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20 agosto 2007

Os meus alunos

12º Ano de Escolaridade
Escola Secundátia nº 1
Aos Quatro Caminhos
Ano Lectivo de 1981/82


Wendy van der Weij, em 6 de Maio de 1982

Faz hoje 38 anos...

...que foi tirada esta fotografia
no Largo de Jesus.

A D.Alice e o Dr.Estêvão Moreira, em 20 de Agosto de 1969
junto da sua residência, com o seu "Renault 10" lilaz

19 agosto 2007

Henry David Thoreau

Escrito na pedra
in. Público
19.08.2007

"Cultivem o hábito de acordar cedo.
Não é muito sensato manter muito tempo
a cabeça ao mesmo nível dos pés."

Henry David Thoreau
Escritor norte-americano
1817/1862

As minhas turmas no Liceu

1º Ano - Turma F
em 1959/60

Está aqui todo o Primeiro Ano do Liceu Nacional de Setúbal em 1959/60
Eram Seis Turmas - Cerca de 200 alunos

Os Professores estão lá atrás, encostados aos portões gradeados do Liceu. Vamos tentar identificá-los apenas porque... são menos do que os alunos! E é mais fácil...

A contar da esquerda: jjmatos (CGN), Sílvia Sá Dantas (Des), Arq.Sá Dantas (Des), António Esteves Gomes (Mat), Maria de Lurdes Costa Leal (Lav), Maria Elisabeth Vieira da Luz (Por), Maria Almeida Pessoa (Fra), Aristides Gonçalves (Ing), José de Mendonça e Costa (Reitor), Joaquim Arco (Vice Reitor), Maria Celeste Naré Freire (Fra), Maria Virgínia Fialho (Mor), Ausenda Caetano (Por), Maria Helena Modesto (Fra), Celestina Azevedo (Mat), Maria Irene Rito (Por), Clotilde Botelho (Fra).

.Eu só tinha uma das seis turmas do 1ºAno: a turma F - cujas alunas estão, metodicamente, localizada na fotografia à nossa direita, o que revela o espírito organizativo do Reitor Mendonça e Costa.

Pormenor da foto anterior - As Alunas do 1ºF

O que é feito destas "miúdas"?
A tratar dos netos... se calhar!...
Um abraço para todas.

.
nº 01 - Ana Maria Duarte Gomes

nº 02 - Arlete Simplício Monteiro
nº 03 - Bernardete da Conceição Catarino
nº 04 - Cesaltina Silva Alves
nº 06 - Esmeraldina Oliveira Pereira
nº 07 - Luisa Maria Godinho Garcia
nº 08 - Mabília Maria da Silva Pereira
nº 09 - Manuela da Graça Teles Lopes
nº 10 - Maria Angélica Mendes Coelho


.
nº 11 – Maria do Carmo Espírito Santo Gonçalves
nº 12 – Maria do Céu Figueira Gomes
nº 13 – Maria Clara da Silva Marques Simões
nº 14 – Maria da Encarnação Cavaco Marafengo
nº 15 – Maria Filomena Figueiras Abreu
nº 16 – Maria de Jesus da Silva Afonso
nº 17 – Maria Lucinda Pezinho da Silva
nº 18 – Maria Luísa Rodrigues da Costa Brandão
nº 19 – Maria de Lourdes Duarte Simões Bichirão
.

.
nº 20 – Maria Manuela Cristóvão de Matos
nº 21 – Maria Manuela Gaspar Gomes
nº 22 – Maria Manuela Neves Ferreira
nº 23 - Maria Manuela Pinheiro Mota
nº 24 – Maria Olívia Guerreiro Diogo
nº 25 – Maria Paula Carrelo Rodrigues
nº 26 – Maria Teresa Nobre Loução Santos
nº 27 – Maria Teresa Santos Farinha
nº 28 – Natalina Maria de Oliveira Calado



nº 29 – Marília do Carmo Lopes
nº 30 – Mécia de Jesus Pestana Brandão
nº 31 – Perpétua Mendes dos Prazeres
nº 32 – Rosaria Maria Barreto Espadinha

nº 33 – Vitória Soares Tomás

18 agosto 2007

O Astrónomo Desiludido

Giovanni Papini
.
Escritor italiano, Giovanni Papini nasceu em Florença em 1881 e ali faleceu em 1956, com 75 anos. Começou por ser um céptico mas converteu-se ao catolicismo de que foi membro fervoroso. Sua obra 0 Diabo foi tema de grandes discussões e controvérsias.
A crítica europeia é de opinião que sua melhor obra é Gog, uma colectânea de contos filosóficos, escritos num estilo brilhante e satírico.
Entre as obras religiosas contam-se
História de Cristo, Cartas do Papa Celestino VI, 0 juízo final. Foi um dos fundadores e editor da revista Leonardo, uma publicação importante do início do século 20 na Itália, em que colaboraram grandes intelectuais da época.

