30 setembro 2009

Ninguém sabe que coisa quere...

Nevoeiro


Fernando Pessoa

Nem Rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer.
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que obra tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!

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in. "Mensagem"
Segunda parte: Mar Portuguez

29 setembro 2009

As minhas turmas... 1ºAno Turma E

1ºAno - Turma E (Complementar nocturno)
em 1985/86
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Fui professor desta turma
em Biologia
Aldina Maria J.Almeida
Ana Paula A.Gomes
Ana Paula J.M.C.Reisinho
António Maria Pouseiro
Carlos Sancho
Fernando M.A.Alface
Fernando Machado
Filomena Conde
Jacinta Maria Marques António
Lassalete D.N.Gonçalves
Luis Antero Barreto Carvalho Torres
Luis José Ferreira Silva Simão
Maria Adelaide Gomes
Maria da Conceição Branco Heleno
Maria de Fátima Garcia Faria
Maria da Piedade Soeiro da Cruz
Octávio da Claudina Piedade
Maria Teresa Prado Raposo
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Foram ainda alunos desta turma:
Manuel José de Freitas Barbeitos
Eulália Maria T.Ribeiro
Maria João Almeida Rodrigues Matinhos

28 setembro 2009

Apontamentos...

...sobre as Eleições,
retirados de um Comentário
assinado por:
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Luís Miguel Queiroz

"A grande noite eleitoral na televisão começou às 19h00. A essa hora a RTP dava uma abstenção entre 36,9 e 41,4 por cento, a SIC dava uma abstenção entre 38 e 43 por cento e a TVI dava Goucha e Júlia Pinheiro…"
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(…)
…o ministro socialista Vieira da Silva que, logo após as primeiras projecções, arriscou que “de acordo com as sondagens apresentadas, estas eleições irão dar ao PS os mandatos que este irá obter”.
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Um jovem da JSD garantiu: “Mesmo que pércamos [sic], iremos ter um bom resultado.”
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NB - Se foi por causa do nervoso... eu desculpo!!...
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Sempre que vejo o nome deste jovem jornalista lembro-me do meu amigo de infância Miguel (Jorge Pignatelli de Athayde) Queiroz. Terão algum parentesco?...

Na "ressaca" das eleições...

Respigos
do Público,
em 28 09 200
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Com o título “Se alguém ganhou ontem, foi Paulo Portas”,


Vasco Pulido Valente escreveu:

O nosso mundo não reconhece a inteligência e o saber; e vive ofuscado com a imagem.”.
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Em “É preciso uma nova cultura de consensos”,

Teresa de Sousa diz-nos que:

“Há coligações possíveis e há coligações impossíveis, que resultam também da forma como os eleitores votaram. O PSD e o BE auto-excluíram-se delas. Os dois vencedores - PS e CDS - podem fazê-la. Nada de intransponível separa os dois partidos. Nem a economia de mercado, nem o Afeganistão. Nenhum deles elegeu o outro como o principal alvo a abater. E nem sequer seria inédita.”
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Francisco Sarsfield Cabral escreve

no seu apontamento intitulado “Empobrecer”:
“E se com maioria absoluta as reformas foram poucas, agora ainda serão menos. Por isso a produtividade manter-se-á a fraquejar e a nossa competitividade diminuirá mais, agravando a crise estrutural e o desemprego. Ou seja, prosseguirá o empobrecimento relativo dos portugueses, iniciado há sete anos. Poderá, até, acelerar-se muito, se Sócrates governar para eleições a um ou dois anos de vista, como é bem possível que aconteça.”
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Teresa Villaverde

