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03 fevereiro 2013

Setubalense - 1965 - Dezembro

04 de Dezembro
Espectáculo Vicentino em Setúbal
O Grupo Ribalta realizou ontem um espectáculo, em que foi comemorado o V Centenário de Gil Vicente, representando o “Pranto de Maria Parda”, “Todo o Mundo e Ninguém” e a “Farsa de Inês Pereira”.
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06 de Dezembro
Toma amanhã posse, o novo Vice-Presidente da Câmara Municipal de Palmela, Sr. Manuel Ataz.
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11 de Dezembro
Está assegurada a existência de Bacalhau para a quadra do Natal.
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11 de Dezembro
Seguiu para o Brasil o busto de Bocage oferecido pelo nosso Governo à cidade do Rio de Janeiro.
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13 de Dezembro
Um aviador de Setúbal vítima de um desastre.
Ontem à noite, na estrada entre o Carregado e Alenquer, num choque de automóveis, ficaram gravemente feridos os alferes pilotos aviadores Sr. Francisco Joaquim Ajuda Rico, de 22 anos e Mário Ferreira de Carvalho, de 24 anos, da Base Aérea nº5 (Monte Real) os quais recolheram ao Hospital de Santa Maria.
O primeiro daqueles oficiais é natural de Setúbal e reside na rua Paula Borba, 42, nesta cidade.
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15 de Dezembro
O funeral do aviador setubalense
Saído da Capela do Hospital da Estrela, realizou-se hoje para Setúbal, o funeral do Alferes piloto aviador Sr. Francisco Joaquim Ajuda Rica, de 22 anos.
Aquele jovem oficial residia ultimamente na rua Jean Raynond.
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18 de Dezembro
O Coral Luisa Todi apresenta Cantos de Natal, nos Paços do Concelho.
No Salão Nobre dos Paços do Concelho, o Coral Luisa Todi vai executar um programa de Canções de Natal, dedicado à Cidade e que se indica a seguir:
Natal na Índia Portuguesa, de Mário Sampaio Ribeiro
Ao menino Deus, de Alberto Alemão.
Natal de Évora, de Mário Sampaio Ribeiro.
Natal de Elvas, de Mário Sampaio Ribeiro.
Natal inglês, (Cánon a seis vozes) (sic)
Dormi, Dormi ó Bel Bambin (canção de embalar), de Felix Guenther.
Il est né le Devin Enfant, de Felix Guenther.
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20 de Dezembro
Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão
Nova Gerência
Assembleia-Geral
Presidente – Dr. Manuel Espírito Santo Silva
Vice-Presidente – Dr. Manuel Seabra Carqueijeiro
1º Secretário – Eng. Jorge O´Neill
2º Secretário – Eng. João Botelho Moniz Borba
Direcção
Presidente – Dr. Francisco Alberto Correia Figueira
Vice-Presidente – Eng. António Porto Soares Franco
1º Secretário – Augusto César Lopes Pedrosa
Tesoureiro – Dr. Manuel Bento de Sousa
Vogal – António Ahrens Novais
Conselho Fiscal
Presidente – Dr. Jorge Botelho Moniz
Secretário - António Luís Esteves
Relator - Guilherme Faria
Suplentes –
Eng. Henrique Roovers da Costa Neves
António Posse de Andrade
Luciano Rouillé
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31 de Dezembro
Comando da PSP
Assumiu o comando da PSP do Distrito de Setúbal, o Sr. Capitão Domingos Alberto Pinto Catalão.

02 fevereiro 2013

Dois pesares e duas medidas...

Hoje, no Público, um Editorial, curto mas incisivo!


Dois pesares duas medidas…

Em Junho de 2005, quando morreram Álvaro Cunhal e Vasco Gonçalves, o Parlamento aprovou votos de pesar.
PS, PCP, Be e Verdes votaram a favor, mas PSD e CDS não quiseram acompanhar os “elogios políticos” às duas personagens. Mesmo assim, votaram a favor na parte respeitante ao pesar por ambas as mortes e ao envio de condolências às famílias.
Ontem foi apresentado um voto de pesar pela morte de Jaime Neves. Desta vez, PS, PSD e CDS votaram a favor, o PCP anunciou que ia votar contra e BE e Verdes seguiram-no. Que o PCP não gosta de Jaime Neves, não é novidade. Mas podia ter-se abstido. Ou votado ao menos um voto de pesar e condolências expurgado de elogios, como fizeram o PSD e o CDS em relação a Vasco Gonçalves. Mas não o fez. Porque o PCP, em matéria de pesares, tem mesmo duas medidas. Em 2011, enviou condolências por Kim Jong-II e opôs-se ao voto de pesar, na AR, pela morte de Vaclav Havel. Haverá maior coerência?

