13 março 2017

Eles foram professores do Liceu...

Francisco Lopes Vieira de Almeida
Esteve dois anos no Liceu de Setúbal como professor efectivo do 4ºGrupo (História e Filosofia) com a primeira tomada de posse registada no dia 10 de Novembro de 1915.
Mais tarde foi Professor Catedrático de Letras na Universidade de Lisboa.
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Prof. Francisco Vieira de Almeida
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"Figura filosófica e cultural de grande relevo na sociedade portuguesa, durante a primeira metade do século XX, Vieira de Almeida foi, enquanto professor, autor e personalidade, um caso invulgar de rigor filosófico e atenção cívica que, embora hoje pouco lembrado, não pode ser esquecido quando se trabalha a história e a cultura portuguesas contemporâneas.” (Carlos Leone)
Não deixa de ser interessante reler o que, sobre o Prof. Vieira de Almeida, escreveu ainda Carlos Leone.
“Licenciado e doutorado pela Faculdade de Letras de Lisboa em Filosofia, ingressou como docente na Universidade pelo grupo de História (em 1915). Em 1921 voltou à área de Filosofia onde ascende a catedrático em 1932, mantendo-se em actividade permanente até 1958.
Apesar de entre a sua extensa bibliografia encontrarmos poesia, romance a e teatro, bem como traduções, é a sua actividade como professor e ensaísta na área de Filosofia, e também de História, que o distingue.
Ora, Vieira de Almeida foi (…) um dos raros autores portugueses com trabalhos de relevo em Lógica (e na sua divulgação), mas nunca abdicando de um compromisso político explícito apesar dos dissabores que o regime lhe causou mesmo em idade avançada.
Monárquico, e próximo de autores como Pequito Rebelo e Hipólito Raposo nos alvores da I República, não demorou muito a cativar simpatia noutros quadrantes e não espanta, por isso, ver o seu nome entre os fundadores da Revista dos Homens Livres («Livres das Finanças e livres dos Partidos»), projecto frentista contra a degeneração da República na década de 1920.
(…)
…implantada a ditadura que estará na base do Estado Novo, Vieira de Almeida encontra-se já próximo do grupo Seara Nova, com o qual mantêm contactos, através de Câmara Reys, mesmo depois de António Sérgio se afastar da revista. Era já então uma figura intelectual de referência…
…na ressaca da campanha do General Humberto Delgado e do seu desfecho, encontramos Vieira de Almeida entre os «quatro grandes» (expressão de Mário Soares no volume de homenagem a Vieira de Almeida no centenário do seu nascimento, v. Referências bibliográficas) que se juntam a Delgado para convidar os socialistas Aneurin Bevan e Mendès-France para conferências em Portugal, em 1959.
Impedidas as conferências, e presos os quatro notáveis (além de Vieira de Almeida, Jaime Cortesão, António Sérgio e Azevedo Gomes), o regime tentou voltar à normalidade. Não o conseguindo, não impediu no entanto Vieira de Almeida de morrer em casa, lúcido e comunicativo, estimado pelos mais variados sectores da vida intelectual portuguesa.”
Num artigo publicado na “Labor” – Revista do Ensino Liceal, nº212, de Maio de 1962, pudemos recolher alguma informação sobre este insigne Mestre:
“Grande valor entre os diplomados do Curso Superior de Letras, nasceu em Castelo Branco em 1888 e faleceu em Lisboa, em Janeiro de 1962.
Tendo exercido o ensino, como professor do 4ºgrupo, nos liceus do Funchal, SetúbalBeja e Pedro Nunes, ascendeu em 1930 ao quadro de professores da Faculdade de Letras de Lisboa, onde deu provas de extraordinárias qualidades de inteligência e de caracter.
Na “Colóquio” – Revista de Artes e Letras da Fundação Gulbenkian, nº17, de Fevereiro de 1962, escreveu a respeito deste colega o Prof. Hernâni Cidade: “…Vieira de Almeida, de efervescência espiritual que o interessava pela especulação e pela crítica de ideias e de formas literárias, tanto como pela erudição filológica, e assim tão capaz de traduzir o Latim de Santo Agostinho como o Grego de Demóstenes, de construir o romance tanto como de criar a poesia, e igualmente tão propenso às tarefas mais pesadas como às agitações menos cautelosas da política…”    
Em 1988, foi-lhe prestada uma devida homenagem pelos Antigos Alunos do Liceu de Castelo Branco que descerraram uma placa evocativa na casa onde viveu, naquela cidade.
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Ali esteve presente o filho, Vasco Vieira de Almeida, e o sobrinho Carlos Manuel Vaz de Carvalho que fez o elogio do homenageado.
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Vasco Vieira de Almeida e o
Presidente da Câmara Manuel Castelo Branco

É verdade. Há uma outra história divertida: o Ortega y Gasset veio fazer uma conferência à Faculdade de Letras e os alunos e professores pensaram que era um motivo para se fazer um grande frente-a-frente. O Ortega y Gasset foi apresentado ao meu pai e perguntou: “Es usted un profesor decano?”, o meu pai respondeu: “Não, não sou de cano, sou de ar livre!”. Sempre detestou tudo o que tivesse um ar pesado, sisudo e convencional. (numa entrevista de Anabela Mota Ribeiro).

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