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10 abril 2022

Recordações...

 Em 30.09.1986
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                     GI

O Clube de Castelo Branco...

 ...vai comemorar 118 anos, neste dia 10 de Abril.
Foi através do "cordão umbilical" que dá pelo nome "Reconquista" que tive conhecimento do Aniversário que hoje comemoram.
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"Aniversário do Clube já tem programa definido"
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O Clube de Castelo Branco assinala a passagem do 118º aniversário no próximo domingo, dia 10. (...) De acordo com o programa desta festividade, o dia começa bem cedo logo pelas 10 horas, com um Porto de Honra, seguindo-se uma ida ao Cemitério de Castelo Branco, a celebração de uma eucaristia na Sé e o habitual almoço de confraternização na sua sede, situada no Largo de S.João desta cidade.
A tarde será preenchida com um baile abrilhantado pelas interpretações de Anabela Beirão e um "lanche ajantarado" encerrará este preenchido dia.
A direcção liderada por Alfredo Araújo apela à participação dos sócios desta que se orgulha de ser a mais antiga associação existente na cidade albicastrense."
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in. "Reconquista"
07.Abril.2022
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É uma boa altura para recordarmos como foi o seu 50ºAniversário que deu motivo a uma bela fotografia dos seus sócios, junto da porta da sua sede naquela época.

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Na escadaria de acesso ao edifício do
 Clube de Castelo Branco
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Reconhecemos a maioria das figuras dos sócios que então formavam o Clube.
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1ªFila – Sentados: sr. José Monteiro (da Gráfica de S. José), sr. Noé (Motorista de táxi) o Sr. Quilhó, o Sr. Sá, o Sr. Barata Roxo, o Sr. José Paulo, o Sr. Monteiro, o Sr. Salavisa, o Joaquim Pinto e o João José Faria de Sousa (estes dois não levam o Sr. porque são da minha geração...)
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2ªFila – De pé: o Sr. João Borges Pires, o Sr. Barata Roxo filho, o Sr. Salvado dos CTT, o Sr. António Antunes Carrega, da Casa Africana, o Sr. Vitor Pereira, da Polida, NN de gabardina, o Sr. J. Nogueira, o Sr. Meruje, o Sr. Guterres barbeiro e o sr. NN, que era proprietário da loja "Leão das Louças".
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3ªFila – De pé: o Sr. Carlos Carvalho, o Sr. Lúcio Ribeiro Costa, o Sr. Nacho dos CTT(?), o Sr. João Morcela (trabalhava no Paiva Morão), NN conhecido da JOC, o Sr. Alberto Morcela, o Sr. Alberto Morão, o Sr. Prata, o Sr. Professor Adelino Tavares, o Sr. Domingos Silva, o Sr. António Pires Preto, o Sr. Russinho e e o Sr. Blasco.

Última Fila: João Marques Graça, o Sr. João Naré, o Pedro Geraldes Cardoso,  o Lúcio Ribeiro Costa (o filho mais velho). E o Sr. Vasco Sá com o estandarte.
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Já poucos albicastrenses actuais se lembrarão destes pioneiros de uma Casa, paredes meias com a Sé, que o tempo e a urbanização da Cidade destruíram para sempre... 
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Aos actuais sócios aqui deixo
os meus Parabéns 
pelo Aniversário 
que hoje comemoram.

09 abril 2022

A 1ªTravessia do Atlântico Sul...

Tiveram inicio as Comemorações da "1ª Travessia do Atlântico Sul". 
A travessia começou a 30 de Março de 1922 em Lisboa e terminou a 17 de Junho, quando o hidroavião “Fairey 3” chegou ao Rio de Janeiro no Brasil.
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Fez há dias, no dia 30 de Março, 100 anos  que Gago Coutinho e Sacadura Cabral iniciaram a aventura de chegar ao Brasil num pequeno e frágil hidro-avião monomotor Fairey F III-D MkII, especialmente concebido para a viagem, equipado com um motor Rolls Royce e que foi baptizado com o nome de "Lusitânia".

