11 maio 2017

Sim, são os mesmos...

São os mesmos, são.
Em 2016, o governo perdoou quase 170 milhões em impostos às grandes empresas.
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Luis Campos Ferreira
publicou este texto hoje,
dia 11 de Maio de 2017
no CM.

Luis Campos Ferreira
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Não há dia que não caia mais uma máscara à esquerda que nos governa. Ficou-se agora a saber que, em 2016, o governo socialista, com a bênção do Bloco de Esquerda e do PCP, perdoou quase 170 milhões de euros em impostos às grandes empresas, ao abrigo do Plano Especial de Redução de Endividamento ao Estado (PERES). E no programa de reavaliação de activos, onze empresas abarbataram-se a cerca de 80% dos benefícios, sendo que dois terços desses benefícios foram direitinhos apenas para cinco empresas. Até parece que são medidas à medida, não é? Consegue encontrar, aqui, alguma semelhança com aqueles partidos que, quando estavam na oposição, passavam a vida numa gritaria infernal a invectivar contra as grandes empresas e contra os governos de direita que os protegiam? Pois, eu também não consigo. Bloco e PCP estão a experimentar o próprio veneno e estão a gostar, apesar de fazerem má cara para inglês ver. Esta gente calou-se. Vendeu-se. Deslumbrou-se com o poder. E não são mais do mesmo. Berram uma coisa e fazem o seu oposto. Para quem todos os dias é massacrado com a prensa fiscal em que vivemos, o descaramento deste governo e a postura política sonsa dos bloquistas e comunistas deviam envergonhar o mais lateiro esquerdista dos muitos que hoje já perderam qualquer pingo de vergonha na cara. Estes são os mesmos que caucionam as políticas do governo que têm deteriorado o Serviço Nacional de Saúde e que, em dia de greve dos médicos, vão para os hospitais como se estivessem do mesmo lado da barricada dos que protestam e reclamam. Estes são os mesmos que se armam em paladinos dos serviços públicos e assistem de camarote à sua delapidação diária. Estes são os mesmos que faziam e aconteciam contra as "imposições imperialistas" da Comissão Europeia e que vão muito além das exigências em termos de défice. Serão, de facto, os mesmos? São, são. Apenas com menos máscaras.
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Luis Santos Ferreira
Colunista do CM

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