De tudo o que possa dizer-se da obra de Giovanni Papini, nada vai modificar a minha opinião... O melhor livro de Papini, aquele de que gosto mais é " O Livro Negro" (Novo diário de Gog). Foi desse livro que escolhi o conto que aqui deixo...

Giovanni Papini escreveu este texto há mais de 75 anos... Desde os meus 16 anos, quando o li pela primeira vez, tenho vivido obcecado por ele e por tudo aquilo que nas suas entrelinhas está escondido.

Giovanni Papini

"Envergonha-me dizer onde conheci Gog: foi num manicómio particular.", diz Papini antes de descrever as conversas que manteve com Gog, um milionáro excêntrico, uma personagem cuja "fala era singularíssima, passava de um assunto paradoxal mas inteligente, para declarações de uma vulgaridade mais que plebeia."

É através de Gog que Papini nos conta uma história escrita em Monte Wilson, num qualquer dia 11 de Julho, nos princípios do século passado...

Monte Wilson, 11 de Julho

"Subira para este observatório – que possui o mais poderoso telescópio do mundo – para pedir as últimas notícias sobre o universo a um astrónomo, cujos estudos outrora custeei.. Não o prevenira e não o encontrei. Pude falar, no entanto, com o seu assistente, o Dr. Alf Wilkowitz, um rapaz de origem polaca, que me pareceu até inteligente demais para o cargo subalterno que ocupa.

Ontem à noite, por exemplo, enquanto fumávamos e bebíamos num dos terraços do observatório, sob um céu coalhado de estrelas, como raras vezes se vê, Alf Wilkowitz disse-me, de súbito, com voz mudada:
- Mr.Gog, sinto a necessidade de lhe confessar o que não confessei até hoje aos meus mestres. Creio que poderá compreender-me melhor do que eles.

Edição "Livros do Brasil"

A astronomia, há anos, parecia-me a mais divina das ciências, e foi o meu primeiro amor intelectual, apaixonado e forte. Hoje, depois de conhecer o céu mais de perto, sinto-me perplexo, perturbado, duvidoso e, de vez em quando, até, amedrontado. A astronomia causou-me uma decepção. Veja se me compreende: a astronomia, como ciência exacta, é um dos mais belos edifícios levantados pelo espírito humano nos últimos séculos. Desiludiu-me, pelo contrário, o seu objecto: o universo sideral.
Descendo de uma família religiosa e desde a infância me ecoou na alma o famoso versículo: os céus narram a glória de Deus. Mas agora, que conheço melhor o céu, que conheço de perto os que o ocupam e seus recantos, parece-me que fui atraiçoado. O firmamento fora por mim fantasiado como uma esfera quase divina por cima do planeta demasiadamente humano. E, pelo contrário...

Alf Wilkowitz atirou com raiva o cigarro apenas começado e ergueu a mão para a abóbada cintilante.
- Aí está o que acontece lá em cima. Inumeráveis, imensos fogos que fogem e se consomem. Porque fogem? E para onde? Nós estamos acostumados às rotações regulares dos nossos mesquinhos planetas em volta da insignificante estrelinha que é o sol. Mas a maioria dos astros foge vertiginosamente – tanto as nebulosas como as estrelas adultas –, não sabemos para onde nem porquê. As nossas medições são risivelmente insuficientes; os nossos telescópios mais poderosos são como os olhos de insectos a fitar os cumes excelsos do Himalaya. O céu que nós vemos não é o de hoje, deste momento: numas partes é o de há milénios, noutras o de há séculos. Parece que as nebulosas mais longínquas se esforçam por se afastar cada vez mais da Via Láctea, mas porque fogem e para onde, nunca o saberemos.
“Fogem como desesperados e perseguidos, os astros, e, ao fugir, flamejam, isto é, destroem-se. Os seus átomos desagregam-se em milhões de cada vez, gerando luz e calor. Mas quem é aclarado por essa luz? quem se aquece a essa calor? porventura se dissolvem com tão louca prodigalidade para que as nossas noites sejam iluminadas por alguma pálida cintilação? Seria oca soberba pensá-lo, e o gigantesco dispêndio para tão pequeno efeito seria inconcebível loucura. Os abismos siderais são tão grandes que nem esse exorbitante desperdício de calor pode fazer subir de muito a sua temperatura.

“E, contudo, milhões de nebulosas, biliões de estrelas não fazem outra coisa, há séculos e séculos senão fugir e destruir-se, sem razão imaginável. O desperdício de luz e de calor que se dá a cada instante nos incomensuráveis golfos do céu ultrapassa qualquer poder de cálculo e de fantasia.

