30 abril 2012

O centro geodésico de Portugal...

... próximo de Vila de Rei.
A cerca de 2 km da saída de Vila de Rei, encontra-se o Centro Geodésico de Portugal, na Serra da Melriça. No alto desta serra, encontra-se construído um marco com cerca de 20 metros de altura, denominado de "Picoto", marcando assim o Centro a nível de coordenadas geodésicas.


As coordenadas geográficas do marco geodésico que ali se encontra são: 39º 41´ 37,300'' de latitude N ; e 8º 07´ 53,310'' de longitude W.


O marco geodésico ainda com a "cara lavada"...


Já todos conheciam este local. Apenas o Machado Pinto ali esteve pela primeira vez...

. . . . . . . . . . . . Ali mesmo ao lado, o Museu de Geodesia.



No lado oposto existe uma "rosa dos ventos" indicando
locais importantes no horizonte

Estava um pouco de vento... e a chuva ameaçava.

Ficam sempre bem, na fotografia... Ao fundo o "autobus"em que viajámos, a caminho do "cabrito estonado" (que bom estava!!...), em Oleiros. Foi no dia 13 de Abril.

29 abril 2012

As Actas da Câmara... 27 10 1959 1ªparte

Sessão de 27 de Outubro de 1959
…realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores, Doutor Joaquim Arco, Doutor José Caldeira Areias, Eng. António Barroso, Joaquim Rodrigues Simões, Raul Veríssimo de Mira e Afonso Henriques Rocha.
Assistiu à reunião o Primeiro-Oficial da Secretaria.



O átrio da Câmara Municial



Indústria da Celulose
A propósito da pretendida instalação em Setúbal, da indústria da celulose, apresentou o Senhor Presidente a seguinte moção que a Câmara, finda a leitura, aprovou por unanimidade:
Senhores Vereadores
A Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, entidade que, apesar da sua bem recente instituição, se tem já manifestado com acerto e com vigor na defesa dos valores culturais, artísticos e até económicos da região, levantou perante o Excelentíssimo Governador Civil do Distrito, o problema que poderá surgir relativamente aos perigos de conspurcação das águas do Sado, pela instalação de uma fábrica de celuloso na península da Mitrena.
No seu grito de alarme, a Liga julga seriamente ameaçado - caso se verifique a temida poluição, - o futuro do turismo regional, chamando a atenção para a grande importância deste como força económica e para a necessidade de se reagir a uma certa ideia generalizada de que grandes extensões, como estas que cercam Setúbal e são areais ou zonas de fraco aproveitamento actual, podem suportar tudo como se fossem um deserto.
O problema posto foi já agitado no Conselho Municipal, em sessão de 24 de Abril último, através da exposição do digno vogal, Comandante José Manuel de Castro e Sousa Aguiar Basto o qual chamou a atenção justamente para o perigo da poluição das águas e da correspondente inutilização das espécies piscícolas do rio Sado.
Parece também que o assunto começa a chamar (?!) a atenção da opinião pública ou de certos sectores desta, opondo-se contra a instalação da indústria da celulose em Setúbal a consideração de que poderiam dela resultar: (?!)
Primeiro: - A existência de maus cheiros para a cidade,
Segundo: - A destruição de certas espécies piscícolas do rio Sado
Terceiro: - Os inconvenientes surgidos para o turismo, derivados já dos factos anteriores, já de mudança de coloração das águas fluviais, que dão ao Sado o justo epíteto de “rio azul” e que constitui um dos seus grandes motivos de atracção.
Considero plenamente compreensivos e bem avisados os receios expostos pele Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão. De estranhar seria apenas que aqueles – e eu entre eles me conto – que, tendo a si chamado a louvável e prestimosa função da defesa dos interesses da região não procurassem tomar posição e intervir utilmente num aspecto de tão grande importância como é o da localização, em Setúbal, da fábrica de celulose e dos debatidos e melindrosos problemas que dele possam resultar.
Já na reunião do Conselho Municipal a que acima aludo tive a oportunidade de me manifestar no sentido de que, sendo de grande importância e merecendo a maior atenção o aspecto da possibilidade de poluição aquática e dos inconvenientes dela derivados, se deveria equacionar o problema com a maior ponderação, não se perdendo também de vista a importante contribuição que a indústria da celulose daria à solução do aproveitamento da mão de obra regional, pela possibilidade de emprego para cerca de algumas centenas de trabalhadores, finalizando as minhas considerações com a informação de que o assunto estava a ser objecto de atento estudo por uma parte de uma comissão de especialistas nomeada pelo Governo.
Na realidade parece não poder contestar-se que o problema mais instante da cidade e da região setubalense consiste em liquidar no mais curto prazo a persistente situação de sub-emprego que tanto tem afligido a continua a afligir as classes trabalhadoras deste concelho. A palavra de ordem parece ser a de insistir tenazmente, teimosamente, junto do capital regional e nacional, junto das entidades oficiais competentes, junto de tudo e de todos que possam influenciar e contribuir não apenas para que melhorem as condições económicas e de vida das indústrias existentes mas também para que se venham a instalar novas unidades fabris ou quaisquer outras actividades económicas que dêem pleno e remunerador emprego às tão duramente atingidas massas laborativas da cidade e região de Setúbal.
Não há bem estar possível, não há vislumbre de libertação do conhecido “marasma” em que caiu a cidade, sujeita às contingências do peixe e dos mercados de conserva, enquanto perdurar o periódico braço caído e a situação de miséria da maior parte da população mal sustentada pelo baixo teor dos salários que, por razões algumas alheias à vontade dos homens, lhe proporcionam as actividades ligadas ao mar.
Enquanto permanecer o actual estado de coisas no que toca à sua organização e condições de exploração, não pode deixar de reconhecer-se a completa inanição das actividades tradicionais desta cidade e a sua total inoperância para conseguir qualquer progresso económico, por mais modestas que sejam as aspirações do povo; a verdade e a franqueza mandam que se diga e se reconheça por uma vez que no momento actual as únicas actividades de que deriva uma decente remuneração do trabalho são aqui as da Sécil, da Sapec, da União Eléctrica Portuguesa e poucas mais.
E a mesma verdade e franqueza mandam também que se diga não se verificar em Setúbal o factor de fecundo progresso que tanto tem contribuído para o desenvolvimento de outras regiões e cidades do país e a que, à falta de melhor expressão, costumo chamar “bairrismo económico”. Como já uma vez tive ocasião de dizer, as classes possuidoras de capitais, continuam sistematicamente a esquecer-se, salvo honrosas mas raríssimas excepções, da obrigação de aplicarem as suas disponibilidades monetárias em realizações de que resulte imediato benefício para aqueles cujo labor contribuiu para a sua formação e acumulação, e não apenas na comodística aquisição de bens produtores somente de renda, o mais das vezes localizados fora da região.
Como não considerar, então aliciante, a iniciativa do Governo da Nação em localizar aqui uma unidade industrial de grande vulto que, segundo estimativa nada exagerada, poderá constituir fonte de trabalho bem remunerado para centenas de trabalhadores e, portanto, sustentáculo económico de nível satisfatório para grande parte da população citadina?
Cremos ser esta a pedra angular do problema , o primeiro elemento a ponderar na busca da melhor solução: procurar conseguir que este grande factor de desenvolvimento económico em perspectiva ,se possa realizar sem inconvenientes, por forma a dele extrair na sua totalidade todo o seu potencial. Se inconvenientes surgirem, procurar reduzi-los tanto quanto possível de molde a não prejudicarem as actividades existentes com valor económico ou possibilidades de o terem e só rejeitar a iniciativa no caso de reconhecer com segurança ser o benefício económico dela resultante anulado pelas perdas derivadas das suas insuperáveis consequências danosas. Esta é a única opinião sensata.
A celulose pode provocar cheiros, mas os maus cheirosa – remediáveis, embora com dificuldade e grande dispêndio – existem já na cidade, derivados quer da sua localização geográfica que impede nas marés altas o completo escoamento dos esgotos, quer da existência, nos subúrbios, de fábricas de aproveitamento e transformação de detritos de peixe, quer também do tradicional estrume de espalhar sobre as terras de cultura e imundices antes das operações de lavoura, quer ainda das fábricas de conservas quando não haja o cuidado de remover os desperdícios de peixe antes de se iniciar a sua putrefacção. E quanto aos possíveis cheiros da celulose há que atender à circunstância de que só se farão sentir quando o vento soprar do Sudeste o que muito raramente acontece.
A destruição da fauna piscícola só se verificaria caso não existissem meios técnicos de o evitar que as entidades responsáveis, entre as quais a Câmara, não deixarão de exigir. Seria na verdade de lamentar tão indesejável consequência, mas nesta eventualidade haveria ainda que ponderar serenamente, a real importância económica da pesca no Sado. Na sua projecção actual a referida actividade parece não constituir modo de vida definido e autónomo, sendo uma fonte de trabalho intermitente, irregular e de rendimento baixo para os que nela labutam. Quase todos os pescadores do Sado se encontram nos registos das instituições da assistência (verbis gratia) o Instituto de Assistência à Família.
De resto, das actividades tradicionais de Setúbal, a mais importante é sem dúvida a da conserva e essa não vejo em que possa ser atingida pela instalação aqui de uma fábrica de celulose.
Mas há ainda o turismo. O turismo, uma das velhas aspirações de Setúbal, mas que não passa ainda hoje de um sonho que se tornou melancólico à força de tão prolongado. O surto turístico continua envolvido por um espesso nevoeiro e as suas possibilidades e virtualidades a jazerem quase intactas no filão descoberto mas inexplorado. O turismo, é preciso que se diga com franqueza, não depende apenas das instituições, da Comissão Regional, do Secretariado Nacional de Informação, do Governo da Nação. Depende sobretudo da energia, da iniciativa, da audácia e vistas rasgadas, de espíritos empreendedores que se disponham a aplicar os seus dinheiros no aproveitamento do tal filão inexplorado por forma a dele colher um largo benefício para os seus capitais, para a sua terra, para o seu país. Mas apesar da certeza, da evidência do lucro as iniciativas não surgem e os capitais continuam inactivos. E o turismo continua a ser apenas uma consoladora (ou desconsoladora) esperança por quantos anos ainda? Não teria a excelência da paisagem regional sofrido dano com as chaminés, as poeiras e o fuma da Sécil? Sofreu, sem dúvida. Mas apesar disso, quem, consciente, assumiria agora a responsabilidade de, em nome e em defesa do turismo, mandar encerrar ou transferir aquela fábrica para outra região? Não quer isto dizer que se defende ou sequer se concorde com a localização da Sécil ou outras instalações fabris a juzante de Setúbal. Simplesmente se pretende frizar com todo o vigor a projecção fundamental, quer no aspecto económico quer no social, da existência na região de grandes unidades industriais.
Às belezas do Sado e da Arrábida devoto eu também o crisolado amor de Frei Agostinho da Cruz. De aproveitamento de recursos turísticos sou de igual modo ardente defensor. Mas, apesar de tudo, neste problema de possíveis antagonismos entre a virtualidade turística e a localização das fábricas, entre o vegetar faminto na contemplação das coisas belas ou o conseguir viver, embora na vizinhança de chaminés, parece-me de optar pelo segundo termo. O turismo é, em Setúbal, uma coisa ainda tão nebulosa que um velho aforismo me acode irresistivelmente ao pensamento: mais vale um pássaro na mão…
De qualquer modo, porém, há que reconhecer a pouca afronta que ao turismo poderão fazer as fábricas instaladas não em plena zona da Arrábida, como a Sécil, mas a montante de Setúbal, que é o caso da celulose.
Por tudo o exposto, a minha posição, Senhores Vereadores, como Presidente do Município setubalense e como pessoa devotada aos interesses materiais e morais desta cidade a que quero como se fora minha, só pode ser esta: ponderar os inconvenientes da instalação da Celulose sim, mas ponderá-los serena e friamente, rejeitando toda a deformação sentimental e encarando o problema à luz da necessidade que a todos sobreleva: a realização urgente de novas fontes de trabalho.
E nesta conjuntura, como em qualquer outra, há que confiar no exame e no critério do Governo que não deixará de considerar todos os factores em presença e concluir e decidir pela solução que melhor for a bem de Setúbal e da Nação.”
Seguidamente, o Senhor Vice-Presidente disse:


