19 abril 2012

António Osório Vaz...

... natural de Viseu, mas é um nome ligado a Castelo Branco, pelo casamento com a Srª. D. Alda de Sousa, nos anos 40.
.
Tão velho como eu, tenho em casa um Livro de Despedida dos Finalistas da Faculdade de Direito de Coimbra, editado em 1935.
Foi oferecido ao meu Pai, com a devida dedicatória, pelo primo Francisco José Romão, no ano da sua licenciatura naquele ano. António Osório Vaz fez parte desse Curso de Direito, juntamente com outros alunos que fizeram uma carreira brilhante.(1)


António Henriques da Silva Osório Vaz

A caricatura de Osório Vaz é acompanhada por uns versos da autoria de José Guilherme de Melo e Castro, que revela um sentido de humor e uma "veia" poética de salientar...
Melo e Castro era natural da Covilhã, mas foi em Setúbal que fez vida política. Exerceu aqui o cargo de Governador Civil (1944-1947) e foi deputado por este Círculo de Setúbal (1949-1969).
.Deixo-vos aqui, os versos que Melo e Castro dedicou ao seu amigo e companheiro Osório Vaz:


. Numa tarde de sol, depois de almoço.
No calmo palitar da digestão,
Júpiter, Pai da vida, bem disposto
Resolveu dar à terra um alegrão
Fabricando conscienciosamente
Este incrível primor de adolescente.

Pegou em barro fácil, bem moreno,
Regou-o bem regado de bom vinho,
Juntou-lhe a salsa santa do talento,
Deitou-lhe sal, a seu contento,
Amassou tudo bem sobre o terreno
E pôs de pé um moço redondinho.
Depois fez-lhe as perninhas a capricho,
Mandou-o dar três pulos p’ra experiência
(Mexeram que nem bilros os membrinhos),
Abriu-lhe uns lábios ternos de cochicho,
Deu-lhe ao vulto assaz proeminência,
Cavou-lhe com cuidado uns olhos fundos
E ficou-se a mirá-lo o Pai dos Mundos!

Onze mil virgens vieram contemplá-lo.
Onze mil virgens vieram estudá-lo.
Uma por uma todas o apalparam,
Uma por uma todas o beijaram.

Depois de o terem visto, o Pai prudente,
Pediu sagaz, conselho àquela gente.
Das onze mil, a virgem mais arguta
Foi a primeira a dar opinião.
- Para perfeito homem, Pai Trovão,
Falta-lhe apenas uma barba hirsuta,
Um pelo grosso, forte, de arranhar!
O Pai pensou, três vezes matutou,
Até que um chimpanzé ali chegou.
Foi-se ao animal, rapa-lhe o cabelo
E cospe no menino aquele pêlo.
Era macio, doce, de veludo
Ficou piloso, áspero, barbudo!
Depois, das onze mil, a mais ardente
Ao Deus falou assim timidamente:
- Se ele cantasse, Pai, que bom seria,
Que donzel ideal, ó que portento,
Nem uma só mulher resistiria
À sua voz de doce encantamento.
Fá-lo cantar, Senhor, dá-lhe garganta,
Que o pêlo, só por si, não é que encanta.
Andava por ali, candidamente
Gozando a Eternidade alegremente
Uma séria senhora que na vida
Se chamara Severa e foi fadista.
O Deus que a solução depressa avista
Vai-lhe à figura e logo de seguida
Arranca-lhe a laringe celerada
E põe-na na criança fabricada.
Ninguém teve mais nada que opinar
Tal o menino estava de encantar.
O Deus então, sorrindo satisfeito,
Despenhou-o no ar com muito jeito
E disse-lhe em tom alto e sublimado:
- Parte, desce em Viseu e canta o fado!

(1)
Ao fim de muitos anos, folheando as páginas de tal livro, dei comigo a "topar" com uma série de nomes bem conhecidos não só aqui em Setúbal mas até a nível do próprio país.
De entre os primeiros destaco:
Ernesto Domingues de Andrade, ilustre advogado setubalense
Juiz Manuel dos Santos Victor que foi durante muito tempo Presidente da Assembleia-Geral da Torralta.

No segundo grupo, destacámos os nomes de:
Antão Santos da Cunha membro da UN que foi Governador Civil de Braga nos últimos tempos do Salazarismo,
António Henriques da Silva Osório Vaz que foi Governado Civil de Lisboa no princípio da década de 60.
Augusto Castelão Oliveira Almeida que foi fundador (?) e Director do “Poney”, um jornal de Coimbra que era vendido na Figueira da Foz, na época de verão, e no qual li pela primeira vez o poema de Augusto Gil “Lacrymae rerum
Francisco José Romão, o primo Chico que foi notário em Gondomar e
José Guilherme Rato de Melo e Castro que foi
um Católico, rotulado de social cristão, falecido prematuramente em 1972; J.G. de Melo e Castro foi, no "consulado" de Marcelo Caetano, presidente da Comissão Executiva da UN e deputado ligado à “ala liberal”. Foi também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Secretário de Estado da Assistência Social, cargo de que se demitiu em 1957.

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