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16 outubro 2022

Manta religiosa

 A Manta religiosa é um animal Artrópodo, da Classe dos Insectos e da Ordem dos Ortópteros, tal como a barata e o gafanhoto e a sua espécie tem a designação científica de “Mantis religiosa”. Apresenta normalmente uma coloração esverdeada.

 
Mantis religiosa
(A fêmea devora o macho após o acto da cópula
    

Pareces a “Manta” verde
Que, saciada, devora...
Só destróis... e alguém perde
Sua Vida... nessa hora!

Louva-a-Deus, “religiosa”
Olhos no Céu... divertida...
Numa postura amorosa
Devoras quem te dá vida...

Se um dia puder escolher
Num menu... o fim mais certo... 
Louva-a-Deus queria ser
Com uma fêmea por perto...

O macho da Louva-a-Deus
De feiticeiro... aprendiz...
Bem sabe que a morte é certa...
Mas que vai morrer feliz!...
 
Se o Amor fosse ciência
Exacta como a de Tales 
Eu teria paciência 
P’ra calcular o que vales...
.
As belas telas pintadas
Por pintores de quem gostamos
Devem ser como as mulheres
Só em privado as amamos...

Vi-te com olhar perdido
pousado num grande nada...
Nada fazia sentido
Estavas de branco... deitada...

Nem um som... um movimento
Nem um sorriso sequer...
Uma palidez de morte
Não fica bem em mulher...

Tento falar de mansinho
Nem ouves o que te digo...
O que tenho pr’a dizer
Quero dizer... não consigo...
.
Serra da Arrábida
João de Castelo Branco
22.Jul.1997 

15 outubro 2022

Parabéns!... 15 e Outubro.

O Zé Maria e o Lourenço
fazem hoje 2 anos.
Mais um ano que passou a correr...
.
O Zé Maria e o Lourenço
(os "reguilas lá de casa")
Beijinhos para os dois e também um para a Mãe Madalena.

O Cipriano da Vela...

Este texto foi escrito em 
26 de Julho de 1997.
.

        Esta manhã, numa Brasileira sem ninguém, sentou-se na mesa ao lado da minha, um estranho personagem, “artista” habitué por aquelas paragens e que me tem chamado a atenção pela maneira como veste e se comporta. Por vezes sozinho, escrevendo ou pintando ou gravando os mais diversos materiais, de pequena dimensão, estilo postal ilustrado. Deve viver de expedientes...

     Acompanhado por um outro indivíduo, ficou só passado algum tempo. E logo a seguir dirigiu-me a palavra:

     “O Dr. desculpe... não quer ficar-me com um destes desenhos?” e passou-me para a mão alguns daqueles postais, todos eles com um desenho de flor com um poema escrito por cima...

     Antes que eu me “encolhesse” acrescentou:

É para ver se dá para o almoço...” e aí, avancei com um postal mesmo depois de ter mencionado como “preço” uma nota de quinhentos.

“Se é para a ajuda do almoço está bem! Devem ajudar-se os “artistas...”, acrescentei à medida que lhe entregava a “nota” combinada.

Só então se deu a conhecer...

“Eu fui aluno aqui no Liceu... Não fui seu aluno, mas lembro-me muito bem de si. Tirou-me uma vez, a mim e ao meu cunhado Zé Augusto, uma fotografia num barco que, mais tarde, esteve ampliada e exposta na Feira de Santiago...

Era o Cipriano!... O Cipriano da Vela, o Cipriano lourinho e gorducho de quem fui Director de Ciclo nos finais da década de sessenta... Bons e velhos tempos... O Cipriano não tem agora nada de gordo, antes pelo contrário... e de loiro só parecenças... Está alto, está magro e parece não viver com muito desafogo.

Disse-me que esteve imigrado mais de 12 anos, na Suíça. E que a vida lhe foi madrasta. Não entrei em pormenores, achei que não devia...

Mostrou-me alguns trabalhos dele. E os manuscritos de dois livros de poemas que diz querer publicar.

Não resisto a transcrever o poema que coube no postal que lhe valeu metade do almoço de hoje...

Sobre uma “Rosa vermelha” desenhada em lápis de cor, escreveu o seguinte Poema que assinou num rabisco onde não me seria possível, por mais boa vontade que tivesse, descortinar a palavra Cipriano... 

