04 fevereiro 2012

A casa da indigência...

Na coluna do “Editorial” do jornal “i”, o Director António Ribeiro Ferreiro escreve hoje um texto a que deu o título “Casa da democracia ou da indigência?
.

E em subtítulo, acrescentou:
Os deputados discutem fantochadas. O contrário é que seria de espantar.”



António Ribeiro Ferreira

“O país anda de mão estendida por culpa dos governos, dos políticos e dos crânios que pastoreiam a pátria há anos a fio. Seria natural que perante esta desgraça os senhores que atiraram os portugueses para este inferno mostrassem algum pudor, alguma vergonha, ou que , em alternativa, optassem por um prudente silêncio, para não despertarem nas vítimas desejos e sentimentos que naturalmente não estão de acordo com os bons costumes e o relacionamento civilizado entre seres humanos. Ora, nada disto acontece. Indiferentes a tudo e a todos, particularmente ao que fizeram, continuam a falar alto, como se fossem pessoas de bem indignadas com as malfeitorias. E procuram sempre disfarçar os assuntos que interessam aos portugueses, às suas vidas e aos seus bolsos com polémicas esotéricas, imbecis, daquelas que dão muita parra e pouca uva, em nome de sagrados princípios de que obviamente se esquecem na primeira esquina do poder. Uma é a inevitável censura, o velho e tenebroso lápis azul salazarento, o atentado à liberdade de opinião, de expressão, a sagrada defesa da não menos sagrada liberdade de imprensa. Nada melhor para as almas podres deste regime darem azo à imaginação, berrarem como cabritos, exigirem inquéritos, audições e punições exemplares para os criminosos que ousaram violar a santíssima democracia,
.

É ver António José Seguro entre o indignado e o compungido, a debitar lugares comuns no parlamento e a perguntar ao primeiro-ministro se não estava incomodado com a demissão da direcção de informação da rádio do Estado.
Passos Coelho não lhe poderia ter respondido melhor ao dizer que o assunto não o preocupava mesmo nada. É um facto. Em nome do Rosa, o mais recente asfixiado do regime democrático, o parlamento perdeu tempo que Portugal não pode desperdiçar com assuntos idiotas. Acabou um programa que ninguém ouvia. Ponto final.

Sem comentários: