem de Modelos no Clube
Ana Moura veio desfilar a Setúbal

Era a Modelo de maior renome em Portugal

A "passerelle", em forma de T, tinha no topo e aos lados várias mesas que estavam literalmente pejadas. Nos próprios corredores não se cabia.


Uma assistencia muito interessada

. A "modelo" Ana Moura


Um traje elegante e uma cara bem definida nesta outra participante.


De novo a classe de Ana Moura


Um interesse bem visível

Uma terceira figura de manequim

O final do desfile


Atentos...e satisfeitos com o que a Direcção os presenteava,
os sócios acorriam em massa a estas organizações do Clube.

Ana Moura foi uma modelo portuguesa que atingiu um grande fulgor nas "passereles" nacionais, mas cedo desapareceu da cena em Portugal. Creio que teria rumado para França onde teria feito desfiles em Paris. Depois deixou de se ouvir falar dela... e esqueceu!
Não seríamos justos se não referíssemos aqui que foi a Tininha quem organizou e deu assistência técnica às participantes, no desfile. Eram dela os vestidos apresentados.

Beira Baixa - Notícias de 1952 - Julho

14 de Junho
União Nacional

Comissão Distrital
Presidente: António Maria Pinto Castelo Branco
Vice-presidente: Dr. Luis Laia Nogueira
Vogal: Dr. António Vitorino
Vogal: Dr. Pinto da Rocha
Vogal: Dr. José Ranito Baltazar
Vogal: Dr. António Correia
Vogal: Dr. Simplício Magro


Comissão Concelhia
Presidente: António Maria Pinto Castelo Branco
Vice-presidente: Major José António da Conceição
Vogal: dr. Alberto Trindade
Vogal: Manuel Jaime da Costa Roxo
Vogal: Fernando José Dias
Vogal: José Fradique de Sousa


5 de Julho
Brilhante vitória do atirador albicastrense Octávio Barata no 5º Campeonato da Guarda de Tiro aos Pratos
A nossa cidade esteve representada pelos atiradores Filipe Juanico e Octávio Barata, tendo este conquistado com invulgar brilhantismo, as duas provas que se efectuaram, com a média máxima de 50/50, conquistando assim, além do título de Campeão da Guarda, as taças Câmara Municipal e Governo Civil e três mil escudos em prémios pecuniários


12 de Julho
Os Padres Redentoristas em Castelo Branco.
No passado Domingo, dia 6, teve lugar a celebração da primeira Missa na Capela dos P.P. Redentoristas, à rua Conselheiro Albuquerque


19 de Julho
Posse do Delegado de Saúde do Distrito de Castelo Branco.
Na 2ªfeira passada, pelo Sr. Governador Civil, foi dada posse efectiva do lugar de Delegado de Saúde do Distrito de Castelo Branco, ao Sr. Dr. José Lopes Dias que há anos vinha exercendo interinamente o referido lugar com a maior competência e zelo.


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26 de Julho
Escola de Enfermagem
Terminaram na última 2ªfeira os Exames de Estado dos Cursos de Enfermagem Auxiliar, com os resultados seguintes:


Enfermagem Geral
Arminda Mendes Freire........................ aprovada com 14 val.
José Cipriano Batuca........................... aprovado com 15 val.
Maria Alda Duarte Calheiros...................aprovada com 15 val.
Maria Alice Magro Diogo...................... aprovada com 15 val.
Maria Angélica de Ordaz Caldeira........... aprovada com 16 val.
Maria da Conceição Pires Ferreira.......... aprovada com 16 val.
Maria de Jesus Abrantes....................... aprovada com 18 val.
Maria Austrália da Conceição Neves........ aprovada com 17 val.
Maria Clara Pinto Correia...................... aprovada com 15 val.
Maria de Lurdes Oliveira....................... aprovada com 15 val.

Fizeram parte do júri os srs. Dr. Benjamim Gonçalves, sub-inspector da Assistência Social e os Médicos:
Dr. José Lopes dias
Dr. Lívio Lopes Ferreira
Dr. Ramos Proença
Dr. Manuel Louro
Dr. António de Oliveira, filho

27 maio 2007

Setubalense - 1951 - Agosto

01-08-1951
Vitória FC
Passa a ser treinador do Vitória, o antigo jogador do Belenenses Mariano Amaro.