E até a cineasta Teresa Villaverde afirma em “Onde se vai encostar Sócrates”:
Eu elegeria como primeira coisa a fazer o debate, a luta imediata contra a corrupção. Importantíssimo, o exemplo do Estado, os gestores das grandes empresas têm que ter as mãos limpas, os dos bancos. Os professores têm que ganhar mais para terem vidas mais dignas, para poderem viajar, comprar livros, para nunca pararem de aprender e poderem transmitir os seus conhecimentos. Sem o entusiasmo das pessoas, não há país que avance. Sem arte e sem cultura os países são tristes e não produzem nada. Sem a solidariedade para com os mais velhos e os mais pobres, somos todos uns canalhas. Um país de canalhas é um país que não vale nada.
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Num artigo intitulado “CDS é a porta para um entendimento maioritário com PS.”
Sofia Rodrigues escreveu:
”"Primeiro, o povo tirou a maioria absoluta a José Sócrates", o que significa que "o país recusou a arrogância e a prepotência de uma maioria absoluta transformado em poder absoluto", afirmou o líder centrista, apontando já o caminho aos socialistas. "O rolo compressor de uma maioria de um só partido não deixa saudades, terá de dar lugar à cultura do compromisso e da negociação", apontou.
(…)
Mas a grande vitória reclamada, e que dominou as atenções durante toda a noite, foi ficar à frente da CDU e do Bloco de Esquerda. Se no primeiro caso, a vantagem ficou clara ao princípio da noite, já no segundo exigiu nervos de aço dos apoiantes e dirigentes, numa disputa muito acesa até ao fim pelo terceiro lugar.

"Ao pôr o CDS à frente da esquerda radical, a opção dos portugueses foi pela moderação", sublinhou Portas
(…)
"Continuaremos a ser a melhor oposição de um governo socialista. Essa oposição firme e responsável tem como único compromisso o nosso programa e de fidelidade ao nosso caderno de encargos", afirmou.
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É Maria José Oliveira quem escreve no seu apontamento a que deu o título:
"Vitória histórica" do Bloco de Esquerda teve uma pedra no sapato chamada CDS-PP”, ao qual foi acrescentado o destaque:
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Os bloquistas festejaram a duplicação de deputados. Mas não puderam reclamar o terceiro lugar. E ficaram estupefactos com o resultado do CDS-PP”:
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(…)
Questionado sobre esta mesma hipótese, o líder bloquista revelou alguma displicência: "Se o PS e o CDS se vão entender é lá com eles. A sua união deu resultados desastrosos e políticas de queijo limiano. Desejo-lhes a melhor sorte. Mas não é a melhor política para o país. A direita nunca foi uma alternativa para o país."
(…)
E logo a seguir passou ao ataque aos populares (algo que, aliás, quase escamoteou durante a campanha eleitoral), culpabilizando o CDS-PP pela "destruição do país" e lembrando que no referendo sobre a IVG os populares "estiveram do outro lado", remando contra "a maioria da população portuguesa".
(…)
Para a concretização desse "diálogo", Louçã estabeleceu desde logo três "prioridades": a "reconstrução do sistema de protecção social que responde aos desempregados a quem Sócrates retirou o subsídio de desemprego"; a reforma das políticas da Educação ("hoje à noite Maria de Lurdes Rodrigues perdeu o lugar", decretou Louçã); e a implantação do imposto sobre as grandes fortunas. Por ora, os bloquistas ficam em suspenso. À espera da réplica dos socialistas.

Setubalense - 1959 - Janeiro

03-01-1959
CMS
Foi provido no lugar de encarregado de viação, dos Serviços de Viação e Obras da C.M.S., o sr.José Fernandes Alves Cândido que exercias as funções de fiel de armazém.

