26 março 2019

Humor antigo...

...com o traço de 
Kiraz
in. "Anedota Ilustrada - 1962"

- Cuidado! Olha que esta jarra é capaz 
de te partir a cabeça, querido!...

25 março 2019

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Repugna que tanta gente,
Um tanto ou quanto velhaca,
Conforme a forma vigente
É como vira a casaca.
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João Calceteiro
in. "Asas da gaivota"
Setúbal-1989

24 março 2019

Parece que houve há dias...

… o Dia do Abraço!...
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Encontrei na net um poema
de Jean Carlo Barusso
que escolheu como título:
"Precaução"
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Jean Carlo Barusso
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Precaução
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Ninguém sabe
Quando será
O último abraço.
Então,
Por precaução 
(Ou sensatez)
Abrace sempre
Como se fosse
A última vez.
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J.C.Barusso

23 março 2019

Na Catedral de Évora...

...em 09 de Novembro de 1996
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Uma Roseta e um Candelabro

22 março 2019

Castiguem os responsáveis...

… é o título do artigo que
Manuel Villaverde Cabral
publicou no "Observador"
em 20 de Março de 2019
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Manuel Villaverde Cabral
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A defesa tenaz de alguém como Tomás Correia faz-nos pensar que, se o PS fosse poder quando o BES faliu após toda a trafulhice, os seus líderes não se teriam atrevido a dizer não ao Sr. Ricardo Salgado.

Há anos que insisto no facto de a crise financeira que estoirou em 2011 nas mãos do PS e do seu líder de má memória estar ainda muito longe de ter sido limpa de vez, mesmo depois das dezenas de milhar de milhões de euros que tem custado ao país! A prova é que, dez anos depois, ainda mal recuperámos o PIB per capita de 2008. Na realidade, desde o início do século XXI, a economia portuguesa cresce à média de meio-ponto percentual por ano e o PIB per capita pouco mais do que isso. Portugal é um caso limite de estagnação!

No cerne desta contra-performance que fez de Portugal um dos últimos países da zona euro, tendo sido ultrapassado por quase todos os países originários do «bloco soviético», encontram-se três factores que se têm alimentado um ao outro antes mesmo de nos levar à virtual bancarrota de 2011. Estou a falar da absorção do aparelho de Estado pelo sistema político-partidário; do desmesurado peso do sector bancário, seja público, privado ou «social»; e finalmente, da gigantesca corrupção promovida pela colusão dos dois primeiros factores.
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Tanto assim que, neste momento, apenas sobram dois bancos minimamente sólidos, a saber, aqueles que foram adquiridos pela banca espanhola. Quanto ao BCP, está já subordinado aos chineses da FOSUN, cujo peso em Portugal é contestado pelos nossos parceiros internacionais. Os três bancos restantes não saem dos títulos dos jornais apesar da conspiração do silêncio que o actual governo procura manter, acumulando mentiras após mentiras e falhando promessas após promessas, como era aliás fácil de ver já há dois anos.
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Um de cada vez ou todos ao mesmo tempo, ora se descobre que a menina dos olhos da «geringonça» governamental – isto é, a Caixa Geral de Depósitosfoi levada à beira da falência pelos seus administradores e clientes privilegiados, cujos nomes estão em todos os processos em curso; ora se verifica que a actual administração não tem condições para manter a CGD no sector público sem continuar a fornecer-lhe milhares de milhões de euros dos contribuintes.

O mesmo se passava na mesma altura com a pseudo-venda do «Novo Banco», isto é, a entrega dos restos do falido BES a um fundo-abutre com o nome poético de Estrela Solitária. Já então era possível ver que nem o objectivo do fundo-abutre era salvar o BES mas tão só vender o que for vendável, nem o governo da «geringonça» fugiria a enterrar mais alguns milhares de milhões de euros a fim de manter a ficção do «Novo Banco» à custa do défice do país…

Finalmente, há cerca de um ano já era evidente que "não havia milagres" e que também o chamado Montepio não só não seria resgatado pelos dinheiros que o governo pretendia ir buscar à Misericórdia de Lisboa, como teria de fazer frente, com os respectivos custos de reputação e não só, à falta de idoneidade do Sr. Tomás Correia, dono aparente da Mútua… O caso Montepio, que nos ficaria mais barato se fosse vendido a preço de saldo ao primeiro comprador, vem demonstrar a total incompetência do PS para lidar com os monos invendáveis da banca socrática assim como o seu despudor ao repetir as mesmas promessas.

