31 outubro 2006

Meu país de romarias...

Georges! Anda ver meu país de romarias
E procissões!
Olha essas moças, olha estas Marias!
Caramba! Dá-lhes beliscões!
Os corpos delas, vê! São ourivesarias,
Gula e luxúria dos Maneis!
Ter nas orelhas grossas arrecadas,
Nas mãos (com luvas) trinta moedas, em anéis,
Ao pescoço serpentes de cordões,
E sobre os seios, entre cruzes, como espadas,
Além dos seus, mais trinta corações!
Vá! Georges, faze-te Manel! viola ao peito,
Toca a bailar!
Dá-lhes beijos, aperta-as contra o peito,
Que hão-de gostar!
Tira o chapéu, silêncio!
Passa a procissão



António Nobre
In Só – “Lusitânia no Bairro Latino” cap.3





Romaria de Aveiro

No Minho

Em Ílhavo

Senhora do Almurtão - Idanha a Nova

Romaria...

Meu país de Marinheiros...


Georges! Anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!

Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera da maré,

Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-o a toda a força.
Clamam todos à uma: “Agôra! agôra! agôra!”
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar…)
Que vista admirável! Que lindo! Que lindo!
Içam a vela , quando já têm mar:
Dá.lhes o vento, a todas, à porfia.
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia.
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

Senhora Nagonia!

Olha acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia…
Quem me dera ir lá!

António Nobre
In Só – “Lusitânia no Bairro Latino”




Georges! Anda ver...



Galeões na doca da Fontaínhas





Mastros, cordas e calabres...

A toda a vela...

De pequenino se aprende a arte de navegar.

Entre a guerra e a paz...

Um bote de espicha

Um gato marinheiro

30 outubro 2006

Almoço de Fim de Ano - 18 de Junho de 1986

Em 1986, o dia 18 de Junho calhou a uma 4ªfeira. O que era de esperar...
Era quase sempre no último dos três dias das reuniões do 3ºPeríodo que se realizava o último almoço do ano para os Professores da nossa Escola. Só não sei se se tratou de almoço "normal" ou se defrontámos uma bela Sardinhada!
Utilizando um pouco os "poucos neurónios" que nos restam... podemos deduzir o que teríamos tragado nequele longínquo dia, já lá vão mais de 20 anos... Estejam descansadas as minhas ilustres Colegas pois eu só vou mostrar algumas fotografias tiradas nesse dia! Nada de actualizações...
Ora reparem: o dia 18 de Junho é um meio-caminho entre o dia 13, dia de Santo António e o dia 24, o dia de São João...quando a sardinha pinga no pão. Bastava isso para podermos afirmar que teriam sido as sardinhas o nosso manjar do dia.
Mas tive dificuldade em obter a prova de tal facto. Foi difícil, por entre as várias fotografias, descobrir o "cheirinho" da sardinha assada...

Este nosso almoço teve de tudo.

Viram-se fotografias enquanto adivinhávamos o que lá vinha para servir de almoço...

Isabel Cunha, Maria de Jesus Martins, Custódia, Praxedes e Zaida

folheiam um álbum de fotografias

Cantava-se

A Clara, uma boa funcionária que tivemos na Secretaria está aqui a experimentar a garganta.

Falava-se Françês

A Carla Canelas que teria sido uma das promotoras deste almoço... estava aqui neste momento, a falar Françês com o fotógrafo...

As fotografias são um encanto!

O tempo que a Isabel Cunha, a Praxedes e a Maria de Jesus perderam a ver fotos

Falou-se Inglês

A Antonieta Gil agora interrompeu o discurso... e só se ri.

A Carolina Oliveira apareceu com a sua pupila japonesa


De novo a Clara com uma cara bem bonita e sorridente


Cantou-se a valer. Aqui é o coro...

A Carla e o Eugénio ainda não tinham começado a contar anedotas um ao outro...



A Zaia a fumar! O mal é dela...




Aqui ainda se canta... e nada de Sardinhas!

Há vinte anos?!! Não pode ser...


Miho Ishitsubo



A Teresa Loução e a Carla Canelas enquadram as Noções Básicas de Saúde.

Aqui começam a dissipar-se algumas dúvidas... Parece que vejo algumas espinhas num prato...

As anedotas começaram aqui.