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03-01-1959
Associações Associação dos Comerciantes
Novos Corpos Gerentes:
Assembleia Geral
Presidente : António Henriques de Oliveira
Direcção
Presidente : Manuel José de Goes
Conselho Fiscal
Presidente : José Andrade
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05-01-1959
Notícias Pessoais
Foi promovido a major médico o sr.Dr.José Miguel Sanches.
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07-01-1959
Anúncio
Liceu de Setúbal
Aceita requerimentos para servente do sexo masculino.
Ordenado ilíquido : 1.150,00
O Reitor - José de Mendonça e Costa
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10-01-1959
Notícias Pessoais
O Prof.Dr.Manuel Heleno é o novo Director da Faculdade de Letras
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10-01-1959
Orçamentos municipais
Foram aprovados os orçamentos ordinários, para este ano, da CMS e dos SMS, nos montantes, respectivamente, de 21.409.622,50 e 7.666.874,40 Esc.
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17-01-1959
Notícias Pessoais
O Prof.Dr.Marcelo Caetano é o novo Reitor da Universidade Clássica.
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24-01-1959
Presidência da República
O sr.Presidente da República ofereceu ontem, em Belém, um almoço a uma representaão de alunos das escolas militares e a alguns dos seus dirigentes e professores. Entre os alunos da Escola Naval contava-se o cadete nosso conterrâneo sr.Carlos Eduardo Maldonado Machado, filho do nosso amigo sr.Carlos Fradiano Machado.

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24-01-1959
Óbitos
Realizou-se ontem o funeral da srª.D.Lucinda Botelho Moniz Albino Correia Gonçalves, esposa do sr.Coronel Afonso Correia Gonçalves e mãe do Sr.Carlos Albino Correia Gonçalves.
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26-01-1959
Ateneu Setubalense
Novos Corpos Gerentes
Assembleia Geral
Presidente : Dr.Manuel Mário Tomé Carqueijeiro
Vice-Presidente : João Henrique Neto Gomes
Secretários : José Fernandes Alves Cândido e Alberto Guilherme da Silva Alves
Vice Secretários : José Augusto Santana da Silva e Rui Paixão
Direcção
Presidente : António Ferreira Gonçalves
Vice-Presidente: Hermínio Silva
Tesoureiro : Edmundo Ramos Neto
1ºSecretário : José Carlos Malho Ferreira
2ºSecretário : Carlos Costa
Vogais : Manuel João Pereira e Brás dos Santos Mansinho
Conselho Fiscal
Presidente : Carlos Fradiano Machado
Secretário : Guilherme da Circuncisão
Relator : Renato Maria Fortes
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28-01-1959
Novo Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdencia em Setúbal
Vai ser nomeado delegado do INTP, o sr.Dr.Teixeira Marques.
O Dr.Arsénio Augusto Fernandes Rodrigues titular do cargo em Setúbal, será nomeado Juiz do Trabalho na Covilhã.
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31-01-1959
Foram homenageados os antigos Comandantes da PSP.
Por iniciativa do actual Comandante cap.Sirgado Maia. o primeiro com a designação de Comissário Geral foi o sr. Cor. Augusto de Carvalho, de 22-12-1926 a 31-08-1928 Cap. Clemente José Juncal, de 01-09-1928 a 31-03-1929, Cap. António Inocêncio Moreira de Carvalho, de 01-04-1929 a 21-03-1939, Cor. Alberto Joyce Cardoso dos Santos, 22-03-1939 a 10-08-1942 (falecido) Cap. Eduardo Oliveira Mata, de 15-08-1942 a 12-10-1953, Maj. Manuel Magalhães Mexia, de 01-12-1953 a 30-10-1956.
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31-01-1959
Notícias Pessoais
José Luís Novais é reeleito Presidente da Associação de Andebol.


27 setembro 2009

Rijks Museum Amesterdão

Os Síndicos dos Mercadores de Pano
Rembrandt
1606-1669

Os Síndicos dos Mercadores de Pano

Em 1662, Rembrandt representou os síndicos dos mercadores de pano, que estavam encarregados de vigiar e controlar a qualidade e a cor dos panos reproduzidos pela corporação. Não se pode conceber grupo mais simples: cinco homens reunidos à volta de uma mesa e, ao fundo, um empregado; no topo, o presidente indica, com a mão aberta, um livro. Mas o tom aceso do pano de mesa, as atitudes diversas e específicas ao carácter de cada uma das personagens, a impressionante expressão dos rostos fizeram deste quadro uma das obras-primas de já vasta produção de Rembrandt.
Rembrandt pintou os síndicos dos mercadores de pano sob uma perspectiva que nos dá a impressão de estarem a olhar para nós de um plano superior. Também esta particularidade aumenta o vigor que dimana do grupo. A personalidade das figuras é respeitada, já que Rembrandt soube fixar cada uma delas numa atitude diferente: quer olhando de lado, quer erguendo os olhos e pondo-se de pé.

