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17 maio 2014

Tenho uma grande constipação...

... um poema de Álvaro de Campos.
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Álvaro de Campos
"alter ego" de Fernando Pessoa

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sisema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Doi-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.
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Adeus para sempre, raínha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.
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Excusez um peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e de aspirina.
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Álvaro de Campos
in. "Poemas"

16 maio 2014

O farmacêutico mordeu...

... uma matilha! Mas, ninguém quis saber!

Concluiu-se que em 70 farmácias
em que foi solicitado um antibiótico
sem receita médica, só uma o dispensou.
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Um artigo de Opinião, assinado por
Ema Paulino
no Jornal i, em 15.05.2014
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DrªEma Paulino
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Diz-se que quando o homem morde o cão é que se faz notícia. E, de facto, pode-se dizer que foi isso mesmo que se passou esta semana, na sequência da apresentação dos resultados de uma avaliação quanto à prescrição e dispensa de antibióticos, conduzida pela DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.
A Associação promoveu a visita de indivíduos saudáveis, previamente observados, a 120 estabelecimentos de saúde (clínicas médicas e farmácias) escolhidos ao acaso, na zona da Grande Lisboa e Grande Porto, queixando-se de dor de garganta não acompanhada de outros sintomas. Nas 50 consultas médicas efectuadas, os médicos observaram a garganta, e inquiriram sobre a sintomatologia. Em 20 destas consultas, receitaram um antibiótico. Esta actuação mereceu títulos em vários meios de comunicação social, e comentários por parte do Ministro da Saúde e do Bastonário da Ordem dos Médicos, que asseveraram um inquérito interno a estes resultados.
O que não fez parangonas, e, em alguns casos, nem sequer granjeou qualquer menção, foi a segunda parte do estudo, em que se concluiu que em 70 farmácias em que foi solicitado um antibiótico sem receita médica, só uma o dispensou. Em todas as outras farmácias, a sua dispensa foi negada, tendo sido recomendada a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios, medicamentos apropriados para a situação identificada.
Apesar destas avaliações não terem qualquer validade estatística, e, não poderem assim as suas conclusões ser generalizadas, a actuação das farmácias merecia ter sido destacada. Afinal, as farmácias são frequentemente apontadas como entidades privadas que visam expressamente o lucro, e como tal são raramente incluídas nas estratégias de saúde pública promovidas pelo SNS.
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Pode não ser... mas que tudo parece indicar que se fazem "panelinhas" muito "bem cozinhadas" entre o SNS e a OM... lá isso parece!!!... E a imprensa corre sempre atrás do que parece mai$ fort€...

15 maio 2014

A Casa Oriental...

... ali um pouco a cima da Torre dos Clérigos tem uma característica que eu acho deliciosa...
Os moradores dos andares superiores, para entrarem nas suas casas têm de o fazer através de uma porta que existe... atrás do balcão!!... Claro que devem ter também uma chave do estabelecimento...
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A Casa Oriental
já próximo do Campo dos Mártires da Pátria.
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A Casa Oriental foi fundada em 1910 junto à Torre dos Clérigos e começou por comercializar produtos das colónias orientais e africanas. O café, o chocolate e os chás vendidos desde o início do século XIX, ainda hoje são evidenciados na fachada desta famosa mercearia, com a representação de uma cena da África Colonial, um atractivo para todos os turistas que visitam o Porto.
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Após a 2ª Guerra Mundial, a gama de produtos aumentou e a Casa Oriental passou a vender produtos regionais portugueses: doçaria, enchidos e carnes fumadas, frutas, legumes, queijos, azeitonas, vinhos e licores. Depois de 1974, a loja foi adquirida pelo actual proprietário, José Maria Gama, que decidiu fazer do bacalhau a imagem de marca da casa.

14 maio 2014

São quadras, meu bem... são quadras!...

