05 dezembro 2015

5 de Dezembro

Nada melhor que um excerto do texto que Mário Cordeiro nos deixou, há uns dias, nas páginas do jornal i, para recordar o dia dos anos do meu Pai:
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João de Matos Gonçalo
05.12 1899 - 26.08.1978
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(...) Mas a nossa eternidade alcança-se na partilha, na explosão da nossa vida em mil pedaços, repartida pelas pessoas que amamos, pelo que fazemos, pela dádiva, pelas impressões digitais que deixamos nesta nossa passagem efémera. E pelo que a passagem dos que nos são próximos nos deixa, se estivemos atentos e pararmos um minuto para reflectir de vez em quando, amando mais e melhor.
Nada como citar quem escreve e tão bem expressa os sentimentos como Torquato da Luz, a quem retirei este poema, ou a frase final da "Paixão segundo São João", de Bach.
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"Talvez o fim não seja o fim e ainda,
haja mais qualquer coisa além do fim.
Talvez ao fim da noite que não finda
haja um dia sorrindo para mim."
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Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine, die ich nun weiter nichtbeweine,
ruhtwohl und bringt auch mich zut Ruh!
(Repousem em paz os teus restos sagrados, que não chorarei. 
Repousa em paz e traz-me a mim também a paz.)
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É a sensação com que devemos ficar e com que fico 37 anos sobre a morte de meu Pai: paz, tranquilidade, alegria e uma passagem para o futuro em continuidade com o passado.
Assim se vive, goza e frui o presente.
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Mário Cordeiro
Médico pediatra
01.12.2015
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NB - Apenas alterei o 35 por um 37... O autor vai perdoar.

1 comentário:

Olímpio Matos disse...

O melhor Pai do Mundo.
Saudade.
Até que Deus queira.
OMMatos