31 dezembro 2016

Adeus, 2016!...

...Um Ano Novo melhor do que o anterior é o que desejo a todos os Amigos.

30 dezembro 2016

Faíza Hatat dixit...

...num conto de Ano Novo.
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Anno Domini
Faíza Hayat
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Faíza Hayat
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Faíza Hayat
2008 01 06

No Público – Xis
“O pior do melhor”
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No último dia do ano sobressaltei-me ao descobrir no Público” quatro páginas dedicadas ao melhor e ao pior lado dos portugueses. A lista do pior lado ocupava, em grandes letras, as duas páginas por completo. A lista do melhor ocupava metade desse espaço. Na lista do melhor havia itens que fariam mais sentido na lista das desgraças. Compreendo, por exemplo, que o facto de os portugueses visitarem mais os médicos do que os restantes europeus possa ser um indicador de preocupação com a saúde. Mas também pode ser um indicador de hipocondria. Eu preferia passar os próximos cinquenta anos sem visitar médicos nem advogados. Na lista consta também que os portugueses reclamam muito enquanto consumidores. Isto pode significar que conhecemos os nossos direitos e lutamos por eles, o que realmente me parece positivo, mas também significa que não somos bem servidos.
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Outro item um tanto estranho na lista d´“o nosso melhor lado” tem a ver com a preferência nacional por casa com vistas para o mar. Provavelmente os húngaros, os austríacos, e os luxemburgueses também apreciam as casas com vista para o mar, embora naqueles países seja um pouco difícil conseguir vista para o mar. Eu cá gostaria de ter uma casa virada – já agora para o mar de Parati – e do lado de trás com uma imensa varanda com vista para o Grand Canyon. Melhor ainda seria ter uma casa com muitas janelas, cada uma com uma vista diferente.
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Por outro lado não consigo compreender o motivo porque a lista d’ “o nosso melhor lado” é tão breve. Eis outros itens que eu acrescentaria à tal lista, sem pensar muito, e sem necessidade de consultar relatórios, inquéritos ou sondagens: somos um dos países com mais horas de sol da Europa. Somos um dos países com maior número de caixas de multibanco. Somos um dos países europeus onde se come melhor, e por melhor preço. Temos os melhores pastéis de nata do mundo e o melhor Vinho do Porto. Eu acho que só pelos pastéis de nata já vale a pena ser portuguesa.
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Passo a maior parte do ano fora de Portugal. Os meus olhos já são um pouco estrangeiros. Talvez por isso veja mais facilmente o lado bom do que o lado mau dos portugueses. A dificuldade em ver o lado bom do que quer que seja é uma das marcas do caracter nacional – e aqui temos um item a juntar ao “nosso pior lado”.
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Segundo o Público, “O nosso pior lado” inclui excentricidades como não gostarmos de falar do cancro colorectal, e morrermos de medo de perder o emprego. A verdade é que o nosso pior lado nunca chega a ser realmente mau. Somos tão pequenos, tão acanhados, que nem em maldade conseguimos ser grandes. A Alemanha teve Hitler, e ainda hoje tem nazis. A França enfrenta gravíssimos problemas com a integração dos emigrantes. A Bélgica está à beira do fim. Espanha tem a ETA. Podia continuar assim até ao final desta página. Ao lado da maioria dos países europeus, e fiquemo-nos apenas pela Europa, Portugal é um oásis de minúscula felicidade. Só os portugueses não se apercebem disso.
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O início do ano é uma boa altura para coligir listas. Talvez mais vantajoso do que saber qual o nosso lado bom, e o nosso lado, digamos, menos apresentável, seja uma lista das melhores coisas que podemos fazer esta ano, e daquilo que seria excelente se conseguíssemos evitar. Eu, por exemplo, gostaria de conseguir evitar, além dos advogados e dos médicos, as multidões. A celulite, as longas filas, os imbecis e os maus filmes, não necessariamente por esta ordem. Já entre as melhores coisas que pretendo fazer este ano está uma viagem à Líbia para visitar Sabratha, concluir o doutoramento e casar-me com Caetano Veloso. Bem sei que Caetano já não é um menino, mas ao menos em palco ainda se move como um menino – eu vi o último espectáculo – e além disso está solteiro.

29 dezembro 2016

Fotografias de Setúbal...

Foto obtida em
  15 Nov 2015

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Águas tranquilas no rio Sado

28 dezembro 2016

Humor antigo...

in. "Anedota Ilustrada" nº8
de Maio de 1961

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- Pois sim, eu também era o último da classe, mas não era o meu pai quem fazia os meus trabalhos, percebeste?!

27 dezembro 2016

Hoje há pintura...

Carl Blechen
1798 - 1840
Pintor alemão
do período Romântico
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Im spiel der wellen
(O jogo das ondas - 1830/1832)

26 dezembro 2016

Parabéns!... 26 de Dezembro

A Zezinha faz anos hoje...
Parabens... e um bjnho muito grande!....

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Maria José Folgado Pereira

25 dezembro 2016

Hoje é dia de Natal...

...vai ser  um dia de paz.
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O menino está dormindo, numas palhinha deitado...

24 dezembro 2016

Está pra nascer o Menino...

