26 junho 2012

Maria Afonso...

Já sucedeu há uns tempos... e foi através do Outlook que a Maria Afonso Neves Sancho, minha antiga aluna aqui no Liceu de Setúbal, contactou comigo. Tinham decorrido entretanto 42 anos... Fiquei sensibilizado quando li a mensagem que me enviou. Estou mesmo um "choramingas"!!...

"Caro Sr. Dr. Matos
Um meu amigo do facebook mandou-me uma foto que tinha conseguido na net através do professor.
Gostei muito de a rever. E até a publiquei.
Assim vim agradecer-lhe a atenção pessoalmente (tão pessoalmente quanto a net o permite ;-)
Gostaria de saber mais do professor. A minha vida tem sido muito interessante.
E continuo a divertir-me muito nesta grande aventura,
Como presente de reencontro envio-lhe o link de uma reportagem que fizeram cá em casa.
Com os melhores cumprimentos
Maria Afonso Sancho "
.
A Maria Afonso fez parte de um excelente grupo de alunos que eu tive no ano lectivo de 1969/70. A foto que se segue foi obtida na primeira semana de Abril de 1970.
Para além da Maria Afonso Sancho podemos ver, na 1ªfila, o João (Rita) Lagarto, um dos bons actores de teatro, de cinema e de TeVê, que actuam em Portugal; a Emília Santinhos (Vaz Pereira) uma excelente médica cirurgiã no Hospital de São Bernardo; um pouco mais atrás, o Maurício Abreu que "virou" um dos melhores fotógrafos de Portugal. a Helena Mantas, uma muito boa professora na Escola Técnica, actual Sebastião da Gama, o saudoso arquitecto José Carlos Gonçalves, autor da medalha comemorativa do Cinquentenário do Edifício do Liceu; e espalhados ao acaso podemos ver a Elvira Proença, o Eduardo Marques, o Lobo Soares, a Margarida Trindade Santos, a Maria José Heliodoro... e todos os outros!

Mês e meio antes, em 22 de Fevereiro de 1970, o Liceu de Setúbal fez-se representar no corso Carnavalesco que Câmara Municipal levava a efeito na Avenida Todi. Um templo grego e umas "musas folionas", enquadradas por "alguns faunos" bem intencionados, circularam pela Avenida num dia cheio de sol e alguma brisa... A Maria Afonso foi uma das "musas" que desfilou... Antes do Corso houve fotos à porta do Liceu: aqui, todos os "faunos" e todas "musas" que desfilaram na Avenida Lusa Todi.

E aqui, apenas os que eram meus alunos.
De pé: a Maria Afonso Sancho, o saudoso José Carlos Gonçalves, o Eduardo Pereira Marques e NN. Sentado: António Vinhas de Sousa


Já no decorrer do desfile, a "musa" Maria Afonso.

A Maria Afonso Neves Sancho, em 02 01 1970, num corredor do Liceu.


A Maria Afonso criou também um blogue no qual pude ler, logo na 1ªpágina, o pequeno texto que transcrevo: "Tive muito êxito na vida. E agora decidi fazer da minha vida um êxito. Busco o que é perene e eterno neste Universo composto de mudança. Portanto tenho muito com que me entreter. Aqui vou publicando textos e links que acho serem suficientemente curiosos para trocarmos ideias sobre os temas focados. Muitos têm que ver com as minhas dúvidas. Portanto um blog de discussão. Com poucas certezas. Pois obviamente tudo o que aqui se diz é pura ficção..."Maria Afonso, uns anos depois.

Mais recentemente, continua uma mulher bonita...
e também uma jornalista cheia de valor.

Maria Afonso Sancho com Maria Flávia de Monsarás, fundadora do Centro Português de Astrologia.


Fui descobrir mais “coisas” no blogue alimentado por esta minha antiga aluna e não resisto à tentação de transcrever aqui uma carta escrita pela Maria Afonso ao “cronista social” Carlos Castro, no dia 13 de Janeiro de 2011, um dia depois de ter sido divulgado, com grande alarido, o assassinato deste seu amigo, num hotel de Nova Iorque.
Espero que a Maria Afonso Sancho não me leve a mal esta transcrição… Acho que fez um bonito “desabafo” e uma bela "despedida", num texto que considero muto bem escrito