O hidro-avião "Lusitânia"
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A primeira etapa da viagem foi concluída no mesmo dia, em Las Palmas.
No dia 5 de Abril, partiram para a Ilha de S.Vicente, em Cabo Verde, percorrendo 850 milhas e em 17 do mesmo mês rumaram para o arquipélago de São Pedro e São Paulo, já em águas brasileiras, onde chegaram a 18 de Abril.
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O "Lusitânia" sofreu então alguns estragos devido ao mar revolto e chegou a perder um flutuador. Os dois aviadores foral levados num cruzador português que os deixou na ilha de Fernando de Noronha.
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O governo português enviou então um outro Fairey, com o nome de "Pátria".
Depois de uma tentativa falhada em 11 de Maio, com a sequente destruição do segundo hidroavião, surge uma terceira aeronave cujo nome era "Santa Cruz".
Só em 17 de Junho de 1922, o "Santa Cruz" amarou em definitivo na baía de Guanabara.
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Tão ou mais importante que a viagem, foi o facto de Gago Coutinho ter provado que era possível realizar voos de grande distância com precisão, utilizando um novo tipo de sextante por si inventado. Este aparelho de navegação viria a ser utilizado nas décadas seguintes na indústria aeronáutica.
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Foi no dia 22 de Junho de 1972, cinquenta anos depois desta viagem épica, que a Câmara Municipal de Setúbal promoveu um acto público comemorativo desta primeira Travessia do Atlântico Sul pelos dois brilhantes aviadores portugueses.
 
Sessão Comemorativa no Salão Nobre da C.M.Setúbal
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A sessão foi presidida pelo Governador Civil, Dr. José Cardoso Ferreira que dava a sua direita ao Almirante Sarmento Rodrigues e ao Dr. Eduardo Albarran, presidente da Junta Distrital e a esquerda à deputada D. Luzia Beija e ao presidente da Câmara de Setúbal, Dr. Manuel José Constantino de Goes.
Foi orador o Dr. Norberto Lopes, o inesquecível jornalista que foi director do Diário de Lisboa e cujas "notas do dia" ficaram célebres... A apresentação do ilustre conferente foi realizada pelo Vice-Presidente do Município.

Memórias escritas...

 em 09.04.2006
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Só hoje tive oportunidade de ler o suplemento Xis do "Público" de ontem. Gosto de ler a Faíza e até costumo digitalizar os seus contos.

Faíza Hayat
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Só hoje tive tempo de ler a sua página de sábado que é composta por uma selecção de três capítulos de um livro que a autora vai pôr à venda brevemente. Desde a história de um papagaio cinzento chamado Camilo, de excelente memória e capaz de imitar, com a voz do Frank Sinatra, toda a letra da canção “Stranger in the night”, até à história de um assalto sofrido por uma das gémeas suas irmãs, na praia de Copacabana por um tipo “de brinco no nariz” que lhe encostou uma faca à garganta e lhe segredou: “A bolsa ou a vida”, encontrei dois pequenos apontamentos que me falam muito sério…
        O primeiro configura uma ideia que tenho desde que me conheço e diz respeito à possibilidade de podermos comunicar uns com os outros telepaticamente… Sempre tive a ideia de que uma concentração profunda pode pôr em comunicação duas pessoas fisicamente afastadas uma da outra, sem qualquer outro auxílio para além do cérebro. Difícil será encontrar o meio de o fazer…

        …Aqui em Barcelona, não tenho nome. Não tenho mãe nem pai. Não tenho irmãs. Sou o que há de mais parecido com ninguém.

        Hoje, já vos disse, acordei um pouco triste. Olhei-me ao espelho. Os meus olhos estavam escuros como uma manhã de tempestade. As olheiras ainda mais marcadas do que o costume. O telefone tocou e ainda antes de atender já sabia que era ele. Sei sempre. Desde criança que me habituei a isso. Acho que se nos esforçássemos um pouco conseguiríamos comunicar por telepatia. Utilizamos o telefone por preguiça.

        “Pai?!” 

Ele riu-se. O riso dele é quente como um abraço.

“Sabes que dia é hoje?”

Também esta jovem autora tem agora o mesmo pressentimento que me atormenta, há tantos anos… Que bom saber que esta ideia é partilhada com alguém que sabe transmitir o que sente.

        Este é um dos apontamentos que referi. O outro surge a seguir, na continuação do texto e levou-me a pensar na Madalena quando chegar o próximo Dia da Mãe

        “Sabes que dia é hoje?

        Não me lembrei logo. O meu pai suspirou. Ficou em silêncio. Ficámos os dois em silêncio. Se fosse viva Filipa faria hoje cinquenta e cinco anos. Tenho saudades da minha mãe. Converso com ela todos os dias mas não sei se me ouve. Queria que me fizesse as tranças. Queria pousar a cabeça no seu colo para que me consolasse quando, ao fim da tarde, regresso das aulas e me atormentam as saudades de Lisboa. Todos os anos, neste dia ou no Dia da Mãe, continuo a oferecer-lhe presentes…”

... E eu continuo sempre incapaz de reter as lágrimas
ao recordar a Mãe da Madalena…

08 abril 2022

No dia 8 de Abril de 1970...