Será possível que uma inteligência suprema e perfeita quisesse esta delapidação enorme, perene, e, no entanto, inútil? Para que servem essas inumeráveis e medonhamente grandes fogueiras fugidias, que continuamente nascem e ardem, fadadas a consumir-se em vão, embora em milhões de anos? O espírito humano, a esse pensamento , confunde-se, aterrado pelo espectáculo absurdo. Seria como se homens iluminassem todas as noites, com milhões de lâmpadas e reflectores, o deserto do Saará ou os oceanos árcticos, que nenhum ser vivo percorre ou habita.

“Mas ainda há mais: há no céu outros mistérios que nenhum intelecto terrestre poderá desvendar. Estávamos habituados a imaginar o céu como a sede e o espelho da eternidade. Outra ilusão, outra decepção. As investigações da moderna astronomia demonstraram que também a cidade das estrelas é feita de úteros e de cadáveres, de jovens e de moribundos. As gigantescas nebulosas em espiral são as matrizes ou as placentas de novas estrelas, de milhões de novas estrelas. Mas estes fogos suicidas não são eternos; crescem, dilatam-se, resplandecem de luz azul e clara no tripódio da mocidade, e depois, a pouco e pouco, empobrecem, tornam-se da cor do ouro, da cor das brasas, e por fim corpos negros e invisíveis, espectros tenebrosos de mortos nos báratros tenebrosos do infinito. O céu é uma incubadora sem fim de novos seres, e ao mesmo tempo, um cemitério interminável de defuntos. A lei do nascimento, do crescimento e da decadência, que julgávamos própria da efémera vida terrestre, é também a lei que reina no alto dos céus. O que foi dito dos homens, parecidos com as folhas, que apontam, frescas na Primavera e caem apodrecida no Outono, vale igualmente para as estrelas. Esses inúteis fogos fugidios são, como os homens, mortais. Há apenas uma diferença: que os homens vivem por milhões de segundos e os astros, por milhões de anos. Mas será, afinal, diante da eternidade, uma diferença verdadeira?

Compreenderá, agora, a minha confusão e a minha angústia. Lá, onde eu julgava encontrar a perfeição sublime da racionalidade, achei apenas inútil dissipação, louca prodigalidade, movimento e dissolução sem fim nem razão.. Lá, onde eu julgava encontrar, por fim, a magestade do imutável e incorruptível, achei a habitual sucessão do dia a dia e do transitório, do nascimento difícil, da juventude esbanjada, da decadência senil, do fim inevitável. Logo que o meu mestre volte, deixarei o observatório e a astronomia. Contentar-me-ei, como os outros homens, em ser um pobre insecto faminto, que vagueia por entre os fios de erva dos prados da terra”.
Assim me falou o jovem Alf Wilkovitz, e havia na sua voz o estremecimento da ira, e havia nos seus olhos um húmido brilho que se parecia com o pranto.

17 agosto 2007

George Best

Escrito na pedra
in. Público
16 08 2007

"Em 1969 parei com as mulheres e o álcool -
foram os piores 20 minutos da minha vida."

George Best
futebolista da Irlanda do Norte
1946-2005

16 agosto 2007

José Vilhena

Histórias Francesas
1961
Le "Cravo" de la Revolution... Vive la France!...

15 agosto 2007

Chegava-se a um sítio novo...

"Acontecia sempre alguma coisa -- falava-se, encontrava-se alguém, descobria-se um ninho raro, um animal nunca visto, chegava-se a um sítio novo -- enfim, tirava-se sempre algum proveito, algo para contar. Além disso eu gostava de Nuto porque nos entendíamos e ele me tratava como amigo. Tinha já aqueles olhos tristes, de gato, e sempre que falava, concluia "Se me engano, corrige-me". Foi assim que comecei a compreender que não se conversa apenas para dizer "fiz isto", "fiz aquilo", "comi e bebi", mas para exprimir uma ideia, para compreender o mundo."
.
Cesare Pavese
in "A Lua e as Fogueiras"

O que se fazia em Castelo Branco...