É Natal... é Natal...
O menino já nasceu!...
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O menino está dormindo, nos braços da Virgem pura. 

23 dezembro 2016

Humor antigo...

in. "Anedota Ilustrada" nº8
de Maio de 1961.

num desenho de Kiraz
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- Tenho o espelho rectrovisor, tenho sim senhor!... Nunca mais deixei de o trazer comigo depois de ter partido a caixa de pó de arroz!

22 dezembro 2016

São quadras, meu bem... são quadras!...

"Como um verso de bolero..."
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Se "Aquellos ojos verdes"
não são uns olhos traidores,
Que mal terá se os achar       
tão lindos como uns Amores?!...     
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Bolero da autoria de Nilo Menendez
Cantado por Nat"King"Cole

5ª Romagem de Saudade...

...dos Antigos Alunos do
Liceu de Castelo Branco
Em 22 de Maio de 1971
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Almoço com José Carvalhão, Eduardo Marçal Grilo, jjmatos, António Salvado, António Pires Antunes, Rui Versos, Luís Marçal Grilo, João Salavisa Vicente (?) e João Ramalho Eanes (?)
- no sentido dos ponteiros do relógio -

21 dezembro 2016

O almoço de Natal...

...realizou-se na tarde do dia 20 de Dezembro
foi um bom motivo de confraternização entre 
os actuais e os antigos professores do Liceu de Setúbal 
e os funcionários daquele estabelecimento
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No final, a clássica fotografia.

20 dezembro 2016

Parabéns!... 20 de Dezembro

A Célia faz anos hoje.
Beijinhos e um bom dia de aniversário.
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Célia Carvalho de Matos

19 dezembro 2016

Escrito na pedra...


In. “Público”
18.09.2015
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“O oposição produz a concórdia. Da discórdia surge a mais bela harmonia.”
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Heráclito
535 a.C/475 a.C
Filósofo da Grécia antiga

18 dezembro 2016

Humor antigo...

in. "Anedota Ilustrada" nº8
de Maio de 1961

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- Olha que disparate, meteres os anzóis na algibeira das calças!...