(continua...)







28 abril 2012

Maria Filomena Mónica...

... em entrevista ao i:
"Sócrates foi um delinquente político.
O pior exemplo que foi dado ao país"

Maria Filomena Mónica

Numa grande entrevista, conduzida por Nelson Pereira, podemos entrar no pensamento desta "filha rebelde" que continua a ser igual a si própria...

Deixo aqui apenas alguns destaques, respigados de um texto que é bastante longo:

"Franca, sonhadora, exigente com Portugal. Considera que a Europa e a liberdade foi o melhor que o 25 de Abril nos deu. Uma coisa assusta hoje Filomena Mónica: o regresso da pobreza."

- ...o que é que a incomoda ainda no Portugal que temos?
Horroriza-me a pobreza emergente, voltar a encontrar hoje a indigência nas ruas, famílias a passar fome. Nunca pensei que a pobreza da minha infância ressuscitasse e não sei como reagir. No Jardim da Estrela, um rapaz de uns 40 anos pediu-me esmola. Estava convencida, depois do 25 de Abril, que a situação económica evoluiria sempre para melhor e que o Estado social protegeria os mais fracos. Paguei sempre os impostos, mesmo quando me custava, na convicção de que os membros mais frágeis da sociedade a que pertenço nunca voltariam a cair na pobreza extrema. Quando já nos pensávamos europeus e acreditávamos que as pessoas tinham alcançado o bem-estar, que os velhos tinham assegurado um futuro digno até à morte, eis que regressa aquela pobreza ancestral.

- Como explica que continuemos assim, depois de tantos anos de democracia?

É preciso lembrarmos que o 25 de Abril foi um golpe de Estado, uma insurreição militar. Desde o século XIX até agora, em Portugal, os regimes foram sempre mudados por insurreições militares. Ora, a liberdade conquista-se. E nós nunca a conquistámos, foi sempre alguém que nos deu a liberdade.

(…) e em 1974 foi também uma revolta militar. Facto é que o povo não participou. E, ao não participar, torna-se um espectador alheado. Quando recebemos a liberdade dada e não temos de a conquistar, não a tratamos como nossa.

- Como avaliaria a evolução política nestes 38 anos?
Politica e culturalmente, as coisas não avançaram ao mesmo ritmo. A revolução deixou uma impressão digital má, ao gerar uma lei nefanda que ainda hoje nos obriga a votar, não em pessoas, mas em letras partidárias. E assim o parlamento, que é centro do sistema democrático, não funciona.
Não sei quem são aquelas pessoas no parlamento, não votei nelas. Deixei de votar no PS, porque prometeram fazer a reforma eleitoral e não fizeram. De resto, o PSD também prometeu. E lá vêm aquelas listas cozinhadas pelo secretário-geral, com os nomes dos servos mais obedientes da corte partidária. A parte política foi o que nestes anos mais falhou, pois era possível fazer uma reforma eleitoral, mesmo que se tivesse de mexer na Constituição.

- E do ponto de vista cultural?
Tem sido tudo muito lento. Se falo de Stendhal ou de Balzac, alguns alunos meus, que até são espertos e muito bons alunos, nunca ouviram falar, porque os avós são analfabetos e os pais não têm livros em casa. A evolução cultural leva tempo, é obra de duas ou três gerações. Falhámos a escola pública, que tem um papel fundamental, e isto afecta muito profundamente o país. Os meus filhos andavam numa escola pública, é através da escola pública que as gerações se podem tornar mais cultas, porque infelizmente os pais e avós não lhes podem dar o Verdi, não lhes podem explicar o que é a “Traviata”.

