17 março 2015

Palpitante voa um beijo...

... num poema que
Alexandre O´Neill
baptizou com o nome de 

O Beijo
.
Alexandre O'Neill
-
O Beijo

Congresso de gaivotas neste céu
Com uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

'E uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
.
Alexandre O'Neill
in. "No Reino da Dinamarca"

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