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18-08-1951
Óbitos
Missa de sufrágio
Amanhã às 8 horas, na Capela de Santana, reza-se a missa do 30º dia do passamento da srª D.Margarida Macedo. (anúncio na 3ªpágina)

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25-08-1951
Pedido de casamento
...foi pedida para seu irmão sr. Amadeu Rodrigues da Costa, quintanista de Direito, a mão de D. Ema Amália Pereira da Fonseca Ribeiro.

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29-08-1951
C.M.Setúbal
Novo Encarregado do Cemitério

Foi empossado no lugar de novo encarregado do Cemitério de Nª Srª da Piedade, o sr. Amantino Servando Bogalho Benedy que, durante alguns anos, prestou serviço na Secretaria da C.M.S.

26 maio 2007

Uma boa resposta...

Resposta ao Ofício do Patriarcado de Lisboa, em que foi comunicado ao Brigadeiro Ribeiro da Fonseca a dissolução do seu casamento com D.Maria Inez Fragoso Carmona.


"StºAmaro de Oeiras, 18-XI-1951

Exmos. Senhores


Profundamente religioso, para o que não é necessário pedir licença a V.Exª nem pagar-lhe qualquer quantia, fiquei admirado por me comunicarem que o meu casamento na igreja tinha sido considerado nulo, isto porque uma criatura se divorciou, casou segunda vez civilmente, tornou a divorciar-se e, quando quiz casar em terceira mão, se lembrou de, pagando-lhes alguns escudos, os levar a transformarem o sacramento do matrimónio numa palhaçada.

Mas não é de estranhar, porque Religião é uma coisa sagrada e Igreja é, como se explica numa nota do Novo Testamento, uma sociedade de fiéis, isto é, a firma, o Grandela da Religião, onde esta se mercadeja.

Um casal meu vizinho quis casar na igreja daqui, levando como padrinhos seus cunhados, que eram casados civilmente. O padre desta freguezia, que vive amancebado com uma senhora casada, certamente na igreja mas com outro, negou-se a casá-los. Pois dirigiram-se ao "Grandela da Religião", pagaram seiscentos escudos e logo se casaram na igreja de S.Domingos de Rana com os mesmos padrinhos.

É por isso que os não respeito, continuando profundamente religioso e cada vez mais, ao ver como tripudiais em nome do pobre Jesus, fazendo o contrário do que ele pregou.
Que Deus vos guarde contudo, iluminando-vos e fortalecendo-vos o pobre espírito e as fracas almas.

a) Ribeiro da Fonseca
(Brigadeiro aviador) "

25 maio 2007

Resposta a uma carta que recebi hoje


“A falta de sentido de humor é, em geral, uma manifestação de burrice.”

Prof. Carlos Fiolhais
In Público – 25 05 2007

Esta frase lapidar do Professor de Coimbra pode servir de resposta a uma Carta que eu recebi esta manhã.

Stanley Miller 1930 - 2007

Stanley Miller, o primeiro cientista a recriar as condições que teriam permitido o surgimento da vida, morreu aos 77 anos no último domingo, 20, com uma paragem cardíaca num hospital da Califórnia, Estados Unidos, segundo o The New York Times.

Stanley Miller numa foto de 1996

Stanley L. Miller, no seu laboratório da Universidade de Chicago - 1953

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O esquema da Experiência de Miller - 1953


"Uma vez feito o vazio, Miller introduziu no aparelho, metano, amoníaco e hidrogénio. A água, contida no pequeno balão, foi aquecida até à ebulição (1).
Como consequência da produção de calor e de vapor de água, os gases são forçados a circular no sentido das setas ("atmosfera primitiva") (2).
A mistura passa através de um grande balão onde é submetida durante uma semana a faíscas produzidas por descargas eléctricas de 60.000 volts (os"relâmpagos") (3)
O vapor de água é arrefecido e condensado num sistema de refrigeração ("chuvas") (4)
Os compostos acumulados acumulam-se na parte inferior do tubo, em U ("oceanos") (5)"
Seg.Joel de Rosnay
in. "As origens da vida"


O aparelho no qual Stanley Miller reconstituiu a atmosfera primitiva da Terra

.Experiência que ficou na história da ciência utilizou balões de vidro, água, gases e descargas eléctricas

