23 setembro 2017

São quadras, meu bem... São quadras!...

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Cautela, ninguém se gabe
De ter tudo o que lhe apraz
Quem não tem nada é que sabe
a falta que tudo faz.

22 setembro 2017

Hoje há pintura...

Frirderich Overbeck
pintor alemão
1789 - 1869
Neoclássico
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Vittoria Caldoni

21 setembro 2017

E aqui vamos agora...

Miguel Torga escreveu este poema 
em 16 de Maio de 1940. Estava em Coimbra e
deu-lhe o nome de "Nocturno" .
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Miguel Torga
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Nocturno
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Quatro da madrugada.
Vivos,
sob o arco do céu,
eu
e um cão tão magro como eu.
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Sem prévia combinação, sem nada,
tivemos um encontro nesta rua
a esta hora marcada
pelo aceno da lua.
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E aqui vamos agora,
num amor vagabundo
de quem não se conhece e se namora,
a encher os dois sozinhos este mundo.
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Miguel Torga
in."Diário I"

20 setembro 2017

Humor antigo...

in. "O Mundo ri",
de Dezembro/63
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- Se ele te convidar para ires a sua casa ver uma colecção 
de estampas japonesas desconfia: é verdade...

19 setembro 2017

Escrito na pedra...

in."Público"
02.09.2017

"Afirma com energia o disparate que quiseres e acabarás por encontrar quem acredite em ti."
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Vergílio Ferreira
1916 - 1996
escritor

18 setembro 2017

A imbecilidade da praxe...

...e necessidade de quarentena dos seus praticantes.
É o título, comprido, do Espaço Público que
José Pacheco Pereira mantem aos sábados,
no jornal Público.
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José Pacheco Pereira
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JPP começa por colocar em destaque, alguns mimos que foi buscar ao "Manual de Sobrevivência do Caloiro": "O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado"; "não é um ser racional"; "Não goza de qualquer direito." 
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(...)
Há momentos em que se percebe muito bem por que razão este país não anda para a frente e um desses momentos é quando se traz para as ruas o espectáculo da praxe. As universidades, salvo raras e honrosas excepções, não a proíbem dentro das suas instalações, e, quando a escorraçam para os espaços públicos, as autarquias deviam tratá-las como um problema de saúde pública que exige uma forma qualquer de quarentena. Não o fazem. É por isso que não andamos para a frente.

As autarquias permitem que milhares de cidadãos sejam insultados pelo espectáculo da imbecilidade colectiva que se passa nos jardins e nas ruas. Aliás, o que se passa não é diferente do pastoreio das claques de futebol pela polícia de choque, em que um exército excitado e violento ameaça entrar em guerra com o exército do lado. Os espaços públicos pertencem ao público, a todos nós, não podem ser apropriados por actividades violentas e as praxes são um espectáculo de violência da estupidez. E a estupidez até pode matar, mas, mesmo que não mate, magoa a cabeça, o pensamento, a razão, a decência e boa educação. É por isso que não andamos para a frente.

Em muitos sítios não se pode fumar, ter atitudes “indecentes”, provocar os outros passeantes, mas, se forem os meninos e meninas da praxe, está tudo bem.

Mas não está. Se se quer permitir as praxes — o que para mim está bem fora das escolas e das ruas —, ao menos que se proceda com medidas de sanidade pública, como seja atribuir-lhes uns locais vedados, cercados por altos muros, os curros das praças de touros, ou os lotes vazios da selva urbana, os sítios poluídos onde ninguém quer ir, os matadouros abandonados, as fábricas em ruínas, aqueles cenários dos filmes de terror. Aí, se quiserem, podem dedicar-se a rastejar pelo chão, a lamber coisas inomináveis, a fazerem genuflexões “servis” como mandam os manuais da praxe. É por isso que não andamos para a frente.
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Quem tem também muitas responsabilidades são os paizinhos e as mãezinhas dos dois lados da praxe, os que mandam e os seus servos, certamente também porque muitos deles andaram já nessas andanças e pelos vistos gostaram. Claro, quando as coisas correm mal, e já correram muito mal, então protestam, mas já é tarde de mais. Eu sei bem que muitos dos praxados e praxantes já são jovens adultos, sem estarem sujeitos à autoridade paternal, mas presumo que continuam a viver com as mamãs, e à custa dos progenitores, pelo que leverage existe — mas, como tudo neste infeliz país destes dias, não é exercido. Não é exercido pelas autoridades académicas que, quando muito, olham para o lado para não verem o nojo de tão baixa função em tão alta universitas, cheia de dignidade latina e de indignidade humana. É por isso que não andamos para a frente.

