
(…)
… Repete-se no sector da energia, onde o governo ficou entalado entre as exigências da troika para reduzir as “rendas excessivas” das eléctricas e a recusa destas em ceder. Um secretário de Estado, Henrique Gomes, pagou a factura e tornou-se a primeira baixa do Governo Passos. Os chineses entraram no capital da EDP com a promessa de que se iriam manter as rendas que o Governo tinha garantido à troika rever. Confuso? Nem por isso. O padrão é simples – mas dramático. A mesma teia de ligações perigosas em que os Governos de José Sócrates se deixaram enredar transitou por inteiro para a era Passos. A estes interesses instalados, a crise não assusta. Mantêm intacto um poder reivindicativo que lhes permite pôr e dispor dos Governos como bem lhes apraz e reduzir os cidadãos a contribuintes forçados da sua prosperidade a risco zero. Esta é a lição que fica de uma semana em que o Governo foi reduzido ao papel de bobo da corte, incapaz de impor o interesse público aos interesses particulares…
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