...passava um pouco das 18.30 horas,
no edifício do Governo Civil de Setúbal
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Ex.mo Sr. Governador Civil
Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal 
Meus Senhores
..
Nesta fase da vida da Nação em que mais do que as palavras deveriam contar as acções, toda a reunião de palavras escritas ou ditas com pretensão a discurso mais ou menos laudatório, bem poderia ser passível de pagamento de uma contribuição. A única coisa que prometo é que serei muito breve, para não vir a correr aquele risco.
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Cabe-me pronunciar algumas palavras nesta cerimónia de posse, e as primeiras servirão decerto para agradecer a V.Exª, senhor Governador Civil, as palavras imerecidas, as palavras amáveis mas acima de todas, as palavras realistas e amigas que teve a bondade de me dirigir. Desejo que fique bem expresso, neste momento, o meu público reconhecimento relativo à confiança que em mim depositou, ao propor o meu nome para o desempenho do cargo, em que acabo de ser empossado.
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Não creio ser necessário recordar que pertenço a uma geração igual a tantas outras antes e depois da minha, cuja educação política se resumiu, praticamente, à leitura de um Martins Afonso, alguns dias antes do exame de Organização. No entanto, e mercê de uma formação marcadamente positiva, em que a interpretação dos factos nunca é feita sem que o objecto seja observado segundo os mais diversos ângulos e nos seus mais variados aspectos, defini para mim uma posição que, dentro de uma flexibilidade sempre aconselhável, tem sido permeável às boas iniciativas e a todos os movimentos que visem a elevação do nível cultural, o aumento do nível económico e a melhoria do bem estar social das populações.
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Posso afirmar, sem correr o risco de molestar a consciência, que tenho permanecido à margem da vida política, sem experiência alguma da vida pública. Mas é precisamente isso que eu penso constituir uma vantagem na situação de facto em que, a partir de hoje, me passo a encontrar. Não sou nem nunca me considerei um Homem-Político. Mas se é política dignificar uma função que nos é entregue, se é política defendermos até ao último argumento os interesses de uma colectividade, por mais restrita ou ampla que ela se apresente, então nesse caso terei até muito prazer que me considerem como tal.
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O tempo é de luta! As batalhas que vão seguir-se no desenvolvimento económico do país serão mais animadoras, se todos lutarmos e se novos efectivos forem chamados a prestar serviço nas fileiras. Pode V.Exª, Senhor Governador transmitir ao Governo que aqui representa que urge, a todo o tempo, recuperar atrasos, que se torna necessária uma consciencialização política dos jovens que despontam, que importa uma formação acelerada de quadros dirigentes, mas interessa sobremaneira dar uma oportunidade à Juventude consciente da Nação.
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Quantos valores se perderam! Quantos valores esquecidos não teriam deixado de prestar o seu contributo! Pois creio que é chegada a altura de interessar nos assuntos que são de todos nós essa Juventude silenciosa que acabará por chegar, mais tarde ou mais cedo, a conclusões próprias, tantas vezes distorcidas, mercê de uma óptica colorida que deforma num só sentido. E sobre essa Juventude interessada e responsável é que importa alicerçar devidamente os caminhos do futuro.
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A V.Exª. Senhor Presidente da Câmara, gostaria também de apresentar os mais sinceros agradecimentos pela honra que me conferiu, ao escolher-me para seu primeiro colaborador. Quando no início de Outubro de 1959 me apresentei em Setúbal, de posse de uma nomeação que me permitia leccionar no Liceu, eu apenas desejei ter a possibilidade de poder manter-me na cidade por motivos de ordem familiar. Nada mais me ligava a Setúbal. Com o decorrer do tempo, durante o qual muito fui ouvindo sobre a História antiga e sobre a Crónica contemporânea da Cidade, tomei conhecimentos, fui granjeando amizades e fui conhecendo mais de perto os problemas e anseios desta cidade que me aceitou. Assisti à crise de crescimento que a acolheu e ultrapassou nesta década de sessenta, e acompanhei mais de perto as suas incidências educacionais. E, aos poucos, sem sentir, dei comigo a considerar como meus os problemas das gentes de Setúbal.
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O facto de não ter nascido nesta cidade à beira do Rio Azul, teria sido motivo de reflexão aturada, por parte da Entidade que tivesse de decidir sobre a escolha de um futuro Vice-Presidente da Câmara. E se V.Exª, Senhor Presidente, achou que deveria ser eu a pessoa indicada para o desempenho dessa função, devo supor que desde há muito me considera seu conterrâneo. Também esse público reconhecimento eu aqui lhe quero agradecer. É V.Exª, por formação, devotado às coisas do Ensino, e não creio que estes anos de afastamento lhe tenham feito perder as suas qualidades de professor que sempre foi. Vai ter oportunidade de poder trabalhar um aluno incipiente, nestes assuntos de administração. Mas se é condição fundamental no bom rendimento pedagógico que exista uma total do confiança no Professor por parte do Aluno, que haja um respeito mútuo e um mútuo à vontade nas suas relações lectivas e para-lectivas, e que exista uma perfeita consciência dos fins a atingir, eu posso adiantar, na minha qualidade de discente, que V.Exª terá um rendimento invejável. Será tudo uma questão de tempo.
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Senhor Dr. Seabra Carqueijeiro, quis V.Exª, com as suas palavras vigorosas, dar maior brilho a esta reunião. As palavras modestas com que posso agradecer-lhe não se coadunam, de modo algum, com a projecção política que a este acto foi emprestada com a presença de V.Exª. Bem-haja pelas suas palavras! Bem-haja pela sua presença!
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Estamos na Primavera, meus Senhores e minhas Senhoras, mas porque não vejo onde haja lugar para flores ou para poetas, só posso desejar que vão surgindo, num ritmo cada vez mais intenso, todos aqueles que de pés bem assentes na Terra acreditem e não tenham medo de o afirmar bem alto que “o desenvolvimento de um Povo só pode resultar do esforço de todos nós”. Não faltam as tarefas. O que tem faltado é vontade de cumprir da melhor maneira a tarefa de cada um.
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Não quero prolongar por mais tempo as minhas palavras. Mas seria injusto se não assinalasse a presença amiga e sempre estimulante dos alunos do Liceu, que ainda há pouco partilhavam comigo os bons e os maus momentos vividos no interior das salas de aula. Que a força de ânimo nunca os abandone, para que possam lutar pelos seus ideais e pela Razão, até ao último alento.
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Termino agora e apresento desculpas pelo tempo que esta cerimónia vos fez perder. Para mim é sempre um ganho de tempo aquele que perco com os Amigos."
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jjmatos
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Faz hoje 52 anos.