A minha homenagem ao poeta
João Calceteiro
um bom Amigo que eu tive.
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Não invento nem alcunho
Para d'alguém dizer mal
Porque o falso testemunho
Provem da baixa moral.
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in. "Asas de gaivota"
Ed. CMS - 1989

13 maio 2014

Humor antigo...

in "Mundo ri", nº 136
de Janeiro de 1965
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- Mais decotado atrás... não fabricamos!...

12 maio 2014

D.António Ferreira Gomes...

...o "carismático" Bispo do Porto
tem a sua estátua no Jardim da Cordoaria.
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D.António Ferreira Gomes
pelo escultor Arlindo Rocha (1921-1999)
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Boas recordações me ligam a este Homem que havia sido, antes, Bispo de Portalegre e Castelo Branco.
Em 1949, numa cerimónia realizada em Abrantes, para as juventudes católicas, recebi, de D.António, o Sacramento do Crisma.
Em 1957 e 1958, durante o mês de Maio, e com alguma frequência, D.António Ferreira Gomes ia rezar o terço depois do jantar, na capela do Lar da JUC, na Cedofeita e convivia connosco sempre que ali se deslocava.
Em 1958, numa cerimónia realizada em 2 de Maio, foi o Bispo D.António quem presidiu, na Sé do Porto, à Benção das Pastas da minha Queima das Fitas.
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Na Benção das Pastas,
em 2 de Maio de 1958
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E foi ainda nesse ano que subi, por várias vezes, ao primeiro andar da sede da campanha de Humberto Delgado, na Praça de Carlos Alberto, onde podíamos adquirir a célebre Carta que provocou enorme polémica naquela altura. 
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Nota - A seguir à campanha do General Humberto Delgado para a Presidência da República, tornou-se conhecido o "pró-memória", enviado pelo bispo do Porto a Oliveira Salazar para anteceder uma conversa que este desejou. É conhecido erradamente como Carta a Salazar (13 de Julho de 1958). Ao terminar o "pro memoria" para uma conversa com Salazar, o bispo do Porto lançou quatro perguntas relativas às possíveis objecções que o Estado teria à acção da Igreja e dos católicos. Com estas questões não pretende qualquer favor e declara: “antes, pelo contrário, penso que se não forem capazes de aguentar o desfavor e a animosidade do Poder, pouco podem merecer o respeito e a liberdade. Apenas sugiro e peço, mas isso com toda a nitidez e firmeza, o respeito, a liberdade e a não-discriminação devidos ao cidadão honesto em qualquer sociedade civil.” (GOMES - D. António, p. 139)
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Começou a circular, devido a inconfidências de um amigo de D. António e de um ministro de Salazar. Causou grande polémica nos jornais, às vezes bem reveladora do fanatismo vulgar de alguns espíritos. Certo é que saindo do país a 24 de Julho de 1959, por ser aconselhado a retirar-se uns tempos para férias, é depois proibido de entrar. Vê-se forçado a um exílio de dez anos, iniciado em Vigo e depois continuado em Santiago de Compostela, Valência – onde colabora na acção Pastoral - Lourdes, Ciudad Rodrigo e Salamanca. Neste locais recebe frequentes visitas de amigos e apoio da diocese do Porto, que soube ser fiel e digna no exílio do seu bispo.
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Anos mais tarde, em 1971, tive contactos directos com o escultor Arlindo Rocha, autor desta estátua de D.António, Bispo do Porto. Na verdade, Arlindo Rocha é também o autor das estátuas que embelezam a Fonte Luminosa da Avenida Luisa Todi,  em cuja pefeição o escultor se poderia ter inspirado um pouco mais quando resolveu "talhar" a estátua que eu vi no jardim da Cordoaria...
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A Poesia,
a escultura de Arlindo Rocha
que acompanha a Terra e o Mar
na Fonte Luminosa da Avenida Luisa Todi

11 maio 2014

Escrito no vento...

"O que mais me atormenta em relação às tolices da minha juventude não é tê-las cometido... mas sim não poder voltar a cometê-las."
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autor desconhecido.

10 maio 2014

Recordações...

Esta foto foi tirada em 25 de Abril de 1964...
Fez há dias 50 anos!

Gi

09 maio 2014

Se entendem, digam ao Sol...