Alte Pinakothek...

Rinaldo no jardim encantado de Armida
Giovanni Battista Tiepolo
1867 – 1947

Rinaldo no jardim encantado de Armida

A tela de Tiepolo em que representa a Visita dos Reis Magos do Oriente tornou-se uma cena de teatro, esplêndida de cores e de formas, rica de pormenores bizarros e exóticos. Precisamente nestes anos, os mesmos em que decorava a residência de Vurzburgo com frescos imensos, Tiepolo atingia o ponto mais alto da sua força criadora.
O quadro que se representa pertence a este período Vurzburgo, anterior portanto a 1751-1753 e é inspirado no canto XVI da Jerusalém Libertada, de Tasso. A maga Armida tem Rinaldo prisioneiro com as suas artes, no seu magnífico jardim:

“Tem diante do peito um véu diviso
e dá o solto cabelo ao vento estivo;
de mimo chora, e no inflamado viso
se via o licor belo ser mais activo
Qual n’água o sol lhe cintilava o riso
na húmida vista, trémulo e lascivo.
Sobre ele pende; e ele no grémio brando
punha a cabeça, cara a cara estando…
e os famélicos olhares avidamente
nela alimentando se fundem e dissipam.
Inclina-se e os doces beijos sem descanso
ora liba dos olhos, ora dos lábios suga,
e então ele suspirar se sente
tão fundamente que dir-se-ia:"A alma foge
e em si mesma perpassa peregrina."
Escondidos, dois guerreiros seguem os actos de amor.
Do lado do amante (estranho arnez) brilhante e nítido
um cristal pendia.
E entre as mãos lho suspende
aos mistérios do Amor ministro eleito.
Ela com olhos ridentes, e ele acesos
olham em vários objectos um só objecto:
ela no vidro para si faz espelho, e ele
nos olhos serenos dela. 
Jerusalem Libertada/Canto XVI (17-27)
Cfr.Hermann Bauer
In. “Grandes Museus do Mundo
Ed.Verbo – Setembro/1973



01 fevereiro 2013

Escrito na pedra...

"O cofre do banco contem apenas dinheiro. Frustrar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza."
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Carlos Drummond de Andrade
1902-1987
escritor e poeta brasileiro

31 janeiro 2013

As "garotas" de Ward...

Humor antigo
com o traço de 
W a r d
- Queres ir ao restaurante ou preferes um copinho de leite?...

30 janeiro 2013

Uma redacção p'rá "setôra" de Português...

Este texto é da autoria de Teolinda Gersão.
Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português. Colocou-o no Facebook

 Teolinda Maria Sanches de Castilho Gersão Gomes Moreno

" Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casaera o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela
”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita
. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática.

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NB. Este "apontamento" é uma oferta que vai ao gosto dos nossos professores de Português... Espero que tentem não esquecer nenhum de todos os "casteleiros" que ajudaram a fazer este monte de..."t ampa" que é o AO!!...

Joshua Bell...

 ...uma "história" que corre na net...
Joshua Bell,  um dos mais talentosos músicos do mundo.
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Um homem sentou-se numa estação de metro de Washington DC e começou a tocar violino, era uma fria manhã de Janeiro; Ele tocou seis peças de Bach durante aproximadamente 45 minutos. Durante esse tempo, já que era hora de ponta, calcula-se que cerca de 1.100 pessoas atravessaram a estação, a sua maioria, a caminho do tabalho.

Três minutos passaram quando um homem de meia idade notou que o músico estava a tocar, abrandou o passo e parou por alguns segundos, mas continuou depois o seu percurso para não chegar atrasado.

Um minuto depois , o violinista recebeu o seu primeiro dólar, uma senhora atirou o dinheiro sem sequer parar e continuou o seu caminho.

Alguns minutos depois, alguém se encostou à parede para o ouvir, mas olhando para o relógio retomou a marcha. Estava claramente atrasado para o trabalho.

Quem prestou maior atenção foi um menino de 3 anos. A mãe trazia-o pela mão, apressada, mas a criança parou para olhar para o violinista. Finalmente, a mãe puxou-o com mais força e o miúdo continuou a andar, virando a cabeça várias vezes para ver o violinista. Esta acção foi repetida por várias outras crianças. Todos os pais, sem exceção, obrigaram as crianças a prosseguir.