17 dezembro 2016

Liceu Bocage 3

Liceu Bocage
Ano da Inauguração
1 9 4 9

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Liceu Nacional de Setúbal
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Na tarde de 15 de Janeiro é inaugurada nas Salas do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz, em Lisboa, a Exposição do moço pintor Celestino Alves, setubalense ilustre.
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Nesta mesma tarde, em Setúbal, sob a presidência do sr. Dr. Manuel António Gamito, teve lugar mais uma reunião do Rotary Clube de Setúbal.
Fez a conferência o sr. Dr. Gago da Silva que traçou a biografia do ilustre setubalense Dr.Vicente José de Carvalho que foi Director da Faculdade de Medicina do Porto.
A censura foi feita pelo senhor Dr. José Martins do Soveral Rodrigues.
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Em 17 de Janeiro, o Dr.Manuel Gamito, distinto advogado e Reitor do Liceu, em entrevista concedida a um jornal da cidade afirmava:
“Só com a grande reconstrução moral e material do país, que vem desde a entrada de Salazar no poder, foi possível a obra de construção do Liceu de Setúbal”.
E mais adiante, referindo-se à medicina escolar, acrescentava:
“ ... desde o seu primeiro médico escolar, (primeiro desde que se criou a sério, a medicina escolar nos Liceus), o actual Delegado Distrital de Saúde, o querido e devotado médico Dr. Manuel Rodrigues Mateus, até ao actual, Dr. José Maria Mendes, que os serviços médico-pedagógicos do Liceu de Setúbal são qualquer coisa de muito proveitoso e positivo na vida dos Liceus”.
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Em Fevereiro de 1949, foram eleitos os Corpos Gerentes do Ateneu Setubalense.
O senhor Joaquim Otero foi eleito Presidente da Assembleia Geral, António Brás da Cruz ficou na presidência da Direcção e o senhor Manuel Teixeira de Malheiros, ocupou o lugar de presidente do Conselho Fiscal.
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No princípio de Março a crise era patente. Os jornais mantinham títulos do estilo: ” Falta de batata e de manteiga! Continuam as donas de casa seriamente embaraçadas...” (Setubalense, 9 de Março de 1949)
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Em 9 de Março surge a notícia de ter sido nomeado Sub-Director do jornal “O Setubalense”, o sr. Luis Faria Trindade que fez “história” naquele jornal...
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A Câmara Municipal de Setúbal aprova por esta altura “ ...que a uma das artérias da cidade seja dado o nome do falecido médico Dr. António Rodrigues Manito, que exerceu o cargo de Guarda-mor de Saúde e em reconhecimento dos actos praticados, de que resultaram excepcionais benefícios para Setúbal, depois de 1895. Em 1867 foi eleito, por escolha, para Presidente do nosso Município”.
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O Dr. António Rodrigues Manito foi um dos Fundadores do Clube Setubalense, em 12 de Novembro de 1855, em sessão que decorreu na Sala dos Paços do Duque. Este acto solene está perpectuado num quadro de pintura a óleo oferecido ao Clube Setubalense em 12 de Novembro de 1927, por um grupo de ilustres sócios, encabeçado pelo Dr.Francisco de Paula Borba, no 72º aniversário daquela instituição setubalense e que contém os nomes das quinze individualidades presentes na fundação do Clube.
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Em 16 de Março de 1949, era Vice-Presidente da Câmara Municipal de Setúbal o senhor Augusto Pedrosa..
O Senhor Eng. António Carneiro Devesa era o Engenheiro Fiscal das Obras do Liceu Nacional de Setúbal, por parte da Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário.
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Em 23 de Março, o Setubalense destacava uma efeméride. “Faz hoje catorze anos que faleceu a distinta escritora D. Ana de Castro Osório”.
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Em 26 de Março, o jornal insurgia-se, indignado, com o preço da “estreptomicina”...
“ A 38 escudos o grama!"
A estreptomicina está a 38 escudos o grama, segundo ordem dimanada de Sua Exª o Sub-Secretário de Estado do Comércio e Indústria..."
"Trinta e oito escudos o grama!! “ exclamava o redactor, incrédulo com semelhante despautério...
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No dia 28 de Março, era anunciado “Um notável acontecimento ”sob o título “Cultura, Arte e Filantropia
“Integrada no programa das festas a Cidade e para a ajuda da construção dos Parques Infantis, constituiu-se uma Comissão composta pelas Senhoras Donas Maria Adelaide Rosado Pinto, Rita de Jesus Fuzeta da Ponte, Luzia Pernão, Maria Amélia Amil Matta, Ema Revez, e Maria Júlia Miravent e pelos Senhores Drs. Miguel Bastos, Gago da Silva, Eng.Armando de Medeiros, Maestro Celestino Pinto, Henri Delpeut e Hugo Quintans”.
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No princípio de Abril tomamos conhecimento de uma notícia que interessava a todos os setubalenses e dizia respeito ao Vitória.
“Vai iniciar-se, dentro em breve, a construção do novo Estádio do Vitória Futebol Clube que ficará com a capacidade para 25.000 espectadores”. (Setubalense, 2 de Abril de 1949)
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Neste princípio de Abril de 1949, a Sociedade Capricho Setubalense elege os seus novos Corpos Gerentes.
Carlos Vieira dos Santos é o novo Presidente da Assembleia Geral, João Rosa é o novo Presidente do Conselho Fiscal e João Rendeiro fica à frente dos destinos da Sociedade, como presidente da Direcção.
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O programa comemorativo do Sétimo Centenário da Independência Administrativa de Setúbal contem, entre os festejos, uma parte que diz respeito à inauguração do novo edifício do Liceu. (Setubalense, 2 de Abril de 1949)
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Mês de Abril - Dia 30 - Inauguração Solene do novo edifício do Liceu de Setúbal.
10 horas - Missa Campal
15 horas - Sessão Solene no Ginásio do Liceu.
22 horas - Récita levada a efeito por um grupo cénico constituido por antigos e actuais alunos, no Salão de Festas daquele Estabelecimento de Ensino.

Mês de Maio - Dia 1 - Missa na Igreja de S.Julião mandada rezar pelo Corpo Docente do Liceu Nacional de Setúbal, por intenção de todos os Professores e Alunos já falecidos.
13 horas - Almoço de confraternização entre antigos e actuais alunos do Liceu de Setúbal.

Mês de Maio - Dia 2
22 horas - Grandioso Baile de Gala, no Ginásio do Liceu de Setúbal.
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Em 13 de Abril, as “Relações Públicas” do Liceu chamam, de novo, a atenção, nos jornais da cidade. É mais um título que nos prende. É mais uma notícia que se lê.
“A Festa do Novo Liceu “
“Tem decorrido com enorme entusiasmo os ensaios dos autos que farão parte do espectáculo que, no dia 30 de Abril, se realizarão no Salão de Festas do Novo Liceu de Setúbal.
O Auto “Tres in Unum” escrito expressamente para a Festa, pelo Reitor sr. Dr. Manuel Gamito que é, também, o autor do lindo “Auto da Primavera” que há doze anos foi representado em festa do Liceu, vai ser interpretada por dois dos mais velhos alunos do Antigo Liceu, os srs. Adelino Caes Esteves e Dr. José Martins do Soveral Rodrigues que se farão acompanhar por um quintanista do actual Liceu, o sr. Duarte Piedade.
Como não foi possível reunir no “Auto da Primavera” todos os componentes de há 12 anos, vai o mesmo ser desempenhado por alguns dos actuais estudantes do Liceu de Setúbal.
São ensaiadores dos autos ”Tres in unum” e “Auto da Primavera”, respectivamente, os srs. Eng.Armando de Medeiros, Alberto Fialho e o professor Armando Gomes..
Em 20 de Abril deste ano, era Chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Setúbal, o sr. Dr. Isidro Estrela e, neste no mesmo dia, é noticiado o funeral do sr. Dr. Mário Pais de Sousa, antigo Ministro do Interior e Provedor da Misericórdia de Lisboa. Morreu devido a congestão cerebral, em Santa Comba. Era cunhado do Dr.Salazar.
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Em 25 de Abril, sob o título “A Festa do Liceu” lia-se que “ ...os cenários para os dois autos... são pintados pelo antigo aluno Fernando Santos, hoje um dos nossos mais consagrados pintores e apreciado escritor teatral...”
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Dois dias depois o jovem poeta Miguel de Castro publica uma poesia cheia de doloroso significado a que deu o nome de “Velório - a meu Pai”.

