Por uma qualquer razão, se é que alguma razão houve... foi combinado um "jantar de confraternização" nessa noite.
Na tasca do Ivo.
Na rua Cadetes de Toledo.
Depois seguiu-se uma Serenata...
Eis uma "tradução" (capaz de ser lida), que figura num "Diário de recordações" escrito por essa altura onde se relatam alguns dos "acontecimentos" que se passaram nessa noite:
"Saí de casa depois do jantar, disposto a ir ao cinema. Nos Cafés encontrei a "malta" do 7ºAno que ia ao "Jantar de Confraternização" e, entre eles, estavam já o Júlio Casaleiro, o Victor Saludes, o Zé Castilho, o João Barata e o Vinagre.
Entusiasmaram-me... e entusiasmei-me! Corri a casa a vestir a minha "capa velhinha" e fui mesmo ao jantar. Embora tivesse já jantado em casa, comi que me fartei! Mas não "entrei no vinho"... Só assim se pode apreciar um bom espectáculo.
A meio do jantar, o Salvado já me tinha contado a vida toda desde pequenino... e já estava um pouco de "olhos brilhantes", mas "se estava assim era para esquecer a Marília"...
No jantar ainda se reuniu muita gente e a noite correu bastante bem.
Foram convidados os contínuos do Liceu que alinharam bem connosco.
Estiveram presentes muito mais de metade dos alunos do nosso 7ºAno. Alunos homens, claro!... As alunas-mulheres, à noite, ficavam em casa, nos lares, a ouvir os "Discos pedidos", na Emissora Nacional...com o Artur Agostinho a comandar.
A meio do jantar fizeram-se algumas fotos, para mais tarde recordar...

Na fila de trás, há 15 "cabeças" que identifico, da esquerda para a direita:
Na segunda fila, de pé: Amândio de Azevedo Robalo, António Matias Sequeira, Joaquim Pires Simão, NN, o contínuo Sr.Rolão, o contínuo Sr.Videira, o António Paralta de Figueiredo, o Raúl Capelo, o contínuo Sr. José Carrondo, o contínuo Sr.Dias.
Depois aparece o Américo Mendes que tem ao seu lado, meio encoberto
.
No final do repasto e após as anedotas contadas pelo Vinagre que era um "contador" emérito que com facilidade nos punha a rir e bem dispostos, e depois de muita "imperial" (eram as bjekas da altura...) e muitas canecas de tinto, as coisas complicaram-se...
Tanto os guitarristas como os cantores (Vinagre incluído) resolveram que, ao sairem do Restaurante (do tasco!), iriam fazer uma serenata a algumas das nossas colegas.
E a primeira "vítima" foi a Júlia Costa que morava na rua Rodrigo Rebelo, ali mesmo a seguir à estação de camionagem, antes dos "Três Globos".
Em frente da casa da nossa colega Maria Júlia
Là no meio, com a viola e sentado, o Armando da Conceição.
"Cantou o Paralta que tinha um "fraquinho" por ela... e o António Vinagre que lhe cantou o "Adeus..." do Francisco José! Isso mesmo... o "Adeus... não afastes os teus olhos dos meus..."
A Maria Júlia, se ouviu... nem deu sinal de si! Foi o que fez de melhor... E, no entanto, a serenata ali correu maravilhosamente bem em comparação com aquilo que sucedeu a seguir quando cantaram para a namorada do Américo, a Fernanda de Oliveira Mendes... Também aqui cantou o Paralta ao qual se seguiu o António Vinagre que, com mais meia hora em cima e uma "digestão atrapalhada", a meio da canção, esqueceu-se que estava a cantar, e começou a comer um papo-seco. Quando lhe veio à mente o que de facto estava a fazer ali começou a rir à força toda. às gargalhadas... e a serenata acabou naquele momento... quase à pancada, porque alguém se lembrou de lhe dizer que ele estava era "grosso"...
O Paulo Hormigo definiu muito bem aquela "pseudo serenata" quando sentenciou:
Talvez fosse porque o Armandinho da guitarra tem estado muito doente, com uma íngua na virilha e não pode andar. Sempre que havia deslocações, ele era transportado aos ombros por dois parceiros, como nas promessas das romarias. Quando se fazia a serenata, um de nós levava um banquinho onde o Armando se sentava pois não aguentava ficar de pé..."
Já não estão entre nós alguns destes nossos colegas de Liceu.
O Américo Mendes, o António Vinagre e o Júlio Casaleiro
já nos deixaram.
Mas nem por isso deixarão de ser lembrados por nós com uma alegria igual àquela com que sempre viveram.
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