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Cfr. Marco Valsecchi
In “Grandes Museus do Mundo
Ed.Verbo – Setembro/1973

26 setembro 2009

Romagens...

Numa Romagem de Saudade
em Castelo Branco
03 Junho 1988

Maria Emília Esteves Nunes, Maria Irene dos Reis Bravo, Maria Virgínia Carvalhão, Vanda e Maria Gil Silveira (em primeiro plano)

25 setembro 2009

24 setembro 2009

Sem comentários...

"A Segurança Social levantou um processo de execução fiscal contra uma empresa de Alcobaça por causa de uma dívida de um cêntimo. "
,
in TSF
24.09.2009

Em memória do Dr.Soveral Rodrigues...

O Dr.José Soveral Rodrigues tinha uma memória prodigiosa e junto dele reinava a boa disposição. Havia sempre uma boa "história" brejeira, uma "recordação" qualquer, com interesse, que nos contava como só ele o sabia fazer... Faleceu em 2003, com 98 anos ainda com muita lucidez...

Dr.Soveral Rodrigues

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No Verão de 1996, após um almoço com amigos, veio à memória do Dr.Soveral o nome de um agricultor alentejano seu conhecido, o sr. Artur de Carvalho de quem contou uma "estória" que se havia passado há já muitos anos...

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Artur de Carvalho era um Velho alentejano, engenheiro agrónomo e grande lavrador, natural de Alter do Chão onde, numa capela de sua propriedade, possuia os únicos quadros pequenos da autoria de Leonardo da Vinci, existentes em Portugal.
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Uma tarde, estando numa esplanada de Alter, acompanhado por dois conterrâneos que o ladeavam, por ele passou um Amigo que o cumprimentou:
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- "Então como é que está, senhor Engenheiro?!"
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- "Olha! Hoje estou a fazer uma figura triste!...
.. Pareço um boi... Tenho um corno de cada lado!!...
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Pela memória do Dr. Soveral Rodrigues
num almoço no Restaurante "A Flor do Campo",
em Palmela, no dia 11 de Julho de 1996.

23 setembro 2009

Museu Arronches Junqueiro...

Em 14 de Julho, o Manuel Poirier Braz contactou comigo através de um email curioso e "cheio de História". Logo imaginei uma resposta que teria de ser um pouco longa e, ao mesmo tempo, muito demorada, atendendo à época em que estávamos... a época de exames à qual se seguia a época das férias... Tive de esperar a reabertura da Escola para delinear uma resposta que nos satisfizesse a ambos.
Devo dizer-lhe, meu caro Manuel Braz que as peças de que me fala ainda existem, na sua maioria. O Museu é que já não existe tal como o conhecemos em 1959...
Actualmente, o que dele resta, dá pelo nome de "Museu Bocage" - e "reside" no Laboratório de Ciências Naturais... acomodado como as circunstâncias actuais o permitem.

