16 junho 2012

Eles que se lixem!...

Na sua coluna de "Opinião", aos Sábados, no "Público"
VPC aborda um tema que foi criticado, na altura própria,
por todos os agentes (sérios) ligados ao ensino...
Só os "políticos de pacotilha" e os "professores de lambreta" viram o "furo" que ali estava a surgir... para "se aproveitarem da situação"...



Vasco Pulido Valente

"Portugal tem um número extravagante (e suponho que nunca visto num país tão pequeno) de 4154 cursos “superiores”. Destes, 1320 produzem mais do que 10,32 por cento dos desempregados. Perante isto, o Ministro da Educação resolveu diminuir o número de vagas, sobretudo em “Educação Básica” e em “Educação de Infância”. Como se chegou a uma situação practicamente sem conserto, que levará com certeza uma vida humana a endireitar? A resposta é a de sempre: partidos, câmaras, clientelas, que por acaso, dominavam o voto de um concelho e até, às vezes, de uma freguesia. Escusado será dizer que esta espécie de educação “superior” é o exacto contrário de uma educação superior ou mesmo de uma educação. Só analfabetos a poderiam conceber e aprovar.
Basta meia dúzia de exemplos para ilustrar o cidadão comum. Em Portugal, existem 20 faculdades de Direito, com a consequência inevitável de que os licenciados em Direito estão no desemprego ou trabalham, precariamente, “no que vai aparecendo”… Outro exemplo: há uma Escola Superior de Educação em Arcozelo.uma segunda em Fafe. E há ainda uma Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas (como serão as que não se aplicam?) na Universidade de Trás-os-Montes e uma Faculdade de Estudos Artísticos na Universidade do Algarve.
Quem quiser um bom olhar sobre a loucura que nos trouxe aqui, leia a lista do princípio ao fim com alguma atenção e tente não esquecer quem pagou a conta. Mas tente principalmente não esquecer as vítimas, a que a megalomania roubou o futuro.
Desde 1985, o Presidente da República e o primeiro-ministro não perderam o mais preliminar discurso para proclamar aos portugueses que o nosso grande capital era o “capital humano”. Quem estudasse com aplicação abria infalivelmente um mundo novo de abundância e de oportunidade, como na “Europa”. A repetição desta ladainha convenceu – e como não iria convencer? – milhares de jovens, que, de facto, estudaram, se esforçaram e esperaram, obviamente, uma recompensa digna. A recompensa foi o desemprego e, pior ainda, o desemprego a longo prazo. Hoje, Pedro Passos Coelho incita a emigrar 62.000 licenciados, para quem Portugal não arranjou, nem arranjará, lugar. São uma obra do Estado e de umas dezenas (ou centenas) de câmaras geridas por iletrados, que já não serve para ganhar votos. Eles que se lixem!

VPV, hoje, não nos traz nada que já não soubéssemos...

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