Prenda Rosa

Rosa Rosa

Rosa Cor

Cor de Rosa

Branca Rosa

Rosa Flor

Primorosa

Rosa em Flor

Meu Amor

(segue uma assinatura feita um rabisco)

E é simples, mas muito bonito, este Poema...

                            

10.07.1969 
O Zé Augusto e o Cipriano
fazendo vela no Sado
(a tal fotografia que esteve exposta na
Feira de Setúbal, ainda na Avenida Luísa Todi).

14 outubro 2022

O aroma subtil das violetas...

 ... num soneto a que 
Gonçalves Crespo 
deu o nome de
"Suas mãos".
.
Gonçalves Crespo
(1846/1883)
Foi casado com Maria Amália Vaz de Carvalho
.
Suas mãos

As mãos dessa franzina criatura
São feitas de camélias cetinosas;
Ressumbra na suavíssima textura
O azul das ténues veias caprichosas.

Levemente compridas, graciosas,
Escurecem das teclas a brancura;
E desprezam as lindas preguiçosas
Os finos arabescos da costura.

Os dedos são de jaspe modelado;
E as unhas... só podiam as paletas
de um chinês imitar-lhes o rosado.

Se alguém as beija em curvas etiquetas,
Sente um aroma doce e delicado
Como o aroma subtil das violetas.
.
Gonçalves Crespo

13 outubro 2022

A menina mais linda,

 ... que encontrei num raio de 200 Kms.
.
Chama-se Luisinha
.
e faz hoje 8 anos.
Parabéns!...
e muitos beijinhos.
.
NB- Dou também os parabéns
ao Gonçalo pai que fez este "espanto" de Fotografia.
Fiquei com "Inveja" !...
Mereces bem os parabéns. 
Mas... gostaria de ter sido eu a fazer o "clik"...
Um abraço.
jjmatos

Parabéns!... 13 de Outubro

O Gonçalo Veloso 
(Pai da menina mais linda... num raio de 200 kms)
também faz anos hoje.
Vai entrar nos 40...
.
Gonçalo Nuno Sousa Lopes e Silva Veloso 

12 outubro 2022

Faleceu Angela Lansbury...

 ...tinha 96 anos.
Era a escritora e detective amadora Jessica Fletcher
na série "Crime, disse ela".
Morreu ontem, em paz durante o sono.
Britânica de nascimento, tinha dupla nacionalidade e
era também cidadã norte-americana.
Fica ligada a dois filmes, a "Meia Luz", de George Cukor, em 1944 e o "Retrato de Dorian Gray", em 1945.
.

Angela Lansbury
(1925/2022)

Que descanse em Paz.
.

11 outubro 2022

Vasco Pulido Valente...

 ...visto por
Fátima Bonifácio
Em 23 de Fevereiro 2020,
no “Público


 Vasco Pulido Valente

Em Setembro de 1974, fui convocada por Fernando Lopes para uma “reunião de trabalho” no Centro Português de Cinema. À hora marcada, cinco da tarde, compareci no local. Éramos mais de uma dúzia de pessoas, a maioria delas ligadas ao cinema, outras eram jornalistas e eu era estudante de História na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa. A ideia, se bem me lembro, era produzir um documentário sobre Portugal. Ideia vaga, que caberia ao Vasco precisar. Mas não havia maneira de o Vasco chegar. Finalmente, com mais de meia hora de atraso, lá entrou o personagem – que eu não conhecia nem nunca vira – com ar sorridente e desportivo. Disse umas graçolas sobre o Spínola a que eu não achei graça nenhuma. Do alto dos meus 26 anos, talvez no auge da minha infantil arrogância e insolência, enfrentei a criatura e repreendi-o por ter feito esperar tanto tempo tanta gente. Ou seja, não podia ser mais atrevida e inconveniente. A reunião lá começou e já não sei como acabou. Cada um foi à sua vida, e eu à minha.

Fátima Bonifácio
.

Quinze dias depois, o telefone toca em minha casa. Atendi. Era o Vasco Pulido Valente a perguntar-me se eu não quereria ir trabalhar com ele no recém-criado Departamento de Programas Político-Sociais na RTP, do qual ele fora nomeado coordenador ou chefe ou outra coisa qualquer. Fiquei estupefacta! Mas não levei mais do que dois ou três segundos a perceber que ele tinha apreciado a minha irreverência. Ao longo da vida, nunca mais esta qualidade me serviu de trunfo para nada – bem pelo contrário, serviu-me para arranjar sarilhos e inimizades.  Este episódio, à primeira vista tão banal, revelou-me que encontrara uma pessoa muito especial e peculiar.