Manuel Poirier Braz

"Meu Caro Dr. JJMatos

Venho falar-lhe, hoje, de um museu de Setúbal que parece ter desaparecido. Antes disso, porém, permita-me que faça um pouco de História acerca do respectivo fundador:
António Casimiro Arronches Junqueiro (1868-1940) foi um dos espíritos mais brilhantes da sua geração. A sua vida foi um exemplo de dedicação a Setúbal e à sua gente, cuja história, arqueologia, tradições, flora e fauna estudou com verdadeira paixão.
Natural desta cidade era filho único de pais abastados que viviam durante o Inverno numa casa da Rua de S. Sebastião (que hoje tem o seu nome) e no Verão, na Quinta da Laje, à Estrada das Machadas, a caminho do antigo Convento de S. Paulo.
Tendo prescindido de fazer estudos universitários tornou-se um reconhecido e prestigiado naturalista; um etnólogo e arqueólogo aplaudido pelos seus pares; poeta, prosador, dramaturgo, astrónomo amador e artista plástico. Tudo abarcou o seu amplo espírito humanista.
Em 1916 foi nomeado bibliotecário municipal, funções que exerceu até 1938, quando atingiu, aos 70 anos, o limite de idade.
Como zoólogo e entomólogo, Arronches Junqueiro criou o Museu de História Natural, cujas colecções ofereceu, em 1921, ao Liceu de Bocage, nesse ano elevado à categoria de liceu central.
Quando, em 1949, foram inauguradas as actuais instalações do nosso liceu, o acervo do museu foi instalado em 9 "vitrines", cuja altura quase chegava ao tecto, alinhadas no vasto espaço do piso superior, que antecedia o laboratório de física e química.
Os espécimes do museu foram transportadas à mão pelos alunos, do "liceu velho" para o novo, a fim de minimizar os estragos que poderiam ser causados na parte zoológica da colecção pela remoção, por qualquer outro meio.
Em 16 de Fevereiro de 1955 procedi ao inventário da parte zoológica encerrada nas 9 "vitrines", cujo conteúdo resumido, começando de Norte para Sul era o seguinte:
A primeira "vitrine" era ocupada por mamíferos. Ali se encontravam alguma variedades de símios, raposas, coelhos, ratos, ginetas, cotias, gatos, lebres e um texugo.
A segunda era consagrada a quase todas as formas de ninhos de aves e respectivos ovos. Continha ainda belos exemplares de águia, gavião, abutre, doninhas e sacarras.
O conteúdo do terceiro armário era constituído por uma cabeça de carneiro, diversas aves pequenas (pássaros), variedades de corujas e um magnífico falcão.
No interior da quarta "vitrine" existia uma cabeça de veado e grande variedade de pássaros, sobressaindo pela beleza um Oriolus galbula, L. (papa-figos) e o Micedo hispida, L. (pica-peixe); dois corvos e mais algumas corujas.
A quinta continha uma cabeça de javali e vários patos, por classificar; pombos, perdizes, algumas aves aquáticas e um belíssimo papagaio.
O sexto armário era dedicado às aves aquáticas, umas por classificar e outras com os nomes ilegíveis, de entre as quais sobressaía um explêndido Anas moschats, L. (pato de coral), cuja cabeça, de cor avermelhada se assemelha ao coral. Existiam ainda quatro papagaios do mar (Mormon articus, L.).
O sétimo encerrava répteis da ordem dos quelónios (tartarugas) e esqualos pequenos. Continha ainda dois peixes-balão e outros espécimes.
Na oitava "vitrine" distinguia-se um flamingo e outro pernalta.
Finalmente o nono armário era ocupado por um polipeiro e duas "serras" de peixe-serra.
A colecção entomológica, composta de uma infinidade de insectos, alguns de proporções reduzidíssimas, encerradas num armário de madeira, já por esse tempo se encontrava guardada numa sala do rés-do-chão, onde os alunos não permaneciam nem passavam.
Como deixei de residir em Setúbal a partir do ano seguinte, não mais voltei a ver o Museu Arronches Junqueiro. Todavia, anos mais tarde, perguntando por ele a alguns sobrinhos que, entretanto, frequentaram o nosso liceu foi-me dito que o museu já ali se não encontrava.
Uma vez que o meu Prezado Amigo passou a ser professor de Ciências Naturais, no liceu de Setúbal a partir, salvo erro, de 1958, poderá dizer-me que sorte teve aquele museu, tão desvelada e generosamente constituído e oferecido pelo sábio Arronches Junqueiro?
Com os melhores cumprimentos, a amizade e o maior apreço do
Manuel Poirier Braz"
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Este é o texto do e-mail que o antigo aluno do Liceu Nacional de Setúbal, Poirier Braz me enviou em Julho, pp. Estávamos no fim do ano lectivo, uma má época para "consultar" a memória do Museu Arronches Junqueiro. Que pouca gente conhece por este nome, muita embora tenha sido observado por muitos... mas mesmo muitos milhares de alunos que frequentaram o nosso Liceu desde que foi feita a "transferência" aqui descrita pelo Manuel Braz, ocorrida nos primeiros meses de 1949.
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Não quero que se emocione muito... mas deixo-lhe aqui a fotografia da Sala de Ciências Naturais do Liceu Velho que eu já não conheci mas onde, provavelmente, assistiu a muitas aulas de Ciências Naturais.
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Em primeiro plano, à direita, um dos armários transferido em 1949 para o actual edifício e que eu ainda conheci, durante três ou quatro anos, no átrio em frente à Biblioteca do actual edifício do Liceu.