Está tudo satisfeito... Se calhar já estão no fim.


A DrªOdete Gomes também esteve presente.



Uma expressão bonita da Miho Ishitsubo.


Ainda o coro improvisado...

O Pedro Pessoa das N.B.Saúde


E, finalmente, uma travessa com sardinhas!!! Estava a ver que não comia...

Só podia ser a Carla a lembrar-se de nós...



28 outubro 2006

A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa - 1956

Na Associação de Estudantes viviam-se momentos algo difíceis neste ano de 1956.

As reuniões, um pouco "clandestinas", nas quais se preparava a próxima constituição da RIA (Reuniões Inter Associações), instituição previamente indesejada e combatida pelas autoridades governamentais, decorriam, por motivos óbvios, alternadamente nas várias Faculdades, Institutos e Escolas Superiores. Chegaram a ter de ser realizadas ao ar livre, em pleno Jardim Botânico, por proibição de "última hora" emanada do Director da Faculdade de Ciências...
A tensão a que estavam sujeitos os dirigentes académicos, não apenas resultante destas situações mas também da sempre complicada "falta de tempo" (?) para estudar, deixava nervosos os dirigentes académicos...Era necessário deitar fora as tensões que acumulavam aos poucos!
As sessões de cinema no Cine-Clube Universitário, no Chiado Terrasse e no Jardim Cinema (vulgo "Vergas"), (nestes dois últimos havia fartos descontos para os sócios das AE's...), os torneios de Ping-Pong que se realizavam com frequência na Sede, as sessões de Música na Juke-box da Associação que sabíamos pôr a funcionar sem gastar um "chavo"... ou mesmo as sessões de música clássica gravada que às sextas-feiras podíamos ouvir na Sala de Matemáticas Gerais, ali logo à entrada do grande corredor quando se sobem as escadinhas da "Avenida das Palmeiras" eram um paliativo...eram um remédio para as nossas tensões diárias.
Também os Bailes realizados pelas várias Associações de Estudantes por altura do Carnaval e no final do ano lectivo tinham a mesma finalidade...Descontrair... Normalmente eram realizados na Casa do Alentejo ou na Cooperativa Militar, instituições situadas, ambas, nas imediações do Coliseu dos Recreios.
A AEFCL tinha instalações próprias na Faculdade que, por essa altura, se situava na rua da Escola Politécnica e era no Salão da sua sede, ali entre o edifício da Faculdade e o Jardim Botânico que decorriam quase todas as suas actividades, incluindo os Bailes.

13 de Fevereiro de 1956 - Segunda-feira de Carnaval
Grupo de Alunos no Baile de Carnaval
Reconhecem-se nesta fotografia, mencionados da esquerda para a direira, em varrimento, a Ana Maria Garcia da Fonseca Perloiro (Fac.Ciências), a Maria Margarida Rebelo Vaz Batista (Esc.Farmácia), a Maria de Jesus (Esc.Farmácia), a Maria Edith Pedro Marçal (a Matiti da Esc.Farmácia), a Maria da Graça Martinho Candeias, o Fernando Alves Martins (Fac.Ciências), a Maria José Folgado Pereira (Esc.Farmácia), o jjmatos (Fac.Ciências), o Crespo Joaquim (Fac.Ciências), a Maria de Lurdes Macedo (Esc.Farmácia), o José Barbeito (Fac.Ciências), a Maria Helena Pinto Pereira (Esc.Farmácia) e o Henrique Silva (Esc.Farmácia)

Baile na Associação de Estudantes da FCL


Os "dançarinos"... por entre os quais se percebe a Ana Maria Perloiro e o jjmatos.

Direcção da AEFCL, em 1956.

Nesta fotografia está reunida a maioria dos elementos da Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa, no ano lectivo de 1955-56.

Reconhecemos todos eles. A partir da esquerda, o madeirense José Barbeito, nado e criado na rua da Carreira no Funchal (Oh! Barbeito... isto é que é memória!), o Quaresma da secção de Xadrês, o Vice-Presidente jjmatos, o Crespo Joaquim, a Francisca Mendes do Carmo Dionízio (a Chiquinha), o alentejano Luis Moura, o Presidente Fernando António Pinto Alves Martins e a "eminência parda" do PCP na Faculdade de Ciências, o impecável e eficiente Alfredo Noales Rodrigues de quem nunca mais ouvi falar... nem sequer nas últimas décadas da "era moderna"...