16 dezembro 2016

Hoje há pintura...

Caravagio (Michelangelo Merisi)
1571 - 1610
Pintor renascentista italiano
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David vencedor de Golias 
no Museu do Prado

15 dezembro 2016

São quadras, meu bem... são quadras!...

"Como um verso de bolero..."
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Não armes em distraída
"Escuta", amor, esta canção...
Há sempre "Acordes que choram"
Dentro do meu coração...
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Boleros da autoria de Ivan Curi e Othon Russo 
cantados por Angela Maria

14 dezembro 2016

Estatísticas...

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Nas últimas 24 horas, 
desde as 14h, de 13 de Dezembro
a as 15h, de 14 de Dezembro,
este blogue registou os seguintes acessos:
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Russia . . . . . . . . . . 1122
Estados Unidos . . . .   226
Portugal . . . . . . . . .  109
Alemanha . . . . . . . .   59
França . . . . . . . . . .   12
China . . . . . . . . . . .    8
Angola . . . . . . . . . .     7
Brasil . . . . . . . . . . .    5
Iemen . . . . . . . . . .     4
Polónia . . . . . . . . . .   3

...
Os russos são "curiosos"... 
e batem fortemente os EEUU!
"Põe-te a pau", Ronald Trump...

Faíza Hayat dixit...

...num conto de Ano Novo.
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Anno Domini
Faíza Hayat
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Faíza Hayat
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Conheci Dom Deusdado apenas porque, uma vez, me apeteceu entrar no Ano Novo na companhia de um desconhecido. Apenas para não estar com ninguém mas apenas para também não estar sozinha.
Posso perguntar a Dom Deusdado”, disse-me uma amiga andaluza que lecciona na mesma universidade de Barcelona.
Talvez ele possa receber-te. Dom Deusdado está quase sempre sozinho. Especialmente no Natal. Ele e as suas árvores de Natal”.
E estava, também nesse ano.
Dom Deusdado tinha uma voz de 30 anos mas as suas mãos contavam que ele era bastante mais velho. As mãos tinham 60 anos – pelo menos. Pareciam talhadas à podoa. Toscas. Não toscas, talvez, mas duras. Secas na casca, rudes nas linhas.
Fiz-lhe notar isso quando ele me recebeu à porta da grande casa, num “cerro” afastado de uma aldeia de Navarra ”O senhor tem mão de…”
Não consegui encontrar a referência certa para tanta rugosidade nas mãos de Dom Deusdado.
Videira?”, perguntou ele, bastante sério, não sei se ofendido. “Você, pelo contrário, tem mãos de bambu”, disse ele. “São muito leves e muito fortes. Aposto que eu conseguiria quebrá-las”.
É por causa dos nódulos?”, quis perguntar, imaginando umas dores terríveis nos meus ossos, quebradiços no frio de Dezembro, umas dores menos terríveis do que a minha vaidade a quebrar como gelo, olhando as minhas falanges pronunciadas.
Não. É por causa da humidade”, respondeu Dom Deusdado. “As minhas mãos têm raízes de chuva. Mas é uma chuva quente”, disse ainda Dom Deusdado.
Você é mesmo portuguesa? Ou veio de outra floresta?
Cheguei à quinta de Deusdado um dia 30 de Dezembro, anoitecia já.
Esperanza mostra-lhe o quarto. Jantará sozinha porque eu não janto com estranhos. Amanhã visitamos o pomar”.
Segui Esperanza, uma velha silenciosa cujo único detalhe colorido era o alfinrte de turquesa que segurava um penteado elaborado, muito alto.
Foi Esperanza que, no dia seguinte, me acordou, entrando pelo quarto sem bater. “O Senhor Deusdado espera a Senhorita no pomar”.
Deusdado esperava por mim, no final do caminho onde as pegadas dele estavam ainda impressas num lençol de geada espessa. As pegadas de erva molhada acabavam num portão que dava para uma espécie de… cemitério.
Deusdado não calçava muito grande e andava com os pés para dentro. Via-se nas pegadas.
Estava ajoelhado na geada diante de uma amendoeira. Levantou-se e sacudiu os joelhos quando percebeu a nossa presença. Esperanza retirou-se e ele iniciou a visita.
O pomar é cemitério da família”, explicou Dom Deusdado.
Dentro de um velho muro, havia dispersas árvores, alinhadas, todas nascendo de um monte de terra coberto com grandes seixos.
Em cada árvore, notei depois, havia pequenos retratos pendurados de um prego.
Algumas árvores, notei também, sangravam seiva ou resina no sítio onde o prego entrava no tronco.
São os meus antepassados”, continuou Deusdado. “Todos estamos aqui”.
Um pouco de todos eles germinou em mim”, respondeu Dom Deusdado em voz ríspida, como se eu tivesse falhado uma evidência.
Um pouco da morte de cada um deles germinou em cada uma destas árvores. Todas as gerações dos Deusdado estão sepultadas aqui. Em cada uma planta-se uma árvore de acordo com a memória que deixou aos vivos”.
Aliás, depois deles nada restou. Não acreditamos na vida para além da morte. Só acreditamos na natureza. Os ciclos, sabe: a única ressurreição não é da carne de Cristo; é das tábuas da cruz…”
Dom Deusdado sondou as nuvens.
Vai chover”,
Dom Deusdado herdou riqueza suficiente para dedicar todo o seu tempo ao que as outras gerações fizeram antes dele: cuidar do seu horto genealógico.
Em segredo, partilhado por toda a aldeia, os Deusdado são enterrados sem caixão, “porque as tábuas que interessa não são as  que morrem connosco mas as que nascem de nós”.
Esperanza pigarreou, encolhida junto ao portão.
Se for verdade que temos alma, o único sítio para onde ela vai não é para o céu. É para a terra onde nos desfazemos”, explicou Dom Deusdado.
A ceia de Ano Bom foi no salão maior, junto a uma grande lareira. Havia dois retratos separados, um homem e uma mulher, na parede do fundo.
Os seus pais?”perguntei.
Não. Os meus pais estão nos caixilhos. Os do retrato não sei quem são. Nem interessa”, atirou Dom Deusdado. “Belos caixilhos, não acha? Foram feitos das cerejeiras que nasceram na sua campa”.
Dom Deusado descreveu então outros objectos: a mesa era feita do seu avô paterno; havia uma arca de teca “nascida de um tio que fora militar no Cebu”. E as cadeiras em que nos sentávamos eram talhadas “em vários bastardos nascidos no quintal”.
Não resisto a fazer a pergunta inevitável: não tinha filhos?
Tive um”, Dom Deusdado rodou o balão de conhaque fazendo dançar nele as chamas da lareira.
Morreu no parto. Levou com ele a Anna. A mãe. A minha mulher. A medicina não estava tão evoluída naquele tempo…
Aconteceu num dia de Ano Novo, contou, tragando mais um conhaque.
Registei-o como Anno. Anno Domini. E, para responder à sua pergunta seguinte: a árvore do Anno é frágil. Só dá para lenha. É aquela que arde na lareira, todos os anos, do Natal até aos Reis. Gosto de ver as chamas nesta quadra”.
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In “Público – Xis”
30.12.2007

