22 novembro 2017

Não houve nada de novo...

... num "pequeno poema" de 
Sebastião da Gama
a que o autor deu o nome de
Pequeno poema
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Sebastião da Gama

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Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme.
bastava,
toda a ternura que olhava
nos olhos da minha Mãe…
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in. "Poemas de amor"
Serra - Mãe
Junho/1957

21 novembro 2017

Não há professores...

Cada professor é um professor...
... é o título de um artigo de 
João Miguel Tavares
na sua coluna do "Público" denominada
"O respeitinho não é bonito"
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João Miguel Tavares
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Eu sou um produto, para o bem e para o mal, da escola e da universidade públicas. Nunca andei em instituições privadas. Três dos meus quatro filhos frequentam a escola pública, e a mais nova só não frequenta porque ainda tem cinco anos. Há razões financeiras para esta escolha, pois os filhos são muitos, mas há sobretudo razões de princípio: acredito na importância do ensino público; frequentei-o numa época em que era menos exigente do que hoje e não me dei mal; prefiro que os meus filhos cresçam longe das bolhas elitistas (sem desprimor) que são os melhores colégios privados; acho até que certas limitações próprias da escola pública têm vantagens em termos de autonomia e de resiliência (se os pais desempenharem bem o seu papel); e prefiro investir o dinheiro que poupo na mensalidade dos colégios em actividades extracurriculares, ou a viajar com os miúdos para fora do país nas férias do Verão ou da Páscoa, para ganharem mundo
Este primeiro parágrafo serve dois objetivos: demonstrar que sei do que falo quando falo da escola pública, e tentar afastar o preconceito de que quando critico Mário Nogueira, os sindicatos ou certos privilégios da classe estou a atacar cada professor em particular. Deixem-me ser claro quanto a isto, correndo o risco de parecer foleiro: não há mais belo, nem mais nobre trabalho do que o de professor. De nenhuma outra profissão tanta gente algum dia disse “graças a ele, a minha vida mudou” ou “nas suas aulas, descobri a minha vocação”. Tive professores extraordinários, tal como os meus filhos tiveram professores extraordinários. Mas, como é óbvio, também existe o outro lado: tive péssimos professores, tal como os meus filhos já tiveram péssimos professores.
Há décadas que se reconhece a importância de tentar distinguir uns dos outros, para que os extraordinários possam ser devidamente premiados, e os péssimos necessariamente penalizados. Há décadas que esse exercício é um fracasso. Continuamos a alimentar este paradoxo: os professores são a corporação mais poderosa do país, embora poucas profissões estejam tão radicalmente dependentes do carisma individual de quem a exerce. Ser professor é estar sozinho, durante infindáveis minutos, à frente de uma plateia heterogénea e resmungona, que necessita de ser diariamente conquistada. Não existe, nem nunca existiu, essa entidade abstrata chamada “os professores” – existem dezenas de milhares de indivíduos a desempenhar uma função singular e complexa, que de forma alguma podem ser confundidos com um grupo profissional homogéneo, como se fossem mineiros, estivadores ou trabalhadores numa linha de montagem.

Romagens de Saudade...

... do Liceu de Castelo Branco
Em 16 de Junho de 1979
nu último jantar da 7ªRomagem
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Carlos Robalo, Matilde Pinto de Paula e Maria Gil

20 novembro 2017

Alcedo atthis...

...numa homenagem de 
Miguel Torga
feita em 28 Set 1942
em Barril de Alva.
com o título de 
Saudação.
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Miguel Torga
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Saudação
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Não sei se comes peixe, se não comes.
Irmão poeta Guarda-Rios:
Sei que tens céu nas asas e consomes
A força delas a guardar os rios.
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É que os rios são água em mocidade
Que quer correr o mundo e conhecer;
E é preciso guardar-lhe a tenra idade,
Que a não venham beber...
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Ave com penas de quem guarda um sonho
Líquido, fresco, doce:
No meu livro te ponho
E eu no teu rio fosse...
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Miguel Torga

19 novembro 2017

Hoje há pintura...

Francisco de Goya e Lucientes
1746 - 1828
Pintor espanhol
Romantismo.   
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S.Gregório

18 novembro 2017

Escrito na pedra...

In. “Público”
24.05.2015
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“Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo.”
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Federico Garcia Lorca
1898-1936
Poeta e dramaturgo espanhol

17 novembro 2017

Parabéns!... 17 Novembro

A Maria Regina faz anos hoje.
Um beijinho e um chi-coração
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Maria Regina Bidarra Gomes

16 novembro 2017

Humor antigo...

in. "Almanaque"
Dezembro de 1959
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- A minha mulher nunca se atreve
a intimidar-me... eu desmaio!