Eu lá entrei para a Televisão, e o Vasco bateu a porta duas ou três semanas depois. Déramo-nos bem, estabelecera-se entre nós uma espécie de amizade e dentro de pouco tempo já tínhamos amigos comuns. Mas mantive sempre com o Vasco uma relação à parte. Almoçávamos ou jantávamos juntos com regular assiduidade. Começámos pelo “Isaura”, que frequentámos bastante tempo; daqui passámos para o “Polícia”, onde jantávamos quase quinzenalmente; e, num upgrade final, mudámo-nos para o “Gambrinus”: já tínhamos subido na vida o suficiente para sustentar este luxo.

Mas foi ainda no tempo do “Isaura” que o Vasco um dia me deixou completamente desconcertada. Falávamos sobre as pessoas, as suas qualidades e defeitos. Eu disse qualquer coisa como – “Ninguém fala dos seus defeitos mais graves ou feios”. Resposta: “Pois eu falo”. Pergunta: “Então diz lá um defeito teu daqueles que as pessoas não mencionam.” Resposta: “Olha, por exemplo, sou mentiroso.” “Repete lá isso!”. “Eu sou mentiroso”. Fiquei atónita e sem palavras: tanta coragem moral! Desde esse dia passei a olhar para o Vasco com muita admiração e muito respeitinho. Quantas pessoas haverá capazes de se exporem com tanto desassombro? Só conheci uma. Chamava-se Vasco Pulido Valente.

Não tem fim o que lhe devo. De todas as vezes que estivemos juntos aprendi sempre alguma coisa com ele; ou levava para casa uma questão para pensar. Principalmente, foi com o Vasco que aprendi a escrever história, num tempo em que a produção historiográfica portuguesa, esmagada entre o academismo e o marxismo, era praticamente ilegível. Sobre isto, o Vasco era divertidíssimo, mormente quando dedilhava as suas cordas mais cáusticas e mordazes, que eram as minhas preferidas. Estas duas qualidades, sobretudo, irritavam os leitores das suas inúmeras crónicas: que era um pessimista crónico, talhado para só ver o lado sombrio da existência. De facto, esta não lhe aparecia pelo lado solar, e ele não estava disposto a dourar a pílula da vida ou o mundo. Vasco Pulido Valente sempre foi o implacável escritor de uma justificada desesperança.

A sua inteligência deslumbrava – do Vasco Pulido Valente se pode dizer, com toda a pertinência, que era um génio. A sua cultura enciclopédica era esmagadora – mas esta, trabalhada e assimilada pela sua mente superior, transformou-a ele num método de pensar. A inexcedível beleza da sua prosa servia à maravilha esta espécie de alquimia. Resta acrescentar que existe um fio condutor que confere coerência ao que muitas vezes pareciam incongruências: a sua absoluta intransigência em relação à Liberdade. Foi um homem livre e sempre respeitou a total liberdade dos outros, mesmo quando esta tocava as raias da extravagância. Parece fácil ou evidente? Não, é muito difícil, e foi, em Vasco Pulido Valente, a forma privilegiada da sua generosidade.
.
Fátima Bonifácio
in. "Público"
23.02.2020

10 outubro 2022

Recordações...

Agosto de 1982
em Setúbal.
.

            GI

09 outubro 2022

Se bem que seja Outono...

 ... num poema que 
António Salvado 
publicou em 
"Passo a passo".
.
António Salvado
(numa fotografia de 02.06.1973)
.
Se bem que seja outono
.
Se bem que seja outono
e véspera de inverno, 
eu canto a primavera,
nela o meu estro ponho.

que é tu, ilimitada
tão constante presença,
o ar purificado
que sempre de ti vem.

E ali estamos ardendo
sempre desencontrados,
num benéfico espaço
com tão desiguais tempos.
.
in "Passo a passo"
de António Salvado
2014

08 outubro 2022

São quadras, meu bem... são quadras!...

De moderna a fama trazes
Pelos centros mais mundanos,
E, afinal, o que tu fazes
Já se faz há milhões de anos.

07 outubro 2022

A pintura de Graça Lagrifa...

 Foi Graça Lagrifa quem escreveu:.

