31 dezembro 2012

Fotografias de Castelo Branco...

... para terminar o ano em beleza. 
Uma fotografia pouco comum com a zona antiga da cidade em primeiro plano.
À esquerda em baixo, a Praça Velha é um ponto de referência...
...Perpendiculares à base, a rua dos Peleteiros, a rua dos Oleiros e a rua d'Ega, três "rectas" que só param na base das muralhas do Castelo.
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NB - a fotografia é da autoria de Duarte Fernandes Pinto e foi publicada no blogue "O Albicastrense"

30 dezembro 2012

Escrito na pedra...

"Se um homem quiser ocupar-se incessantemente de coisas sérias e não se abandonar de vez em quando ao divertimento, fica, sem perceber, louco ou idiota."
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Heródoto
484 aC - 425 aC

A maior fraude...

Corre na net há já algum tempo.

CARTA DE UM ALUNO AO PROFESSOR DE HISTÓRIA
Não há dúvida de que foi lindo mas depois...

*Vale a pena ler tudo, 38 ANOS DEPOIS...*


*Exmo Senhor Professor,
Sou obrigado a escrever-lhe, nesta data, depois de ter escutado, com toda a atenção, a aula de História, que nos deu sobre a Revolução de Abril de 1974.

Li todos os apontamentos que tirei na aula e os textos de apoio que me entregou para me preparar para o teste, que o Senhor Professor irá apresentar-nos, na próxima semana, sobre a Revolução dos Cravos.

Disse o Senhor Professor que a Revolução derrubou a ditadura Salazarista e veio a permitir o final da Guerra Colonial, com a conquista da Liberdade do Povo Português o dos Povos dos territórios que nós dominávamos e que constituíam o nosso Império.

Afirmou ainda que passámos a viver em Democracia e que iniciámos uma nova política de Desenvolvimento, baseada na economia de mercado.

Informou-nos também que a Censura sobre os órgãos de Comunicação Social terminara e que a PIDE/DGS, a Polícia Política do Estado Fascista acabara, dando a possibilidade aos Portugueses de terem liberdade de expressão, opinião e pensamento. Hoje, todos eles podem exprimir as suas opiniões nos jornais, rádio, televisão, cinema e teatro, sem receio de serem presos.

Disse igualmente que Portugal era um país isolado no contexto internacional e que agora fazemos parte da União Europeia e temos grande prestígio no Mundo. Que somos dos poucos países da União a cumprir, na íntegra, os cinco critérios de convergência nominal do Tratado de Maastricht para fazermos parte do pelotão da frente com vista ao Euro.

Li os textos de apoio do Professor Fernando Rosas, onde me informam que os Capitães de Abril são considerados heróis nacionais, como nunca houve antes na nossa história, e que eles são os responsáveis por toda a modernidade do nosso país, pois se não tivesse acontecido a memorável Revolução, estaríamos na cauda da Europa e viveríamos com grande atraso, em relação aos outros países, e num total obscurantismo.

Tinha já tudo bem compreendido e decorado, quando pedi ao meu pai que lesse os apontamentos e os textos para me fazer perguntas sobre a tal Revolução, com vista à minha preparação para o teste, pois eu não assisti ao acontecimento histórico, por não ter ainda nascido, uma vez que, como sabe, tenho apenas dezasseis anos de idade.

Com o pedido que fiz ao meu pai, começaram os meus problemas pois ele ficou horrorizado com o que o Senhor Professor me ensinou e chamou-lhe até mentiroso porque conseguira falsificar a História de Portugal. Ele disse-me que assistira à Revolução dos Cravos dos Capitães de Abril e que vira com «os olhos que a terra há-de comer» o que acontecera e as suas consequências.

Disse-me que os Capitães foram os maiores traidores que a nossa História conhecera, porque entregaram aos comunistas todo o  nosso Império, enganando os Portugueses e os naturais dos territórios,que nos pertenciam por direito histórico. Que a guerra no Ultramar envolvera toda a sua geração e que nela sobressaíra a valentia dum povo em armas, a defender a herança dos nossos maiores.