Com efeito, a forma como o PS apoiou a reeleição de Tomás Correia e como persistiu em sustentá-lo depois de ele ter sido multado pelo Banco de Portugal, não hesitando em manipular a entidade reguladora e em passar por cima da acta que isenta o condenado de pagar a multa, tal comportamento mostra duas coisas fundamentais para nos compenetrarmos de vez que o PS foi totalmente responsável pelos comportamentos que levariam o país à falência sem o resgate internacional.

A defesa tenaz de alguém como Tomás Correia, cuja duvidosa credibilidade é conhecida, faz-nos pensar imediatamente que, no caso de o PS estar no poder quando o BES faliu após todas as trafulhices, os líderes do PS não se teriam atrevido a dizer não ao Sr. Ricardo Salgado. Alguém duvida? Ainda hoje ele lá estaria e os contribuintes a pagar, como lá estariam todos os mandantes e clientes da corrupção larvar!

Desde António Costa, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, de onde trouxe grande parte dos seus colaboradores, até Vieira da Silva, há perto de uma década com a mão na maior fatia do Orçamento de Estado para distribuir ao eleitorado e citado há pouco a propósito da burla das «Raríssimas», a protecção reservada pelo PS a alguém como o «dono do Montepio» devia surpreender-nos, mas a verdade é que mostra como estamos desarmados perante as redes de influência e de corrupção. É de esperar que o eleitorado castigue os responsáveis partidários!
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in. "Observador"
      20.03.2019

21 março 2019

No jornal i...

saído ontem de manhã, li um artigo que me agradou.
Da autoria do jornalista 
Eduardo Oliveira e Silva
na sua coluna "Rédea solta"
escreveu sobre dois Heróis 
que se mostraram no pos-25 de Abril.
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Eduardo Oliveira e Silva
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Um dos Heróis chama-se
António Gonçalves Ribeiro.
O outro dava pelo nome de 
José Correia da Cunha.
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Diz o jornalista, em título:
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"Exemplos que não devemos esquecer:
Há pessoas que temos de citar como exemplos raros: 
António Gonçalves Ribeiro e José Correia da Cunha são dois casos.
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1. No Portugal de hoje, onde se vê tanta coisa indigna e tanta tramoia, temos, ainda, razões para ir buscar ao passado recente pessoas de qualidade que deixaram obra, que foram exemplares e de quem devemos orgulhar-nos.
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Sem procurar datas redondas, refiram-se duas personalidades pelo
papel histórico e cívico que tiveram em momentos difíceis da nossa história, nos primórdios da democracia. Trata--se do general Gonçalves Ribeiro e do engº José Correia da Cunha, desaparecido em 2017.
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Gonçalves Ribeiro foi o homem que, numa situação desesperada, com
milhares e milhares de portugueses retidos em Angola, de onde queriam sair, conseguiu praticamente sozinho desenvolver os contactos que levaram ao estabelecimento de uma ponte aérea que permitiu a vinda ou regresso de muitos milhares de compatriotas àquilo que então ainda se chamava Metrópole.
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Foi
dificílimo montar aquela ponte aérea, que é por muitos considerada a maior de sempre. Foram acima de 900 voos de companhias aéreas diferentes que transportaram mais de 200 mil pessoas desesperadas, adoentadas, esfomeadas e esfarrapadas, para citar um relato de quem viveu aqueles momentos, como o jornalista Jaime Marques de Almeida.

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Gonçalves Ribeiro, um ser humano excecional, não se conformou com frases desculpabilizantes como “fizemos tudo o que podia ser feito e é impossível fazer mais” e “não há aviões”. Afinal havia, mas não era cá. E eles apareceram, pela ação de um português militar que a todos nos honra e que contactou outros países através de embaixadas, nomeadamente a dos Estados Unidos, para montar o regresso massivo.
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José Correia da Cunha é também um herói esquecido, designadamente no continente português. A 1 de janeiro de 1980, os Açores foram sacudidos por um sismo tão violento como devastador em termos de vítimas humanas. Os danos materiais e no património cultural edificado foram gigantescos, como se pode ver pelas fotografias da época. Basta olhar para a Sé de Angra antes, depois e agora para perceber a dimensão do abalo.
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Foi Correia da Cunha quem logo ficou
incumbido de dirigir a reconstrução no arquipélago, especialmente na Terceira, em São Jorge e na Graciosa, as ilhas mais atingidas. Meteu mãos à obra e constituiu uma equipa notável no Gabinete de Apoio à Reconstrução. Tudo fez com método, com inteligência, com uma menorização dos sacrifícios e dos perigos a que ficaram sujeitas as populações.
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Se se evocam estas personalidades neste espaço é, simplesmente, para as homenagear independentemente de datas simbólicas, pois Portugal e a República precisam de exemplos que possam ser referências, enquanto servidores da causa pública.