(...) - É na fase actual que estamos finalmente a tornar-nos um outro Portugal?
E ao mesmo tempo estamos numa Europa que avança para uma enormíssima crise. O Estado social não vai poder existir como até agora. As pessoas vão ter de se reformar mais tarde, vão ter reformas menores – eu perdi 30 a 40% do meu vencimento este ano. Não me queixo porque tenho vergonha de me queixar, as outras pessoas estão pior que eu. A verdade é que o Estado falhou o meu contrato, pois tinha garantido que eu descontaria todos os meses durante 40 anos e, como trabalho desde os 19 anos, já me podia ter reformado, mas continuo a trabalhar na universidade. O Serviço Nacional de Saúde não é mau – a minha mãe foi muitas vezes ao Hospital de S. José e foi sempre muito bem tratada.

- E o sistema de ensino?

É péssimo. O sistema de ensino deixou-se contagiar por uma ideologia pseudo--esquerdista que tentou fazer iguais todos os alunos, mas por baixo. A exigência não foi valorizada. Em 1974, a revolução apanhou-me a meio do doutoramento e pedi para ficar cá mais um ano, para poder participar. E estive a dar aulas, mas dois meses depois já não aguentava os alunos. Os estudantes diziam que não queriam notas, que eles é que faziam os curricula e que eu não mandava em ninguém. Respondi: “Óptimo, vou-me embora.” E não é só culpa da esquerda, pois a direita está penetrada das mesmas utopias pseudo-igualitárias.

(…) reflectem este banho cultural que considera que aos alunos, coitadinhos, não se lhes pode dar más notas, pois ficam com auto-estima negativa. Devemos dar aos filhos dos pobres as mesmas oportunidades que aos filhos dos ricos e não baixar os níveis de exigência para que toda a gente passe, como durante anos aconteceu

- Com a crise temos os primeiros sinais de um crescendo de emigração jovem qualificada. O país fica a perder ou a ganhar?

Pode ganhar (...) não houve uma selecção adequada, não houve a apreciação de um júri que percebesse que este ou aquele jovem nunca fará um doutoramento na vida – não por não ser inteligente, mas porque não tem pertinácia. E porque não há vigilância a FCT não pede aquilo que até a Gulbenkian pedia no meu tempo: que um supervisor escreva um relatório de três em três meses que diga se o jovem está a cumprir ou se anda só a passear. Houve um grande desperdício desses meios financeiros. Neste sentido, o país perdeu, pois escusava de ter gasto tanto dinheiro.

(...) - Como avalia o desempenho da oposição?
A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso? A esquerda socialista tem ali este belo exemplar a viver no 16ème, e um sucessor que não inspira ninguém. O PCP vive num mundo antes da queda do Muro de Berlim, e o Bloco de Esquerda habita em Marte.

(...) - E que mais marcou a sua vida, para além de Oxford?
O que mais me moldou foram os livros. Sou muito solitária. Este ano mandei vir centenas de livros. Com a crise, para o ano já não vou poder comprar livros. A válvula de escape foi eu ter lido todo o Tolstoi e todo o Stendhal quando era ainda adolescente. Não tínhamos nada para fazer, em crianças – a minha mãe pegava em nós e punha-nos durante dois meses na aldeia. Como não nos deixava brincar com os meninos dali, só me restava ler. Quando vejo as crianças de hoje sempre ocupadas com jogos, consolas, etc., penso que este tipo de tédio que nós tínhamos faz muita falta às crianças.

(...)Em Oxford, num ambiente muito masculino, onde havia 80 homens e cinco mulheres, nunca senti nenhum assédio sexual, apesar de, como aluna, usar mini-saia.
- E em Portugal?
Com os meus colegas masculinos, percebi que eles iam para a cama com as alunas, e digo: “Vocês não estão bons da cabeça!” Diziam uns aos outros: “Aquela vai à cama?! Se soubesse, tinha-lhe dado melhor nota.” Isto assim, à minha frente! Eu dizia: “Esperem ao menos que elas acabem a licenciatura.” Mas os meus colegas achavam normalíssimo ir para a cama com as alunas. Em Portugal há a promiscuidade do sexo e a promiscuidade do parentesco.

- No seu ensaio “A Morte”, lembra que em Esparta o poder impunha a morte aos velhos e aos fracos. Não lhe parece arriscado colocar nas mãos dos fortes a decisão sobre a vida dos fracos?
Reconheço o risco que daí advém. As pessoas podem desejar a morte para não causarem peso aos familiares. E isso é mau, porque as pessoas têm direito de viver até ao fim dignamente e de serem bem cuidados. Cuidámos dos filhos quando eles eram pequeninos, eles também têm de cuidar de nós na velhice e na doença. Temos de resistir a essa pressão social que sugere que os velhos são supérfluos porque já não são população activa."

No i on line, em 28 de Abril de 2018

Lírio roxo...

...um poema de António Gedeão.

António Gedeão


Lírio roxo
.
Viajei por toda a Terra
desde o norte até ao sul;
em toda a parte do mundo
vi mar verde e céu azul.

Em toda a parte vi flores
romperem do pó do chão,
universais, como as dores
do mundo
que em toda a parte se dão.

Vi sempre estrelas serenas
e as ondas morrendo em espuma.
Todo o Sol um Sol apenas,
e a Lua sempre só uma.

Diferente de quanto existe
só a dor que me reparte.
Enquanto em mim morro triste,
nasço alegre em toda a parte.

António Gedeão
In “Teatro do Mundo” – 1958

27 abril 2012

O castelo de Almourol...

...nunca o tinho visto a partir da margem sul do Tejo. Sucedeu agora, há poucos dias, porque o Zé Flórido resolveu parar, na estrada, ali ao pé, quando regressávamos de um outro "evento" de que falarei mais tarde...
O castelo de Almourol

O Castelo de Almourol, localiza-se na Freguesia de Praia do Ribatejo. Está edificado num afloramento granítico, que forma uma pequena ilha com três centenas de metros de comprimento, no médio curso do Tejo, um pouco abaixo da foz do Zêzere.
Esta ilha já era habitada no tempo da ocupação romana da península, a partir do século VIII. Teria sido ocupada pelos muçulmanos que a terão conquistado aos visigodos.

O castelo constitui um dos exemplos mais representativos da arquitectura militar da época, que nos conduz aos primórdios do reino de Portugal e da Ordem dos Templários.Com a extinção desta Ordem, o castelo passou a integrar o património da Ordem de Cristo

No âmbito da reconquista cristã da Península Ibérica, Almourol foi conquistado por D. Afonso Henriques, em 1129, que o entregou à Ordem do Templo. Esta ordem é responsável pela reconstrução do castelo, conferindo-lhe as características das fortificações templárias.

A inscrição existente sobre o portão principal, aponta para a conclusão das obras em 1171. Com a extinção da Ordem dos Templários, em 1311, D. Dinis entregou o castelo à Ordem de Cristo.


A ideia e a fotogenia do prof.José Flórido ficam aqui muito bem...

... mas todos nós também "ficámos bem no retrato"...

... "por culpa" do Machado Pinto a quem agradecemos o "boneco" anterior.
(não lhes perdoarei, nunca!, foi "terem-me obrigado" de descer aquela enorme escadaria e, principalmente, ter de subi-la depois!!!)

26 abril 2012

Miguel Portas...

A notícia da sua morte surgiu ontem na imprensa...