Que já não existia ditadura Salazarista, porque Salazar já tinha morrido na altura e que vigorava a Primavera Marcelista que, paulatinamente, estava a colocar Portugal na vanguarda da Europa. Que hoje o nosso país, conjuntamente com a Grécia, são os países mais atrasados da Comunidade Europeia.

Que Portugal já desfrutava de muitas liberdades ao tempo do Professor Marcelo Caetano, que caminhávamos para a Democracia sem sobressaltosque os jovens, como eu, tinham empregos assegurados, quando terminavam os estudos, que não se drogavam, que não frequentavam antros de deboche a que chamam discotecas, nem viviam na promiscuidade sexualque hoje lhes embotam os sentidos.

Disse-me também que ele sabia o que era Deus, a Pátria e a Famíliaque eu sou um ignorante nessas matérias. Aliás, eu nem sabia que a minha Pátria era Portugal, pois o Senhor Professor ensinou-me que a minha Pátria era a Europa.

O meu pai disse-me que os governantes de outrora não eram corruptosque após o 25 de Abril nunca se viu tanta corrupção como actualmente.
Também me disse que a criminalidade aumentara assustadoramente em Portugal e que já há verdadeiras máfias a operar, vivendo à custa da miséria dos jovens drogados e da prostituição, resultado do abandono dos filhos de pais divorciados e dum lamentável atraso cultural, em virtude de um Sistema Educativo, que é a nossa maior vergonha, desde há mais vinte anos.

Eu fiquei de boca aberta, quando o meu pai me disse que a Censura continuava na ordem do dia, porque ele manda artigos para alguns jornais e não são publicados, visto que ele diz as verdades, que são escamoteadas ao Povo Português, e isso não interessa a certos orgãos de Comunicação Social ao serviço de interesses obscuros.

O meu pai diz que o nosso país é hoje uma colónia de Bruxelas, que nos dá esmolas para nós conseguirmos sobreviver, pois os tais Capitães de Abril reduziram Portugal a uma «pobreza franciscana» e que o nosso país já não nos pertence e que perdemos a nossa independência.

Perguntei-lhe se ele já ouvira falar de Mário Soares, Almeida Santos, Rosa Coutinho, Melo Antunes, Álvaro Cunhal, Vítor Alves, Vítor Crespo, Lemos Pires, Vasco Lourenço, Vasco Gonçalves, Costa Gomes, Pezarat Correia... Não pude acrescentar mais nomes, que fixara com enorme sacrifício e trabalho de memória, porque o meu pai começou a vomitar só de me ouvir pronunciar estes nomes.

Quando se sentiu melhor, disse-me que nunca mais lhe falasse em tais «sacanas de gajos», mas que decorasse antes os nomes de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Diogo Cão, D. João II, D. Manuel I, Bartolomeu Dias, Afonso de Alburquerque, D. João de Castro, Camões, Norton de Matos, porque os outros não eram dignos de ser Portugueses, mas estes eram as grandes e respeitáveis figuras da nossa História.

Naturalmente que fiquei admirado, porque o Senhor Professor nunca me falara nestas personagens tão importantes e apenas me citara os nomes que constam dos textos do Professor Fernando Rosas.

Senhor Professor, dada a circunstância do meu pai ter visto, ouvido, sentido e lido a Revolução de Abril, estou completamente baralhadocom o que o Senhor me ensinou e com a leitura dos textos de apoio.  Eu julgo que o meu pai é que tem razão e, por isso, no próximo teste, vou seguir os conselhos dele.

Não foi o Senhor Professor que disse que a Revolução nos deu a liberdade de opinião? Certamente terei uma nota negativa, mas o meu pai nunca me mentiu e eu continuo a acreditar nele.

Como ele, também eu vou pôr uma gravata preta no dia 25 de Abril, em sinal de luto pelos milhares de mortos havidos no nosso Impérioprovocados pela Revolução dos Espinhos, perdão, dos Cravos.

O Senhor disse-me que esta Revolução não vertera uma gota de sangueagora vim a saber que militantes negros que serviram o exército português, durante a guerra, que o Senhor chamou colonial, foram abandonados e depois fuzilados pelos comunistas a quem foram entregues as nossas terras.