06 abril 2022

Frases lindas...

 "Um sábio disse-me que a vida não é mais do que uma gota de orvalho numa folha de lótus".

          Rabindranath Tagore."
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in. "Amanhã é um novo dia"
by Katarina &Harald Nordli
Noruega/2000

04 abril 2022

Humor antigo...

...com o traço de 
René Caillé 
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- O melhor é prevenir o noivo dela!... O desgraçadinho
não a poderá suportar trezentos e sessenta e cinco dias por ano!...

03 abril 2022

T.E. Lawrence

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"Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de uma vaidade. Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis. 
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T.E. Lawrence, 
in. "Os Sete Pilares da Sabedoria"

02 abril 2022

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Se há uma nuvem que passa
Passa uma sombra também.
Ninguém diz que é desgraça
Não ter o que se não tem.

31 março 2022

Memórias escritas...

 ... em 29 Abr 2006
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Esta tarde assisti a mais uma reprodução dos Concertos para Jovens com que, em 1969, Leonard Bernstein nos deliciava como “explicador” de música…

Leonard Bernstein

na capa de um livro "fabuloso" que 
foi traduzido pelas "Publicações Europa América"
em Outubro de 1972
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"Considerado o maestro-compositor mais dotado do século XX, Leonard Bernstein escreve sobre música com um tal encanto que cativa qualquer pessoa com uma autoridade que lhe confere o respeito dos estudiosos e com tanta clareza que as crianças não têm dificuldade em o compreender."
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"É com elegância, espírito e respeito sincero tanto pela matéria como pelo público que Bernstein  revela neste belo livro o método, a linguagem, as técnicas e a alegria da música."
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A RTP Memória emitiu hoje a Sinfonia fantástica, de Berlioz, composta em 1830, que marcou época na história da música do século 19. Trata-se da primeira grande realização  da chamada "música de programa", género que viria a ser consolidado pouco depois, na obra de Franz Liszt, e se tonaria um dos mais característicos dos Romantismo.
Mais do que utilizar-se do texto literário como inspiração, os compositores procuravam com os "poemas sinfónicos" reproduzir os diversos episódios ou assuntos contidos nele, chegando a "imitar" ruídos, como batidas em portas e mesmo passos em escadas. No caso da Sinfonia fantástica, por exemplo, Berlioz quis contar a história de um artista obcecado por sua paixão -- na verdade, o compositor estava contando a sua própria história de amor em relação à actriz inglesa Harriet Smithson.
A Sinfonia fantástica é um bom exemplo para entender esse tipo de composição e foi organizada em cinco movimentos - "Devaneios e paixões", "Um baile", "Cena nos campos", "Marcha rumo ao cadafalso" e "Sabá das feiticeiras". No primeiro movimento (Dreams - Passions), o artista se descobre apaixonado. No segundo (A Ball), vê a sua amada valsando em um baile. No terceiro (Scene at the Country) busca esquecê-la viajando para longe. No quarto (March to the Scaffold), o artista sofre uma alucinação, pensa ter matado a amada e imagina ter sido condenado à guilhotina. No quinto (Dream of a Wwitches'Sabbath), a mulher morta levanta do túmulo e transforma-se em bruxa.
A cada movimento, os instrumentos procuram sugerir efeitos sonoros que vão "narrando" a história ao ouvinte. Na estreia da Sinfonia fantástica, o público presente à apresentação recebeu um pequeno livro que explicava o conteúdo de cada movimento, para que pudesse acompanhar a "narrativa" e seus desdobramentos. Este tipo de "música com bula" foi um sucesso à época. E virou moda, quase uma febre.
A música de Berlioz, além de ter inaugurado a era dos poemas sinfónicos, situa-se numa vertente do Romantismo que se contrapõe àquele representado por Felix Mendelssohn, este um tanto ou quanto conservador e, de certa forma, ainda tributário da estética classicista. O romantismo de Berlioz é mais progressista, já não se prende a formas rígidas, busca expressar estados emocionais e irá abrir caminho para uma corrente musical que desembocará na obra revolucionária de Richard Wagner.
A explicação feita por Bernstein, a sua condução da orquestra e a própria orquestra são momentos inesquecíveis
Leonard Bernstein já se foi... E não há quem o possa substituir num trabalho memorável que marcou uma geração de adolescentes a quem deu o ensejo de entender e saber apreciar as grandes obras de música e os seus compositores.

30 março 2022

Frases lindas...

 "Viver não é suficiente: também são necessários sol, liberdade e uma flor."
          H.C.Andersen