Não há nada de bom nas praxes, por muito que haja uma escola de sociólogos e antropólogos que aceitam sempre justificar tudo com o fabuloso argumento dos ritos de passagem e da “integração”. Mas, em bom rigor, o que é que distingue estas exibições de autoridade do segundo ano sobre os caloiros do consentimento social da violência doméstica? E afirmam que estas brincadeiras imbecis ajudam os meninos e meninas a “integrarem-se” nas universidades. Estou mesmo a ver os praxados a correrem para os livros no dia seguinte ao fim das semanas da praxe, já muito “integrados” em todas as virtudes dos altos estudos. É por isso que não andamos para a frente.

Tenho muita honra em ter toda a vida combatido estas imbecilidades socialmente perigosas, algumas vezes de forma, digamos, mais consequente. Não conto desistir e talvez assim assegure um lugar no paraíso e possa ver, da minha branca nuvem, as actividades dos diabos. Porque de uma coisa eu tenho a certeza — para entrar no Inferno há praxes, para “integrar” os malditos no exercício da autoridade diabólica, humilhando-os fazendo-os rebolar na lama sulfurosa do Inferno. Boa praxe!

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No "Público"
em 16.09.2017 

16 setembro 2017

As licenciaturas honoris causa...

Hoje, dia 16 de Setembro
na página de
João Miguel Tavares 
in Público...
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João Miguel Tavares
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Apenas alguns excertos:
"Os doutoramentos honoris causa existem em todo o mundo. As licenciaturas honoris causa só existem em Portugal. Depois de José Sócrates, depois de Armando Vara, depois de Miguel Relvas, eis que chegou a vez de o comandante nacional da Protecção Civil ser apanhado na posse de uma licenciatura de abrir o pacote e juntar água. Rui Esteves já se demitiu, para infelicidade do próprio e felicidade do Governo, que queria correr com ele depois do desastre de Pedrógão.É uma ironia portuguesa: em vez de ter sido demitido pelos erros cometidos a fazer o seu trabalho, demitiu-se por causa dos erros cometidos a fazer a licenciatura de que precisava para trabalhar.
Há duas dimensões diferentes neste problema, ambas lamentáveis. A primeira é a trafulhice académica. Durante muitos anos, o espírito Novas Oportunidades andou à solta pelo país, e tirar uma licenciatura tornou-se mais fácil do que tirar a carta de condução. Desde que o aluno tivesse "conhecimentos", bastava-lhe assistir a duas aulas, pedir três dúzias de equivalências com base na "experiência profissilonal", fazer uma oral distendida com um professor amigo, entregar um par de projectos ", e já estava. O trabalho intelectual era substituido pelo trabalho administrativo. Foi assim que estabelecimentos manhoso andaram a ganhar a vida durante anos a fio, aproveitando a expansão do ensino superior para expandir as fronteiras da cunha, essa grandiosa especialidade nacional.
Só há uma outra especialidade nacional, e não menos grandiosa -- a parolice do canudo e a necessidade de todos sermos doutores, mesmo em áreas em que a experiência no terreno é infinitamente mais importante do que o cálculo integral ou as curvas de titulação.
(...)
Tristemente, a lei portuguesa passou a exigir, no domínio da protecção civil, que as dezenas de comandantes operacionais do país  possuissem uma licenciatura. Notem: não uma licenciatura em Protecção Civil, que garantisse o profissionalismo de uma área fundamental de intervenção do Estado- uma licenciatura qualquer.
Vale a pena citar o primeiro ponto  do Artigo 22 do Decreto-Lei 73/2013 (sucessor de uma le mais antiga, que estabelecia uma transição de dez anos nesta área), àcerca as regras de recrutamento para a Protecção Civil: "O recrutamento do Comandante operacional nacional e do segundo comandante operacional nacional, dos adjuntos operacionais nacionais, dos comandantes operacionais de distritais é feito de entre indivíduos que possuam licenciatura e experiência funcional adequadas ao exercício daquelas funções.
Mesmo com "experiência funcional" , o resultado é óbvio: um licenciado em Estudos Asiáticos com três meses a segurar uma mangueira pode ser comandante da Protecção Civil; um não-licenciado com décadas de experiência não pode.
(...)
O licenciado Rui Esteves--nova ironia-- foi um dos principais responsáveis por esse trabalho. Tal como no totoloto, a culpa merece uma tripla : é de Rui Esteves, é do Politécnico de Castelo Branco, que lhe concedeu a licenciatura; e é também  de um Estado que estimula a falcatrua através de leis insensatas.

Hoje há pintura...

Rembrandt
pintor holandês
1606-1669
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Artemísia
in. Museu do Prado