Desculpe-me, Senhor Professor, mas o meu pai disse-me que o Senhor era cego de um olho, que só sabia ler a História de Portugal com o olho esquerdo. Se o Senhor tivesse os dois olhos não me ensinaria tantas asneiras, mas que o desculpava porque o Senhor era um jovemcertamente só lera o que o Professor Fernando Rosas escrevera.

29 dezembro 2012

Mensagens...


Na sua "coluna" de Opinião, no "Público"
Vasco Pulido Valente 
volta hoje a criticar o primeiro-ministro

Vasco Pulido Valente

… O discurso oficial de Passos Coelho foi uma incomodativa sucessão  de banalidades, com o tropo obrigatório de que vêm aí dias felizes. Como ele, de resto, já garantiu 20 vezes, sem efeito visível. Ir repetir agora, e a despropósito, a mesma conversa, em que ninguém já acredita, não parece de uma pessoa inteligente. Mas pior do que isso, o primeiro-ministro imaginou que chegaria mais perto e mais depressa ao seu querido povo pelo Facebook. E não esteve com meias-medidas: serviu aos portugueses que se deram ao trabalho de o ler, 14 linhas de uma prosa lamecha e repugnante, que trivializa e degrada os problemas do país
Partindo do género “O estadista em família”, Passos Coelho (por um momento reduzido a “Pedro”) julga talvez que esta familiaridade hipócrita e mendaz lhe abrirá o coração dos portugueses.
Não abre: entrar pela casa de uma pessoa, já preocupada com as desgraças que dia a dia se acumulam, para lhes falar do “orgulho dos sacrifícios” e das “decisões difíceis” que ele, coitadinho, está a tomar, excede o tolerável. Como excede o tolerável vir agora lembrar o futuro radioso da familória, que provavelmente se não juntou e, se por acaso se juntou, não perdeu um minuto em começar a guerra verbal, que hoje o primeiro-ministro, mesmo disfarçado de “Pedro”, inevitavelmente provoca. Quer ele queira, quer não queira, não é um cidadão comum e o cargo que transitoriamente ocupa traz consigo o dever  de uma certa dignidade. Em geral, os portugueses não se distinguem por um particular respeito pelos governos. Mas devo observar ao primeiro-ministro Pedro que a raiva e o azedume com que vêem este não se compara com nenhum outro desde 1976. Que ele pense antes de abrir a boca e que se prepare com alguns técnicos competentes, só lhe faria bem.

José Mourinho...


...foi ontem eleito o melhor treinador do Mundo - e também o mais mediático - pela Globe Soccer, durante um seminário de futebol que decorre no Dubai.
Parabéns, Mourinho!...

José Mourinho

O prémio foi entregue por Diego Armando Maradona num evento destinado a conferências sobre futebol e onde marcaram presença várias figuras do futebol mundial.

As "garotas" de Wenzel...

Humor antigo
com o traço de
W e n z e l

- Se aceitar pagar a conta a meias pode vir comer a sobremesa connosco!...

28 dezembro 2012

As "massas" do Plano Marshall...

...num texto da autoria de Luís Soares de Oliveira que, em 1962, era o primeiro-Secretário da Embaixada de Portugal, em Whashington.

Luis Soares de Oliveira

Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.
O embaixador incumbiu-me (ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada) dessa missão.
Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal-entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.
Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo numa altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.
Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Dean Rusk
o Secretário de Estado de John Kennedy
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Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país (Portugal) que respeitava os seus compromissos.
Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar: é nada dever a quem quer que seja".
Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.
Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.
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Estoril, 18 de Abril de 2010 - Luís Soares de Oliveira
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NB - Seria curioso saber-se se o "fugitivo" senhor ex-primeiro-ministro já teria lido este texto... Mas reconheço também que é "burrice" da minha parte tentar estabelecer qualquer tipo de comparação entre o "responsável-mor" do estado miserável a que Portugal chegou actualmente e o primeiro-ministro que então governava em Portugal...