13 dezembro 2016

Setubalense - 1970 - Março

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02 Março
Está em organização
a Delegação de Setúbal da Associação de Pais e Amigos das Crianças Diminuídas Mentais.
A Comissão da nossa cidade que se lançou na grande obra de organizar a Delegação de Setúbal é constituída pelas Sras. D. Maria Beatriz Estrela de Oliveira, D. Luzia Pereira Beija, D. Maria Adelaide Rosado Pinto, D. Maria Fernanda Azevedo Viana, D. Maria Virgínia Pita Bastos Nogueira Seco, D. Maria Augusta Viveiros, Drs. Bráulio de Almeida, Fernando Rolim e Matos Faia.
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07 Março
Novo Vice-Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
A Direcção Geral da Administração Política e Civil, do Ministério do Interior enviou para o Diário do Governo uma portaria que nomeia Vice-Presidente da Câmara Municipal de Setúbal. o Sr. Dr. João José Mendes de Matos
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07 Março
Coral Luisa Todi
Novos Corpos Gerentes
Assembleia-Geral:
Presidente – Eduardo da Conceição Fernandes
Vice-Presidente – Fernando de Jesus Rodrigues
Secretário – Saul José Correia
Secretário – Rui Manuel Rosa Machado
Direcção:
Presidente – Dr. José Paulino Pereira
Vice-Presidente – Fernando Santos Castanheira
Tesoureiro - Fernando Bruno Teixeira
Conselho Fiscal:
Presidente – Fernando Eugénio Rodrigues
Secretário – Joaquim Marques dos Santos
Relator – Álvaro Carvalho Pinto
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11 Março
Casamento
Na Igreja de Santa Maria da Graça celebrou-se no passado domingo (8 de Março) o casamento da Sr.ª D. Ana Maria Barreiros Pinto … com o Sr.António Henrique Rodrigues Maximiano, delegado do Ministério Público, em Ponte de Sor.
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14 Março
Restauração
Vão ser restaurados os “Passos” existentes na Cidade.
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23 Março
Cinema amador
Angelino Fernandes, cineasta Amador da Secção de Cinema Amador do Ateneu Setubalense, ganhou o 1º Prémio, com o filme “Senhora da Arrábida”, no Festival do Filme Religioso Amador, de Leiria.
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25 Março
Regimento de Infantaria 11
O Sr. Ten. Coronel Guilhermino Nogueira Rocha, recentemente regressado da Guiné, assumiu as funções de 2ºComandante do RI 11
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28 Março
As regalias da ADSE foram tornadas extensivas aos funcionários aposentados.
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30 Março
Ponte Salazar
Na ponte Salazar passaram ontem 23.800 veículos.
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30 Março
Vice-Presidente da Câmara Municipal do Concelho de Setúbal
No próximo dia 8 de Abril, pelas 18 horas, o Governador Civil confere possa do cargo de Vice-Presidente da Câmara do Município de Setúbal, ao Sr. Dr. João José Mendes de Matos.
A cerimónia da posse realizar-se-á no Governo Civil.