"Blue shadows.
Afeganistão
"Excluidos"
Desconheço a autoria da foto."
.
Blue shadows

06 outubro 2022

“Summer’s Lease”

 Num qualquer dia de Julho de 1997, escrevi um texto que voltou agora, vinte e cinco anos depois, aos meus olhos... que voltaram a lê-lo com interesse: 
Passou na TV, creio que no canal Hollywood, um filme que lembro de ter visto há já muito tempo. Penso que o título do episódio que vi era "O percurso de Urbino", de um filme chamado "Summer's Lease" (Arrendamento de verão) passado na Itália, na rota de Piero de La Francesca e dos seus maravilhosos quadros, relacionado com as "memórias" de infância da protagonista, Mrs. Mollycoddle, mulher de quarenta anos, com três filhas pequenas e um marido com o qual mantem um relacionamento respeitoso mas medíocre.
O pai, Mr. Heverford Pargeter, é um "senhor" da classe média alta, interpretado por Sir John Guielgud e que, sub-repticiamente, inferniza a vida entre a filha e o genro. Um diálogo entre ambos, à boca fechada, sentados numa sala onde estão presentes outras pessoas, é disso um bom exemplo.
.
Sir John Guielgud

- Porque fez aquilo?
- Fiz o quê?
- Sabe muito bem! Conseguiu destruir o meu casamento. Porque lhe contou?
- Do casto beijo em Chancery Lane? Isso vai destruir o teu casamento?
- Pode achar graça. Todos se riem dos casamentos desfeitos, nos anos 60. Eu considero o meu um pouco mais sério.
- Palavra?
- Sim! Tenho sentido de responsabilidade.
- Coitado! Espero que melhores rapidamente. Posso dar-te um conselho? Em como voltar a estar nas boas graças da romântica Mollycoddle? Ela considera intolerável que o que fizeste com a bonita Tobias não passasse de um beijo sem paixão, na rua.
- Parece que sim.
- Diz-lhe que tiveste um caso apaixonado, não só com a bonita divorciada, mas com a rapariga do PBX e uma senhora fisioterapeuta de Fulham. Depois diz-lhe que preferes estar com ela do que com qualquer das outras. Isto ajuda-te?
- Sim, muito obrigado..."
Do ponto de vista da vida afectiva, o velho Pargeter tem um passado de "medalhas"...
Em certo momento, está de visita a uma velha companheira, Nancy Leadbetter, muito menos velha do que ele... muito mais rica, e dona do palacete onde decorre o diálogo, que é admirável em alguns momentos.
Na passagem, em grupo, da sala onde acabavam de jantar, para uma outra onde se dispunham a tomar o café e as bebidas e à medida que se deslocavam, o "velho" Parfeter dirigia-se à "velha Amiga" Nancy Leadbetter:
"- Há muitos anos, quando o Arnold ia comprar esta casa e te mandou vir cá vê-la, eu estava em Siena, alegadamente a escrever o meu "Oscar Wilde e a alma do socialismo" mas, na verdade, tinha vindo encontrar-me contigo.
- E então?
- Quê?
- Encontrámo-nos... Não te lembras?
- Lembro-me de vir cá, quando a casa não tinha mobília e estava no estado em que o velho Baderini a tinha deixado... Lembro-me do frio e do chão de pedra..."
Depois, já sentados, o "velho" Pargeter continua...
"- Deixaste-me seduzir-te naquele sítio (e apontava para o chão...) antes de haver um único tapete.
- Agora esta casa é demasiado grande para mim... demasiado grande para uma pessoa sozinha?
- Ando de um lado para o outro como uma ervilha num tambor.
- Para duas pessoas... Não estará na altura de recomeçarmos o que interrompemos?
- Que foi isso?
- Foi uma loucura... mas foi tão doce...
- Lembro-me vagamente de vir cá contigo quando a casa estava vazia.
- Disseste que estavas sozinha agora. Eu não me sinto só, mas o meu pequeno apartamento não ecoa quando ando lá dentro... O que quero da minha vida é...
- Que queres fazer
- Com licença... (e sai aflito...)"
Momentos mais tarde, num recomeço de diálogo, surge a seguinte conversa:
"Claro que me lembro daquele dia em que a casa estava vazia..." responde ela a uma alusão de Sir Heverford Parteger. E continua:
"Devia pôr uma pedra gravada no chão da sala: "Nancy Lead Better caiu aqui... e não se levantou durante algum tempo..."
Num outro momento, o "elegante e velho devasso", referindo-se à bebida que Nancy lhe acabava de servir teve uma frase, dita na passada, que merece ser referida: "Este café está frio como a castidade..."
Há diálogos neste filme que parecem encomendados. Convém referir a origem inglesa do filme e dos interpretes. Que falam um inglês a que nos habituaram Laurence Olivier, John Gielgud e toda aquela gente que passou por Old Vic. Um inglês perfeito... teatralmente perfeito!
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Sir Laurence Olivier
.
Num dia, em que a protagonista, nas suas investigações, se desloca a Urbino sozinha, apenas na companhia de um velho casal amigo, Connie e Nicholas, que lhe ofereceu uma boleia até à cidade, há este diálogo que registo:
- "Onde gostaria de estar, em Urbino"?, pergunta a "velha amiga".
- "Sei onde servem peixe. Com batatas cozidas. Uma batata cozida dá muita energia..." acrescenta o marida daquela."
- "Prefiro passear sozinha, esta tarde. Espero que não pensem que estou a ser indelicada".
- "Claro que não!" atalha o velho companheiro. Aprendi essa lição no serviço consular. As pessoas não gostam quando começamos a meter o nariz nos assuntos deles... Importam-se muito mais do que em Inglaterra. Deve ser por causa do calor..."
Agora, é a Connie que toma a palavra e continua o diálogo que o marido interrompera, perante uma protagonista que, enigmática, apenas se limitava a ouvir, mantendo-se tanto quanto possível, fora da conversa.
- "Por vezes é uma tentação, não é? Intrometer-nos só um bocadinho... A vida das outras pessoas parece tão interessante...
E a cena morreu com o realizador focando a face e os olhos de Mollycoddle.
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Não me lembro onde baseei esta minha "escrita" de há cerca de 25 anos...
A minha memória já passou a ressentir-se há uns tempos...