Quando regressei, após o estágio pedagógico no Liceu de Pedro Nunes, em Outubro de 1964, já não encontrei estes expositores onde se guardavam as colecções de Insectos, Aracnídeos e outras peças de menor volume. O Manuel Brás fala em um expositor mas a minha memória levava-me a afirmar que seriam mais dois ou três... Não posso teimar! O que posso é afirmar que nenhum deles resistiu à transferência, havida entretanto, para as novas instalações do Gabinete de Ciências Naturais instalado no rés-do-chão do topo da ala norte, acabado de construir.
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Também nunca mais vi a fotografia que, sobre a porta de entrada da Biblioteca, presidia àquele espaço museológico - a fotografia, a meio corpo, de Arronches Junqueiro! Não sei o que lhe fizeram. Oxalá esteja guardada em qualquer sítio e em boas condições...

As tentativas de transferir as nove "vitrines" mencionadas pelo Manuel Braz redundaram num "apreciável" fracasso... Altas, até ao teto, com amplas superfícies de vidro amparadas por "caixilhos" de madeira muito finos e já "desconjuntados", apenas dois destes "armários" chegaram ao destino, onde se encontram ainda, no átrio exterior do Gabinete de Ciências Naturais... tendo conseguido escapar à "loucura" dos "tempos heróicos" de 74/75... Dos restantes, apenas dois permanecem no local de origem mas já não guardam as peças que tinham no interior... Estão servindo para neles colocarem objectos concernentes a algumas exposições temporárias que a Escola leva a efeito. Creio que algumas destas nove vitrines foram abatidas no mobiliário do Liceu.

Descobri na base do expositor de uma das Aves que existem no Laboratório de Ciências Naturais uma das poucas referências ao Museu Arronches Junqueiro

Liceu Central de Setúbal
Museu Arronches Junqueiro
Etiqueta original

Aspecto actual do Laboratório de Ciências Naturais.
Os "computadores" foram colocados há três meses mas...ainda não trabalham...

É nestas instalações que "residem" desde 1964 as peças constituintes do Museu Arronches Junqueiro, todas elas em "muito boas" condições se considerarmos que, de há 60 anos até hoje, nunca este "espólio científico" foi dotado da mais ínfima verba oficial para a sua manutenção!... Apesar das insistências constantes sobre as várias Reitorias e sobre os vários Conselhos Directivos que se sucederam, nunca houve um "tostão" para limpezas... nem uma verba para adquirir armários ou vitrines... e muito menos para a cedência de uma sala própria onde deveria ser colocado aquele espólio... Nada de nada!...Os cuidados dispensados pelas sucessivas gerações de professores do Grupo e de auxiliares de laboratório contribuiram um pouco para a conservação das peças existentes e expostas actualmente.