12 dezembro 2016

Humor antigo...

in. "Anedota Ilustrada" nº8
de Maio de 1961
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- Há dias em que me sinto tão só, 
tão abandonado neste escritório tão grande...

11 dezembro 2016

Morreu o Manuel Bola...

O actor Carlos Rodrigues, conhecido por Manuel Bola, morreu este domingo, em Setúbal, aos 72 anos.

Nascido a 3 de setembro de 1944, Manuel Bola foi actor residente do Teatro de Animação de Setúbal (TAS) e entrou em várias séries de televisão, nomeadamente "Gente fina é outra coisa", "Os malucos do riso", "A banqueira do povo", "Nico d"obra", "Nós os ricos", "A loja do Camilo", "Jardins Poibidos" e "Inspetor Max".

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Carlos Rodrigues
(Manuel Bola)
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Carlos Rodrigues também fez poesia tendo publicado, em Novembro de 2005, o livro de poemas a que deu o título "Sem Amor" e do qual retirei o poema "Não tenho portas".
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Não tenho portas.
Tiraste-me a chave e eu fiquei na rua.
Não tenho hábito de saltar janelas,
Nem o romântico ar de heróicas escapadelas
Que justificam a poética da lua.
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Não tenho portas
O mundo que eu quis abrir
Não conseguiste fechar.
E quantas chaves pusesta a florir
Para trancar...
O sonho.´
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Não tenho portas
Deixo entrar o sol mal amanhece,
Os cheiros todos que há no ar,
e a dor imensa de quem padece
Quando tem uma porta para fechar.
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Não tenho portas.
Tu, esqueceste de mim como pessoa.
Como a luz intensa se esquece do luar,
Como viver assim não é só estar
À espera que aconteça qualquer coisa boa
Com a chave na mão para a cerrar.
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Não tenho portas.
Mas sou carne. Desejo.
A mão que falha o que está a alcançar.
O que deixamos no tal eterno beijo,
Ou aquela peça sempre fora do lugar.
O boneco teimoso,
O pateta alegre, 
A rosa murcha cujos espinhos picam.
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Não tenho portas.
Nem tempo de partir ou de ficar.
Mas nunca esquecerei a tua boca
De tão discreta ser, era tão pouca...
Dizendo:
Isto é que são horas de chegar?!

Num passeio, em Julho de 1970, "encontrei-o", divertido com um grupo de amigos e  não resisti à tentação de "lhe fazer um retrato" quando nos fazia adeus, lá do alto. Tinha então quase 26 anos e uma vontade forte de vencer...
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Manuel Bola com 26 anos 
(foto de 10 de Julho de 1970)
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Chegou a sua hora...
Que descanse em Paz

Eu já esperava...

...só não sabia a data certa da chegada
da minha prenda de Natal...
Chegou há dias e bem bonita.
Deus te pague, António Salvado.
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O Poeta António Salvado...

...e o seu último livro publicado
Esta é a minha prenda de Natal
Na capa, uma imagem "Sem título" 
do pintor Raúl Costa Camelo (1924/2008),
antigo aluno do Liceu de Castelo Branco.
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... com uma dedicatória sempre a relembrar uma Amizade firme que vem de muito longe.


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Escolhi dois poemas dos "Poemas escolhidos", para ilustrar o meu apontamento de hoje.

Um que escreveste em 2011, no teu "Repor a luz", quando uma "chama apaixonada fulgia com faúlhas ardentes" que caiam sobre um qualquer amor que desejaste...

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Um outro, que escreveste há mais tempo, em 1982, publicado em "Interior à luz" e nos recorda "os brinquedos deixados na saudade"... que nos levam a recordar os nossos tempos de escola, nos anos 40, em Albi Castrum.

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Infância
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Do coração se nutrem as ruínas.
Os brinquedos deixados na saudade:
bonecos desenhados na parede
da ternura e nas pétalas do riso.
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A ressurgida voz emudecida
que falava das fadas e do medo:
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O sussurro murmúrio do jardim,
semeador: memória de pureza.
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Do coração se nutre a velha casa.
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in."Interior à luz" (1982)
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NB - Obrigado, António Salvado, pela bela prenda de Natal, com os desejos de umas festas felizes e um práximo ano de 2017 cheio de novos e belos poemas. Já me estou a fazer à prenda do ano que vem... Oxalá, assim seja!...
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NB - Numa "Nota do Editor" subscrita por Margarida Gil dos Reis podemos ler que 
a presente antologia reúne mais de 100 poemas de António Salvado publicados entre 1955 e 2016. Os textos aqui presentes resultam de uma primeira selecção feita pelo autor e são representativos da sua fecunda produção poética.
(...) Nesta antologia, fica bem presente a riqueza da obra de António Salvado e a constelação de temas e imagens que, com o passar dos anos, se foram multiplicando e cruzando, com um efeito quase caleidoscópico.
Esta antologia pretende assim retratar, mesmo que parcialmente, este rigoroso ofício de palavras de alguém que regressa sempre ao poema, como à casa.

