13 fevereiro 2012

O melhor Presidente...

...dos últimos 50 Anos foi o Dr.Manuel Goes!...

Li com muito interesse o artigo de opinião que o Giovanni Licciardello assinou no "Setubalense" que saíu esta manhã, na sua coluna "Pensar Setúbal".

Manuel José Constantino de Goes
Presidente da Câmara Municipal de Setúbal


Foi na tarde do dia 13 de Julho de 1963 que ouvimos, no edifício do Governo Civil desta cidade, na cerimónia de posse do novo presidente, o Governador Dr.Miguel Rodrigues Bastos iniciar a sua breve alocução, com as seguintes palavras:

"Ninguém, suponho, poderá levar a mal o facto de me sentir particularmente satisfeito, por ter sido possível entregar a presidência da Câmara a um Setubalense."

O Dr. Manuel Goes permaneceu na Câmara de Setúbal até ao dia 9 de Maio de 1974. A sua Cãmara, presa por um fio e em circunstâncias dramáticas, ainda "durou" mais sete dias...

Creio que o Giovanni Licciardello não se importará que eu transcreva aqui o seu magnífico "apontamento" que esta manhã, foi dado à estampa, no Setubalense desta segunda-feira.

"Homenagem a Manuel Constantino de GoesHoje vou falar de um Homem a quem a história mais recente foi ingrata e que não teve, ao longo dos sucessivos anos, a homenagem e o reconhecimento merecidos. Como Homem, como autarca, como setubalense e como vitoriano. E esse Homem é Manuel Constantino de Goes.Manuel José Constantino de Goes nasceu em Setúbal a 14 de Agosto de 1930. Licenciado em Economia e Finanças pelo ISCEF, desempenhou vários cargos na nossa cidade. Trabalhou no Grémio do Comércio do Distrito de Setúbal e foi professor da Escola Comercial e Industrial de Setúbal (actual Escola Secundária Sebastião da Gama).
Foi Presidente do Vitória e um dos principais impulsionadores para a realização daquilo que era, na altura, a aspiração de muitos Setubalenses e Vitorianos: a construção do Estádio do Bonfim, inaugurado em 1962.
Em 1963 foi nomeado presidente da Câmara Municipal de Setúbal, desempenhando esse cargo com honestidade e competência.
Após o 25 de Abril de 1974, Manuel Constantino de Goes demitiu-se do cargo de presidente da Câmara, a 9 de Maio desse mesmo ano.
Todas as pessoas que tenho encontrado ao longo destes anos e que com ele privaram são unânimes em afirmar peremptoriamente que era um Homem de carácter, íntegro, honesto e com um profundo sentido de humanidade.
O regime do Estado Novo enfermava de quatro pecados capitais: a ditadura, a PIDE, a guerra colonial e a censura.
Contudo, devemos saber separar o trigo do joio e ter a percepção que muitos funcionários e dirigentes eram pessoas intrinsecamente honestas.
Manuel Constantino de Goes era um desses. Homem de grande honestidade e dedicação no desempenho dos cargos que ocupou, foi vítima da inveja, da ingratidão, da calúnia, da cobardia e da mesquinhez, muito comuns nessa época conturbada do PREC.
Surgiram rumores de que teria acumulado uma fortuna pessoal, com várias propriedades no país, que se verificaram ser completamente destituídos de fundamento.
E a prova disso esteve nas dificuldades por que passou, bem como a sua família, nos anos seguintes ao 25 de Abril.
A situação entretanto criada em Setúbal tornou-se-lhe deveras insustentável, tendo tido necessidade de exilar-se no Brasil. Regressou a Portugal, tendo começado a exercer a sua actividade profissional na cidade do Porto.
Faleceu em 1979, no Hospital da CUF, em Lisboa, com apenas 49 anos de idade.
Muitos anos depois, talvez reconhecendo a injustiça cometida, deram o seu nome a um largo localizado na freguesia de S. Sebastião.
Temos, portanto, o dever de reconhecer, pública e explicitamente, quem tem valor, mérito, honestidade e competência, independentemente das suas convicções políticas.
E é precisamente aquilo que estou aqui a fazer.
Manuel Constantino de Goes foi um autarca exemplar, um vitoriano dedicado, e um Homem de elevada estatura intelectual e pessoal.
Fica aqui feita uma simples, mas significativa evocação de um Grande Setubalense."

Por: Giovanni Licciardello

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