Vou tentar dar uma ideia das peças agora existentes servindo-me para isso do texto do "email" de Manuel Poirier Braz quando ele menciona o conteúdo das várias vitrines que ajudou a transportar do velho Liceu para as instalações actuais do Liceu Nacional de Setúbal (agora chamado Escola Secundária de Bocage).
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Na primeira vitrine: Símios e raposas

Símio colocado em cima de armário, entre a janela e o quadro preto.
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Este Símio está colocado simetricamente em relação ao anterior,
também ao "ar livre", em cima do armário do outro lado.

A raposa (Vulpes vulpes)

Na segunda vitrine: Águia, Gavião, Abutre, Doninha

A águia

Grifo - Gyps fulvus


Doninha (Mustela sp.)

Na terceira vitrine: Pássaros, Coruja e Falcão

Pêga (Pica pica melanotus) já muito alterada na cor.

Coruja do mato (Strix aluco)

Falconídeo

Na quarta vitrine: Papa figos, Pica peixe, Corvos e Corujas

Não encontrei o exemplar de Alcedo athis (antigamente denominada por Alcedo hispida). O Pica peixe foi talvez o exemplar mais conhecido pelos alunos do antigo 7ºano... Saía sempre nos exames práticos e era muito fácil de identificar... Com o Alcedo hispida à frente o exame era "canja"...

"Vestido" de preto e com bico amarelo, o Corvus frugilegus também
conhecido por Gralha calva.

Na quinta vitrine: Javali, patos, Aves aquáticas, Papagaio

Cabeça de Javali (Sus scrofa)


Pato mandarim (Aix galariculata)

Pato

Gaivota (Larus genei)

Na sexta vitrine: Pato de coral, Papagaios do mar

Pato de coral (?) com cores muito alteradas

Papagaios do mar (Fratecula artica)

Na sétima vitrine: répteis Quelónios, Peixe balão

Alguns Répteis

Esta carapaça de tartaruga não pertencia à Colecção de Arronches Junqueiro

Na oitava vitrine: Flamingo e outra pernalta

Flamingo (Phoenicopterus ruber)

Garça branca (Egretta alba)

Na nona vitrine: Peixe serra e polipeiros.

Rostro achatado dorsiventralmente de Pristis clavata (Peixe Serra)


Tubarão martelo (Sphyrna)


Polipeiro (este exemplar não pertencia à colecção Arronches Junqueiro)

Polipeiro

A falta de espaço e de acomodações impedem uma melhor disposição dos exemplares existentes no Museu.

Há ainda bastantes outros exemplares como são exemplos

O Lince (Linx linx)

O Dom fafe (Pyrrhula pyrrhula)

O Bico grossudo (Coccothraustes coccothraustes)

Da falta de espaço resulta uma grande mistura...

Algumas Aves num armário atrás da porta do Laboratório...
Quando se abre a porta...ficam escondidas!
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Outro aspecto das superfícies de apoio dos exemplares...
as paredes do Laboratório.
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Numa altura em que os 400 computadores, com que "dotaram" a Escola há uns meses, ainda não funcionam por deficiências no quadro eléctrico próprio que não comporta a carga existente... porque é que se há-de "desbaratar" dinheiro para a manutenção do Museu Arronches Junqueiro que tão poucos sabem que existe apesar de a sua História já ter mais de 100 anos?!...

Meu caro Manuel Braz, actualmente não deve haver ninguém na nossa Escola que saiba quem foi Arronches Junqueiro. Quando muito saberão alguns dos seus elementos que existe na cidade uma rua que tem o seu nome... mas que até nunca deixou de ser conhecida por rua de S.Sebastião...

22 setembro 2009

Uma demissão oportuna...