10 dezembro 2016

Recordações...

Desenho a partir de
fotografia tirada em
20 de Agosto de 1984
.
GI

09 dezembro 2016

Parabéns!... 9 de Dezembro

A Maria Irene faz anos hoje.
Muitos beijinhos e um abraço grande
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Maria Irene Folgado Crespo

08 dezembro 2016

Deixem-me crer...

... num pequeno poema a que o autor
Ricardo Reis
deu o nome de
"Sei bem que nunca serei ninguém."
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Ricardo Reis
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Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim. mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar. estes ramos,
Esta paz em que estamos, 
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
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in "Poemas partilhados"
Ed."toLife" - Maio/1912

07 dezembro 2016

Hoje há pintura...

Francisco de Goya
Pintor neoclássico espanhol
1746 - 1828
.
 O Inverno - Tempestade de neve (1786)
óleo sobre tela - 275x293
no Museu do Prado

06 dezembro 2016

Estatísticas...

Nas últimas 24 horas
desde as 23h, de 04 de Dezembro
a as 22h, de 5 de Dezembro,
este blogue registou os seguintes acessos:
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Reino Unido . . . . . .      5
Polónia . . . . . . . . . .    3
Malásia . . . . . . . . . .    3
...

Gráfico dos países mais populares entre os visitantes do blogue
      Continua a guerra fria entre a Rússia e os EEUU!...

05 dezembro 2016

João de Matos Gonçalo...

...O meu Pai fazia anos hoje.

João de Matos Gonçalo
05.12.1899 / 26.08.1978

04 dezembro 2016

Liceu Bocage 2

Liceu Bocage
Ano da Inauguração
1 9 4 9

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Liceu Nacional de Setúbal
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A crise de trabalho é notória nos finais do ano de 1948 e as forças políticas disso têm consciência.

Em meados de Novembro a presidência da Cãmara faz-se eco dessa crise latente e desencadeia uma acção que tenta ultrapassar o desemprego que se faz sentir. Na imprensa surge uma notícia destacada, provavelmente resultante de alguma conversa de bastidores com jornalista de peso...

A Crise de Trabalho e a Câmara” é o título logo seguido de um texto que expôe assim a situação:

“Depois de alguns dias que pareciam animar a cidade com o aparecimento de peixe, continuamos a sentir os efeitos de uma crise bastante acentuada na indústria conserveira e vida doméstica, sem matéria prima para a primeira e peixe suficiente para o abastecimento público, atingindo o que aparece no mercado, preços fabulosos e incomportáveis.

Felizmente a nossa Câmara Municipal, para minorar a situação bastante difícil de algumas classes, abriu numerosas obras públicas onde, felizmente, se empregam às centenas, os trabalhadores e operários da construção civil. É ver a azáfama que vai por essa cidade, onde presentemente estão em execução as seguintes obras:

Abertura da Avenida de acesso ao Liceu,
Pavimentação do Bairro Económico
Abastecimento de água à Cidade
Construção da Rede de Esgotos
Construção dos depósitos de água, os maiores do país.
Construção de 80 moradias do Bairro Carmona.

Foi, sem dúvida uma medida de grande acção social, esta da Câmara, não havendo na cidade crise na construção civil.”

O fecho de algumas fábricas, a falta de pescado que se tem feito sentir, provoca bastante falta de trabalho... Não podemos falar em despedimentos, pois nesta altura quase todo o trabalho em fábricas seria precário. Há peixe! Tocam as sereias e há trabalho... Não há peixe... ficam mudas as sirenes e não há trabalho... 

Os sindicatos não têm força... Os sindicatos não defendem o trabalhador e o trabalhador não ganha a jorna, nem no defeso nem quando os pescadores não aparecem com o peixe...
É a crise que se arrasta há muito tempo.
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...Concluiu a sua formatura na Escola Médica de Lisboa, o sr. Dr. João Maria da Silva Duarte, há muitos anos residente em Setúbal.
O Dr. João Maria da Silva Duarte aparece em Setúbal, menino e moço, vindo transferido do Liceu de João de Deus, em Faro, em 31 de Outubro de 1934. Devia ter 12 ou 13 anos e ficou inscrito na turma A, do 3ºAno, onde ficou com o número 21.
E portou-se bem! “Transitou para o ano seguinte com a classificação de 13 valores”. Uma nota esplêndida para a época!
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Uma das três filhas, a Maria Adelaide foi minha aluna em 1964, ano em que teve notas excelentes. E também o filho João Manuel, quatro anos mais tarde me “prestou contas”, antes de prosseguir os estudos de Medicina, seguindo as pisadas do Pai. Fez parte de uma turma do 7ºAno que foi pródiga em médicos e médicas. Para além dele, faziam parte daquela turma o Francisco Osório Trindade da Cunha, a Maria Arlete de Oliveira Horta, a Maria do Carmo Trindade Santana, o Paulo Bordeira e não sei se mais algum me escapa...