Nos 45 minutos em que o músico tocou, somente 6 pessoas pararam por algum tempo. Cerca de 20 deram-lhe dinheiro mas continuaram no seu passo normal. Ele recoletou cerca de 32 dls. Quando ele parou de tocar e o silencio tomou conta do lugar, ninguém se deu conta. Ninguém aplaudiu, nem houve qualquer tipo de reconhecimento.

Ninguém sabia que este violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo. Ele tocou algumas das peças mais elaboradas alguma vez escritas num violino de 3,5 milhões de dólares.

Dois dias antes
de tocar no metro, Joshua Bell esgotou um teatro em Boston, onde cada lugar custou em média 100 dls.Esta é uma história real, Joshua Bell tocou incógnito na estação de metro num evento organizado pelo Washington Post que fazia parte de uma experiência social sobre perceção, gostos e prioridades.O outline era: num lugar comum, numa hora inapropriada: Somos capazes de perceber a beleza? Paramos para a apreciar? Reconhecemos o talento num contexto inesperado?

Uma das possiveis conclusões que se podem sacar desta experiência podem ser: Se não temos um momento para parar e escutar  um dos melhores músicos do mundo tocar algumas das músicas mais bem escritas de sempre, quantas outras coisas estaremos perdendo?”

Fotografias de Setúbal...

Foto obtida em 23 de Junho de 2012


Uma vista geral sobre a Baixa de Setúbal
com as zonas portuária e industrial lá mais ao fundo.

29 janeiro 2013

Na morte de Jaime Neves...

in Assuntos temporários...
por Pedro Lomba
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no "Público"
29.01.2013
Pedro Lomba
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…a primeira coisa que tem de ser dita é pessoal. Jaime Neves foi um militar. Não foi um político. E não foi um militar transformado em político nas horas vagas. Não vou cometer a banalidade trôpega de dizer que foi um grande militar antes e depois do 25 de Novembro. Outros militares, e outros como ele, dizem que Jaime Neves foi um grande militar. Chega-me sobretudo saber que Jaime Neves sempre teve o absoluto respeito e lealdade dos homens que comandou. Homens que, na barafunda que eram as forças armadas portuguesas em 1975, na confusão de hierarquia, correntes, poderes, precisavam mesmo de contar com quem os liderasse, com quem desse o corpo por eles. Nessa altura não havia leis, coletes protectores ou planos seguros.

em política, as lealdades trocam-se e vendem-se numa fancaria infrene. Nos negócios, as lealdades são o nome usado para definir dependências. Ora, os homens do regimento de comandos da Amadora que em 1975, depois do Partido Comunista ter tomado conta do quartel e de ter saneado Jaime Neves, disseram a Otelo Saraiva de Carvalho que só admitiam ser liderados por Jaime Neves, esses homens escolheram-no naturalmente, seguiram-no e não queriam outro.
Os homens que, na fase mais agitada da confrontação do 25 de Novembro, só queriam disparar sobre a Polícia Militar e foram aplacados pela acção de Jaime Neves, evitando assim um banho de sangue, reconheciam uma autoridade. Suponho que quando dizem que Jaime Neves foi um grande militar estão a pensar nisso: alguém que soube o que era comandar homens, alguém que sabia usar e aplacar a força quando era preciso.
(…)
Jaime Neves contribuiu para que o 25 de Novembro acabasse com o PREC, restabelecesse a ordem nas diversas facções das Forças Armadas e pusesse os militares de volta nos quartéis. Com isso permitiu que nos tornássemos na democracia que somos hoje.
Hoje vai-se tornando moda dizer que o 25 de Novembro foi um movimento ofensivo e não reactivo, um golpe entre muitos, de que não havia qualquer deriva ditatorial no PREC nem esquerdas militares organizadas, gonçalvistas e basistas, ou propósitos controladores no PCP. Há construções para todos os gostos.
(…)
…num certo sentido, o 25 de Novembro, embora tivesse acabado com a Revolução, não deixou de permitir a continuação dos “revolucionários”, participantes agora em eleições que jamais tinham querido. Perguntava quem participou activamente na coisa: “Então fez-se o 25 de Novembro e estes tipos continuam?” De facto continuaram. Essa foi a grandeza irónica da data. Já os heróis como Jaime Neves regressaram ao que sabiam fazer: à discreta vida militar. Sem nunca pedir nada, sem esperar nada.
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Jaime Alberto Gonçalves das Neves nasceu no 10.º aniversário da Revolução de 28 de Maio de 1926.
Jaime Neves entra em1953  para a Escola do Exército. Realizou uma comissão de serviço entre os anos1958 e 1960. Subsequentemente foi destacado para África, onde cumpriu quatro missões: duas em Angola e duas em Moçambique Era tenente-coronel graduado em coronel no Verão Quente de 1975  e chefiava o Regimento de Comandos.
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Jaime Neves em Novembro de 1975