...num poema de Sebatião da Gama.
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Sebastião Artur Cardoso da Gama
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Defesa

O sól é meu e dos meninos ricos...

- Triste de quem não vê florir as rosas!
Triste de a quem somente foram dadas
ruas sombrias, lôbregos desvãos!

Ah!, mas não tenho a culpa. Sou moreno
sou forte, porque o Sol me quer assim.
Digam ao Sol, se entendem, que se esconda:
não me peçam a mim que esconda as mãos,
nem que neguem meus olhos e meus lábios
o milagre de o Sol gostar de mim! 
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in. "Cabo da Boa Esperança"
Edições Ática
Outubro/59 

08 maio 2014

Uma Romagem de Saudade...

... à Praça dos Leões no Porto.
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A "minha" Faculdade de Ciências e a Praça dos Leões (em 25.04.2014)
O Prof.Roberto Salema, o Cor. Júlio Crespo e jjmatos
na Praça dos Leões em 05.05.1958.
Só o Júlio não está presente agora, 56 anos depois...
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"Largo do Carmo" até 1835, ano em que, por deliberação camarária, se passou a designar por "Praça dos Voluntários da Rainha" e, mais tarde, por "Praça da Universidade". A 17 de Novembro de 1936 adoptou o nome actual, "Praça Francisco Teixeira Gomes", em homenagem ao eminente matemático e professor universitário. No entanto, em virtude da Fonte dos Leões, o largo é vulgarmente conhecido por "Praça dos Leões".

Curiosidade...

No último mês, isto é, durante o tempo decorrido
entre os dias 8 de Abril e 7 de Maio,
este blogue "Memória recente e antiga"
teve as seguintes "visualizações de páginas":
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Portugal . . . . . . . . . . 5487
Alemanha . . . . . . . . . 2009
China . . . . . . . . . . . .1567
Estados Unidos. . . . . .1010
Brasil. . . . . . . . . . . . .746
França . . . . . . . . . . . 245
Espanha. . . . . . . . . . .157
Reino Unido . . . . . . . . 98
Rússia . . . . . . . . . . . . 89
Índia . . . . . . . . . . . . . 57
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Nada mau...

07 maio 2014

Escrito na pedra...

in. "Público"
Qui 24 Abr 2013
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"Tivesse de acabar, sempre a doer,
  sempre a doer de tanta perfeição,
  que ao deixar de bater-me o coração
  fique por nós o teu inda a bater."
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Vasco da Graça Moura
1942 - 1914
poeta e ensaísta português

06 maio 2014

Na Mui Nobre...

... Invicta e sempre Leal Cidade do Porto.

Num dia chuvoso de Abril de 2014 fiz uma Romagem de Saudade na Cidade do Porto, onde estudei.
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«D. Afonso V, em alvará de 22 de Fevereiro de 1454, concedeu à cidade do Porto o tratamento de "Leal Cidade" e por alvará de 6 de Julho de 1459 o de "Nossa Mui Nobre e Sempre Leal Cidade". Será D. Maria II quem acrescentará o elogio "Invicta", em razão da resistência ao exército miguelista nos anos de 1832 a 1833.»
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in. Nova Monografia do Porto, Porto, C.ª Portuguesa Editora, 1938


05 maio 2014

Humor antigo...

in. "Mundo ri", nº 135
de Novembro de 1964
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- É por isso que o nosso álbum de família está cheio de caras desconhecidas...

04 maio 2014

Agora está melhor...

Se bem me recordo, há 50 anos era um triângulo mal asfaltado
com umas árvores à volta e onde havia uma praça de taxis...
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A actual Praça de Lisboa foi inaugurada em Junho de 2012
Apresenta agora uma via transversal que liga a Livraria Lello à Torre dos Clérigos. Gostei do que vi...

03 maio 2014

Veiga Simão morreu...

