29 novembro 2011

Uma Bióloga de grande mérito...

Lynn Margulis morreu no dia 22 de Novembro, faz hoje uma semana, com um acidente vascular cerebral.
Tinha 73 anos.



Lynn Margulis
Ficará na história sobretudo pela sua teoria da “simbiogénese”, que propôs pela primeira vez em 1966 em que desafiava frontalmente a teoria dita “neodarwinista” da evolução.

Segundo neodarwinistas, como os conhecidos Richard Dawkins ou Stephen Jay Gould, os motores da evolução dos organismos vivos são a variabilidade genética introduzida de geração em geração por mutações espontâneas e aleatórias, e a selecção natural que, entre os diversos mutantes, favorece a sobrevivência dos mais aptos.
Margulis não acreditava totalmente nesta visão das coisas.
(…)
Hoje em dia, já ninguém nega a realidade do mecanismo proposto por Margulis. Mas quando ela descreveu a sua teoria pela primeira vez em1966, o seu artigo foi recusado por umas 15 revistas científicas. “O meu artigo lidava com a origem de todas as células excepto as bactérias (a origem das bactérias sendo a origem da própria vida). (...) Mas na altura, eu não era ninguém”, explica Margulis. O artigo acabaria, contudo, por ser aceite em 1967.


Foi também uma grande defensora da Teoria de Gaia, da autoria do cientista britânico James Lovelock, que estipula que a Terra é ela própria um sistema que se auto-regula para se perpetuar.

Lynn Margulis nasceu em Chicago em 5 de Março de 1938. Estudou na Universidade de Chicago, onde se licenciou com a precoce idade de 18 anos. A seguir, fez um mestrado de Genética e Zoologia na Universidade do Wisconsin e um doutoramento em Genética na Universidade da Califórnia.
Antes de se instalar definitivamente na Universidade do Massachusetts, trabalhou 22 anos na Universidade de Boston.


Casou-se em primeiras núpcias com o famoso cosmologista Carl Sagan e a seguir com o químico Thomas Margulis. Teve filhos com ambos e divorciou-se de ambos.
.(seg.Ana Gerschenfeld - Público)


NB - A partir de 1966, seguíamos com natural entusiasmo as novas correntes que começavam a aparecer e sugeriam que células bacterianas (sem núcleo) poderiam ter fagocitado alguns corpúsculos mitocondriais que teriam "degenerado" em núcleos. Os nossos alunos eram postos ao corrente dos estudos que se iam fazendo nos Centros Científicos dos EUA.

É este o esquema que Margulis apresentou em 1966: um "hospedeiro procarionte" podia ter sido "invadido" bactérias aeróbicas para se transformar num ser amibóide dotado de "mitocondrias". A anexação, por este. de espiroquetas induziria a formação de um ancestral "amibo-flagelado" de onde "resultariam" animais, fungos e plantas (eucariótuicas).



Lynn Margulis em 1966

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