05 novembro 2016

Paulo Ferreira...


... começou a escrever no "ECO - Economia on line".

"Estreei-me hoje no ECO. A coluna chama-se "Dias assim" e vai olhar para os principais temas da semana. Críticas e sugestões são sempre bem vindos." (04.11.2016)

Haverá maior sintoma de que continuamos numa crise profunda 
do que ver a nossa existência e utilidade reduzidas 
à tentativa de escapar a nova bancarota?
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Paulo Ferreira
(...)
Quarta-feira
A saga da La Seda não diz nada à generalidade dos contribuintes. Mas todos vamos agora pagá-la através da Caixa Geral de Depósitos. Neste dia, ficámos a saber que esse investimento pode custar 900 milhões de euros ao banco público.

O que correu mal? Tudo, a começar pelas decisões de crédito da Caixa politicamente orientadas. O banco começou por deter uma posição minoritária de 4% mas desde aí não mais parou de reforçar no capital, de conceder ou garantir empréstimos de centenas de milhões. Até ao colapso.

Este foi um daqueles investimentos-bandeira da era Sócrates: uma fábrica de produtos químicos de 400 milhões de euros, de Sines para o mundo.

Vale a pena recuar oito anos até ao dia 13 de Março de 2008, quando foi feito o lançamento da primeira pedra, a merecer, claro, honras de governo, de telejornais e de promessas de futuros radiosos.

José Sócrates, primeiro-ministro: “É um investimento para colocar Portugal na rota e no mapa da economia global do sector petroquímico e que se destina a vender para todo o mundo, e a fazê-lo com valor acrescentado”; “O Estado português tem bem consciência do que Sines significa e, por isso, algumas obras são decisivas para Sines e para o país. Teremos aeroporto de Beja até ao final do ano” [prova de que uma desgraça nunca vem só].

Manuel Pinho, ministro da Economia: “vai exportar cerca de 500 milhões de euros por ano e criar cerca 400 empregos directos e indirectos contribuindo também para atrair outros investimentos para a região”.

Faria de Oliveira, presidente da CGD: “é um investimento eminentemente instrumental para apoiar a economia nacional e o investimento industrial”.

Três anos depois, a troika estava a caminho. A Caixa permanece nos cuidados intensivos..

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