Março de 1956, no Jardim Botânico depois de um almoço no Refeitório da AE que o senhor Candera explorava ao mesmo tempo que ... nos explorava a nós.

Nesta foto, "posam para a posteridade" o Paulo Correia Hormigo, o Eugénio Augusto Fevereiro Chambel, NN (um "canhoto" exímio jogador de Ping-Pong...desculpa mas não recordo o teu nome...), o Luis de Matos Marcelino, o jjmatos e o João José da Silva Vaz Carreiro. Amigos de uma época dos quais apenas tenho tido alguns contactos, por vezes indirectos, com o Chambel e o Marcelino.


27 outubro 2006

Ofir 1975

Na lota de Esposende



Venda de peixe na praia

Mulher na lota

Velha varina

Pausa no trabalho ou As contas do dia

O velho pescador

26 outubro 2006

Padre António de Andrade

Acabo de ler no semanário Reconquista (19.10.06) um curioso apontamento onde se dá a conhecer que “a comunidade de Oleiros quer tornar o Padre António de Andrade como uma das grandes figuras do nosso país.” e para isso, estão a “responder afirmativamente ao desafio do Concurso da RTP”votando em massa no primeiro homem português que chegou ao Tibete”,
Mesmo sem concurso, o Padre António de Andrade é já uma grande figura da História do nosso país… Os feitos de que foi capaz já há muito foram reconhecidos pelos seus conterrâneos que lhe dedicaram um lugar importante na toponímia da Vila, deram o seu nome à Escola Secundária que ali existe há uns anos e edificaram um Memorial no Jardim da Deveza, ali em frente do actual edifício da Câmara Municipal…



Memorial do Padre António Andrade

Acho, no entanto, que os seus feitos poderão vir a ter uma maior projecção através de um concurso que tem todos os ingredientes para se tornar muito popular… e muito falado, por outros motivos.
No artigo que é hoje dado à estampa no “Reconquista”, de Castelo Branco, o jornalista João Carrega encarrega-se de lembrar alguns dados referentes à vida deste Homem que no início do séc.17 conseguiu chegar ao Tibete, lá nos confins dos Himalaias.
“Natural de Oleiros, onde nasceu em 1580, António de Andrade parte, ainda jovem, para a Índia, a 22 de Abril de 1600 (…) tendo chegado a Cochim a 22 de Outubro do mesmo ano.
Após ter completado os estudos no Colégio de S. Paulo, da Companhia de Jesus, em Goa, recebeu as ordens sagradas e foi enviado depois para a missão Mogol, em Agra, onde se julga que aprendeu a língua persa com os muçulmanos cachemires.”
(…) Em 30 de Março de 1624, já como Superior da Missão do Mogol, deixa Agra acompanhado por Jahangin, o rei Mogol que viajava para o Lahore. Quando chegou a Delhi, encontrou um grande número de budistas que rumavam para um fabuloso templo, dado pelo nome de Badré, e situado a quarenta dias de viagem, da Índia, entre a Índia e o Tibete. Esperando atingir o Tibete após alcançar este templo, António Andrade começou a sua via, conduzido pelos gentios.
A viagem não é fácil e para sua segurança António Andrade leva consigo um astrolábio e um compasso de sol, que lhe permitiu mais tarde referir que Chaparangue, no Tibete, se situava a 31º29’ norte.
(…) O relato do Padre António Andrade dá conta das dificuldades e das diferenças culturais entre os vários povos que foi encontrando… “Assim chegámos à cidade de Siranagar onde reside o Rajá. É a gente destas terras nos costumes muito diferente da gente lusitana, não degolam os carneiros nem as cabras que comem mas afogam-nos e dizem que ficando o sangue espalhado, faz a carne mais gostosa. E assim, com a pele chamuscada e a carne mal assada, correndo-lhe o sangue, a comem, escreve o Padre António Andrade, em 8 de Novembro de 1624.
(…) Quando alcançou Chaparangue, a principal cidade de Coqué, um dos Reinos do Tibete, António Andrade contactou directamente com o Rei (Gyalpo). A viagem durou três meses e, alcançado o objectivo, o Padre António Andrade permaneceu vinte e três dias no Tibete. Regressou depois após ter gasto mais sete meses até chegar de novo a Agra.
Em Chaparangue a recepção preparada pelo Rei foi boa e o Padre António Andrade teve então autorização para apregoar a sua fé, tendo o Rei colocado essa autorização num papel selado: “Nós el Rayno do Potente, recebendo grande alegria com a vinda do Padre António às nossas terras para nos ensinar a santa ley, ao qual tomamos por nosso mestre Iambá maior, e lhe damos toda a autoridade pêra livremente poder pregar e ensinar os nossos povos da ley santa…”
António Andrade faleceu em Goa a 19 de Março de 1634.

