22 março 2011

Artur Agostinho

Artur Agostinho faleceu hoje no Hospital de Santa Maria. Tinha 90 anos.
Ficou conhecido pelo público pelos trabalhos como locutor e jornalista, na rádio e na televisão e, ainda, como actor e escritor.
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Artur Agostinho
25 de Dezembro de 1920 - 22 de Março de 2011
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Nasceu em 1920, e teve uma longa carreira na comunicação social, onde foi locutor de rádio, apresentador de televisão, jornalista e actor, em alguns filmes e peças de teatro. e televisão. Recordo a peça semanal na Tv, em 1956/57, "O senhor que se segue..." onde fazia o papel de um "barbeiro" sempre bem informado.

«Fiz sempre e só aquilo que gostava», revelou Agostinho «porque quando se tem prazer tem-se tempo para tudo».
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Da sua carreira - uns expressivos 72 anos - Artur Agostinho fez «milhentas reportagens» no âmbito do futebol e não só.
Dos momentos mais significativos da sua carreira, destaque para a cobertura do Mundial de 66, onde Eusébio foi a estrela da equipa portuguesa. É reconhecido como um dos mais destacados relatores de jogos de futebol.
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Antes dessa data, ainda na década de 50, (1955?) fui ver um desafio internacional importante ao Estádio Nacional, no Vale do Jamor... Um desafio inesquecível em que intervieram como adversários o Honved, uma equipa fabulosa da Hungria onde jogavam os "fabulosos" Puskas, Cocsis, Czibor e a equipa do Sporting... Toda equipa magiar "aproveitou" esta digressão pela Europa para pedirem asilo político e deixarem de vez aquele país comunista onde não se conhecia a palavra "liberdade".

Lembrei-me, nesse dia, de levar um pequeno transmissor, mais para ouvir o nome dos jogadores envolvidos nas jogadas do que para qualquer outra coisa... A distância entre a assistência das bancadas de topo e a baliza contrária tornava, por vezes, difícil a identificação dos jogadores envolvidos nas jogadas... Ouvir o relato ao mesmo tempo que se via o desafio, facilitava as coisas.
Em certa jogada que terminou junto da baliza do guarda redes leonino, Artur Agostinho, que se encarregava do relato, demorou algum tempo a tecer as suas considerações... e, entretanto o jogo continuara. Carlos Gomes passa a bola com a mão a um defesa, este passa a bola a um dos médios leoninos que por sua vez a passou ao avançado Travassos, uma vedeta internacional daquela época...
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Artur Agostinho atrasou-se!... Mas "remendou" de imediato aquele deslize! "Com um pontapé longo, Carlos Gomes coloca o "esférico" nos pés de Travassos que avança com perigo, em direcção à balisa magiar..."

Naqueles relatos de futebol pré-Tv, (antes de 1956) devia haver bastantes momentos como este que relato e a que eu próprio assisti.
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São muitos os momentos importantes da história onde esteve presente, como o foram três Jogos Olímpicos - Helsíquia, Roma e Tóquio. Na Emissora Nacional fez a cobertura da visita oficial de Isabel II a Portugal - em 1957. Fora do desporto, também foi o enviado-especial da rádio ao terramoto de Agadir, 1960, em Marrocos.

Na televisão obteve a fama com o programa «Quem sabe sabe» na década de 60. Participou também em programas como «O Senhor que se Segue» (1956/57), «No Tempo Em Que Você Nasceu» e «Curto-Circuito», bem como, ainda recentemente, em várias séries e telenovelas. «Clube das Chaves», «Ana e os Sete», «Inspector Max», «Pai à Força»e «Perfeito Coração» são alguns exemplos.

No cinema, estreou-se em 1946 com «Cais do Sodré», uma experiência que gostou e o fez, nos anos seguintes, apostar também no grande ecrã. A lista é longa: «O Leão da Estrela» (1947, um clássico com o célebre António Silva), «Capas Negras», estreado em Castelo Branco em1947, (um filme com Amália Rodrigues que foi o maior recorde de bilheteira até à época), «Cantiga da Rua» (1950), «Sonhar é Fácil» (1951), «O Tarzan do 5.º Esquerdo» (1958), «Dois Dias no Paraíso» (1958), «O Testamento do Senhor Napumoceno» (1997), «A Sombra dos Abutres» (1998) e «Perfeito Coração» (2009).

Foi director do «Record» entre 1963 e 1974, jornal onde regressou como comentador em 2005. Sportinguista sempre de leão ao peito teve também passagem pela direcção do jornal do Clube.

Nota: Em Março de 1973 era proprietário de uma empresa (em sociedade com Augusto Cabrita e o João Alberto Ferreira da Silva) que se apresentou a concurso que tinha por fim a entrega de um projecto para tratar dos lixos e das limpezas urbanas, na nossa cidade de Setúbal. Como é óbvio, não teve seguimento... O projecto morreu à nascença...

Era um Homem notável!... Isso mesmo com H grande.

Que descanse em Paz...

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