Stanley Miller foi o primeiro cientista a criar em laboratório as condições químicas da Terra primitiva, a partir das quais se supõe que a vida pôde surgir. A sua famosa experiência, publicada na revista Science a 15 de Maio de 1953, marcou uma ruptura conceptual em relação ao que então se pensava sobre a origem da vida. Em 1952, Miller era aluno de doutoramento de Harold Urey, na Universidade de Chicago, quando concebeu um dispositivo para simular a atmosfera e os oceanos primitivos.Na parte de baixo, um balão de vidro continha água, que era aquecida para formar vapor. No topo, outro balão continha o vapor, metano, amoníaco e hidrogénio (que na época se pensava, erradamente, serem os gases da atmosfera primitiva, mas serviu na mesma de prova). Miller submeteu os gases a descargas eléctricas, como se fossem relâmpagos. Ao fim de alguns dias, as reacções químicas que se produziram originaram aminoácidos (constituintes da vida) e compostos orgânicos.

Até aí, pensava-se que a formação de compostos orgânicos não era possível sem a presença de organismos biológicos.
Mais recentemente, há quem defenda que a origem mais provável da vida está nas fontes hidrotermais. "Tenho uma resposta muito simples para isto", dizia Miller. "As fontes hidrotermais não criam compostos orgânicos, apenas os decompõem."
"Miller foi o pai da origem química da vida", disse um dos seus antigos alunos, Jeffrey Bada, ao diário norte-americano Los Angeles Times. "A sua experiência transformou o estudo da origem da vida numa área respeitável."
Em tempos, o astrofísico Carl Sagan, já falecido, disse sobre a experiência de Stanley Miller: "Foi o passo mais convincente de que a vida pode existir em abundância no cosmos."

(Cf.Teresa Firmino, in Público, hoje)

Bebé Ribeiro - Olá tá boa?!

Há já muito tempo...no dia 22 de Outubro de 1989, ao ler o Correio da Manhã que era nessa época o meu jornal, chamou-me a atenção um pequeno destaque assinado por Isabel Ribeiro Monteiro a que autora deu o nome de “Olá tá boa?!”

No alto daquela segunda página dei comigo a ler uma série de nomes conhecidos de antigos alunos do meu Liceu de Castelo Branco agrupados no final do texto ali escrito…

Só então aliei o nome daquela autora, ali disfarçado com o nome de casada, com o nome da irmã do João Filipe Ribeiro, a “Bebé” como a Isabel era conhecida no Liceu.


A Maria Isabel Ribeiro, em 1 de Maio de 1982


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Relata um episódio curioso onde se destacam duas figuras “históricas” daquela “escola de virtudes” que foi o Liceu de Nun’ Álvares: O Reitor Joaquim Sérvulo Correia e o Dr. João do Nascimento Mansinho que foi meu professor de História e também de Geografia…

Reproduzo o texto da Isabel Ribeiro:
“Olá tá boa?!”
Cada vez se simplifica mais a linguagem e com ela a maior identificação e aproximação do indivíduo com outro indivíduo, perdendo-se dessa forma, e com o tempo, algumas interessantes escalas de valores.
Perdeu-se a cortesia discreta, a distancia, os princípios básicos de uma educação tradicional, mas não piegas, o controlo, enfim perdeu-se o mínimo permitido e ganhou-se o máximo proibido. A inversão do chamado “progresso…”
Assim vou presenciando o mundo das coisas que vão acontecendo e fazendo uma ou outra análise medindo diferenças e semelhanças que me dão a razão temática para algumas das minhas crónicas.
Noutro dia uma senhora já de certa idade que passava perto de mim, foi cumprimentada por um jovem seu conhecido que arremeteu à laia de “estou-me borrifando”, com um “Olá tá boa?”. E desapareceu na esquina próxima sem quase dar tempo à senhora de dizer mais que nada…
Depois vêem exemplos aos molhos… O aluno que na rua se desinibe “Olá tá boa?”, o padeiro que arremete à campainha “Olá tá boa?”, a empregada doméstica sofisticada e que trabalha agora como mulher de limpeza na TAP, “Olá tá boa?”, o merceeiro com o lápis na orelha a escolher o melhor para a cliente, “Olá tá boa?”, o canalizador a tentar remendar uma abertura feita não sei como, “Olá tá boa?”. Uma autêntica generalização de costumes! E nesta aproximação franca e desinibida lá vamos perdendo identidades e ganhando estatutos que dizem muito daquilo que o ser humano faz parecer ao miúdo da rua do Passadiço, quando se lhe perguntou um dia o que achava do ser humano, e que ele, com grande espectáculo disse que era igual ao litro…
E depois as recordações de um tempo que já lá vai. Este, um episódio passado no meu tempo do Liceu de Castelo Branco, e porque se teve como modelo original na altura, não resisto à tentação de o apresentar.
Nesta cena são protagonistas os alunos do 7ºAno do referido Liceu que pela sua forma de pensar e de estar nos pareciam, a nós, um pouco mais jovens, homens de aspecto soberbo que a capa e batina evidenciava e punha os corações em turbilhão! Hoje muitos deles espalhados por esta Lisboa e em altos cargos.
Os dois intervenientes na cena: o saudoso Sr. Dr. Mansinho, indigne prof. de História e Filosofia e que muito também me ensinou e aos meus irmãos, da Arte de Dizer, a contracenar e deste modo a estar no palco com outros colegas e em espectáculos que são difíceis de esquecer e fáceis de imaginar, porque se não fazem. Que extraordinária pompa e entusiasmo se punham neles! A récita no final do ano lectivo!