Sempre que vou a Oleiros sinto o dever de fazer uma breve Romagem de Saudade, no roteiro da qual se insere sempre um momento de silêncio junto do Memorial ao Padre António Andrade, cuja última fotografia, tirada em 28 de Junho de 2006, aqui deixo a ilustrar este apontamento.

25 outubro 2006

O Amor e a Saudade

O Amor e a Saudade

O Amor teve uma filha à qual chamou Saudade.

Vendo-a crescida
Vendo-a na idade
De entrar na vida,
Disse-lhe assim um dia:

"Envelheci; no meu jardim cai neve...
Já sinto a alma fria,
E no corpo entrará também o frio em breve...

De noite vejo só negrumes de ataúdes;
Tudo é inverno p'ra mim; abril, acho-o grisalho...
Velho e doente, é justo, filha, que me ajudes
No meu trabalho.

Auxilia-me pois! Quando os amantes,
O seio contra o seio,
Enleados estão em tão suave enleio,
Que as longas noites tomam por instantes,
Ao pé deles me querem sempre, e assim,
Se p'ra deixá-los, já cansado estou,
Começam a chamar por mim,
A perguntar-me para onde vou...
Nunca me deixam, nunca estou tranquilo!

Como o trabalho é rude, de hoje em diante.
Devemos reparti-lo,
Que eu já me sinto fraco e vacilante...
De hoje em diante, irei deitar os namorados,
Mas tu, Saudade, junto deles ficarás,
E ao chamarem por mim, em gritos sufocados,
Fingindo a minha voz, tu lhes responderás...

Fazem-me louco as noites mal dormidas,
E assim já poderei dormir um pouco,
E recobrar até as minhas cores perdidas...
Vamos! O velho sol já se extinguiu
E a lua branca rompendo vai..."

E a Saudade partiu

Atrás do Pai...

Desde essa noite azul, ébrios de pasmo e dor,
Os que se beijam com ansiedade
Adormecem ao pé do Amor
E acordam junto da Saudade...



Eugénio de Castro
in' O Amor na Poesia Portuguesa"
1975 - Ed. Família 2000

Curiosidades

Uma dica do Ricardo Jorge Reynaud está na origem deste apontamento que se segue.

No Diário Republicano da Noite "O Setubalense", de 11 de Janeiro de 1940, lia-se na 4ªpágina:

"Nomeação
Agostinho do Carmo Fava foi contratado para o lugar de Servente do Liceu Bocage em Setúbal."

Na mesma página, uma outra notícia destacava a nomeação de dois professores para o mesmo Liceu: "Foram nomeados, por concurso, professores efectivos do 1ºGrupo do Liceu os senhores José Gomes Branco e Manuel Viegas Guerreiro."

Anos mais tarde, já em final de carreira, fui encontrar o Dr.José Gomes Branco como
Professor Metodólogo no Liceu Normal de Pedro Nunes. Foi ele que, em 1962-64, orientou o meu Estágio naquele Liceu Normal, com a ajuda de outros dois Metodólogos ilustres: o Dr.Evaristo Vieira, para a área de Ciências Geográfico-Naturais e o Dr. Rómulo de Carvalho (António Gedeão), para a área de Físico-Químicas.