in. "Amanhã é um novo dia"
by Katarina &Harald Nordli
Noruega/2000

28 março 2022

Setubalense - 1974 - Junho

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03.06.1974
A Comissão de Festas de Setúbal apresentou a sua demissão em 7 de Maio.
A Comissão Administrativa da CMS solicitou ao Movimento Democrático de Setúbal a nomeação de um grupo que desempenhasse as funções da Comissão extinta e que passará a chamar-se “Comissão de Cultura e Recreio”.
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07.06.1974
Vai realizar-se em novos moldes a procissão do Corpo de Deus.
…Não se aceitarão na Procissão crianças vestidas de Anjo e outras figuras alegóricas.
…Não se aceitarão também estandartes ou bandeiras de quaisquer movimentos ou associações
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07.06.1974
Sessão na Câmara
Ordem de trabalhos da reunião política da Comissão Administrativa, a realizar hoje às 21h30m;
1 – Expediente em geral – Presidente Júlio Santos.
2 – Situação financeira – vogal Mário Brandão.
3 – Comunicação à cidade – vogal Odete Santos
4 – Coral Luisa Todi – vogal Odete Santos
5 – Horas extraordinárias – vogal Francisco Lobo
6 – Reuniões inter- câmaras - vogal Vitor Zacarias
7 – Subsídios – vogal Odete Santos
8 – Problemas de preços no mercado municipal, como enquadramento da política do governo – vogal Vitor Zacarias
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07.06.1974
Sessão da Câmara (30.05.74)
A Câmara e José Eduardo Martins.
J.E.M. foi recebido na Câmara para tratar de assuntos seus:
1 – Lavagem automática da Av. Portela – está na disposição de fazer uma redução de 40% nas indeminizações pedidas à Câmara.
2 – Possui uma propriedade de 26 hectares, nos Picheleiros, que se propõe colocar à inteira disposição da câmara, por prazo a estipular, para parque de campismo ou qualquer outra utilização.
3 – Propõem-se oferecer à câmara um terreno de dois hectares, na Estrada de Santas, onde a Câmara Municipal, com financiamento dele e da Câmara, seriam construídas casas, em comboio, para alojar os “clandestinos” que habitam no Casal das Figueiras.
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07.06.1974
(Sessão de 30.05.1974)
Central de tratamento do lixo
Foi confiado há tempos ao Engº Lobato de Faria, pela importância de 80 contos, um estudo para uma futura central de tratamento de lixo. Por carta, o citado engenheiro perguntou se a Câmara ainda está interessada no estudo e, em caso afirmativo, solicita o pagamento de 10 contos, nos termos do contrato.
Foi deliberado informar o Eng. Lobato de Faria de que, em princípio, a Câmara está interessada no estudo.
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12.06.1974
Nuno Teotónio Pereira, no “Stella Maris”:
“Os críticos têm de passar de instrumentos de opressão para agentes de libertação.”
“Em Portugal, temos possibilidades de ficar à frente de qualquer país da Europa.”
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14.06.1974
Reuniões de esclarecimento em Setúbal
“Os bens de produção têm que passar a pertencer às pessoas que trabalham com eles”, disse Lopes Cardoso.
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14.06.1974
Sessões da Câmara
(sessão do dia 7 de Junho de 74)
… Ainda sobre o Coral, a Dr.ª Odete Santos foi do parecer que aquele agrupamento coralista deveria passar a ser menos luxuoso na sua apresentação, de forma a ficar mais ao nível das classes trabalhadoras.
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17.06.1974
Inédito concurso de elegância
Desfilou pelas ruas a cidade (em 14.06.74)