Miguel Portas
.
"Há quinze dias a crónica não saíu. Não fui capaz de a escrever. Eu tinha sofrido uma grande perda e não quis receber uma avalanche de mensagens. Recebi apenas algumas. Uma delas era do Miguel Portas: "internado em Antuérpia", dizia, desejava-me força naquele momento difícil. Nestas duas semanas, enviei-lhe duas mensagens, desejando-lhe força também, para os tratamentos. "Brigado", respondeu ele, "isto irá".
Hoje a crónica sai, não sei se em condições para ser lida, , peço desculpa por isso. É o 25 de Abril e o Miguel Portas morreu ontem. É duro. Daqui a uma semana será o 1º de Maio. O dia dos anos do Miguel Portas, data que o enchia de vaidade. Isto é mais do que duro. É cruel.
Foi cruel morrer assim o Miguel Portas, tão dolorosamente. Mas ele não se zangou com a vida. Logo o Miguel que tantas vezes na vida se zangou sem razão, não se zangou com a vida, mesmo quando teve toda a razão para isso. Mas ele só podia gostar muito da vida. Tanto que nunca acreditou que ela lhe pudesse fazer esta desfeita. Há mesmo pessoas em que o gostar muito da vida está na raíz de tudo."
.
Este texto foi escrito por Rui Tavares, jornalista e deputado europeu e saíu na sua coluna do "Público", ontem, dia 25 de Abril... Por motivos que são óbvios não o publiquei no dia de ontem.
.
Envio um abraço sentido ao Nuno Portas, meu colega em 1956, nas "aventuras" da RIA (Reuniões Inter Associações), que precederam os acontecimentos de 1962.

25 abril 2012

50 Anos...

Castelo Branco em 25 de Abril de 1962
A Gi faria hoje 50 Anos...

Margarida Maria Macedo Mendes de Matos

Gi

24 abril 2012

O amor é o amor...

...um poema de Alexandre O'Neill


Alexandre O'Neill

O Amor é o Amor

O amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

Alexandre O'Neill,
in 'Abandono Vigiado'

23 abril 2012

Fotografias de Castelo Branco...

O Velho Mercado de Castelo Branco (foto de 1942/43... ?)

...numa foto tirada do varandim do antigo edifício das Finanças.
Vemos muito bem o antigo Mercado e as Casetas situadas logo a seguir às escadinhas ainda ali existentes actualmente. Curiosa ainda a possibilidade de vermos o local onde se erigiu a estátua de Vaz Preto actualmente situada no Largo da Sé

Foto de autor desconhecido.

22 abril 2012

Alcafozes...

Realizou-se, na noite do dia 20 de Abril, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, a apresentação do Livro "Um Sonho Republicano em Terras do Rei Wamba", da autoria de Vasco dos Santos, um beirão de Alcafozes, há muito radicado em São Paulo, no Brasil.

A sala onde decorreu a Sessão...

... e o autor, momentos após a sua chegada ao Salão Nobre

Vasco Santos

Vasco dos Santos nasceu em 1933, em Alcafozes – uma aldeia do Concelho de Idanha-a-Nova revisitada na obra aqui apresentada, como uma recordação dos tempos da implantação da República em Portugal e de alguns outros episódios marcantes nos anos que imediatamente se lhe seguiram.


Postos à disposição dos presentes viam-se alguns exemplares da obra.

Na memória desse tempo, é como se um outro nome do autor se fizesse ouvir nas belas páginas da sua prosa: o Vasco dos Santos “Alentejano” – em homenagem ao seu pai. Não apenas por a recolha de grande parte dos episódios aqui narrados ter sido escutada a partir da viva voz do seu progenitor, mas sobretudo pelo superior exemplo moral retido: de uma dignidade humana incorruptível, que um humilde trabalhador rural soube com coragem afirmar num tempo e num lugar de muitas provações.
Vasco dos Santos cursou Filosofia no seminário em Portalegre e, após ter rumado ao Brasil em finais dos anos 50, aí concluiu a sua formação em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). É autor de uma vastíssima obra literária, em prosa e em verso, na qual ganha uma especial notoriedade a sua condição de cidadão luso-brasileiro, por exemplo, através de sucessivas e muito originais abordagens ao tema da miscigenação. Apenas alguns desses títulos que aqui se destacam: romances – Pé de Boi, Pata de Homem (2002), João Ramalho – O Cristo do Braço Quebrado (1987), Memórias de um Povoador (2003), O Mameluco (2005), O Solitário da Montanha (2005); contos - O Menino e a Rosa (1986), Os Filhos da Rua (1996); poesia – O Silêncio do Mar Salgado (2004), Carmen (2005), O Achamento do Brasil (2006).
Na obra agora dada à estampa, Um Sonho Republicano em Terras do Rei Wamba, são outras as raízes exploradas pelo autor, mais rentes estas à sua infância, e situadas lá pelos longínquos anos da implantação da República em Portugal. O sonho do Velho Republicano Benjamim coloca diante de nós o retrato vivo de um (certo) País em contra-mão com esse tempo (e o seu tempo): nos descaminhos do progresso, da justiça e do esclarecimento.
Nesta narrativa é também a voz impressiva da experiência pessoal do autor que se faz ouvir, e nos sussurra os motivos de uma partida, alguns anos mais tarde, para terras distantes na busca da realização de outros sonhos – que eram já aqueles que, noutros tempos, tinham iluminado o Velho Republicano de Alcafozes, ou os que ainda hoje este Portugal de olhos postos no futuro não desiste de perseguir. (in, Op.cit.)


Quero agradecer ao meu amigo Benjamim, que há muitos anos aqui vive também em Setúbal e é neto do "Velho Republicano Benjamim", que fez chegar até mim a notícia deste evento. Desejo também que o livro agora apresentado tenho o êxito que o seu autor ambiciona.

As Actas da Câmara... 29 09 1959

Sessão de 29 de Setembro de 1959
…realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores, Doutor Joaquim Arco, Doutor José Caldeira Areias e Afonso Henriques Rocha
Não compareceram os vereadores Senhores Engenheiro António Barroso, Engenheiro agrónomo Raul Veríssimo de Mira e Joaquim Rodrigues Simões. cujas faltas foram julgadas justificadas
Assistiu à reunião o Primeiro Oficial da Secretaria (Carlos Gentil)

O átrio da Câmara Municipal


Reparações a efectuar na Escola do Bairro Salgado
Também em conformidade com informações dos Serviços de Viação e Obras, deliberou a Câmara adjudicar a Domingos Marques Dias, a execução dos trabalhos de reparação dos tetos e paredes da escola primária número cinco (Bairro Salgado), pela importância de sete mil seiscentos e cinquenta escudos, por ser essa a mais satisfatória de todas as propostas recebidas para tal efeito.
.
Outros assuntos
Trânsito de carroças na área da cidade.
A Câmara tomou conhecimento de duas petições, uma do proprietário de uma oficina de carros de tracção animal e outra de um proprietário de carroças, ambas no sentido de ser prorrogado até ao fim do ano o prazo para serem equipados com aros de borracha todos os veículos daquela natureza, por não ser possível, quer às oficinas quer aos proprietários dos veículos darem cumprimento à determinação do Município em tão curto prazo.
Atendendo às razões aduzidas nas citadas petições e ainda à circunstância de não se ter procedido até agora ao alcatroamento de qualquer das artérias da cidade, deliberou a Câmara prolongar até trinta e um de Dezembro o prazo para a circulação de carroças ainda não providas de aros de borracha, faculdade que cessará porém em relação aos arruamentos que venham a ser alcatroados até ao fim do ano, e logo que tal facto se verifique. Nesta hipótese entrará em execução imediata o disposto no artigo terceiro da postura sobre o trânsito na cidade, com a consequente punição dos transgressores.
Foi ainda resolvido dar conhecimento desta deliberação ao Comando da Polícia de Segurança Pública e providenciar a sua promulgação nos periódicos locais.
A parte da acta relativa a esta deliberação foi aprovada em minuta, para produzir efeitos imediatos.