Esta fotografia, obtida em Maio de 1963 mostra um grupo de alunos-estagiários com alguns dos professores que então trabalhavam no Pedro Nunes na área das Ciências Naturais.
A primeira figura à esquerda é o Professor Metodólogo Dr.José Gomes Branco de que nos fala a notícia de 1940 que o Ricardo Jorge nos enviou.
Um pouco mais atrás, o primeiro da 2ªfila, com óculos e de sorriso aberto, o professor Metodólogo do 5ªGrupo (Geografia), Dr.Evaristo Guedes Vieira.
Na última fila, quatro professores do Liceu Nacional de Setúbal: o madeirense professor de História, Dr.António Mimoso Aragão Figueira de Freitas, este Vosso amigo João José Mendes de Matos, o Dr.José Gomes Mateus e o saudoso Dr.António Maurício Pinto da Costa.
No meio do grupo reconhecemos as professoras de C.Naturais do Liceu Pedro Nunes DrªAssunção Videira, a Drª Magda Moscoso Botelho, e ainda os estagiários Dr.José Vitorino Gomes Ferreira (2ºano) e as nossas colegas estagiárias Drª Teresinha Elisinha de Meneses, DrªMaria Alice Duarte da Silveira Mascarenhas, Dª Maria Salomé Soares Pais e DrªMaria Manuela dos Santos Faria.


Mas voltemos à nossa "casa"...
O Sr.Agostinho foi, desde que eu me lembro, o Chefe do Pessoal Menor do Liceu de Setúbal, como então oficialmente se dizia. Desempenhou o cargo até à reforma e, tempos mais tarde, quando faleceu, fomos levá-lo à última morada numa tarde em que o FCPorto jogou no Estádio do Bonfim com o Vitória...
E acho que Deus não se portou muito bem com ele e quiz pregar-lhe uma partida... Quando se iniciou o cortejo que o levaria à última morada ouve-se uma estrondosa ovação vinda do Estádio do Bonfim! Bem podia ser dedicada ao sr.Agostinho, esta ovação... mas não eram para ele aqueles aplausos que se ouviam naquele momento...O Porto é que acabava de marcar um golo ao seu querido Vitória...
É verdade que o sr.Agostinho gostava muito do Vitória... mas gostava muito mais do Benfica!!!! Era um benfiquisrta emérito, como poucos havia em Setúbal.


Esta fotografia é de 1960-61

No centro, ladeado pelas funcionárias que tinham a seu cargo a limpeza do Liceu, o Reitor José de Mendonça e Costa mostra-se satisfeito com a harmonia existente. Era o dia do estreia dos fardamentos "prafrentex" que acabavam de ser envergados pela primeira vez aqui no Liceu.

Destacado, à esquerda, o Sr.Agostinho do Carmo Fava que aqui evocamos hoje.

Um obrigado ao Ricardo Jorge pelo envio do apontamento do "Diário Republicano da Noite", que esteve na origem desta recordação.

N.B.- Acho que ainda vai a tempo... Descobri nas "minhas notas", já depois de ter lançado tudo o que escrevi atrás, o seguinte texto com o título "Agostinho do Carmo Fava":

Em Fevereiro de 1940, no Arquivo do nosso Liceu, consta o seguinte sobre o servente Agostinho do Carmo Fava:

"Foi contratado para o lugar de servente deste Liceu, por despacho de 09 de Dezembro de 1939, visado pelo Tribunal de Contas em 28 de Dezembro de 1939 e publicado no Diário do Governo nº6, II Série, de 08 de Janeiro de 1940.

Tomou posse em 09 de Janeiro e entrou em execício no mesmo dia. Vai abonado do vencimento correspondente a 23 dias do mês de Janeiro e ao mês de Fevereiro"

Parece-me que fica assim mais completo este apontamento sobre o Sr.Agostinho.

22 outubro 2006

Frases célebres

"As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar."
Leonardo da Vinci


"O homem não morre quando deixa de viver mas sim quando deixa de amar."
Charles Chaplin


"Faz a tua ausência para que alguém sinta a tua falta. Mas não a prolongues demais para que esse alguém não sinta que pode viver sem ti."
Flóra Cavalcanti


"As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de errar."
William Shakespeare


"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."
Norman Cuisins


"Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas."
Goethe

20 outubro 2006

Os meus alunos

Já lá vão 47 anos...

A Margarida Amaro do Rosário e a Maria Luisa de Sousa Uva

foram ambas minhas alunas no ano lectivo de 1959-1960.

Apareceram na festa comemorativa dos 50 anos

sobre a primeira matrícula no Liceu Nacional de Setúbal

que se realizou no dia 14 de Outubro,

mais novas e ainda mais bonitas do que então...

