04 julho 2016

O Aquilino Ribeiro...

...tinha coisas destas.
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"Este livro, Marianinha, leva o teu nome porque foste tu a musa-- para empregar a linguagem usada nos bons velhos tempos do metro e da rima -- que o inspirou. Quando o tio Aníbal era criança, escrevi para ele o Romance da Raposa; para teu pai, em idêntica altura, a Arca de Noé, III Classe. Para o meu amor pequenino, compuz agora estas prosas rimadas."
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Aquilino Ribeiro
(retratado por Maluda em 1985)
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Retirado do 
Livro da Marianinha
Segunda Parte - Céu Aberto

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A mestra remedava a D.Pulquéria
meia pernóstica e de todo aérea:
que trazia na aula um enteado
de estrela e beta e pé calçado,
obrigando-se à rima em az,
desenfadada, mas pretalhaz:
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- Ó rapaz,
vai ao Brás
ver se te faz
a tenaz.
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- Foi pelo pombo trocaz
a casa dos Sás,
a rogo do Vaz,
com o Monsaráz.
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- Pois leva o cabaz...
Se o preço for capaz,
compra-me lá um goraz,
e se as uvas não são más
traz um quilo do Ferraz.
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- E isto quem lho tráz,
senhora tão sagaz?
Não hei-de andar pra diante e pra trás.
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- Dá-o ao primeiro machacáz
que não seja ladravaz.
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Se vires o Tomás,
que foi capataz
da Companhia do Gás,
que mande a águarrás.
Pergunta-lhe, aliás,
se já tem os alvarás...´
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- À senhora nunca agrada o que se faz...
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- Eu bem sei que és perspicaz,
resolve lá como te apraz,
mas não te ponhas a ouvir os sabiás,
de maluqueiras tenho assaz.
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Vai em paz!
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NB -
Pobre "amor pequenino"... 
Pobre Marianinha...

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