27 dezembro 2012

Um poema... Sebastião da Gama

...de Sebastião da Gama
intitulado "Céu"

Sebastião da Gama


Céu
.
Tenho uma sede imensa,
mas não é de água…
.
Tenho uma sede imensa de beber
os soluços do Sol quando declina,
as carícias azuis do Luar de Agosto,
os tons rosa da Tarde que se fina…
.
É que eu seria poeta, se os bebesse…
Não mais seria o cego de olhos limpos;
esse que viu a água e a não tocou,
pelo estranho pudor da sua boca
que um dia blasfemou.
.
E, se eu pudesse beber
esses longes de mim que vejo e quero,
em espasmos havia de os mudar
e, num desejo nunca satisfeito,
iria possuir-te, ó Mar!
.
Havia de cair, num beijo sobre ti;
despir as minhas vestes de serrano,
tirar de mim aquilo que é humano,
E confundir-me em ti.
.
Gritem depois, embora, que eu morri;
alegre o Mundo o alívio do meu peso;
- que um dia o Sol há-de surgir mais cedo
e o bom menino de olhos azuis,
de quem sou fraco arremedo,
há-de nascer, ó Mar, da nossa noite de Amor!
.
E tu, Menina que eu chamava,
Menina que eu chamava e encontrei
Mas abrasada no Amor divino
- tu hás-de ver então que o Céu que idealizas
É o olhar azul desse menino.
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In “Serra - Mãe
Ed. Ática – 1957

26 dezembro 2012

Parabéns!... 26 de Dezembro

A Zezinha faz anos hoje!...
Um abraço e muitos bjnhos

DrªMaria José Folgado Pereira

25 dezembro 2012

Hoje é dia de Natal...

...Já nasceu o Deus Menino

Tocam os sinos...

24 dezembro 2012

Surpreende...

... Um apontamento sobre o Natal de 2012.
José Vitor Malheiros

(...)
É curioso que não há na ideia de austeridade nada que contrarie o espírito cristão do Natal. Uma verdadeira austeridade rima com frugalidade, só que rima também com honestidade, igualdade e entreajuda, conceitos que escapam aos governantes que temos. Tudo o que se esconde atrás desta mascarada de austeridade que Passos Coelho, Victor Gaspar, Miguel Relvas e Mota Soares representam é desigualdade, favorecimento, empobrecimento, benefícios aos ricos, subserviência perante os fortes, despotismo perante os fracos, hipocrisia, descaramento, desumanidade. O contrário do que gostamos de pensar que é o espírito do Natal. Surpreende que um dos feriados eliminados não tenha sido o Natal, tal é a sanha anti-humanista dos rufias no poder.
.
José Vitor Malheiros
In. “Público24 12 2012

Boas Festas...

Para todos os meus Amigos
Um Natal Feliz e um Bom Ano Novo...
(apesar de tudo...)
O menino está dormindo
Nos braços da Virgem pura...

A cobardia...