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Que diferença fazem estas figuras que emergiram num país em caos, sem meios, sem apoios, sem CEE e muito menos União Europeia. Uma época sem uma correia solidária instantânea, como as de hoje. Tudo, porém, se fez num tempo de grande desconfiança internacional do Portugal que éramos, ainda mais cinzento, mais periférico, mais profundamente isolado e incompreendido. Um país no fim do ciclo da africanidade, aquando da ponte aérea e, na altura do sismo, com uma insularidade aterradora, miserável e desconhecida aos olhos de um mundo que hoje olha os Açores como uma das suas maravilhas.
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Nos tempos em que Gonçalves Ribeiro e Correia da Cunha atuaram em defesa dos seus concidadãos, não tínhamos quase nada além de pessoas que, como eles,
souberam enfrentar e resolver problemas terríveis e dramáticos, certamente com o proverbial desenrascanço nacional. Mas, sobretudo, com rigor técnico, probidade e responsabilidade.
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É importante que se retenham os seus exemplos de cidadania, de retidão e de seriedade, até porque dos seus atos
não há nota absolutamente nenhuma de controvérsia. Ambos com forte personalidade e impolutos, distinguiram-se pela dedicação desinteressada aos seres humanos, sem a seguir tentarem tirar proveito político, económico ou de vaidade.
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Basta olhar para os múltiplos exemplos e casos de hoje para que possamos dizer que, infelizmente, a modernidade e o progresso não foram fator de melhoria no que à solidariedade diz respeito. Há poucos Gonçalves Ribeiro e Correia da Cunha.
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in.  jornal i
20. 03. 2019
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NB - Fui descobrir uma foto do 
Gen.António Gonçalves Ribeiro 
obtida na festa dos 80 Anos do meu irmão Olímpio.
As amizades construídas na década de 40, no
Liceu de Nun'Alvares, em Castelo Branco, 
fizeram-se para durar... 

António Gonçalves Ribeiro
(Na festa de Aniversário do Olímpio)
Oleiros, em Junho de 2013

20 março 2019

Somos todos russos...

… na opinião de 
Miguel Esteves Cardoso
na sua coluna "Ainda ontem"
nas páginas do "Público"
do dia 17 de Março.
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Miguel Esteves Cardoso
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Há 4000 anos, segundo um estudo científico sério, todos os homens da Península Ibérica, incluindo os portugueses da altura, descendiam de habitantes vindos da Rússia. Se incluirmos as mulheres, a percentagem de russos no sangue português é de 40%. Mas nos homens é 100%.
Trata-se de uma descoberta extraordinária. Os russos eram tão sedutores que as portuguesas desinteressaram-se totalmente da rapaziada portuguesa, efectivamente condenando-a à extinção.
Isto tudo aconteceu antes de os portugueses se cruzarem com todos os povos que estiveram por cá. Mas pouco interessam as percentagens que temos de judeus, romanos e mouros se
agora temos a certeza que a nossa pouca portugalidade se deve inteiramente às mulheres.
Todos os portugueses passam a ter de dizer que
são portugueses da parte da mãe. Eu que sou filho de mãe inglesa deixei de ser 50% português para ser só vagamente português.
Para mais somos todos muito mais russos que portugueses – o que explica muita coisa.
Como começar a fazer a psicanálise desta rejeição monumental? Como seríamos nós se
as portuguesas de antanho tivessem virado as costas aos bonitões russos, preferindo cumprir o dever patriótico de reproduzir-se com os trogloditas tugas?
Seríamos ainda mais matarruanos e grunhos? Ou eram
os nossos antepassados extintos mais nerds na altura, mais interessados em pinturas rupestres do que em caçar e apanhar castanhas do chão? Teríamos ainda mais poetas, arquitectos e inventores?

Nunca saberemos. Às vezes é melhor assim.

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in."Público"
17.03.2019