Em 1 de Agosto de 1952, passados os primeiros 15 dias de férias, estavamos, eu e o meu irmão, hospedados numa pensão (Vila Mar?) na rua de Buarcos, na Figueira da Foz, aguardando a segunda  quinzena, para voltarmos, eu a Castelo Branco e o Olímpio à Faculdade de Ciências em Lisboa, onde o aguardava um exame de Física II (Electricidade).
Na transição normal da gente que termina as férias em Agosto e as que as iniciam em Setembro, encontrámos nesse dia, a sala onde almoçávamos, completamente vazia... Seria ainda cedo mas, mesmo assim, incomum.
Alguns momentos depois, entraram naquela sala dois rapazes ainda novos que depararam com uma sala de refeições onde apenas uma mesa se encontrava ocupada. Ocupada pelos manos de Castelo Branco... Ambos os "desconhecidos" se mantiveram de pé, à entrada, durante alguns momentos, falando um com o outro, quem sabe para decidirem a mesa em que iriam pousar... tantas elas eram!... Mas em vez disso, dirigiram-se à nossa mesa e um deles pediu se não nos importávamos que se sentassem connosco! Tal era a "dificuldade" na escolha e tal era o "humor" destas duas "peças" que logo imaginámos serem "gente de Coimbra"...
Foram quinze dias de um bom convívio de que me lembro ainda hoje... Depressa ficámos a saber, depois de um "interrogatório" que eles pensavam estar a fazer a "caloiros" da Universidade e depois de terem sabido que o meu irmão iria "enfrentar" o Prof. António Silveira dentro de um mês, na Cadeira de Electricidade (naquele ano, António Silveira leccionou na Faculdade de Ciências, pois era Professor no IST), logo ali um deles se dispõs "a dar uns toques na sabedoria" do meu irmão Olímpio... Foi desta maneira que soubemos que um deles era já Assistente de Física na Universidade de Coimbra, sendo o outro, o Dr.João... (nunca lhe soube o resto do nome) licenciado em Direito.
Foi assim que eu conheci, nas minhas férias grandes entre o 6º e o 7ºAnos do Liceu, o Prof.Veiga Simão.
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Prof. Doutor José Veiga Simão

José Veiga Simão faleceu esta manhã, vítima de câncro. Tinha 85 anos, foi Professor Catedrático de Física, na Universidade de Coimbra e, como político, foi o autor, na década de 70, da Reforma do Ensino que ficou conhecida pelo seu nome.
Foi na sua qualidade de Ministro que visitou Setúbal em 8 de Junho de 1971... e, nesse dia, entre outras coisas, teve tempo de "endireitar" algumas outras que estavam a tornar-se "um tanto negativas" no sector do ensino na nossa Cidade! Que o diga o então Director da Escola Técnica, eng. Tomás Roque...

O Ministro Veiga Simão
na cerimónia efectuada no Salão Nobre dos Paços do Concelho
em 8 de Junho de 1971

Descanse em Paz

Morreu o Rui Mário Gonçalves...

O crítico que fundou a secção portuguesa da
Associação Internacional de Críticos de Arte nos anos 60.
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Rui Mário Gonçalves
Rui Mário Gonçalves morreu ontem, aos 79 anos, em Lisboa, vítima de um ataque cardíaco. Era crítico e professor de História da Arte.
Nascido em Penafiel, em 1934, interessou-se desde cedo pela arte, apesar de ter começado por estudar Ciências Físico-Químicas na Universidade de Lisboa.
Conheci-o nessa altura (1954) como frequentador assíduo que era da AEFCL.
No início dos anos 60, foi para Paris como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1967, iniciou a sua carreira como professor no curso de formação artística na Sociedade Nacional de Belas-Artes e ensinou ainda nos anos 70 nas escolas de teatro e de cinema do Conservatório Nacional de Lisboa. Era professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no Departamento de Literaturas Românicas, onde entrou em 1974.
Ainda na Faculdade de Ciências, em 1958, enquanto dirigente associativo organizou a exposição "Primeira Rectrospectiva da Pintura Não-Figurativa Portuguesa, uma mostra "fundamental no momento em que foi feita, porque afirma a abstracção numa altura em ela ainda não está instalada no tecido critico português", conta Delfim Sardo, curador e crítico de arte. Além disso, acrescenta, foi importante na abertura ideológica da esquerda, tipicamente ligada à pintura figurativa do neo-realismo, à abstracção.
A importância do trabalho de Rui Mário Gonçalves está na capacidade que ele e a sua geração – José-Augusto França, Fernando de Azevedo, Pedro Vieira de Almeida - tiveram de autonomizar a crítica de arte, segundo Luísa Soares de Oliveira, crítica de arte do PÚBLICO. “Dessa geração foi o que se manteve mais interessado na arte contemporânea e activo até hoje.
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"Os críticos" - pintura de Nikias Skapinakis
Rui Mário Gonçalves à esquerda e José-Augusto França à direita. Fernando de Azevedo e Pedro Vieira de Almeida ao centro.
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Mais uma "falha" na geração de 50, da AEFCL.
Que descanse em Paz.