E como a vida não pára, já foi meu aluno, também, o João Daniel Frixell Silva Duarte, filho deste último e da antiga aluna do nosso Liceu D.Maria Manuela Frixell e que é actualmente professora na Escola Secundária da Camarinha.
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Em finais de Novembro era noticiada a doença de Domingos Tavares Roque. “Vítima de sério desastre, tem estado em Lisboa, em tratamento...” Nem por isso deixou de haver notícias no Jornal...
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Em 27 de Novembro, numa das suas páginas interiores, o Setubalense mostrava um Anúncio com interesse para a Cidade.
“Ministério da Obras Públicas -- Concurso público para arrematação da empreitada de arranjos exteriores, do Liceu de Setúbal.

Base de Licitação . . . . 397.166,00
Depósito Provisório . . . 9.930,00
Lisboa, 22 de Novembro de 1948
O Eng. Administrador Delegado
José de Lencastre e Távora
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Por esta época, era Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, o sr. Dr. Miguel Rodrigues Bastos; era Sub-Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, o sr. Dr. Fausto Ferraz; era Reitor do Liceu, o sr. Dr. Manuel Gamito; era director da Escola Técnica, o sr. Eng.Armando Medeiros; era Sub-Delegado da Mocidade Portuguesa, o sr. Dr. Rogério Peres Claro e Sub-Delegada da Mocidade Portuguesa Feminina, a srª D. Josefina Gamito.
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Tinham acabado de ser eleitos há pouco tempo, os Corpos Gerentes da Misericórdia de Setúbal, para o triénio de 1949/51.
Como Presidente e Secretários da Assembleia Geral, figuravam os nomes do Dr. Luis Teixeira de Macedo e Castro, Carlos Homem de Figueiredo e Fernando Galope dos Reis.
Na Mesa Administrativa, como Provedor, foi eleito o sr. Ten. Cor. Jorge Carlos Costa, como Secretário, o sr. Cap. José de Almeida Cassar e como Tesoureiro, o sr. António José de Morais Junior.
Eram Mesários, os srs. António Luis Esteves, José de Freitas e Luis Adriano Costa Coelho e seus substitutos os srs. Eng.Armando Athaide Pereira Medeiros, Ernesto Louro Fernandes de Castro e Luciano Augusto Rouillé.
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No Liceu continuava a festejar-se o Natal, nos dias que coincidiam com o fim do 1º período.

“A quadra festiva do Natal é festejada no Liceu este ano, mantendo-se uma já velha tradição.

Amanhã pelas 15 horas, realiza-se a tradicional festa do Natal, promovida pelos filiados dos Centros liceais da Mocidade Portuguesa masculina e feminina, da seguinte forma:

Sessão literária e musical a que assistem os convidados a quem a festa é dedicada e que são os internados no Asilo da Infância Desvalida, Internato da Casa dos Pescadores, Florinhas da Rua, Casa de Santana e Orfanato Municipal Dr. Sidónio Pais.

O programa é o seguinte:
a) 1. Hino da Mocidade Portuguesa
2. Canções:
Vamos pastores
La ronda da Navidade
Nina-Nana
3. Relicário - baile espanhol
4. A Boneca - recitação
5. Noite de Encanto - revista, fantasia
6. Flores - bailado
7. O Presépio - recitação
8. Vira “Canta Cachopita”
b) Exposição de um Presépio e distribuição de brinquedos às crianças convidadas.
c) Merenda oferecida às mesmas e servida por senhoras Professoras do Liceu e Alunas.
Ainda antes do Natal, far-se-à a distribução de enxovais, a crianças pobres, confeccionados por alunas do Liceu.
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Em 20 de Dezembro era noticiada a “Morte de uma Escritora Setubalense”. Na verdade Olga Morais Sarmento acabava de deixar-nos e a notícia da sua morte surgiu tão simples como simples foi a sua vida.
“Realizou-se em Lisboa, onde residia, o funeral da conhecida escritora D. Olga de Morais Sarmento que, na vida literária, deixou lugar de evidência.
Nascida em Setúbal em 1881, era viúva do Dr. João Manuel da Silveira, médico naval morto na Campanha do Cuamato...
...Era condecorada com a Legião de Honra e as Ordens de Cristo e de Santiago...”
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Num dos últimos dias do ano esteve encerrada ao público a Mata do Garcia, durante apenas algumas horas, a fim de manter-se o direito de propriedade.
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O início do ano de 1949 é frio e chuvoso.
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Rezam as memórias que era, por essa altura, Capitão do Porto de Setúbal, o senhor Comandante Duarte de Almeida Carvalho e Piloto Mor o senhor José Joaquim Lopes. Cândido Bogarim era então Piloto da Barra.
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Na Estação de Fruticultura da Varzinha pontificava o senhor Eng. Lopes da Fonseca e o Eng. Armando Henrique Roovers da Costa Neves, espreitava já a sua vez, como Director Adjunto daquela Instituição.
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Nas vésperas do aniversário do nascimento de Luisa Todi, o Café Central inaugurava uma secção de Restaurante, no andar superior das suas instalações, na praça de Bocage, onde reside agora o Banco Português do Atlântico.
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No segundo domingo de Janeiro, o saudoso Domingos do Rosário marcou o golo solitário do Vitória contra o Belenenses, que venceu por 3-1, o encontro das Salésias.
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(cont.)