Afinal os velhos são mesmo trapos.
Na coluna “Opinião”
De Vasco Pulido Valente
In. Público – 22 12 2012
.
Vasco Pulido Valente
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Tenho 71 anos. Começo por isto para que se saiba de que lado estou na presente polémica sobre a “contribuição extraordinária de solidariedade” que o Governo tenciona impor aos reformados da função pública, com o tradicional propósito de tapar um “buraco” qualquer.
Embora ele não fosse o único responsável do desastre, há muitas razões nesta particular matéria para condenar Pedro Passos Coelho, um primeiro-ministro incoerente, hesitante e com uma grande trapalhada na sua pobre e pequena cabeça. Há, antes de mais nada, uma razão moral: Passos Coelho escolheu a parte mais fraca e indefesa da sociedade para suportar os custos de uma política que iria fatalmente acabar mal, como toda a gente o preveniu. Abusar dos fracos não é com certeza o acto de um homem estimável.
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O primeiro-ministro atacou os mais fracos...
... e isso é cobardia!
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Depois da brutalidade vem a hipocrisia.
Porquê pedir “solidariedade” aos velhos, que mal se mexem, e a mais ninguém
Será que os velhos carregam culpas que os mais novos não carregam? A culpa das desordens de 1960-1970, a culpa do PREC, a culpa da famosa “dissolução da família”, a culpa de uma vida de luxo e de prazer ou máxima culpa de falência do Estado democrático
Ou devem os velhos pagar um tributo adicional aos novos só por serem velhos?
Também a mentira de que a contribuição “extraordinária” agora sugada sem aviso não engana nenhum português maior e vacinado: a contribuição acabará por se tornar “ordinária” e ficará firme até à bancarrota final. 
O dr. Passos Coelho, ou quem manda nele, nem sequer pensou em arranjar uma linguagem menos jesuíta para retirar o conforto e a segurança à maioria dos velhos.
Domingo passado, o autor destas tropelias andou por Penela e pela RTP – Porto a justificar o injustificável. O argumento dele é – acreditem - o de que as “pensões” dos “queixososnão correspondem ao “valor dos descontos que fizeram”. Muito bem: admitamos, por hipótese, que o homem teve um sobressalto lúcido e, por uma vez, disse a verdade. Mas mesmo assim não se lembrou de dois pontos fundamentais. Por um lado, o de que os “fundos de pensões”, sensatamente administrados, são como um grande banco de que se espera um contínuo crescimento do capital e dos rendimentos. Por outro, o de que uma considerável minoria não teve de facto uma “carreira contributiva”, mas porque não existia na altura, nem trabalho, nem um estado social que lhe exigisse e aceitasse um “desconto”.
O dr. Passos Coelho precisava de uma certa dose de juízo. 
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NB - Um foi para Paris e espera ansioso que nos esqueçamos dele... Bem pode tirar o cavalinho da chuva se está à espera disso! O que ficou quer, à força toda, que não nos esqueçamos dele... mas da pior maneira!!...

23 dezembro 2012

Que miséria...

"Feira da Ladra"
a coluna de Constança Cunha e Sá
no " i " - 22.12.2012

Constança Cunha e Sá

Já se sabia que este governo é pródigo nos alvos a abater. De uma forma geral, os portugueses são “piegas” e preguiçosos, sempre a queixar-se de tudo e mais alguma coisa e invariavelmente à cata de feriados e de férias a que não têm obviamente direito. Para o primeiro-ministro e os seus acólitos, vivemos um tempo de ajustamento não só financeiro como principalmente moral. Com eles chegou a altura de um povo perdulário que sempre gastou acima das suas possibilidades” perceber, de uma vez por todas, que não passa de um conjunto de pelintras que tem de se “ajustar” aos novos tempos através do desemprego, da quebra de rendimentos e dos cortes nas prestações sociais. O caminho, dizem-nos, é o empobrecimento para níveis insuportáveis, de forma a compensar a irresponsabilidade lusa das últimas décadas.
Como se compreende, dentro desta lógica, os chamados “direitos adquiridos” são um resquício de outros tempos e a Constituição transformou-se num empecilho que tolhe o “ajustamento” que tanto galvaniza o dr. Passos Coelho. O que interessa a inconstitucionalidade de um Orçamento perante os altos desígnios do governo? Para algumas luminárias, nada: o Estado de direito é uma pura irrelevância, que se deve submeter às erráticas medidas de um primeiro-ministro que mostra diariamente que não tem qualquer plano estratégico para o país. Por paradoxal que isso possa parecer, o governo português, que nutre um especial respeito pelo Tribunal Constitucional alemão, despreza intrinsecamente os juízes nacionais que lhe caíram em sorte. Azar nosso!
Se no ano de 2012 as inconstitucionalidades caíram em cima dos funcionários públicos, percebe-se pelo andar da carruagem que em 2013 o lugar foi tomado pelos contribuintes e pelos reformados – dois grupos de privilegiados que têm a obrigação de dar um contributo maiormesmo que acima das suas possibilidades – aos cofres públicos das Finanças.
No caso dos reformados, o combate ganhou proporções épicas, com um primeiro-ministro, desesperado a tentar justificar a constitucionalidade de uma taxa extraordinária que abrange todos os que recebem mais de 1350 euros de pensão. Misturando alhos com bugalhos, Pedro Passos Coelho atirou-se violentamente a todos os que recebiam pensões milionárias para as quais não tinham contribuído. Esqueceu-se obviamente de referir que os descontos sempre foram estabelecidos pelo Estado e que as pessoas se limitaram a cumprir o que lhes foi unilateralmente imposto. Numa manobra manhosa que visava lançar os novos contra os velhos, o primeiro-ministro, ao juntar tudo no mesmo saco, acabou por reconhecer que um pensionista que receba mais de mil euros por mês é um privilegiado que tem o dever de pagar, além de tudo o resto, uma taxa de solidariedade que lhe diminui o alto rendimento que aufere. A boa notícia para o dr. Passos Coelho é que 90 por cento dos pensionistas não serão atingidos por esta taxa. Porquê? Porque recebem menos de 600 euros por mês. Este, sim, um valor apropriado ao plano de empobrecimento em curso. Que miséria!
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No coments, mr. Passos Coelho...