… a cidade é surpreendida pela “invasão” de umas duas dezenas de viaturas afectas à construção civil…
…estranhámos tão brusca solidariedade ao ponto de ver alguns trabalhadores em cima de camionetas, empunhando dísticos em que se lia: “Abaixo os pinta-paredes” e “Queremos uma Câmara competente.”
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19.06.1974
Fátima é responsável pelo atraso no nosso país” disse no “Stella Maris”, o teólogo (padre) Fernando Cristóvão
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21.06.1974
A Câmara Municipal de Setúbal fez um “Comunicado ao Concelho” que é um mimo de graça… um autêntico “poema”, mormente no que diz respeito “à higiene limpeza nos bairros Pobres da Cidade”
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24.06.1974
No sábado dia 2 de Junho, realizou-se o primeiro comício do PCP, em Setúbal.
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26.06.1974
Os trabalhadores da construção civil apoiam a Câmara Municipal.
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26.06.1974
Os trabalhadores de “O Setubalense” elegeram uma Comissão de Trabalho.
Foram eleitos os seguintes elementos:
Sector Administrativo – Joaquim Casimiro Madeira
Sector de Redação – Domingos Tomás Roque
Sector Gráfico – João Mariano Baptista Tristão e Fernando dos Anjos Couto.
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28.06.1974
CMS
No passado dia 20, atingiu o limite de idade o Sr. José de Oliveira, mestre da Secção de Viação e Obras, com 58 anos de serviço prestado com esforço e boa vontade.
Foi proposto que em vez de um Voto de Louvor, seja concedida ao Mestre José de Oliveira, a Medalha de Ouro e Dedicação.
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28.06.1974
A vogal Odete Santos sugeriu que se retirassem as crianças que trabalham na Higiene e Limpeza e que fossem colocadas noutros serviços.  

26 março 2022

São quadras, meu bem... são quadras!...


Os olhos são indiscretos,
Revelam tudo o que sentem,
Podem mentir os teus lábios,
Os olhos, esses, não mentem.
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Florbela Espanca

25 março 2022

Memórias escritas...

 ...em 29/04/2006

No suplemento do Público de hoje, no Mil Folhas, um título chamou a minha atenção para uma época distante em que Manuel Bandeira estava muito em voga… “Vou-me embora pra Pasárgada.” Foi uma época, a de 1958-59 passada em Lisboa quando, com apenas uma cadeira para fazer na Faculdade, eu tinha muito tempo livre e frequentava o Martinho do Rossio com a companhia do José Figueiredo e com o Francisco Relógio ali por perto desenhando aquelas figuras características, a tinta da china… o que me trás à lembrança as conversas sobre tudo o que cheirava a cultura e proibições…

Os Poemas de Manuel Bandeira circulavam por baixo do balcão das boas livrarias de Lisboa - Portugal e Bertrand - e lembro desde essa altura o poema “Vou-me embora pra Pasárgada” que eu achava uma maravilha.

Manuel Bandeira
(1886 - 1968)
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Foi com alguma emoção que li no artigo de hoje, assinado por Eduardo Pitta, que também para ele, Manuel Bandeira foi dos poetas que primeiro li. Terei começado por "Vou-me embora pra Pasárgada", poema que ainda hoje considero exemplar. Mas transcreve apenas uma parte do Poema, ou seja, elimina uma parte preciosa daquele Poema de Manuel Bandeira, que aqui deixo na íntegra:

Vou-me embora pra Pasárgada

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

 

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

 

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.”

24 março 2022

Povo que lavas no rio...