O Dr.Mansinho, na Romagem de Saudade em Junho de 1979

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A outra personagem trata do ilustre Reitor Dr. Sérvulo Correia, a quem presto, sempre que o recordo como agora, a mais sentida e solene homenagem pelo Homem e extraordinário Reitor que soube ser, muito embora a sua austeridade no tempo escondesse igualmente o melhor dos corações! E é só na distância que apreciamos os grandes Homens e a sua Obra.



O Reitor Joaquim Sérvulo Correia na cerimónia da Última Aula do Dr.José de Sena Esteves

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…Eram estes os alunos que cumprimentavam com certa solenidade, e como alunos finalistas se assumiam verdadeiramente. A educação era um factor importante no ensino.
Aconteceu, porém, um dia, que o Dr. Mansinho começou a corresponder ao cumprimento apenas com uma elevação de cabeça mas sem proferir quaisquer saudações. Os alunos juntaram-se e resolveram fazer o mesmo. O mestre, indignado, apresenta queixa ao reitor, de que os alunos do referido ano deixaram de o cumprimentar. O reitor chama de imediato os alunos, que sabe ouvir, e depois devidamente informado manda chamar de novo à sua presença o referido professor, dizendo-lhe da conversa tida com os alunos e do que lhe relataram: “O Dr.passa pelos alunos e não fala, apenas faz um ligeiro aceno de cabeça…” ao que este responde de imediato, justificando… “
Mas Sr. Reitor, não vê que eu falo com o pensamento!
Escusado será dizer que foram todos absolvidos.
A Arte era de facto o pensamento constante nele e daí a sua fácil distracção e mesmo gala nesse propósito.
Grandes homens que fizeram à sua semelhança e pela maneira extraordinária de ensinar muitos homens que por aí pululam em cargos de alta responsabilidade.
Vão gostar de ler isto pela recordação desses momentos inesquecíveis!
… E o “Olá tá boa?!” uma mesquinhice a esquecer…
Isabel Ribeiro Monteiro”


A autora acrescentou uma
Nota: Alguns dos alunos intervenientes desse episódio:
General Gonçalves Ribeiro
Engª Maria do Carmo Ribeiro Pinto Elvas
Engº Aquiles Candeias (?!)
Engº Lopes Dias
Engº Preto dos Santos (?!)
Engº Lobato de Faria
Coronel Cabarrão
Dr. José Sérvulo Correia (filho)
Prof. Mª Teresa Pires Antunes
Engº Preto Tomé
Engº Olímpio Matos
Drª Júlia Pedro
E outros.


Penso que há aqui um ou outro pequeno lapso que o tempo, entretanto passado, permitiu…
O denominado “Engº Aquiles Candeias deve ser antes o médico Dr. Aquiles Borronha Gonçalves; o Dr.José Manuel Sérvulo Correia não é para aqui chamado pois andaria pelo 3ºano nessa altura e o Eng. Preto dos Santos deve ser “transformado” em Dr. Preto dos Santos pois é um economista ilustre durante largo tempo ligado à Administração da Marconi e dos CTT.