(NB – Com uma frequência pouco usual, verifica-se que estas actas são assinadas por vereadores que não estiveram presentes. Esta acta está assinada por todos os vereadores com excepção do vereador de Azeitão, Senhor Joaquim Simões. Esta ocorrência pode dever-se ao facto de as actas só serem assinadas, pelos vereadores, na sessão seguinte e também, provavelmente, à falta de cuidado do Secretário que as redige.)

21 abril 2012

As "garotas" de Iñigo

Humor antigo
com o traço de
Iñigo

- Querido, tu mesmo aconselhaste a que tapasse a garganta!...

20 abril 2012

Pep y Mou: vidas cruzadas...

Na Tv Cuatro - Barcelona
El documental se emite el viernes a las 00:30 h.
Pep y Mou: vidas cruzadas
19/04/2012
El documental que analizará las carreras de dos de los técnicos de mayor éxito del fútbol mundial.



Dos estilos opuestos, dos métodos de trabajo diferenciados aunque prácticamente infalibles y un importante aspecto en común: la consecución del éxito. Pep Guardiola y José Mourinho, dos de los entrenadores más brillantes del fútbol mundial, protagonizarán “Pep y Mou: vidas cruzadas”, documental que Cuatro estrenará mañana viernes (00:30 horas), en plena carrera de los clubes que ambos dirigen, F.C. Barcelona y Real Madrid C.F., por alzarse con el Campeonato Nacional de Liga.
Elaborado por Cuatro en colaboración con Tintachina TV, “Pep y Mou: vidas cruzadas” abordará, con las aportaciones de una amplia selección de testimonios y opiniones de personas y profesionales que han resultado claves en algún momento de sus carreras, las historias personales del actual técnico del F.C. Barcelona y del actual responsable deportivo del Real Madrid C.F., desde que eran unos niños cuya ilusión era triunfar en el mundo del fútbol hasta su consagración como técnicos de primer nivel internacional, realizando una comparativa de sus respectivas trayectorias a través del tiempo.

Entrevista em 26 de Outubro de 2011...

A escasas horas del decisivo enfrentamiento entre ambos clubes, el documental realizará además un análisis en profundidad del intenso “cara a cara” deportivo, mediático y de imagen que ambos mantienen desde que dirigen el apartado deportivo de los clubes que actualmente ocupan los dos puestos de mayor privilegio del fútbol internacional.

... Carol Diaz Tapia dirigiu a entrevista

.Félix Mourinho, padre del técnico portugués, y Joan Laporta, expresidente del Barça, entre los participantes
“Pep y Mou: vidas cruzadas” contará con las aportaciones recopiladas durante varios meses por varios equipos del espacio en Portugal, Madrid y Barcelona de personas que han resultado claves en algún momento de sus carreras y de profesionales (periodistas, directivos y presidentes de clubes, futbolistas, entrenadores, etc.) que han estado o continúan vinculados a ambos.
Así, los espectadores podrán conocer las opiniones de familiares, como Félix Mourinho, padre del entrenador portugués, y de Joan Laporta, expresidente del Barça, que se decidió entre ambos por el entrenador catalán para dirigir la parcela deportiva del club.
Además, también participarán amigos (Fernando Massano Tomé, Toni Valverde); profesores encargados de su educación (João Matos, Manuel Sérgio y Carme Bosch); presidentes y directivos de clubes de fútbol (Joan Laporta, Joan Gaspart, Gabriel Masfurroll y Josep Mª Minguella); entrenadores (Lorenzo Serra Ferrer, Louis Van Gaal, Manuel Fernandes); futbolistas (Carlos Marchena, Miquel Ángel Nadal, Vítor Bahía); representantes de jugadores (Josep Mª Minguella); periodistas deportivos (Joan Vehils, Tomás Guash, Ricard Torquemada, Joan Mª Pou, Tomás Roncero, Paco González y Santi Nolla); publicistas (Lluis Bassat) y expertos en psicología, comunicación e imagen (José Carrascosa, Pep Marí, Aurora Segura, Jaume Vidiella, Julián Gabarre y Carmen Arias).

6ªfeira, às 00:30
...

na Tv Cuatro - Barcelona

Escrito no vento...

Uma pessoa tem alguns amigos menos do que supõe e alguns mais do que conhece”.
.

Hugo von Hofmannsthal

19 abril 2012

António Osório Vaz...

... natural de Viseu, mas é um nome ligado a Castelo Branco, pelo casamento com a Srª. D. Alda de Sousa, nos anos 40.
.
Tão velho como eu, tenho em casa um Livro de Despedida dos Finalistas da Faculdade de Direito de Coimbra, editado em 1935.
Foi oferecido ao meu Pai, com a devida dedicatória, pelo primo Francisco José Romão, no ano da sua licenciatura naquele ano. António Osório Vaz fez parte desse Curso de Direito, juntamente com outros alunos que fizeram uma carreira brilhante.(1)


António Henriques da Silva Osório Vaz

A caricatura de Osório Vaz é acompanhada por uns versos da autoria de José Guilherme de Melo e Castro, que revela um sentido de humor e uma "veia" poética de salientar...
Melo e Castro era natural da Covilhã, mas foi em Setúbal que fez vida política. Exerceu aqui o cargo de Governador Civil (1944-1947) e foi deputado por este Círculo de Setúbal (1949-1969).
.Deixo-vos aqui, os versos que Melo e Castro dedicou ao seu amigo e companheiro Osório Vaz:


. Numa tarde de sol, depois de almoço.
No calmo palitar da digestão,
Júpiter, Pai da vida, bem disposto
Resolveu dar à terra um alegrão
Fabricando conscienciosamente
Este incrível primor de adolescente.

Pegou em barro fácil, bem moreno,
Regou-o bem regado de bom vinho,
Juntou-lhe a salsa santa do talento,
Deitou-lhe sal, a seu contento,
Amassou tudo bem sobre o terreno
E pôs de pé um moço redondinho.
Depois fez-lhe as perninhas a capricho,
Mandou-o dar três pulos p’ra experiência
(Mexeram que nem bilros os membrinhos),
Abriu-lhe uns lábios ternos de cochicho,
Deu-lhe ao vulto assaz proeminência,
Cavou-lhe com cuidado uns olhos fundos
E ficou-se a mirá-lo o Pai dos Mundos!

Onze mil virgens vieram contemplá-lo.
Onze mil virgens vieram estudá-lo.
Uma por uma todas o apalparam,
Uma por uma todas o beijaram.

Depois de o terem visto, o Pai prudente,
Pediu sagaz, conselho àquela gente.
Das onze mil, a virgem mais arguta
Foi a primeira a dar opinião.
- Para perfeito homem, Pai Trovão,
Falta-lhe apenas uma barba hirsuta,
Um pelo grosso, forte, de arranhar!
O Pai pensou, três vezes matutou,
Até que um chimpanzé ali chegou.
Foi-se ao animal, rapa-lhe o cabelo
E cospe no menino aquele pêlo.
Era macio, doce, de veludo
Ficou piloso, áspero, barbudo!
Depois, das onze mil, a mais ardente
Ao Deus falou assim timidamente:
- Se ele cantasse, Pai, que bom seria,
Que donzel ideal, ó que portento,
Nem uma só mulher resistiria
À sua voz de doce encantamento.
Fá-lo cantar, Senhor, dá-lhe garganta,
Que o pêlo, só por si, não é que encanta.
Andava por ali, candidamente
Gozando a Eternidade alegremente
Uma séria senhora que na vida
Se chamara Severa e foi fadista.
O Deus que a solução depressa avista
Vai-lhe à figura e logo de seguida
Arranca-lhe a laringe celerada
E põe-na na criança fabricada.
Ninguém teve mais nada que opinar
Tal o menino estava de encantar.
O Deus então, sorrindo satisfeito,
Despenhou-o no ar com muito jeito
E disse-lhe em tom alto e sublimado:
- Parte, desce em Viseu e canta o fado!

