12 maio 2014

D.António Ferreira Gomes...

...o "carismático" Bispo do Porto
tem a sua estátua no Jardim da Cordoaria.
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D.António Ferreira Gomes
pelo escultor Arlindo Rocha (1921-1999)
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Boas recordações me ligam a este Homem que havia sido, antes, Bispo de Portalegre e Castelo Branco.
Em 1949, numa cerimónia realizada em Abrantes, para as juventudes católicas, recebi, de D.António, o Sacramento do Crisma.
Em 1957 e 1958, durante o mês de Maio, e com alguma frequência, D.António Ferreira Gomes ia rezar o terço depois do jantar, na capela do Lar da JUC, na Cedofeita e convivia connosco sempre que ali se deslocava.
Em 1958, numa cerimónia realizada em 2 de Maio, foi o Bispo D.António quem presidiu, na Sé do Porto, à Benção das Pastas da minha Queima das Fitas.
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Na Benção das Pastas,
em 2 de Maio de 1958
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E foi ainda nesse ano que subi, por várias vezes, ao primeiro andar da sede da campanha de Humberto Delgado, na Praça de Carlos Alberto, onde podíamos adquirir a célebre Carta que provocou enorme polémica naquela altura. 
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Nota - A seguir à campanha do General Humberto Delgado para a Presidência da República, tornou-se conhecido o "pró-memória", enviado pelo bispo do Porto a Oliveira Salazar para anteceder uma conversa que este desejou. É conhecido erradamente como Carta a Salazar (13 de Julho de 1958). Ao terminar o "pro memoria" para uma conversa com Salazar, o bispo do Porto lançou quatro perguntas relativas às possíveis objecções que o Estado teria à acção da Igreja e dos católicos. Com estas questões não pretende qualquer favor e declara: “antes, pelo contrário, penso que se não forem capazes de aguentar o desfavor e a animosidade do Poder, pouco podem merecer o respeito e a liberdade. Apenas sugiro e peço, mas isso com toda a nitidez e firmeza, o respeito, a liberdade e a não-discriminação devidos ao cidadão honesto em qualquer sociedade civil.” (GOMES - D. António, p. 139)
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Começou a circular, devido a inconfidências de um amigo de D. António e de um ministro de Salazar. Causou grande polémica nos jornais, às vezes bem reveladora do fanatismo vulgar de alguns espíritos. Certo é que saindo do país a 24 de Julho de 1959, por ser aconselhado a retirar-se uns tempos para férias, é depois proibido de entrar. Vê-se forçado a um exílio de dez anos, iniciado em Vigo e depois continuado em Santiago de Compostela, Valência – onde colabora na acção Pastoral - Lourdes, Ciudad Rodrigo e Salamanca. Neste locais recebe frequentes visitas de amigos e apoio da diocese do Porto, que soube ser fiel e digna no exílio do seu bispo.
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Anos mais tarde, em 1971, tive contactos directos com o escultor Arlindo Rocha, autor desta estátua de D.António, Bispo do Porto. Na verdade, Arlindo Rocha é também o autor das estátuas que embelezam a Fonte Luminosa da Avenida Luisa Todi,  em cuja pefeição o escultor se poderia ter inspirado um pouco mais quando resolveu "talhar" a estátua que eu vi no jardim da Cordoaria...
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A Poesia,
a escultura de Arlindo Rocha
que acompanha a Terra e o Mar
na Fonte Luminosa da Avenida Luisa Todi

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