Foi agraciado a 13 de Julho de 1995, pelo então presidente da República, Mário Soares e com o posto de Coronel, com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Foi promovido a Major-General, por proposta do Exército e com a aprovação das chefias de todos os ramos das Forças armadas e após sugestão de António Ramalho Eanes e Vasco Rocha Vieira A promoção teve com base no seu papel durante o 25 de Novembro que colocou um fim ao Processo Revolucionário em Curso, "tendo em conta o papel muito relevante que Jaime Neves teve para evitar que Portugal caísse numa ditadura comunista ", além de "garantir que Portugal seguia no sentido do pluralismo, da democracia e da liberdade de expressão" As chefias militares consideraram que o seu "mérito e os serviços prestados à Pátria" justificam a "promoção por distinção". A promoção a Major-General foi confirmada pelo 19º  Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva , a 14 de Abril de 2009
 .
Major General Jaime Alberto Gonçalves das Neves

Faleceu a 27 de Janeiro de 2013, no Hospital Militar Principal, em Lisboa.
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Cfr.Blogue "Asas nos Céus"

Nos "Livros de Despedida"...

...do Liceu Nacional de Castelo Branco.
rubricou caricaturas durante muitos ano
Robalo Cordeiro

Amândio Martins Honorato
foi finalista no ano-lectivo de 1944/45
.
O autor desta caricatura, Adelino de Amorim Robalo Cordeiro, fazia parte deste mesmo curso de finalistas e era o filho mais novo do Dr.Cordeiro, o professor de Francês que tive no primeiro ano de liceu. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra e fez carreira como Juíz de Direito. O irmão mais velho, António José, escolheu outro rumo para a sua vida e foi Prof. Catedrático na Faculdade de Medicina, da Universidade de Coimbra.
Do caricaturista apenas guardo a sua imagem quando novo e a caricatura que apresenta neste mesmo Livro de Despedida, feita pelo seu colega de turma, Fernando Lopes Correia Semedo, outro bom caricaturista que passou pelo Liceu de Castelo Branco.

Adelino de Amorim Robalo Cordeiro

28 janeiro 2013

Um poema...

...de Florbela Espanca
com o título "Se tu viesses ver-me"
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Florbela Espanca
por Artur Bual/96
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Se tu viesses ver-me

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...

Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


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in "Charneca em Flor"

27 janeiro 2013

Evaristo Guedes Vieira...

... foi um grande Professor Metodólogo que conheci no Liceu Normal de Pedro Nunes, no início dos anos 60, quando ali fiz o estágio pedagógico.
Não era professor do meu Grupo mas a existência, no 1ºCiclo, da disciplina de Ciências Geográfico-Naturais obrigava-nos à frequência das aulas dos Metodólogos de Geografia e também de Físico-Químicas.
O Dr.Evaristo Vieira era o "nosso mentor" nas Geografias...
O "mentor" na área das Físicas era outro "monstro sagrado" do ensino em Portugal... o Dr.Rómulo de Carvalho, o verdadeiro nome do enorme poeta António Gedeão.
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À esquerda, na 2ªfila, sorridente e bem disposto,
o Dr.Evaristo Guedes Vieira
alinha com um grupo de estagiários da área das Ciências Naturais
onde podemos ver, na última fila, os quatro elementos oriundos
do Liceu Nacional de Setúbal
(Figueira de Freitas, JJMatos, Gomes Mateus e António Maurício)
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No jornal "Público" de ontem, perdido nuns "Classificados", na página 37, dei conta de um minúsculo anúncio, encimado com o nome de Evaristo Guedes Vieira. Sem autoria directa, suponho ter sido publicado por vontade de um qualquer familiar, de um filho ou de um neto... quem sabe se de algum aluno.
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Sempre o conheci como um Homem bom, sabedor, inteligente e de fácil compreensão... Por isso me admiro que, a tão longa distância, alguém se venha "penitenciar" pelos "remorsos" agora sentidos... 34 anos após a sua morte.
Que continue a descansar em Paz...