E, para terminar, um breve apontamento relativo ao Dr. João do Nascimento Mansinho.
Era um homem "um pouco virado para o exterior", um pouco exibicionista... mas um Homem bom, com letra grande!
Fica-nos na memória o seu luxuoso Nash e o motorista que contratou para o transportar a qualquer sítio onde tivesse de se deslocar, um rapaz chamado Curado Ruivo (?) que eu suponho ter sido irmão do cabeleiro José Maria Ruivo, famoso no "metier", na Castelo Branco desse tempo, um bom amigo que era cunhado do, também nosso colega, poeta José Correia Tavares.
Um dia, ainda os jornais eram feitos com base na colocação um a um, dos plúmbícos caracteres tipográficos, um tipógrafo da "Beira Baixa", inadvertidamente, colocou o "n" de modo invertido, no seu nome!
... E o Dr. Mansinho viu-se transformado, de um momento para o outro, no jornal lá da Cidade, em Dr.Mausinho!!! Este êrro foi motivo de muita brincadeira com o nosso professor de Geografia...
Isto não se faz a ninguém... principalmente a um Homem que de "mau" não tinha nada!

24 maio 2007

Uma exposição de Fotografias

Em 8 de Maio de 1969, numa quinta-feira, foi inaugurada, pelo Presidente da Câmara de Setúbal, Dr.Manuel José Constantino de Goes, uma Exposição de Fotografia levada a efeito no Ginásio do Liceu pelo Núcleo de Fotografia.
Estiveram representados os melhores fotógrafos amadores da Cidade, à frente dos quais os nomes dos consagrados Fernando Motrena e Joaquim Piedade sobressaíam.

Na 1ªpágina de "O Setubalense"

Já não estão connosco muitos destes nossos Amigos mas permanecem ainda fiéis aos prazeres desta vida terrena, os decanos Domingos Grão e José de Oliveira Pinho
Dos mais novos vejo, com alguma frequência, o António Luis Claro Correia que continua, tanto quanto sei, a "bater umas chapas"... agora, digitalmente!

Estiveram ainda presentes, os amadores fotográficos Alberto Paquete, o capitão Moreira Fernandes e o pai do António Luis, Saúl José Correia.

A foto que se representa esteve exposta na exposição e era um "ex-libris" do Mestre Fernando Motrena que, com ela, obteve alguns prémios internacionais, de entre os muitos que conquistou com outras fotografias. Só é pena que eu a tenha obtido a partir do jornal onde esta Exposição foi anunciada... Perdeu qualidades, como bem se pode verificar!...


Os nossos alunos da Secção de Fotografia esmeraram-se na organização desta Exposição tendo dado um certo brado o fundo musical que arranjaram para acompanhar a passagem dos diapositivos que acompanhou esta mostra fotográfica.

23 maio 2007

Rafaela Rovisco

A Rafaela era aluna da nossa Escola.
Frequentava o 10ºAno.
Tinha 15 anos...

Rafaela Rovisco

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Um irresponsável... um condutor negligente... atropelou-a quando ela atravessava uma passadeira para peões! Dizem-me que ele ia pendurado num telemóvel... e nem sequer um automóvel ali já parado, antes da passagem de peões, o impediu de avançar para onde a Rafaela se deslocava.

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A Rafaela faleceu ontem no hospital.
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Quando esta noite entrei na Capela de São Paulo vi, ao longe, o esquife aberto e a cara da Rafaela descoberta. Não tive coragem de avançar mais...
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Lembrei-me de António Feijó e de um Poema lindo que ele nos deixou... e eu deixo também aqui.
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É uma homenagem à Rafaela.


Pálida e loira

Morreu. Deitada no caixão estreito,
Pálida e loira, muito loira e fria.
O seu lábio tristíssimo sorria
Como num sonho virginal desfeito.

- Lírio que murcha ao despontar do dia
Foi descansar no derradeiro leito,
As mãos de neve erguidas sobre o peito
Pálida e loira, muito loira e fria…

Tinha a cor da rainha das baladas
E das monjas antigas maceradas,
No pequenino esquife em que dormia…

Levou-a a Morte em sua garra adunca!
E eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!
Pálida e loira, muito loira e fria…


António Feijó, in Líricas e Bucólicas, 1884

As "garotas" de René Caillé

Anedota Ilustrada
1961