19 outubro 2006

António Lobo Antunes

Gostava de ler os Contos que há uns anos atrás, Lobo Antunes escrevia nas páginas da revista semanal do Público. De um modo geral eram um pouco “tontos” mas eram curtos e liam-se bem…

Nunca cheguei ao fim de qualquer livro escrito por ele!

Em alguns deles fiquei-me pelas primeiras páginas… O que sucedeu, apesar do esforço feito para vencer aquela escrita complicada, quando comecei a ler “Eu hei-de amar uma Pedra”.

É por isso que me fazem sorrir as declarações que o escritor debitou hoje à agência Lusa.

Sob o título, algo dimensionado, “Imensa enxurrada de mediocridade enche as livrarias” aparecem, dele, as seguintes frases:
“Não há livro que se publique em Portugal que não seja um grande romance, são todos grandes romances - na contracapa. O pior é o que está lá dentro», disse Lobo Antunes, acrescentando que não é crítico literário «nem sequer um intelectual».

Mais adiante e sobre a escrita, Lobo Antunes descreveu-a como uma actividade que requer «paciência, orgulho e solidão», sublinhando que não se deve confundir orgulho com vaidade, porque «o orgulho pode ser humilde e a vaidade nunca é».

Dito por ele, António Lobo Antunes, também isto nos faz sorrir…

Castelo Branco 22 de Março de 1952

Foi num Sábado que este grupo de alunos do 6ºano
do Liceu Nacional de Nun' Álvares, de Castelo Branco
se reuniu no Jardim do Parque
no dia em que a sua Turma ofereceu uma prenda de casamento
à jovem Professora de Físico-Químicas,
Drª Maria Augusta de Carvalho.

Na primeira fila: Célia Maltês, Maria Isabel Alçada Batista, Ilda do Carmo Silva, Maria José Folgado Pereira, Maria da Conceição Faria de Sousa, Susana Vaz Oliveira, e Marília Nunes Pereira.

Na segunda fila: Aristides da Fonte Alpendre, José Moura Nunes da Cruz, Luis Marçal Grilo, Raúl Capelo, Manuel Correia dos Santos Luis, José Joaquim Delgado Domingos, Joaquim Martins Batista, Eugénio Augusto Fevereiro Chambel, Joaquim Morgado Fernandes Carmona e Armando Henriques da Conceição.

18 outubro 2006

Momento de poesia

Poesia

Numa carta em estilo sorridente
Mas sobre as linhas da qual
Meus olhos choraram largamente
Puz este aviso final:

"...E por notares que manchei
Isto que em cima ficou,
Não vás supor que chorei...
...Foi água que se entornou!!!..."

Trindade Coelho


17 outubro 2006

Liceu Nacional de Setúbal -- Corpo Docente em 1965

Corpo docente do Liceu Nacional de Setúbal no Ano lectivo de 1964.65

Nenhum destes Professores se encontra ainda ao Serviço mas
muitos deles ainda se encontram bem saúde! Graças a Deus...
Consegue reconhecer algum?

Um pouco de Poesia

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa
!
Alexandre O’ Neill



Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

10 de Maio de 1956 - No Liceu de Évora com o Reitor Gromicho

10 de Maio de 1956

Comissão da Queima da Fitas da Universidade de Lisboa

Visita ao Liceu de Évora



O Reitor do Liceu de Évora, Dr.Bartolomeu Gromicho, recebeu os representantes das várias Associações de Estudantes de Lisboa e ele próprio, orgulhoso da sua impecável Escola, promoveu una visita guiada às suas instalações. Nem um papel no chão... Nem um risco num tampo de carteira... Como "isto" evoluiu!

Da esquerda para a direita reconhecemos o representante de Veterinária, José Baginha, o Presidente da AEFCL, Fernando António Alves Martins, a reprentante de Farmácia, Maria José Folgado Pereira, a representante da Faculdade de Letras Maria Helena Mira Mateus, o Reitor do Liceu de Évora Dr.Bartolonmeu Gromicho, uma representante da Associação da Escola Superior de Farmácia, Maria Helena Pereira, uma representante da A.E. da Faculdade de Letras, Maria Cristina, outra representante de Farmácia, Maria de Lurdes Macedo, o Vice-Presidente da AEFCL, João José Matos e o Presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Colonial, José Cravinho.