26 janeiro 2013

As capas do "Mundo Ri"...

O "Mundo Ri" nº 94 que saíu em
Outubro de 1959, tinha na capa
um desenho de Vilhena

Moda para o Outono
No início da temporada temos o prazer de apresentar o modelo de vestido intitulado "Televisão"

Escrito no vento...

"Os fracos dirão sempre que o nosso é o caminho errado. Não só poque é o nosso... mas porque também é muito mais difícil que o deles."
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António Porchia

25 janeiro 2013

Actas da Câmara

Sessão de 30 de Dezembro de 1959
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Ao trigésimo dia do mês de Dezembro de mil novecentos e cinquenta e nove, realizou-se a reunião ordinária semanal, sob a presidência do Excelentíssimo Senhor Manuel Filipe Pereira da Silva Magalhães Mexia, estando presentes os vereadores Senhores Afonso Henriques Rocha, Doutor Joaquim Arco, Joaquim Rodrigues Simões e Doutor José Caldeira Areias.
Não compareceram os senhores vereadores Engenheiro António Barroso e Engenheiro Agrónomo Raul Veríssimo de Mira.
Esteve presente o Senhor Chefe da Secretaria Dr.Aníbal de Freitas (?)

Átrio da Câmara Municipal
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Donativo de uma empresa industrial
A Câmara tomou conhecimento da oferta de mil escudos feita pela Fábrica de Óleos Vegetais de Santa Catarina, Limitada, com sede neste concelho, com o objectivo de o Município o distribuir pelos pobres da Cidade, da forma que achasse mais aconselhável.
A Câmara deliberou aceitar e agradecer o donativo, resolvendo ainda entregá-lo integralmente ao Património dos Pobres de Setúbal, organização assistencial que melhor poderá dar satisfação aos desejos da empresa ofertante.
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Oferta de terrenos ao Município
A Câmara tomou conhecimento de uma carta em que a D.Maria Augusta Coelho manifesta a resolução de ceder gratuitamente ao Município a faixa de terreno necessária para a conclusão dos trabalhos de abertura da rua a sul da praceta  formada na área da antiga Quinta da Tebaida com vista a permitir a  a conveniente urbanização do local.
A Câmara deliberou aceitar a oferta e agradecer a louvável atitude da doadora. Mais foi resolvido que os Serviços de Viação o Obras proceda à recolha de elementos necessários à elaboração da competente escritura.

24 janeiro 2013

Exposição de Desenho e Pintura...

...no Hotel de Santa Margarida, em Oleiros,
da autoria de
Augusto de Matos

Augusto de Matos
.
Foi numa tarde de chuva e vendaval mas, mesmo assim, o recinto da Exposição esteve repleto de Amigos... de gente interessada nestes eventos culturais.

O primeiro espaço da Exposição

 O segundo espaço da Exposição

A Jóia da Coroa
"A Igreja Matriz - no seu interior - é sem dúvida a maior relíquia de Oleiros"

No topo da rua... a "nossa casa com o quintal", em Oleiros
Quanta saudade...

A Ponte da Tojeira (?), na Torna, a poucos metros do Hotel

 " ...Além dos poços naturaes, próprios da diferente profundidade do seu leito, os açudes dos moinhos da Lameira... "

A "Rua de Baixo"
hoje rua Padre António de Andrade
"Uma rua com tradições...perdidas." - Augusto dixit...

A antiga Câmara Municipal logo seguida pela
residência de Artur Romão. Lá no alto, a casa de Augusto Fernandes  e a Igreja Matriz.

A Praça da República (a que falta já o chafariz central)
e a rua do Cimo da Vila... e a porta única da Farmácia do
Horácio Garcia Guerra, ali ao lado do primeiro toldo...

Árvore centenária, no Adro, atrás da Igreja Matriz

Ao poeta de Azeitão...

...vai ser prestada uma homenagem, no próximo Sábado.

23 janeiro 2013

Nunca fala da vida...

... uma poesia de Sebastião da Gama

Sebastião da Gama


Nunca fala da Vida

Nunca fala da Vida
sem que entristeça…

- Mas flores que morrem
nascem outra vez…

Mas pela ardentia
zunem as cigarras…

Mas aquela moça
traz no ventre um filho…

Mas das folhas secas
que há pelo Outono

(de olhá-las a gente
quase entristecia)

já ninguém se lembra
quando é Primavera…
.
In “Cabo da Boa Esperança
Ed. Ática – 1970