Há palavras que nos beijam...

... é um Poema de Alexandre O'Neill

Alexandre O'Neill

Há Palavras que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca' 

22 dezembro 2012

As "garotas" de Ward...

Humor antigo
com o traço de
W a r d

- Ouve Fernando, enquanto eu acendo a fogueira, tu podias nadar para o largo, a ver se encontravas terra habitada...

21 dezembro 2012

Escrito no vento...


"Às vezes é bom acreditar na evolução e pensar que o homem ainda não está concluído".
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John M. Henry

20 dezembro 2012

Mulher negra...


...um Poema de Léopold Sédar Senghor
.
MULHER NEGRA
.
Mulher nua, mulher negra.
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração como o golpe certeiro
De uma águia.


Fêmea nua, fêmea escura.

Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
Boca que faz lírica a minha boca
Savana de horizontes puros, savana que freme com
As caricias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
Do vencedor.
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.


Fêmea nua, fêmea negra,

Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
Nos flancos dos príncipes do Mali
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
À noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
À sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
Ante o sol dos teus olhos.


Mulher nua, fêmea negra,

Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
Antes que o zelo do destino te reduza a cinza para
Alimentar as raízes da vida.
.
          (Tradução de Guilherme de Souza Castro)
.
Léopold Sédar Senghor 

político e escritor Senegalês, foi Presidente da República do Senegal entre 1960 e 1980. Foi um ideólogo do conceito de "negritude".
Senghor faleceu em 20 de Dezembro de 2001. Faz hoje 11 anos... 

Parabéns!... 20 de Dezembro

A Célia faz anos hoje!...
Parabéns e um óptimo dia.

Célia Carvalho de Matos

19 dezembro 2012

As capas do "Mundo Ri"...


O mundo ri” nº 87 que saiu em Dezembro de 1958
Tinha na capa um desenho de Vilhena
.
- O que é que pediste ao Pai Natal?

Escrito no vento...

"A gente tem que sonhar senão as coisas não acontecem..."
.
Oscar Niemeyer

18 dezembro 2012

National Gallery Washington...

A Carta
Pierre Bonnard
1867 - 1947.
A Carta

A arte de Bonnard pode ser considerada uma tardia adesão à grande revolução figurativa que teve lugar em França, nos meados do século XIX. As lutas, os conflitos internos e a vitória final do que tinha sido a vanguarda impressionista não são mais do que uma recordação longínqua; em seu lugar encontramos a tranquilidade doméstica e um certo fascínio amável.. Os quadros de Bonnard, na esteira da paixão dos Americanos pelo impressionismo, ocupam lugar de relevo nas suas colecções.É hoje possível afirmar-se que as suas obras mais importantes estão expostas nos Estados Unidos.
.
Cfr.Hereward Lester Cooke
in. "Grandes Museus do Mundo
Ed.Verbo - Setembro/1973

