18 abril 2018

E foi o meu amigo Justo...

...quem me fez chegar este artigo sobre a Justiça,
da autoria de Homem que foi seu contemporâneo
na cidade do Sado, na década de 60... o Comandante
a frequentar o Liceu e o Advogado ainda na Escola primária... 
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Santana-Maia Leonardo
Advogado em Abrantes
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A justiça de casino
Os tribunais portugueses estão hoje transformados em autênticas mesas de póquer onde só se podem sentar os ricos, que têm dinheiro para apostar e ir a jogo, e os pobres que jogam de graça e quem joga de graça, como se sabe, pode cobrir todas as paradas.
Neste sentido, podemos dizer que existe, de facto, uma justiça para ricos e uma justiça para os pobres. Só não existe mesmo é uma justiça para aqueles desgraçados que, com os seus impostos, sustentam toda a máquina judicial e legislativa. Ou seja, para a classe média.
Com efeito, se uma pessoa da classe média quiser ir a jogo com um pobre, sai de lá depenada. Para litigar com um pobre, saliente-se, uma pessoa da classe média tem de pagar tudo, directa e indirectamente: paga os advogados, as taxas e as custas das duas partes e ainda paga os vencimentos dos juízes, dos procuradores e dos funcionários judiciais, o edifício do tribunal e o mobiliário. Além disso, o pobre, porque joga de graça, abre logo as hostilidades fixando o valor da acção numa brutalidade, o que obriga o desgraçado da classe média, que tem de pagar tudo, a ter de começar logo a contar os trocos.
Em boa verdade, para a justiça portuguesa, a classe média só serve mesmo para vítima. É roubada pelos ladrões, pelos deputados, pelos ministros, e, se por acaso num acesso de loucura, quiser recorrer aos tribunais na procura de justiça, ainda é roubada pelos tribunais.
Para a senhora ministra da Justiça, cujo vencimento é pago pela classe média, o seu grande objectivo é a ressocialização do ladrão que, em regra, assaltou uma pessoa da classe média. E com que dinheiro pensa a senhora ministra ressocializá-lo? Com o dinheiro da classe média. Mas a pessoa da classe média que foi assaltada pelo ladrão que vai ser ressocializado pela senhora ministra da Justiça não tem sequer direito a reaver o que lhe roubaram. Não, a ressocialização do ladrão não passa por indemnizar a quem roubou. Quanto a esse aspecto, a opinião dos ladrões e dos políticos é coincidente: a classe média portuguesa só serve mesmo para ser roubada.
Que raio de país este em que os que pagam a justiça são precisamente aqueles que não têm direito a ela!...
Santana-Maia Leonardo, Abrantes.

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