23 maio 2012

Parece ter voltado...

...o bom senso, à 5 de Outubro!

O ministro Nuno Crato

Indústria é prioritária no ensino profissional das escolas pública” é o título do artigo assinado pela Jornalista Clara Viana, no “Público” de ontem, 22 05 2012
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Adeus aos cursos de multimédia, informática ou de animador sociocultural, que até agora tiveram forte presença na oferta do ensino profissional disponibilizada pelas escolas secundárias públicas.
A partir do próximo ano lectivo, as áreas prioritárias de formação passarão a ser metalurgia e metalomecânica, electricidade e energia electrónica e automação, tecnologia dos processos químicos, construção e reparação de veículos a motor, entre outras ligadas aos sectores de bens e serviços transaccionáveis ou geradores de emprego.
A reforma do ensino profissional para jovens será anunciada esta semana pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), mas as direcções regionais de Educação á estão a enviar às escolas as alterações previstas (Clara Viana)
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Logo a seguir ao Abril de 1974, o “partido predominante” quis acabar com as diferenças!!!... Como o ensino liceal funcionava, na maior parte dos casos, com uma maior eficiência, e com outra finalidade, se o compararmos com o ensino técnico -- que também era bastante bom, aqui no nosso burgo -- aquele agrupamento político resolveu, e bem, “nivelar” os dois ramos do ensino que recebeu por herança, do abominável fascismo
Só errou num pormenor… num “pequeno” pormenor… Em vez de tentar nivelar “por cima” tentando modificar um pouco as características do ensino técnico, e erguê-lo ate ao nível que então tinham os cursos liceais, preferiu fazer o contrário e nivelar “por baixo”… O descalabro teve então o seu início.
Passados um ou dois anos, não havia, nas Oficinas da Escola Técnica, um só torno, uma só fresadorauma única máquina de que, até ali, os alunos se serviam para aprender o que era necessário para exercerem um ofício. Tudo foi roubado…tudo foi destruído…tudo desapareceu! O esplêndido ensino ministrado na nossa escola industrial caiu redondo!...
E no Liceu?!... Também foi ali, então, que tudo começou a “resvalar”… Uns miúdos de vinte e poucos anos (alguns dos quais ainda por aí andam, receosos hoje que alguém se recorde deles e desses tempos “heróicos e irresponsáveis” que protagonizaram e de que hoje se devem envergonhar) “assaltaram” a nossa escola e tentaram impor-se “armando-se” em professores de uma nova geração mas sem bases, sem ciência, sem conhecimentos que ultrapassassem o “catecismo” que as “novas elites” lhes tinham posto nas mãos.
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Era costume os Directores das Escolas Técnicas serem procurados pelos Directores das empresas sediadas na região para lhes pedirem informações sobre os melhores alunos prestes a sair para o mercado de trabalho, uma mão de obra jovem, bem preparada e com um emprego estável ao seu alcance
Os bons alunos finalistas do ensino técnico eram “pescados” à saída do seu curso, pelos empresários e pelas indústrias sediadas no concelho e nas imediações. Raro aquele que não ganhava ali um emprego estável…
Feito o último exame na sua Escola Industrial os alunos estavam lançados num ofício que lhes havia sido oferecido pela própria fábrica, pela própria empresa que deles tinha necessidade! Apenas porque eram bons no ofício que a Escola lhes ensinara

Com a “mudança de 74”, os alunos da Técnica deixaram de poder aprender convenientemente porque desapareceram os aparelhos das suas oficinas e porque foram desaparecendo os óptimos mestres e os bons professores que até ali ensinavam naquela Escola.
Quanto aos alunos do ensino liceal, eles foram conduzidos também, embora com maior lentidão, aos níveis cada vez mais baixos, não só pela resistência de muitos dos professores à mudanças que se previam devastadoras, mas também porque os “assaltantes” tinham uma maior dificuldade em se instalarem, em destruírem o que bom ali havia sido feito… Os “velhos” professores, muitas vezes também com algum receio, não permitiam que os “novos” e “jovens mentores” fizessem aquilo que lhes vinha à cabeça ou que levassem para a sala dos professores as “novas ideias” adquiridas em prévias reuniões… feitas “fora” do Liceu.
Ainda me lembro de alguns rapazotes a “quererem dar ordens”. Na sala dos Professores… Alguns deles ainda sem o seu cursozinho tirado…mas com uma “empáfia” já bem desmedida…
Esses tempos foram passando ao mesmo tempo que o nível pedagógico e o nível científico deslizavam já, em grande, no plano inclinado da mediocridade….
O que era preciso era que os alunos passassem! Não importava como… Os números estatísticos é que passaram a contar. Passámos a ser o que de melhor havia na Europa!!... E, se calhar, no mundo...tal era o entender do sr. engenheiro…
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Parece agora que o Ministro Nuno Crato quer dar uma volta nesta situação. Mas, entretanto, uma enorme fatia dos bons professores que ainda havia no ensino até há uma meia dúzia de anos atrás, antecipou a reforma e foi para casa Sentindo-se incapazes de alterar o estado de coisas que os sucessivos ministérios da Educação exigiam para atingir as metas numéricas… revoltados com situações inaceitáveis a que foram sujeitos, preferiram sair do ensino, alguns deles, muitos deles... com o desgosto de terem de abandonar uma profissão que lhes encheu a vida e de que tanto gostavam.
Estes já não podem ajudar o ministro Nuno Crato…

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