13 dezembro 2015

O que é preciso é calma...

De uma "Análise" feita por 
    Manuel Carvalho,
num artigo de opinião editado hoje no
          "Público",
transcrevemos um pequeno excerto.
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Manuel Carvalho 
(...)
2. Se o mundo fosse perfeito e linear, um estudante de uma Escola Superior de Educação ou um aluno que seguisse a vertente pedagógica de uma licenciatura em História ou em Português devia ter acesso automático à carreira docente sem prestar outras provas para lá das que teve de fazer na faculdade. O problema é que o mundo não é perfeito nem linear. É por isso que todos sabemos de casos de professores de Português que dão erros ortográficos em mensagens simples que enviam para os pais dos alunos, ou que há licenciados em História que não sabem que nacional-socialismo e nazismo são uma única e mesma coisa. Se, à partida, um exame de acesso dos professores licenciados ao exercício da carreira para a qual se prepararam é um absurdo, na realidade é uma exigência que faz sentido. Porque, infelizmente, nem todos os licenciados têm condições para exercer a importantíssima tarefa de educar os nossos filhos.
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Na sua continuada devoção de acolher pressões corporativas do funcionalismo público, os partidos da esquerda apagaram esta semana no Parlamento a legislação que exigia provas de avaliação aos professores. Para os deputados do PCP, Bloco e PS (com honrosa excepção de Paulo Trigo Pereira), acabando as provas acabam os problemas de formação dos professores. Deixar-se-á de exigir que condições básicas como o domínio da língua façam parte dos seus atributos. Vai-se continuar a permitir que faculdades produzam em série profissionais aos quais pouco mais se exigiu do que serviços mínimos durante o processo de aprendizagem. Com mais esta manifestação de facilitismo, quem mais perde são as escolas públicas. Se deixar de ser exigente para com a qualidade e o desempenho dos professores é uma política de esquerda, a direita que alegadamente protege os colégios privados agradece. Que se saiba, um docente que dê erros ou seja cientificamente incompetente não tem nestas escolas grande futuro.

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in  "Memória futura" com o título
       "Na hora da acalmação"
      by Manuel Carvalho

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