15 março 2012

Um poema de António Salvado...

...dedicado a Eugénio de Andrade, o poeta da Póvoa da Atalaia.

António Salvado


Nesse domínio obscuro me perdi
tão dominado em sombra e claridade
Que bom sorver os frutos e as raízes
eternos e perfeitos sem idade
.
Nascem da terra e é como se uma pomba
do ar viesse: e rouba-lhe sementes
que vai lançar no mar em sol e som
e onde ligeiros barcos nas correntes
singram velozes tais as nuvens puras
que um terno vento azul impele empurra
.
O lá no fundo audaz onde maior
o mar conduz o seu mistério ao alto
surge o amor: a contemplar a cor
que lhe define o seu domínio intacto
.
In “Aproximações a Eugénio de Andrade
Ed “Asa Editores II S.A.” – Novembro/2000

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