(1)
Ao fim de muitos anos, folheando as páginas de tal livro, dei comigo a "topar" com uma série de nomes bem conhecidos não só aqui em Setúbal mas até a nível do próprio país.
De entre os primeiros destaco:
Ernesto Domingues de Andrade, ilustre advogado setubalense
Juiz Manuel dos Santos Victor que foi durante muito tempo Presidente da Assembleia-Geral da Torralta.

No segundo grupo, destacámos os nomes de:
Antão Santos da Cunha membro da UN que foi Governador Civil de Braga nos últimos tempos do Salazarismo,
António Henriques da Silva Osório Vaz que foi Governado Civil de Lisboa no princípio da década de 60.
Augusto Castelão Oliveira Almeida que foi fundador (?) e Director do “Poney”, um jornal de Coimbra que era vendido na Figueira da Foz, na época de verão, e no qual li pela primeira vez o poema de Augusto Gil “Lacrymae rerum
Francisco José Romão, o primo Chico que foi notário em Gondomar e
José Guilherme Rato de Melo e Castro que foi
um Católico, rotulado de social cristão, falecido prematuramente em 1972; J.G. de Melo e Castro foi, no "consulado" de Marcelo Caetano, presidente da Comissão Executiva da UN e deputado ligado à “ala liberal”. Foi também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Secretário de Estado da Assistência Social, cargo de que se demitiu em 1957.

18 abril 2012

Ontem no Público...

...um artigo assinado pelo prof. Miguel Mota, com o título "A liberdade de expressão"
Foi com este Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia que tive a oportunidade de trabalhar com um microscópio electrónico, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras. Estávamos no ano lectivo de 1974/75.


Prof.Miguel Mota, à dtª,
no Doutoramento "Honoris causae"
pela Universidade de Évora, em 22 Nov 2006
.


A liberdade de expressão

"A liberdade de expressão é uma das condições necessárias na democracia. Mas nem é sinónimo de democracia (alguns julgam que é) nem, na minha opinião, a primeira e principal liberdade. Eu considero a principal liberdade que deve ter um sistema para que seja considerado democracia é a dos cidadãos poderem escolher livremente os seus legisladores e governantes.
Se num sistema político se estabelecem fortes obstáculos a essa liberdade de escolha, de forma a que, com tais obstáculos, os legisladores e governantes saem apenas de uma minoria que conseguiu estabelecer esse sistema, estamos em ditadura. Com liberdade de expressão ou sem liberdade de expressão. Foi um tal sistema que alguns conseguiram estabelecer em Portugal, completamente blindado, de forma que lhes permite a tal liberdade de expressão, que convence os ingénuos – ou aqueles a quem convém o sistema – que pensam que estão em democracia, palavra, aliás, que lhes apregoam constantemente e que eles acreditam ser verdade.
Era isto que tínhamos na anterior ditadura (sem liberdade de expressão) e é algo semelhante que temos agora (com liberdade de expressão).
Um sistema em que os cidadãos não se podem candidatar a deputados e em que toda a “liberdade” que os eleitores têm é a de escolher uma de meia dúzia de “listas” – com ordem fixa! – elaboradas ditatorialmente por outras tantas pessoas, é certamente uma ditadura.
Quando voto, para escolher a “menos pior” das más listas que me dão “licença” de escolher, sinto a mesma frustração de antigamente. Embora nunca tencionasse candidatar-me a deputado, não tolero não ter esse direito, fundamental num sistema democrático.
Por isso eu não compreendo, especialmente todos os que viveram na anterior ditadura até uma idade de terem bom conhecimento (o que exclui os que eram muito jovens à data do 25 de Abril) e se queixavam, como eu me queixava, de não ter eleições livres, agora que também não tem, clamam todos que estamos em democracia.
(…)
Não sou jurista mas, porque sei o que quero para o meu país, já publiquei numa revista universitária, uma proposta de algumas alterações à Constituição. Daí respigo o que proponho para a forma de eleger os nossos deputados, especialmente a alteração dos artigos 149º e 151º:
Artigo 149ª
Alterar para:
Os deputados são eleitos para círculos eleitorais uninominais, constituídos por um conjunto de freguesia adjacentes, somando um total de (40.000 a 50,000) eleitores, por bairros adjacentes, de forma a situarem-se dentro daqueles limites.
Artigo 151ª
1 – Alterar para:
As candidaturas serão apresentadas, nos termos da lei, por um grupo de não menos de X nem mais de Y eleitores do respectivo círculo eleitoral.
Definir os números X e Y. Pode considerar-se como referência a eleição para o cargo de Presidente da República, em que a proporção é de, aproximadamente, um a dois por cada mil eleitores. Para um círculo de 40.000 eleitores, teríamos 40 a 80 proponentes, que parece ser um número aceitável.
2 – Suprimir."


.Atendendo à sua idade, fiquei contente com as palavras que o prof.Miguel Mota aqui nos deixa, como sempre, com o sentido de melhorar as coisas à sua volta...

17 abril 2012

Dádiva...

... um poema de Sebastião da Gama

Sebastião da Gama

Dádiva
.
Coisa nenhuma
foi tão verdadeira
como a tua alma
quando tu ma deste.
.
Deste-ma inteira…
.
Tua mão, que a dava
nem me perguntava
se eu a merecia.
Dava-a e sorria,
como quem recebe.
.
Por que graça rara
ficaste florida
mesmo assim despida
dessa flor tão pura?
.
in. “Cabo da Boa Esperança
Ed. Ática – Outubro de 1959

16 abril 2012

Escrito no vento...

Julgar-se-ia bem mais correctamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa”.
.
Victor Hugo

15 abril 2012

As "garotas" de Julio Vivaz...

Humor antigo
com o traço de
Julio Vivaz

- Para te ajudar, meu amor, a partir de amanhã, sempre que pensarmos comer em casa ovos estrelados, eu não me importo de os fritar...

14 abril 2012

Setubalense - 1964 - Julho

4 de Julho
Escola do Magistério Primário de Setúbal
Acabam de se formar os seguintes novos Professores:
Ana Maria Costa Resende
Carmen Bornay Ribeiro
Maria Celeste Custódio
Maria da Conceição Gomes Pinto
e
Maria Ilete Ruas da Conceição
.
.
4 de Julho
Encerramento da Farmácias
Beneficiando da concessão do INTP, as farmácias desta cidade passarão também a encerrar aos sábados à 13 horas.
.
4 de Julho
Ateneu
Presença de Setúbal nos Jogos Florais do Ateneu
É transcrito o poema "Evocação", de Nathalie
É a menção honrosa da Maria Alice Rodrigues Ferreira.
.
8 de Julho
Novo Desembargador do Tribunal da Relação
Tomou posse na 2ª feira passada (6.Jul.1964), no Tribunal da Relação de Lisboa, o novo Desembargador Manuel dos Santos Vitor.
.
11 de Julho
Academia Luisa Todi
Novos dirigentes da Academia de Música Luisa Todi:
Conselho de Administradores
Presidente - Luis Filipe da Silva Gomes
Vogal - Eng. Artur Manuel Parreira da Gama
Vogal - Arnaldo Teixeira
Conselho Geral
Presidente - Eng.António Barroso
Vogal - Eng.Humberto Santana Ferreira da Cunha
Vogal - Dr.José Cardoso Ferreira
Vogal - Eduardo da Conceição Fernandes
Comissão Revisora de Contas
Presidente - Dr.José Mendes Leonardo (Governo Civil)
Vogal - Dr.José Caldeira Areias (Câmara Municipal de Setúbal)
Vogal - Representante da Fundação Gulbenkian (ainda não indicado)
.
11 de Julho
Notíc.pessoais
Pelo nascimento de mais um filho está em festa o lar do Dr.Domingos Pereira das Neves, casado com a Srª D.Ermelinda da Conceição Figueiredo das Neves
.
18 de Julho
Óbito
Num quarto do Hospital de São Bernardo, faleceu esta madrugada o Sr.Capitão Álvaro Martins de Carvalho, de 58 anos, que foi Comandante da PSP, de Setúbal.
.
22 de Julho
Exposição de Arte
A Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão leva a efeito no próximo dia 30, no Museu de Jesus, uma exposição de quadros do Morgado de Setúbal e de peças antigas de Estanho.
.
29 de Julho
Política
Duarte Silveira Benavente tomou, anteontem, posse do cargo de Presidente da Câmara de Palmela.