05 outubro 2022

Carlos Macedo...

... e a "vocação".
.
Carlos Macedo
(1937/2017)
.
Citado por Carlos Macedo, o Dr. José Cassiano Neves, seu grande e saudoso amigo, escreveu sobre Ladislau Patrício, médico distinto e escritor, que não há profissão mais sublime e humanitária do que a profissão de médico. No entanto, para a exercer impõe-se um conjunto de qualidades a que se chama "vocação".

Muitas profissões exigem uma “vocação”. Dizia-se, há uns anos, que a profissão de professor, para alem de exigir “vocação” teria de ser exercida como “sacerdócio” ...

Ao ver o entusiasmo de uma minha colega, cuja face se transfigurou quando me deu esta novidade, envolvida ela própria na nota de uma sua aluna num exame, nota que também a ela pertence, lembrei que a vocação não é exclusiva de médicos... Esses, ao menos, sempre foram melhor compensados que os professores... Não será bem por sacerdócio... que exercem a medicina!

Vocação e sacerdócio é isto! É sentirmos nossos os êxitos dos nossos alunos. É ficarmos contentes, é sentirmo-nos leves e capazes de voar, acompanhando o voo desses mesmos alunos...
Estes momentos são tão bonitos de ver...

Faz bem à alma ver estampada na cara das pessoas uma felicidade que recompensa muitos momentos de angústia... muitas horas de descrença... e por vezes, muitas incompreensões...
.
Este texto foi escrito
em Setúbal
25.07.1997

04 outubro 2022

O Beija-Flor...

Fez há pouco 25 anos que escrevi estas memórias...
.
Esta noite, por qualquer desígnio do acaso, lembrei-me da maneira como os colibris ficam parados no ar (voler sur place) pairando junto das flores que libam. E isso foi fonte de inspiração.
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O Beija-Flor
Ou Colibri

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Colibri é o nome vulgar de uma pequena Ave da América do Sul, da Ordem dos Tenuirrostros e da Família das Troquilidas, que se alimenta do néctar das flores e apresenta plumagem de cores brilhantes e reflexos metálicos. Seu voo é muito rápido e é capaz de “voler sur place”. Uma Ave também conhecida por Beija-Flor.
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E a inspiração deu nisto:
. 
Estão suspensos num desejo
Teus olhos negros rasgados...
Fecho os meus olhos e vejo
Dois olhos apaixonados...

Um beijo aqui, ao de leve
Outro acolá, com Amor...
Fico parado no espaço
Como faz o beija-flor

Quando beija, o Colibri
Beija com tanto vigor
Que, envergonhada, eu já vi
A Rosa ficar sem cor...

Se um Colibri te pareço
E tu a Flor num jardim
Beijo a flor e bem mereço
Que me beijes só a mim...

