25 maio 2017

Ouço cantar alguém...

No poema "Negrura" que
Miguel Torga
escreveu em
13 de Outubro de 1938,
em Coimbra.


Miguel Torga
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Negrura
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Neste dia sem luz que me anoitece,
Que me sepulta inteiro,
Até de mim a minha dor se esquece
Para que eu seja um morto verdadeiro.
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Chove tristeza fria no telhado
Do castelo do Sonho; nua, nua
A calçada que subo, já cansado
De tanto andar perdido nesta rua.
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Duma olaia caíu, morta, amarela,
Qualquer coisa que foi princípio e fim;
E bem olhada, bem pensada, é ela
Aquela folha que lutou por mim...
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Sozinho e morto ouço cantar alguém,
Mas é longe de mais a melodia...
E o ouvido que vai nunca mais vem
Trazer-me a luz que falta no meu dia. 

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Miguel Torga
in.Diário - 1ºvol

24 maio 2017

Parabéns!... 24 Maio

A Gabriela faz anos hoje!...
Muitos parabéns e um dia cheio de boas prendas.
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DrªMaria Gabriela Costa

Não passa de uma ficção...

Diário de
Vasco Pulido Valente
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Eles e Nós
Festival Eurovisão da Canção - 2

Vasco Pulido Valente

Só sexta-feira à noite percebi o que se estava a passar. O Presidente Marcelo, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República e a própria Assembleia enlouqueceram com Salvador Sobral. Não há a menor dúvida. E, para quem ainda duvide, basta ligar a televisão. Não me lembro de ver um espectáculo remotamente parecido (a Câmara dos Comuns, por exemplo, a aplaudir de pé Gardiner, Simon Rattle ou os Beatles). O populismo da classe dirigente portuguesa, toda ela, nunca desceu tão baixo. A pressa em roçar-se pela fama de um pobre cantor indefeso e desarmado mostra bem quem é esta gentinha da política, que Portugal inteiro despreza. Por um voto e um pouco de presuntiva simpatia, roubada ao próximo, vende unanimemente a sua dignidade e a dignidade das suas funções. O carácter, para ela, não passa de uma ficção. Agora sabemos quem nos governa.
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in "Observador"
21.05.2017

23 maio 2017

Morreu o actor Roger Moore...

Sir Roger George Moore nasceu em Londres, em 1927 e morreu hoje na Suissa. 
Tinha 89 anos.
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Roger Moore
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Roger Moore iniciou a sua carreira de actor em 1945. Encarnou o papel de "O Santo" numa série televisiva e substituiu Sean Connery no papel de James Bond, por sete vezes, no cinema.
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Deixou o seu nome ligado a muitos filmes, como "César e Cleópatra" (1945), "A última vez que vi Paris" (1954), "Melodia interrompida" (1955), "A maldição da pantera cor de rosa" (1983), "O rapto das sabinas" (1961) e "Fabricante de ilusões" (1968).
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Era, desde 1991, embaixador da UNICEF, tendo sido também condecorado, em 1999, como Cavaleiro do Império Britânico
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Mais uma figura da juventude que desaparece.
RIP

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Dizes – e eu creio – que Deus fez
As almas pares, aos casais.
Há, porém, casais de três
E, às vezes, até de mais.
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Antologia de poetas + ou – da Corda
Quadras à solta
(in. “O Mundo Ri” nº97
em Março de 1960)

22 maio 2017

Portugal está na moda...

Diário de
Vasco Pulido Valente
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Eles e Nós
Festival Eurovisão da Canção
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Vasco Pulido Valente
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… hopes expire of a low dishonest decade… (W. H. Auden)

Quando, no sábado passado, Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão, toda a gente começou a dizer que “nós tínhamos ganho”, que “nós éramos os melhores” e mesmo “os melhores dos melhores”. Nem o Presidente da República, nem o primeiro-ministro escaparam a esta absurda identificação. Pior ainda: indivíduos sem a mais leve autoridade na matéria não se coibiram de explicar publicamente a natureza e qualidades da música de Luísa Sobral que acharam “simples” (não é), “diferente” (de quê?) e com tanto “sentimento” que ia “directa ao coração” (um comentário idiota e nulo). Ora, como se sabe, “nós” como entidade colectiva não contribuímos coisíssima nenhuma para o sucesso de Salvador Sobral e da irmã, e nada nos permite usar esse sucesso como pretexto para uma nova sessão de gabarolice nacionalista, que só a consciência da nossa mediocridade e da nossa miséria justifica e provoca.

Os portugueses precisam de sinais de uma importância e de uma grandeza que a realidade lhes nega. E porque sofrem dia a dia com a realidade qualquer pequena distinção lhes serve para se evadirem dela: a selecção de futebol ganha o campeonato da Europa (nós somos formidáveis); Guterres, que falhou tristemente aqui, é eleito Secretário-Geral da ONU (nós somos superiores); Salvador e Luísa Sobral ficam em primeiro lugar no Festival da Canção (nós somos logicamente incomparáveis). Isto mata. Não quero dizer que não se deva retirar um certo orgulho e um certo consolo de proezas como a de Kiev. O que digo é que o patriotismo português não se manifesta senão por transferência para um ocasional herói ou grupo de heróis. Não se manifesta porque não pode pela satisfação com o sistema de justiça, ou com a estabilidade das finanças do Estado, ou com o crescimento da economia, ou com o exemplar ordenamento das cidades. Sem diminuir o mérito dos nossos heróis, que é deles e não nosso, era bom começar por pedir que nos déssemos a nós próprios o que nos falta e o que merecemos. A expressão Portugal está na moda, que o cavaquismo inventou, é um símbolo do nosso fracasso; a glória reflectida nunc
a ajudou ninguém.
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in "Observador"
21.05.2017

21 maio 2017

Humor antigo...

n. "CanCan" nº6
05 de Julho de 1959
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- Vamos, menina, diga-me um número... O seu número do telefone, por exemplo...

20 maio 2017

Escrito no vento...

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"É fácil trocar as palavras, 
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado, 
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto, 
Difícil é chegar ao coração!..."
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Fernando Pessoa

19 maio 2017

Eles foram professores do Liceu...

Armando Gomes
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Surge pela primeira vez na História do Liceu, no ano lectivo de 1921/22, como professor contratado de Canto Coral.
Tomou posse no dia 8 de Janeiro de 1922

Em 2 de Novembro de 1928, Armando Gomes é nomeado Regente Efectivo.
Nos registos consultados, o seu nome figura ainda no ano lectivo de 1952/53, porquanto foi ele quem tomou posse, por procuração passada em seu nome, pelo novo professor  de Latim e Português,  Firmino de Deus Crespo, na data  de 9 de Abril de 1953.
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Anos mais tarde, em 4 de Janeiro de 1944, ocupa interinamente o cargo de Secretário do Liceu, segundo o auto então lavrado, e volta a surgir uma nomeação idêntica a partir de 10 de Setembro de 1951, o que nos leva a pensar que ele teria ocupado aquele cargo nos anos intermédios.