13 abril 2012

As Actas da Câmara... 22 09 1959

Sessão de 22 de Setembro de 1959
…realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores Doutor Joaquim Arco, Engenheiro António Barroso e Afonso Henriques Rocha.
Não compareceram os vereadores Senhores, Engenheiro agrónomo Raul Veríssimo de Mira, Doutor José Caldeira Areias e Joaquim Rodrigues Simões. cujas faltas foram julgadas justificadas
Assistiu à reunião o Primeiro Oficial da Secretaria (Carlos Gentil)



O átrio da Cãmara Municipal



Obras Municipais
Arranjo do Parque do Bonfim
A Câmara apreciou as propostas recebidas de várias casas da especialidade consultadas, com vista à instalação de um sistema de rega por aspersão do Parque do Bonfim, tomando igualmente conhecimento de informação sobre o assunto, prestada pelos competentes serviços da Direcção Geral de Urbanização e ainda ao que posteriormente apresentaram os Serviços Técnicos do Município e, ponderadas todas as circunstâncias apontadas nas aludidas informações, deliberou a Câmara, por unanimidade, preferir a proposta apresentada por Engenheiro Sebastião Beltrão, de Lisboa, adjudicando-lhe o fornecimento pela quantia de cento e setenta mil setecentos e oitenta e um escudos. Esta proposta, não sendo a de mais baixo preço, é todavia a que melhor satisfaz sob o aspecto técnico e, embora o custo da instalação inicial seja mais elevado, conclui-se que serão menores as despesas de manutenção e funcionamento, o que a torna mais vantajosa do que as outras propostas consideradas.

12 abril 2012

…se eu te visse pobre e nua…

Um poema de António BottoAntónio Botto
.

Ó Pátria mil vezes Santa.
--Meu Portugal, minha terra,
Onde vivi e onde nasci!
.
Na tua História me perco,
E nela tudo aprendi.

Mesmo que fosses pequena
E eu te visse pobre e nua,
--Ninguém ama a sua Pátria por ser grande,
Mas sim por ser sua!

António Boto
In. “Baionetas da Morte
1936
.
António Botto nasceu em 1897 na Concavada, em Abrantes. Ainda criança foi viver para Lisboa, tendo sido empregado numa livraria. Após várias viagens ao estrangeiro regressou a Portugal, onde viveu até ser expulso do funcionalismo público em 1942. Partiu então para o Brasil onde veio a falecer, atropelado, em 1959.
.
" A obra de António Botto ajusta-se geometricamente a tudo quanto seria de esperar da obra de um esteta. Canta a vida, mas nas mesmas palavras em que a canta, a renega; o que sente nela de belo é o que dela se perde...",

Fernando Pessoa

11 abril 2012

Escrito no vento...

O fogo é a prova do ouro; a adversidade é a dos homens fortes.”
.
Séneca

09 abril 2012

Escrito no vento...

"Quem não sente a ansia de ser mais, não chegará a ser nada."
.
Miguel de Unamuno

Futebol amador...

...em 1962 ou 1963.
Mais uma fotografia de "jovens daquele tempo"...
Tudo gente conhecida que gostava de dar uns pontapés na bola e, às vezes, mas sem querer... nas "canelas" dos adversários. Esses, os "adversários" não cheguei a saber quem eram e nem isso interessa agora.

Interessa sim, saber quem eram estes "cracks" aqui presentes.

Na 1ªfila : o Rui Carmona, o Domingos do Rosário, o João Salgueiro, o Carlos Gomes (da Rosel), o José Rica e o Alberto Alves ("Chefe");

Na 2ªfila: o Jorge Costa, o João Contreiras, o Jorge Mendes, o Júlio Tavares, o António Alves, o Fernando Fernandes e o Luís Câmara Pestana.

NB - o "pelado" onde jogavam situava-se num espaço ocupado agora pelos prédios onde se integra o Cinema Charlot e a Farmácia Nova.

08 abril 2012

Tenha cuidado consigo...

...e não deixe para amanhã!

Quanto mais cedo... mais hipóteses tem de o vencer!...

Fotografias de Setúbal...

A Tróia vista a partir da Serra de São Luís


Foto obtida em 6 de Abril de 2012

07 abril 2012

As "garotas" de Julio Vivaz ...

Humor antigo
com o traço de
Julio Vivaz

- Embora não entenda nada de arte, sei perfeitissimamente aquilo de que gosto...

06 abril 2012

Uma fotografia...

...a Família Bayan no início dos anos 60.


O Carlos Manuel, D.Consuelo de Las Heras, o João Francisco e o Eng,João Augusto do Rego Bayan


Foi o Carlos Las Heras quem fez chegar até mim esta fotografia da família Bayan que faz parte da “memória antiga de Castelo Branco”. Apenas o Carlos Manuel Bayan continua entre nós…
As famílias Bayan e Las Heras estão bem representadas nesta foto que deve ter sido tirada à volta de 1960.
É esta a imagem que eu próprio guardo dos pais do Carlos Bayan e do seu irmão
A D.Consuelo de Las Heras e o Eng.João Augusto de Rego Bayan constituíam um casal proeminente na sociedade civil albicastrense dos anos cinquenta. Os dois filhos, o Carlos e o Janeca, um pouco mais novos que nós, frequentaram o Liceu de Nun’Álvares, em finais dos anos cinquenta.


Carlos Las Heras


A propósito de uma foto que aqui publiquei em 19 de Fevereiro de 2012, recebi um mail do Carlos Las Heras onde ele completa a informação que eu tinha sobre aquela fotografia
“Apresento os meus respeitosos cumprimentos e venho esclarecer sobre a foto do Dr. Palmeiro e do Dr. Almeida Esteves.
Esta foto foi tirada logo após a inauguração do ISA novo, localizado na quinta das águas férreas (naquela altura era assim que se dizia). Não me lembro da data, mas foi tirada por mim. Talvez tenha sido por volta de 1956/1957.
Sobre mim, sou realmente primo do Carlos Bayan e do "Janeca" Bayan.
Insiro uma foto da família Bayan”

Em primeiro plano, o Carlos Manuel Bayan (em Maio de 2011)


E um pouco mais adiante, dizia-me e Carlos Las Heras:
"A minha família, "Las Heras", morava na Rua J. A. Morão, 81 - colado a casa Cachopo.
Meus avós tinham uma loja junto aos armazéns dos Grilos, no largo dos cafés.
Meu pai chamava-se José Ramos de Las Heras, mas era mais conhecido por "PEPE"
Minha Tia Consuelo casou com o Engº Bayan
Minha Tia Angeles, ainda é viva e está no Lar da Santa Casa
Meu Tio Artur, morreu há alguns anos.”
Num dia 5 de Maio, Pepe Las Heras brinda no 5ºaniversário do Manuel Eanes


Posso agora regressar à memória que eu próprio tenho daquela época, relativa aos primeiros anos da década de 50.
Lembro-me que a D.Consuelo tinha um irmão e uma irmã. Do mais velho, do Pepe Las Heras, não me lembro dele naquela época… Bastante mais velho do que nós, teria já saído de Castelo Branco para prosseguir os estudos. O mais novo deles, Artur de Las Heras, estava à frente de um estabelecimento que os pais possuíam, ali quase ao lado dos armazéns da Casa Grilo, mesmo em frente da Zona dos Cafés e onde o víamos diariamente, no seu posto de trabalho ou, então, pelos cafés que por ali abundavam naquela época.
Moravam todos no 1ºandar, por cima da loja.
Morava com ele, e com os pais, a irmã D.Angeles de Las Heras, um pouco mais velha, uma rapariga vistosa que passava muitas das suas tardes à janela olhando o movimento na rua e nas esplanadas do Avis e do Arcádia que lhe ficavam em frente. Estávamos ainda no tempo em que parecia mal as senhoras frequentarem os cafés…
O irmão mais velho, o José Ramos de Las Heras, só o conheci mais tarde… Andou pelo Ultramar durante bastante tempo, mas quando regressou passou a ser uma figura incontornável nas Romagens de Saudade do Liceu de Castelo Branco… Aliás ninguém o conhecia por José Ramos… Sempre foi e há-de perdurar na memória de todos nós como o Pepe de Las Heras. Um dia destes publicarei uma ou outra fotografia do Pai do Carlos Las Heras, na companhia de alguns amigos, quando finalistas do Liceu de Castelo Branco…

05 abril 2012

As Actas da Câmara...

