23 março 2011

Frívola e incerta...

Um poema de
Pedro Homem de Melo
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Pedro Homem de Melo
Devaneio
.
Estendida na areia,
Frívola, incerta, Inês
Tinha perdido a ideia
Da sua alva nudez.
.
Mas veio uma onda mansa
Com requebros subtis,
Subiu à altura dela,
E em torno dos quadris
Pôs-lhe uma alga amarela.
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O movimento brando
Desse novelo de oiro!
E logo a onda, voltando,
Trouxe-lhe outro tesoiro
.
Inês, frívola, incerta,
Deixava-se enlaçar…
.
(A praia era deserta…
E era tão doce o mar!)
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In. “Segredo
1939

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