Num artigo assinado por Andreia Sanches ao qual esta jornalista deu o título:
"Dirigentes da Confederação das Associações de Pais
demitem-se contra a "colagem" às políticas educativas."
podemos ler os seguintes excertos desse texto.
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Por considerar que a independência da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) face ao Governo "pode estar em risco", António Amaral, o vice-presidente do conselho executivo daquela estrutura, apresentou a demissão. E com ele outros quatro dirigentes da estrutura que tem cerca de 1700 associações federadas.
António Amaral, presidente da Federação Regional de Setúbal das Associações de Pais, contesta a forma como o actual presidente da Confap, Albino Almeida, tem manifestado o seu apoio às políticas educativas sem que "estas sejam discutidas internamente".
E continua: "Há muitas medidas do Governo que apoiamos, mas uma coisa é estar de acordo, outra é a forma como expressamos esse apoio".
António Amaral fala de "uma colagem" do presidente da Confap "às políticas do Ministério da Educação". E lamenta: "Devíamos ser mais críticos e assertivos, preservando a nossa independência."
(…)
Albino Almeida recusa comentar…. Claro!...
in."Público"
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NB -
O actual Presidente da Confap parece desconhecer a História…
Provavelmente nunca ouviu falar da Lei nº7/77, de 1 de Fevereiro, cuja aprovação na Assembleia da República, nos tempos difíceis do Prec, resultou do trabalho de Homens como Henrique Penha Coutinho, Nuno Krus Abecassis, José Formosinho e muitos outros cuja assinatura se mantém no original da “Declaração de Princípios” aprovada, em 2 de Setembro de 1975. Esta Lei conferia às Associações de Pais o “direito de dar parecer sobre as linhas gerais da política da educação nacional e juventude e sobre a gestão dos estabelecimentos de ensino.
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Henrique Penha Coutinho

"As Associações de Pais nasceram em Portugal à sombra da liberdade de associação, em 1974. A situação de instabilidade nas escolas, as sucessivas greves de professores e alunos forçaram à intervenção dos pais, que só então acordaram para a necessidade de participar na vida da escola e se tornarem mediadores e também exigentes, quanto à resolução de problema.

As Ap’s nasceram por todo o país. Cedo verificaram que era preciso conjugar esforços: Forma-se a Inter-Pais (1974/75) e, pouco depois, em Abril de 1976, realiza-se o primeiro Encontro Nacional das AP’s em que se aprovou uma Declaração de Princípios.
Um ano depois, em 1 de Fevereiro de 1977, meia centena de Associações de Pais forma o SNAP – Secretariado Nacional das Associações de Pais cujo objectivo é “congregar a nível nacional a actuação das Associações de Pais no exercício do direito e dever que a pais e encarregados de educação assiste de participarem na educação integral dos seus filhos e educandos.”
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Naqueles tempos difíceis, nunca dirigente algum das Ap's se curvou aos interesses de qualquer Governo, Primeiro Ministro ou Ministro da Educação... Por isso nos custa agora deparar com "dirigentes situacionistas" que só sabem dizer "amen", por conta própria... à margem dos seus pares.

Os Serviços de Higiene e limpeza em 1970...

Os Serviços de Limpeza da Câmara Municipal de Setúbal iniciavam a sua "modernização"...

O primeiro "carro-vassoura" e a primeira "viatura mecânica de recolha do lixo" adquiridas pelo município em Agosto de 1970
Foto obtida em 10 Set 1970

21 setembro 2009

Raciocínio lógico...

Recebi hoje um email que aqui transcevo:
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Cada um é livre de pensar como entender.
O humor conta nas nossas vidas.
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Raciocínio muito simples:

1. Deixem que todos os homens que queiram casar com homens, o façam...
2. Deixem que todas as mulheres que queiram casar com mulheres, o façam...
3. Deixem que todos os que queiram abortar, abortem sem limitações...
4. Em duas gerações, deixarão de existir socialistas!
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A semana começou hoje...
Duvido que até ao seu fim possa receber uma mensagem que faça "esquecer" esta!

Eles foram meus alunos...

Em 1960/61

A Maria Manuela Torres Ferreira da Cunha, a Adélia Lopes Mendes (esta não era aluna do Liceu) , a Isabelinha Piteira Pena, a Maria Beatriz Castelo Branco e o António Carlos Cabral Graça (Toy)

Boa disposição em 1961 (?)