Sessão de 15 de Setembro de 1959
…realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores, Engenheiro António Barroso, Doutor José Caldeira Areias e Joaquim Rodrigues Simões.
Não compareceram os vereadores Senhores Doutor Joaquim Arco, Engenheiro agrónomo Raul Veríssimo de Mira e Afonso Henriques Rocha, cujas faltas foram julgadas justificadas
Assistiu à reunião o Primeiro Oficial, (Carlos Gentil) servindo de Chefe de Secretaria


O átrio da Câmara Municipal de Setúbal

Novo arranjo da Praça de Bocage
Foi apreciado e aprovado o novo projecto com vista ao arranjo da Praça de Bocage, sendo, porém, deliberado suprimir os parques de estacionamento paralelos aos passeios, em benefício do alargamento dos arruamentos.
Esta parte da acta foi aprovada em minuta para produzir efeitos imediatos.

04 abril 2012

As reacções primárias...

... é que são as verdadeiras!!!...
O homem é incapaz de se conter... mostrando assim o que é...

O Dr Mário Soares, um ex- PR...


Os radares da GNR de Leiria apanharam o carro onde seguia Mário Soares, conduzido pelo seu motorista, a 199 km/hora na A8.
O ex-presidente da República viu o seu motorista ficar com a carta de condução apreendida e sujeito a uma multa de 300 euros. Mas, segundo fonte da GNR ao jornal Correio da Manhã, Mário Soares reagiu mal e chegou a afirmar que «o Estado é que vai pagar a multa».
O carro, um Mercedes-Benz S350 4 Matic, é propriedade da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças e seguia no sentido sul-norte quando foi mandado parar numa estação de serviço. Os guardas garantiram ao CM que o histórico socialista foi «bastante mal-educado».
.
In. SOL
Hoje, dia 04 04 2012

Cuidado, senhores guardas da GNR!!...

O "senhor ex-PR" ainda vos manda "fazer a cama" por terem cumprido com as vossas obrigações... Mas também se pode dar o caso de, amanhã, já não se lembrar do que aconteceu hoje...

Escrito no vento...

Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher.”
Coco Chanel

03 abril 2012

Esta fotografia...

...foi obtida no dia 3 de Abril de 1960.
Faz hoje 52 anos...
Era domingo de manhã e estávamos na Praça de Bocage, entre o antigo Café Central, onde tomávamos a bica, e o portico da Igreja de S.Julião, onde "assistíamos ao santo sacrifício"... da saída da missa, sob o "olhar severo mas amigo" do reverendo padre Fernando da Silva Martins que era o professor de Educação Moral e Cívica, no Liceu, além de Vigário de S.Julião Os profs. de Educação Física José Páscoa e Domingos do Rosário, o Carlos Leandro Gomes (o "Carlinhos da Rosel") e o prof."caloiro" jjmatos.

02 abril 2012

Setubalense - 1964 - Junho

1 de Junho
Óbito
Morreu o Sr.Manuel de Deus Almeida Tavares de Carvalho, de 65 anos, natural de Seia, que durante 37 anos ocupou o lugar de gerente da filial de Setúbal, da Caixa Geral de Depósitos.
.
3 de Junho
A diocese de Setúbal
O vereador Sr.Dr.José Caldeira Areias ventilou o assunto da criação da Diocese de Setúbal.
O Presidente do Município informou que o assunto está a ser devidamente tratado pelas autoridades eclesiásticas e que a Câmara tem nele o maior interesse pelo que tudo fará para se conseguir esse grande benefício para a nossa cidade.
.
3 de Junho
Função Pública
Acabou de ser promovido a 1ºOficial do quadro do Ministério das Corporações e colocado como chefe da Secretaria da Delegação de Setúbal do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, o Sr. Eduardo Machado Pinto.
.
6 de Junho
Efemérides
Em 1900 foi inaugurado o Sanatório Marítimo do Outão
.
6 de Junho
Dr. Eduardo Soveral Rodrigues
Fez há dias concurso para interno graduado do Hospital de Santa Maria, tendo obtido o 1ºlugar com elevada classificação, o que lhe dá o direito a especializar-se em cirurgia.
.
6 de Junho
União Futebol Comércio e Indústria
Assembleia Geral
Presidente - Rafael Croner Torres
Direcção
Presidente - Lourenço da Conceição
Concelho Fiscal
Presidente - José Eduardo Martins
.
11 de Junho
Cartaz da Feira de Santiago
Um júri constituído por
Carlos Pinto (Comissão Promotora da Feira)
Dr.Marques da Costa (Junta Distrital)
Arq.José Luís do Nascimento (Câmara Municipal de Setúbal)
Dr.Eduardo Zink (Liceu Nacional de Setúbal) e
Dr.Carlos Antunes (Escola Industrial e Comercial de Setúbal)
atribuiu a melhor classificação ao cartaz modelo do Sr. Manuel Viana, de Lisboa.
.
15 de Junho
Os II Jogos Florais do Ateneu Setubalense
Presidiu à sessão, como representante de Câmara Municipal de Setúbal, o Sr. Manuel Pacheco Calanane Wengorovius, secretariado pelos membros do júri:
Sr. Dr. Manuel Mário Carqueijeiro
D.Maria Clementina Pereira (Ana Cristina)
Jasmim da Silva (Miguel de Castro) e pelo
Presidente do Ateneu, Sr.António Pires.
Foram galardoados com um 2ºlugar, em Poesia Lírica, o Sr.Idalino Cabecinha e com uma Menção Honrosa, também em Poesia Lírica, a Maria Alice Rodrigues Ferreira.
O Sr. Laureano Rocha obteve o 3ºlugar em Poesia obrigada a mote.
.
17 de Junho
Ensino
A instrução primária passa a ser de 6 anos ou classes
.
17 de Junho
Vitória FC
Júlio Tavares abandonou o andebol vitoriano.
.
17 de Junho
Previgal
Acta da escritura de constituição da Sociedade "Previgal" - Estruturas de Betão pré esforçado, Limitada", entre o Eng. Francisco António Abreu e o Dr. António Ferreira da Costa (Abreu c/270.000,00 escudos e Costa c/ 30.000,00 escudos)
.
20 de Junho
Nos Serões Médicos
Concorrência extraordinária para ouvir o Dr.Paulino Pereira falar sobre "Sanidade Marítima no porto de Setúbal".
.
29 de Junho
Academia L Todi
No sábado, dia 27 de Junho de 1964, realizou-se a VII Audição Escolar da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi, para apresentação da Classe de Piano. Intervieram na mesma audição, com pleno agrado da numerosa assistência, os meninos:
Fernando Gonzaga Machado
Maria João Raposo
... e
João Paulo Trindade Reia.
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29 de Junho
Notíc.pessoais
Faz anos amanhã a SrªD. Rogélia Vanda da Silva Ferreira, distinta funcionária da Câmara Municipal de Setúbal.