.
Num texto de Catharina Mafraa, de Janeiro de 2008, podemos ler, a respeito desta obra que: "A carta" (1906) é uma das obras mais conhecidas de Pierre Bonnard. 
Nesta tela, o artista representa com simplicidade uma jovem de cabelos castanhos reluzentes, com a cabeça inclinada em sinal de intensa concentração na escrita de uma carta.
Bonnard está menos interessado na personalidade da mulher do que no seu fascínio. Para deleite seu, ele parece tê-la emparedado com a linda orla do encosto carmim, a parede atraentemente matizada, e no lado aberto e livre, a caixa e o envelope. O verde da caixa é a cor mais clara da pintura, dirigindo nosso olhar para cima, rumo aos azuis carregados e vivos do vestido simples e à cabeça da moça, voltada para baixo."
.
Cfr. Noblat
2008 11 27
Brasília

17 dezembro 2012

Ele está a perder o controlo...


…da máquina. Ele, Paulo Macedo!
"Há doentes em circunstâncias absolutamente inaceitáveis"

Paulo Macedo, o ministro da Saúde. 

Foi no Editorial do “i”, no dia 14 de Dezembro, que li o
Artigo de Eduardo Oliveira e Silva, director daquele jornal.
.
Respigo apenas alguns parágrafos:

“Durante um tempo, o ministro da Saúde ainda iludiu falando de mansinho de nacionalização e de mais umas quantas medidas que os portugueses todos, e até os doentes com patologias mais graves, chegaram a aceitar.
Agora não. O ministro deixou de se preocupar e entregou os que padecem de doenças mais pesadas ou crónicas a decisões que às vezes parecem actos de tortura travestidos de racionalidade de gestão. Não são nem caridade nem solidariedade. Mais parecem desprezo por quem sofre.
Quer-se poupar? Então poupe-se mesmo. Poupe-se numa mão cheia de exames inúteis que se manda fazer sempre que um cidadão vai a um hospital sem sintomas graves.
Poupe-se pondo os centros de saúde a funcionar. Poupe-se deixando os Hospitais comprar os medicamentos de que precisam e acabando com macronegócios que saem mais caros e tiram eficácia ao sistema. Há casos de compras directas hospitalares que custam menos 12% que por via da centralização. Sabe-se isso, mas ignora-se. A experiência demonstra já a existência desse erro colossal.
Um senhor etíope que é uma espécie de ministro tutor sobrepôs-se a Macedo para lhe dar uma chazada e dizer que Portugal pode ter um grande sistema de saúde mas tem de o poder pagar
É uma verdade de La Palisse mas é uma repreensão. Mais uma!
(…)
Devíamos portanto gastar mais e gastar melhor, mas isso poupando no supérfluo e não no essencial, que impede que se façam operações, que sejam mudados sistematicamente tratamentos, com sofrimentos que nem em bichos de laboratório se admitem.
Se Paulo Macedo não for capaz, tem (é caso para dizer) um bom remédio. Demitir-se, antes que a ideia de competência, honestidade e integridade que ainda lhe vai estando associada caia por terra de vez. Ainda vai a tempo, mas já não tem muito.