O Beija-flor quando beija
Deixa a flor ruborizada
O tudo que se deseja
É um tudo... quase nada...

Gostaria de voar
Em “sur place”... p’ra te ver
Pairar no mesmo lugar
Ter-te à mão... e não te ter...

As tuas asas abertas
Ao vento, para voar...
Deixam, de sombras, cobertas
Minhas penas... a penar...

Se sinto o bem que me fazes
Sonho com a liberdade...
Só os sonhos são capazes
De mudar o que é verdade...

As asas do Beija-flor
Batem depressa demais
Tuas asas que não vejo
São mil abraços fatais...

Tu voas atrás do vento
Com vontade de o prender
Fechas a mão num momento
Mas nada fica p’ra ver...

Atrás de ti ando eu
Com vontade de te ter...
O vento corre no céu
Tu corres p’ra me não ver...

Para seres o que eu desejo
Dava-te um beijo primeiro...
P’ra te abraçar... outro beijo
E p’ra te ter... um terceiro!...
.
João de Castelo Branco
Alpedrinha/
Agosto - 1997

02 outubro 2022

Humor antigo...

...com o traço 
característico de
Uber
.
- Essa é que é a posição de "sentido" ?

01 outubro 2022

São quadras, meu bem... são quadras!...

Um dedo em baixo...outro em cima...
Cabes na palma da mão. 
Mas a força que te anima 
É maior que um Coração!...

30 setembro 2022

No "Independente"... de hoje.

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(Este texto foi escrito no dia 25 de Julho de 1997)
.
Comprei hoje o "Independente", o que já não fazia há muitos anos. Chamou-me a atenção um artigo sobre as respostas, dadas em exames orais a nível universitário, por alguns alunos que se pensam uns grandes "craks"!
Mas fiquei emocionado ao reler A.B.Kotter, nos "Bilhetes do Colares" que, pelo visto, ainda perduram... E recordei a Quinta da Beldroega... e revi a fiel Margarida... e todos aqueles "que frequentam a Beldroega e trazem para dentro dos seus muros a informação sobre a qual eu construo a imagem deste maravilhoso país que tão generosamente me acolhe no seu seio".

E esta crónica de hoje, como sempre numa tradução de J.Fonseca, também este a recordar, termina com um bom pedaço de prosa...

" Numa esquina da Madragoa ouvi uma petiza perguntar: "
- Ó tia, o que são engenheiros?"
- São doutores, filha", veio a resposta. 

Em mentes mais desenvolvidas tende-se a associar doutores às declinações do latim e engenheiros à tábua de logaritmos..."

Ainda neste Independente, num artigo de Carlos Macedo, médico psiquiátrico em tempos ligado ao PPD, e a propósito da "vocação" escreve-se o seguinte:

"Nasce-se médico, e se assim não fosse o número de bons médicos seria igual ao número de diplomados.

... O prof. Dr.D.Tomaz de Mello Breyner em conversa com Ladislau Patrício, contou-lhe que, ao terminar o Curso de Medicina, Sousa Martins lhe dera salutares conselhos, terminando com estas palavras: "Tomaz, quando entrares de noite num Hospital e ouvires algum doente gemer, aproxima-te do seu leito, vê do que precisa o pobre enfermo e, se não tiveres mais nada para lhe dar, dá-lhe um sorriso..."

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Estátua de Sousa Martins
no Campo Mártires da Pátria, em Lisboa
(em frente do antigo edifício da Faculdade de Medicina.

José Tomás de Sousa Martins foi um médico e professor catedrático da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, antecessora das Faculdades de Medicina de Lisboa, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Ciências Médicas da UNL - Universidade Nova de Lisboa.

São quadras, meu bem... são quadras!...

 .
Conhecem-se os frutos sãos
apalpando-os... Mas cuidado!
As brincadeiras de mãos
dão sempre mau resultado.

A pintura de Graça Lagrifa...

Foi Graça Lagrifa quem escreveu:
.
"@mauro_de_bettio é o autor da foto que me levou a saber mais sobre estaleiros navais no Bangladeche/Daca. Neste lugar onde são desmontados velhos navios, vindos das mais variadas partes do mundo, trabalham dia e noite e de uma forma desumana PESSOAS, dos 8 aos 80 anos. O olhar deste jovem não necessita de explicações. Entrou no meu grupo dos "Excluídos"."
.
O olhar deste jovem...