 ... Quem o escreveu
e quem o cantou...
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Um dia dançaram juntos
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Amália Rodrigues e
Pedro Homem de Mello
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Povo

Povo que lavas no rio
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Ó natureza vadia!
Vejo uma fotografia…
Mas a tua vida, não!

Fui ter à mesa redonda,
Bebendo em malga que esconda
O beijo, de mão em mão…
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida, não!

Procissões de praia e monte
Areais, píncaros, passos
Atrás dos quais os meus vão!
Que é dos cântaros a fonte?
Guardo o jeito desses braços…
Mas a tua vida, não!

Aromas de urze e de lama!
Dormi com eles na cama…
Tive a mesma condição
Bruxas e lobas, estrelas!
Tive o dom de conhecê-las…
Mas a tua vida, não!

Subi às frias montanhas,
Pelas veredas estranhas
Onde os meus olhos estão
Rasguei certo corpo ao meio…
Vi certa curva em teu seio…
Mas a tua vida, não!

Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão…
Povo! Povo! Eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso.
Mas a tua vida, não!

Povo que lavas no rio,
Que vais às feiras e à tenda,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,

Pode haver quem te defenda,
Quem turve o teu ar sadio,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!
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Pedro Homem de Mello
Primeira publicação - 1969

22 março 2022

A pintura de Graça Lagrifa...

  Foi Graça Lagrifa quem escreveu:
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" "Faces da Índia 107". Do Rajastão um sorriso que nos faz sorrir... e era uma vez uma foto de @anjan.ghosh... ".
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um sorriso que nos faz sorrir...

20 março 2022

Humor antigo...

 ...com o traço
inconfundível de
de René Caillé.
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- Bem, querido, como amanhã é o dia dos teus anos, 
eu faço hoje a limpeza da casa, está bem!...

17 março 2022

Memórias escritas...

... em 29 de Abril de 2006
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Faleceu a Glicínia Quartim

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“A actriz que marca o teatro português das últimas décadas morreu anteontem, dia 27 de Abril, em sua casa em Campo de Ourique. Não se considerava uma pessoa excepcional e em jovem estranhava o seu rosto, que não correspondia aos padrões da época.”

Glicínia Quartin 

(19.12.1924/27.04.2006)
        Conheci o seu rosto, ainda jovem, nos corredores da Faculdade de Ciências, à Politécnica, quando em 1953/54 para ali fui estudar Biologia. Não mostrava na altura que teria mais dez anos do que eu mas era já uma mulher feita e portadora de um rosto incomum que num momento nos parecia ser de uma fealdade irrecuperável e, no momento seguinte de uma beleza estranha mas atraente… Era uma mulher que nos perturbava o pensamento… Foi minha colega nas aulas de Matemáticas Gerais, do Peter Brawmann, e numa qualquer outra cadeira, creio que talvez a Química Orgânica leccionada pelo Prof. Kurt Jakobson. Era também assídua frequentadora da Associação de Estudantes que funcionava como a segunda casa para muitos de nós…

            Creio que se teria licenciado uns tempos depois já que fiquei, na altura, com a ideia que era "por desporto" que ela frequentava aquela Escola… Se calhar engano meu…

       Anos mais tarde tornou-se uma Senhora do Teatro e, se bem me lembro, interpretou, quando eu estava no Porto a terminar o Curso, no Ano do Delgado ou no ano anterior, em conjunto com a Dalila Rocha, uma peça no Teatro Sá da Bandeira, integrada no Teatro Experimental do Porto (TEP) dirigida ainda pelo António Pedro.

        Conheci duas Glicínias. A Quartim e a Maia. Ambas licenciadas em Biologia. Colega de uma e professor de outra.

Ambas mortas… 
Tenho saudades dos tempos em que convivi com cada uma delas!

15 março 2022

A pintura de Graça Lagrifa...

  Foi Graça Lagrifa quem escreveu:
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."Abomey/Benin a partir de uma foto de @arturolopezillana. Grafite, para variar um pouco do pastel."
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para variar um pouco...