Setubalense - 1965 - Outubro


02 de  Outubro
Direcção Geral de Desportos
O Eng. Manuel José Lacasta Nascimento e Oliveira pediu a exoneração e é substituído pelo Dr.Estêvão Ferreira Moreira, no cargo de delegado da Direcção Geral de Desportos.
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02 de  Outubro
Notícias pessoais
No Hospital de Grândola, teve há dias o seu bom sucesso, a Sr.ª D. Maria Odete Guerreiro Runa, professora oficial. (acabava de nascer a minha futura aluna Guida Runa).
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02 de  Outubro
Notícias pessoais
Terminou no Instituto Industrial de Lisboa, o curso de Agente Técnico e Engenharia, na especialidade de Electricidade e Máquinas, o Sr. José Luís Rodrigues dos Santos. (filho do senhor Zé Azoia).
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09 de  Outubro
Uma oferta para a Casa Museu de Bocage
O Sr. Embaixador António de Séves, ligado a Setúbal por interesses que mais radicaram a viva simpatia que sempre sentiu por esta cidade… ofereceu, com destino à futura Casa Museu Bocage , três preciosos folhetos contendo produções de Elmano.
Epicédio na sentida morte de Illustríssimo e Excelentíssimo Senhor D. Pedro José de Noronha, Marquez de Angeja,  camarista de sua Alteza Real, etc… etc…”  Edição de 1804.
Idylios marítimos recitados na Academia de Bellas Artes de Lisboa, pelo sócio Manuel Maria Barbosa du Bocage” – Edição de 1882, e
A pavorosa illusão”, epistola sem data, mas de edição também antiga.
(Conheci o Sr. Embaixador António de Séves em 1960. Este nosso antigo embaixador no Cairo, foi o meu primeiro e único “senhorio” quando, por aquela altura me instalei em Setúbal, na Avenida Manito)
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09 de  Outubro
Deputado à Assembleia Nacional
Propõem-se como candidatos os Srs. Dr. Francisco Elmano Martins da Cruz Alves, João Mendes da Costa Amaral, Dr. José Guilherme de Mello e Castro e Dr. Rogério Peres Claro.
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16 de  Outubro
Novo Delegado da D.G. Desportos
Foi empossado ontem no lugar de Delegado da Direcção Geral dos Desportos, o Dr. Estêvão Ferreira Moreira. Foi-lhe conferida pelo Dr. Armando Rocha, Director Geral dos Desportos.
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16 de  Outubro
Casamento
No passado sábado, na Igreja de Jesus, realizou-se com assistência de elevado número de convidados e em ambiente de grande distinção, o casamento da Sr.ª D. Helena Maria Carqueijeiro Catalão Espiga… com o Sr. Dr. Carlos Manuel Correia da Maia Malta.
(O Carlos Maia Malta era nosso colega no Liceu onde leccionava as disciplinas de Inglês e Alemão)
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18 de  Outubro
O preço do arroz…
Agulha. . . . . . venda livre
Carolino. . . . .  8$40
Gigante . . . . .  7$30
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20 de  Outubro
Câmara Municipal
Os Serviços Municipalizados montaram mais um posto transformador que ficou situado no Edifício dos Paços do Concelho.
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25 de  Outubro
Prof. Galvão Teles
Foi entregue ao Prof. Galvão Teles a medalha que assinala as Comemorações Bocageanas.
Miguel Bastos, Governador Civil do Distrito de Setúbal, Constantino de Goes, Presidente da Câmara Municipal desta cidade e Rogério Peres Claro, Secretário Geral da Comissão das Comemorações Centenárias de Barbosa du Bocage foram recebidos, na sexta-feira (22 de Outubro), pelo Ministro da Educação Nacional, a quem entregaram aquela medalha.
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27 de  Outubro
Fotografia
Uma Exposição de Fernando Motrena, no clube de Campismo, vai inaugurar-se amanhã.
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27 de  Outubro
Novos Corpos Gerentes da Associação Central de Assistência
Assembleia-Geral
Presidente – Comandante Aguiar Bastos
Secretário – Rogério Perienes
Secretário – Carlos José Pinto
Direcção
Presidente – Dr. Manuel Joaquim Martins de Sousa
Secretário – Maria Fernanda Viena
Tesoureiro – Dr. Joaquim Pereira da Silva Advirta
Vogal – D. Lúcia Gago da Silva
Vogal – José de Melo Saião
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27 de  Outubro
Por distinção foi promovido a major um oficial setubalense.
Por acção de comando que exerceu em Angola, foi promovido por distinção a major de Cavalaria, o Sr. Capitão Ricardo Fernando Ferreira Durão, natural da nossa cidade, filho do Coronel Ricardo Malhou Durão
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30 de  Outubro
Nomeação
O Sr. Manuel Joaquim Baptista de Jesus Guerreiro Ataz foi nomeado Vice-Presidente da Câmara de Palmela. A posse será dentro de dias.
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30 de  Outubro
Orquestra Sinfónica Alemã, no Luisa Todi
Realiza-se no próximo sábado, um concerto, no qual actuará a Orquestra Sinfónica de Bamberg, composta por cento e sessenta executantes, sob a direcção do Maestro Heinz Wallberg.