Proibidas, nesse ano, as saídas para Espanha, aos alunos finalistas do Ensino Liceal, tiveram estes de resolver o "probema" com aquilo que tínhamos em casa. Em Castelo Branco decidimos passar o Carnaval no Algarve!...
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Dia 16 de Fevereiro de 1953
Fez ontem 55 anos, fizemos a viagem de Évora para Lagos
"Depois do pequeno-almoço dei uma volta pela cidade e visitei o Liceu de Évora. É um edifício muito bonito mas muito diferente em estilo, do nosso Liceu. Seriam 10 horas quando saímos de Évora para iniciar uma viagem um tudo-nada maçadora; muito por causa da estrada que era horrível e cheia de buracos... Parámos para almoçar um pouco para lá de Aljustrel e passámos depois por Odemira e Aljezur para só parármos em Sagres e S.Vicente que visitámos.
Foi aqui que se passou um episódio digno de menção.
Com o promontório de Sagres ali mesmo à mão de semear, lembraram-se os professores, provavelmente o Dr.Duque Vieira que nos acompanhava, de fazer uma homenagem breve aos navegadores portugueses de quinhentos… Vai daí, ali mesmo ao pé do precipício o professor proferiu umas palavras breves mas sentidas, com nós todos à sua volta fazendo um esforço danado para dar seriedade e compostura ao acto a que assistíamos.
Com um lindo ramo de flores, colocada ao pé do Dr. Duque Vieira, uma das nossas colegas aguardava o fim do discurso para passar o ramo para as mãos do Mestre que as lançaria no mar num gesto largo e dramático… O que sucedeu logo depois… Só que o professor não contou com o dia ventoso que decorria e as rajadas eram tão fortes que por duas ou três vezes as flores voaram alto mas regressaram aos pés do mestre, teimosas em não cumprirem o seu papel… A cada lançamento elas voltavam para trás! Regressavam aos pés do Mestre recusando-se a obedecerem fielmente àquilo que estava determinado!...
O Duque não insistiu muito e, o melhor que fez, alinhou na risota que aquela situação provocou em todos nós.

Depois rumámos a Lagos onde chegámos ainda de dia. Demos uma volta à cidade e visitámos uma igreja e um museu a juntar a outros tantos que já tínhamos visto. Aí a gente começou a fazer contra vapor… a mostrar uma resistência passiva. Já estávamos a ficar fartos dos Conventos, das Igrejas e dos Museus que, a cada passo, o Duque Vieira mandava atravessar à nossa frente...
(…)
Em Lagos, à hora do jantar, sentei-me com o Zé Castilho numa das extremidades da mesa e como os professores se sentaram no outro extremo, as moças fugiram todas para a nossa banda. Mas o mais interessante sucedeu quando vi a Maria Júlia sentadinha, ali quase à minha frente, quando ainda há pouco eu a tinha visto a ocupar um lugar lá tão distante...
No nosso canto acabou por reunir-se um belo grupo de que faziam parte o Zé Castilho, a Célia, a Zezinha, a Mia, a Júlia, a Maria José Morão e eu. Foi tal o "chiqeiro" que se fez naquele local que deve ficar memorável nos anais da Pensão Costa d’Oiro, esta noite de Carnaval passada no Algarve.
À noite cederam-nos a sala do Clube chique e ali se armou uma bailação até à meia-noite. Como não havia discos, a Maria da Conceição Faria tocou piano e o Paralta mais o Proença tocaram harmónica. Deu para dançar um pouco… à falta de melhor música. A seguir ao baile fomos a um café comer qualquer coisa e recolhemos depois a umas instalações cedidas pelo exército, onde fomos dormir e rapar um frio enorme que teve consequências desastrosas…"
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Alguém se lembra disto?
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