12 novembro 2011

Militares...

Na coluna "Opinião"
no "Público" em
12. Nov.2011

Vasco Pulido Valente

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Os militares resolveram fazer hoje uma manifestação no Rossio, à paisana como a lei determina e por simples razões corporativas. É público e notório onde costumam levar as "razões corporativas" dos militares. Talvez para preparar o acontecimento, Otelo Saraiva resolveu iluminar o país com a sua famosa inteligência. Numa entrevista à Lusa, esclareceu que uma "classe" política de "direita" está a retomar "tudo aquilo que eram as suas prerrogativas" durante a Ditadura e a "passar uma certidão de óbito ao 25 de Abril". Perante este horror, Otelo pensa naturalmente numa nova revolução, que ele não tem dúvida que seria muito mais fácil do que há 37 anos. Calculando por grosso, parece que lhe bastam 800 homens para o exercício e, presumivelmente, para ocupar o Estado e o país.Otelo é Otelo: não está habituado a pensar e não vale a indignação que por aí se gastou com ele. A ideia de liquidar o regime com 800 homens, cercados por 10 milhões de portugueses, não cabe em nenhuma cabeça senão na dele. Mas Vasco Lourenço não se pode ignorar com tanta ligeireza, porque, apesar de tudo, no meio do seu peculiar nevoeiro, põe um problema real. Já sabemos que os brandos costumes do indígena excluem à partida qualquer espécie de violência. Nós, como por aí se diz com grande orgulho, não somos gregos. Somos filhos daqueles que o dr. Salazar metia na ordem com um "safanão a tempo". A crise não afectará esta mansidão, mesmo se de quando em quando sair alguma gentinha à rua, muito pacífica, com meia dúzia de cartazes. O pior é que nada nos garante que o nosso bom povinho de Portugal continue eternamente cabisbaixo e manso ou que, na altura em que perder a paciência (uma hipótese a considerar), as forças de segurança (a PSP e a GNR) cheguem para o devolver à sua habitual mansidão. Ainda por cima porque a PSP e GNR também não andam muito felizes com o Governo e já no passado fizeram greves, que se estenderam a uma boa parte do território. Ora se por acaso um dia destes (em 2012? Em 2013?) os portugueses se irritarem a sério com a polícia ou a Guarda, ou a polícia e a Guarda decidirem que não lhes pagam o suficiente para bater no próximo, resta em princípio um único recurso: o exército. Enquanto Otelo sonha com disparates, Vasco Lourenço pensa obviamente nesse miraculoso momento.

.Otelo e Lourenço não têm concerto!... Estão completamente irrecuperáveis...

Convem que não esqueçamos que o primeiro, em 1974/75, nos quiz meter no Campo Pequeno e fazer o mesmo que aconteceu com os espanhóis, em 1936/39, na praça de Touros de Badajoz...

É de facto um idiota recalcado!...

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