14 março 2022

Setubalense - 1974 - Junho

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03.06.1974
A Comissão de Festas de Setúbal apresentou a sua demissão em 7 de Maio.
A Comissão Administrativa da CMS solicitou ao Movimento Democrático de Setúbal a nomeação de um grupo que desempenhasse as funções da Comissão extinta e que passará a chamar-se “Comissão de Cultura e Recreio”.
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07.06.1974
Vai realizar-se em novos moldes a procissão do Corpo de Deus.
…Não se aceitarão na Procissão crianças vestidas de Anjo e outras figuras alegóricas.
…Não se aceitarão também estandartes ou bandeiras de quaisquer movimentos ou associações.
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07.06.1974
Sessão na Câmara
Ordem de trabalhos da reunião política da Comissão Administrativa, a realizar hoje às 21h30m;
1 – Expediente em geral – Presidente Júlio Santos.
2 – Situação financeira – vogal Mário Brandão.
3 – Comunicação à cidade – vogal Odete Santos
4 – Coral Luísa Todi – vogal Odete Santos
5 – Horas extraordinárias – vogal Francisco Lobo
6 – Reuniões inter- câmaras - vogal Vítor Zacarias
7 – Subsídios – vogal Odete Santos
8 – Problemas de preços no mercado municipal, como enquadramento da política do governo – vogal Vítor Zacarias.
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07.06.1974
Sessão da Câmara (30.05.74)
A Câmara e José Eduardo Martins.
J.E.M. foi recebido na Câmara para tratar de assuntos seus:
1 – Lavagem automática da Av. Portela – está na disposição de fazer uma redução de 40% nas indeminizações pedidas à Câmara.
2 – Possui uma propriedade de 26 hectares, nos Picheleiros, que se propõe colocar à inteira disposição da câmara, por prazo a estipular, para parque de campismo ou qualquer outra utilização.
3 – Propõem-se oferecer à câmara um terreno de dois hectares, na Estrada de Santas, onde a Câmara Municipal, com financiamento dele e da Câmara, seriam construídas casas, em comboio, para alojar os “clandestinos” que habitam no Casal das Figueiras.
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07.06.1974
(Sessão de 30.05.1974)
Central de tratamento do lixo
Foi confiado há tempos ao Engº Lobato de Faria, pela importância de 80 contos, um estudo para uma futura central de tratamento de lixo. Por carta, o citado engenheiro perguntou se a Câmara ainda está interessada no estudo e, em caso afirmativo, solicita o pagamento de 10 contos, nos termos do contrato.
Foi deliberado informar o Eng. Lobato de Faria de que, em princípio, a Câmara está interessada no estudo.
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12.06.1974
Nuno Teotónio Pereira, no “Stella Maris”:
“Os críticos têm de passar de instrumentos de opressão para agentes de libertação.”
“Em Portugal, temos possibilidades de ficar à frente de qualquer país da Europa.”
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14.06.1974
Reuniões de esclarecimento em Setúbal
“Os bens de produção têm que passar a pertencer às pessoas que trabalham com eles”, disse Lopes Cardoso.
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14.06.1974
Sessões da Câmara
(sessão do dia 7 de Junho de 74)
… Ainda sobre o Coral, a Dr.ª Odete Santos foi do parecer que aquele agrupamento coralista deveria passar a ser menos luxuoso na sua apresentação, de forma a ficar mais ao nível das classes trabalhadoras.
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17.06.1974
Inédito concurso de elegância
Desfilou pelas ruas a cidade (em 14.06.74)
… a cidade é surpreendida pela “invasão” de umas duas dezenas de viaturas afectas à construção civil…
…estranhámos tão brusca solidariedade ao ponto de ver alguns trabalhadores em cima de camionetas, empunhando dísticos em que se lia: “Abaixo os pinta-paredes” e “Queremos uma Câmara competente.”
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19.06.1974
Fátima é responsável pelo atraso no nosso país” disse no “Stella Maris”, o teólogo (padre) Fernando Cristóvão.
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21.06.1974
A Câmara Municipal de Setúbal fez um “Comunicado ao Concelho” que é um mimo de graça… um autêntico “poema”, mormente no que diz respeito “à higiene limpeza nos bairros Pobres da Cidade”
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24.06.1974
No sábado dia 2 de Junho, realizou-se o primeiro comício do PCP, em Setúbal.
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26.06.1974
Os trabalhadores da construção civil apoiam a Câmara Municipal.
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26.06.1974
Os trabalhadores de “O Setubalense” elegeram uma Comissão de Trabalho.
Foram eleitos os seguintes elementos:
Sector Administrativo – Joaquim Casimiro Madeira
Sector de Redação – Domingos Tomás Roque
Sector Gráfico – João Mariano Baptista Tristão e Fernando dos Anjos Couto.
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28.06.1974
CMS
No passado dia 20, atingiu o limite de idade o Sr. José de Oliveira, mestre da Secção de Viação e Obras, com 58 anos de serviço prestado com esforço e boa vontade.
Foi proposto que em vez de um Voto de Louvor, seja concedida ao Mestre José de Oliveira, a Medalha de Ouro e Dedicação.
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28.06.1974
A vogal Odete Santos sugeriu que se retirassem as crianças que trabalham na Higiene e Limpeza e que fossem colocadas noutros serviços.