"Quinta-feira
13 01 2011

Querido Carlos
Quando me falaste em eu ir passar a consoada em tua casa respondi-te logo que não. Sou neta de um declarado "herege" mas filha de católicos. Por isto o Natal sempre foi uma comemoração discreta e calma, por toda a minha infância. As comemorações natalícias quinquilheiras, dos últimos tempos, dão-me vontade de fugir. Ficava sempre com montes de coisas giras; mas inúteis a encher, ainda mais, as gavetas.Entretanto pensei, como agora faço para avaliar da importância das coisas na minha vida, se eu estivesse no meu leito de morte ou a outra pessoa morresse, eu gostaria de ter feito isto? Informei-te Carlos que afinal ia, porque tu eras muito importante para mim. Esta ida a tua casa foi a única excepção ao meu retiro calmo e frugal durante as festas. Aproveito esta época para meditar, desintoxicar e escrever. Saindo de casa apenas para ir à ginástica. Foi muito agradável estar com as tuas irmans, o Guilherme e o Cláudio.Todos encantadores. E pessoas brilhantes. Fiz "asneiras". Ai! Comi bacalhau e aqueles doces deliciosos. Mas compensou o mal que fariam com o Bem que souberam. E depois trocamos um daqueles nossos olhares, de completa verdade, quando me surpreendeste com um presente de produtos de beleza todos com ingredientes naturais e de agricultura bio. Achei estranho que apesar de estares socialmente divertido e correcto, te notar, no fundo, tão triste e amargurado. Costumo oferecer abraços terapêuticos a amigos e conhecidos. Mas tenho de explicar antes que são: abraços sem desejo, tal como um pai ou uma mãe reconforta o filho que fez um dóidói. Contigo não foi preciso repetir esta lengalenga para o abraço ser logo compreendido e aceite. Perguntei-te, frente a toda a gente, no meio da sala "queres um abracinho?" Tu, como um menino pequenino, acenaste logo que sim com a cabeça. E ficaste ali afundado nos meus braços até te sentires com forcas para voltar ao mundo. Pediste-me mais dois abraços, durante aquela noite. Até que alguém estranhando (não é costume as pessoas andarem a reconfortar-se com abraços durante uma festa) te ou nos perguntou "que namoros são esses?" Tu recompuseste a imagem socialmente aceitável. Envergonhado?Senti que estavas a precisar de miminhos. Não entendi a tua amargura interior quando me tinhas falado daquela linda relação romântica que estavas a viver. Gente apaixonada tem o chacra do coração resplandecente. Ao tal rapaz denominei-o "Ele do Carlos Castro", quando fiz o vosso tema astrológico no pc. Disseste-me várias vezes durante a consulta telefónica, que o Cláudio Montez te tinha dito o mesmo que eu. Foi no dia 21 de Novembro. Avisei-te da possibilidade de violência. Que se alguma vez se zangassem... devias abandonar o local até tudo acalmar. Pois Plutão, Saturno e Marte podem ligar-nos ao Grande Mal. E cada um de nós contem a Totalidade do Universo dentro de si. Insisti, nessa noite de Natal que devias viver plenamente esse amor tão lindo. Que nunca tinha visto uma relação gay ser tão romântica. Que os jovens têm uma cabeça muito menos complicada do que os crescidos. Que deixasses de te ralar com a diferença de idades. Que aproveitasses com gratidão o amor lindo que me relataste. Sempre me surpreendeste com a tua capacidade de acreditares em estranhos e deixar-te magoar. Como o desgosto que tiveste, quando a outra maluca inventou que tinha cancro e rapou a cabeça. Os teus amigos conheciam o Renato melhor que eu. Nenhum deles estava muito convencido dessa vossa relação. Se calhar apenas inventaste a relação que gostarias de ter tido. Eu acreditei em ti. Pouco do que nos contam agora bate certo com o que me tinhas dito. Nem a faculdade onde ele estudava, sequer. Porem o bonito foi que depois da troca de presentes despedimo-nos todos, eu, tuas irmãs e teus amigos, com aqueles grandes abraços coração com coração.A inda voltamos a falar quando te agradeci o jantar. Continuavas sem ter o chacra do coração resplandecente. Tinha ficado surpreendida com a qualidade dos produtos naturais que me deste e estava à espera que voltasses de NY para te dar os parabéns pela excelente escolha. Afinal tenho de to agradecer assim. De agora para a frente não quero saber mais nada desta historia toda. Passei a manhã a ver tv, em que tudo isto foi esmiuçado. Fiquei com azia pela primeira vez na vida. Quanto mais se mexe no Mal mais tudo fede. Prefiro guardar para mim a memoria da agradável zona da tua totalidade, que me tocou viver. Felizmente reatamos a nossa amizade. Depois de todos os equívocos, invejas e mentiras, que como um furacão, rodeavam a eleição dos Mais e Menos Elegantes que fazíamos nos anos 80 do século passado. E até acho que há dias me enviaste divertido, uma piscadela de olho e um daqueles teus acenos de mão, que queriam dizer "não te rales". Depois de teres saído de cena com um "grand finale": dramaticamente assassinado num grande hotel em NY. "Grand Finale" este que te tornou celebridade global. Referido apenas como um "famoso jornalista português". Tu que abominavas ser reduzido pela classificação de "cronista social". Apesar de eu te ver e sentir, acima de tudo como POETA. Ate sempre, Amigo!Mas entretanto sempre que precisares recebe muitos: bj, miminhos e abracinhos para ti, querido Carlinhos."
Publicada por Maria Afonso Sancho, em 13 01 2011, às 1:26 AM.

2 comentários:

Maria Afonso Sancho disse...

Professor... agora sou eu quem está com lagrimas nos olhos depois de ter encontrado este seu post.
Guglei o meu nome para encontrar um arredio link do meu blog e afinal dei com isto.
Muito Obrigada :-) <3

Maria Afonso Sancho disse...

Voltei a googlar o meu nome à procura de outro link arredio e dei novamente com este post do professor.
Emocionou-me o k diz e por o ter ampliado. Claro também pelos comentários.
Já agora deixo-lhe um meu link recente: http://www.macrobioticsinternational.com/practitioners/maria-afonso-sancho/

Uma daquelas coisas visionárias que fiz e faço. De que o meu filho mais velho me diz "mãe, nunca se queixe; anda sempre adiantada no tempo mas o Tempo dá-lhe sempre razão"!
Lá continuo outra vez a minha busca pelo tal arredio link.
Deixando ao Professor um grande e grato abraço. :D