Parabéns!... 3 de Maio

A Carla faz anos hoje!...
Um beijinho e um belo dia para si...

DrªCarla Maria da Silva Canelas

02 maio 2014

O coronel das aventuras...

Vasco Pulido Valente escreveu, hoje,
na sua Coluna "Opinião", do "Público"
um texto a que deu o título:
"Aventuras do coronel Lourenço"

Vasco Correia Lourenço
(visto pelo Cruz Henriques em 1959)
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Aventuras do Coronel Lourenço...
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Numa prosa atrapalhada e pouco gramatical, o coronel Vasco Lourenço veio agora dizer que a Associação 25 de Abril, a que preside, e os capitães de 1974não se querem arvorar em solução” ou “abrir expectativas a que não se pudesse dar resposta”. Melhor ainda, e avisando o público, o coronel Lourenço afasta a fantasia de uma nova revolução e declara o seu amor aos “meios democráticos”. A Associação é “espaço de intervenção cívica e cultural”, que vai “lutando contra aqueles que nos querem calar a voz e prender as mãos com slogans”. Os pobres capitães de Abril, afinal de contas, só se recusam a abdicar de “ser cidadãos de corpo inteiro e (de) usufruir a liberdade que (ajudaram) o povo português a conquistar”. Não se podia pedir nada de mais cívico e de mais cordato.
Nada impede o coronel Lourenço de servir estas piedades, porque de certeza o país já esqueceu o que ele andou a fazer nas semanas que precederam o “25 de Abril” e o que disse no comício do Largo do Carmo, em si próprio um insulto e um desafio à Assembleia da República. Ou, se calhar, ao contrário do país, que está atordoado, o coronel Lourenço não esqueceu uma única ameaça velada ou explícita que dirigiu em pessoa ou pela televisão ao Governo legitimamente constituído e é por isso que aparece agora a deitar um bocadinho de água na fervura, com a pele do proverbial carneiro manso. Seja como for, o gesto presume a completa impunidade dos políticos que por aí se apresentam com direito de incitar os portugueses a remover de cena os “neoliberais” de Passos Coelho e Companhia.
Os festejos do “25 de Abril” deviam servir para duas coisas. Primeiro, para reforçar o radicalismo na esquerda (e em particular a posição de Soares no Partido Socialista). Segundo, para intimidar a direita perante a putativa força do povo “organizado”. O plano falhou de fio a pavio. O coronel Lourenço e os seus companheiros não viram a lamentável figura que exibiam a um público em desespero, farto de retórica e ansioso por alguma lógica e bom senso. Presumo que essa inconsciência lhes lembrou os bons tempos de 1974-1975. De qualquer maneira, não ganhou um voto à direita para o próximo 25 de Maio, e afastou muita gente, que não se arranja dinheiro com demagogia política, sobretudo quando a demagogia põe em causa os fundamentos do Estado.
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NB - à falta de outra foto no "meu arquivo", publico uma "relíquia" de 1959...
       Que pena não ter seguido a carreira futebolística!... 

Escrito no vento...

"Com o punho cerrado não é possível trocar um aperto de mão."
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Indira Gandhi