...em 1952.
(nos horizontes de um aluno do 6ºano do Liceu)


...lia-se a Flama.
...ia-se à Estação do Caminho de Ferro ver quem chegava de Lisboa.
...Depois de jantar íamos ver as sras. "professoras" da Escola Normal (07.01.1952)
...ouvia-se o programa “Que quer ouvir?”
...tentávamos ser úteis! Na Conferência de S.João de Deus a colecta de hoje rendeu 120,00!! Um record... (18.01.1952)
...ouvia-se o programa “O Disco na Estrada”
...liam-se livros da Colecção Vampiro
...jogava-se "Brutebol" nas aulas de Educação Física
a) Quando a Académica perdia!
b) Quando o dr. Carriço estava mal disposto
c) Enquanto ele lia na Bola os desaires da Académica...
...lia-se “O Mundo de Aventuras”
..."ouviam-se" os relatos da bola . Um Misto Sporting/Benfica perdia por 5-1 com o River Plate (17.02.1952)
...lia-se o Norte Desportivo
...lia-se o Cara Alegre
...ia-se dos Cafés até à Avenida para ver a saída das meninas do Liceu
...por altura da Srªde Mércules, à tardinha, ia-se passear para a Linha e jogar ao ringue com as raparigas.
...lia-se “John, o chauffeur russo”
...lia-se “O Primo Basílio”
...lia-se “Série sangrenta” da Colecção Vampiro
...lia-se, à socapa, “As castas Susanas” de Manuel Campos Pereira
...agradecíamos as gentilezas dos Poetas nossos Amigos. António Salvado oferece-nos o livro “As Poemas da Alma” (11 de Julho de 1952)

.
...ah! Também se estudava um pouco!...

14 agosto 2007

Eles foram meus Professores...

Ano lectivo de 1953-54

Botânica Geral
Cadeira do 1ºAno do Curso de Ciências Biológicas


Carlos das Neves Tavares

Prof. Carlos das Neves Tavares

Recorro às palavras que o meu antigo colega de Curso, Professor Fernando Catarino, escreveu aquando da Homenagem prestada pela Faculdade de Ciências aos Professores Cientistas daquela casa, já desaparecidos, no 90ºAniversário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O Professor Carlos das Neves Tavares nasceu em 1914 e faleceu em 1972.

O saber botânico de Carlos Tavares era sólido, actualizado e variado; levava muito a sério a docência e era coerente e dedicado na pesquisa científica. Quando, para clarificar ou dar força a uma teoria desfiava exemplos atrás de exemplos que me parecem hoje adequados e oportunos, pareciam-me então, triviais e redundantes”
…no fundo, eu gostava das suas aulas e sorvia todos os detalhes sem, por um momento, tirar os olhos da figura nada vultuosa do Professor.”


Carlos Tavares não era um homem alto. Tinha a estatura de um homem normal, um homem comum que na rua não dava nem gostava de dar nas vistas. Vestia bem com sobriedade, e lembro a sua figura dentro de uma gabardina clara, nos dias de chuva e passo apertado, no caminho entre a Livraria Escolar Editora e a porta da Secção de Botânica lá ao fundo da Avenida das Palmeiras quase a chegar ao jardim Botânico. Aquele caminho era sacramental e diariamente executado, pelo menos duas vezes por dia… Ali ao lado, paredes meias com o seu gabinete, era o "Anfiteatro das Botânicas" onde tínhamos as nossas aulas teóricas; as aulas práticas passavam-se numa sala cujas janelas abriam lá para trás e de onde enxergávamos o Jardim Botánico, com aquela imensa Fucus elastica ali à esquina, quase em cima de nós...

Era aí no Anfiteatro das Botânicas que tínhamos as nossas aulas teóricas e onde havia muito respeitinho pelo Professor que não era lá muito para graças. Bom Professor mas… exigente! E nós tínhamos… não era medo… era antes um respeito muito vincado por um homem que levava a vida com seriedade demais.

Naquela altura o Professor Carlos Tavares teria uns 40 anos e nós 18 ou vinte… Apenas o Fernando Catarino se permitia por vezes ultrapassar aquela barreira que se interpunha entre a secretária do Mestre quando dissertava as suas lições e as filas de carteiras do anfiteatro… onde nós pousávamos um tanto retraídos.

E é o Catarino que continua:
Tavares tinha um gosto especial pela biologia vegetal comparada e evolutiva. Com modernidade, nunca apresentava uma única explicação dos factos mais controversos, nem considerava nenhum tema como acabado. Gostava de sublinhar os diferentes tipos de incerteza e o entrechocar de opiniões, como que a orientar onde era preciso ou valia a pena aprofundar a pesquisa.
Perceba-se agora como, com o passar dos anos, cresceu em mim a admiração por Tavares, a par de algum remorso pelos momentos de chacota mental com que eu salpicava de lúdico as aulas e descuidava a tomada de apontamentos. Valia, na preparação de frequências e exames, para colmatar os muitos hiatos , o registo, taquigráfico, de todas a palavras proferidas pelo Mestre, que a maioria das colegas conseguia apanhar. Havia quem nem sequer levantasse os olhos dos cadernos, bejes, tarjados de azul, adquiridos no Costa.”

Lembro muito bem algumas destas “heroínas” que até os “àpartes” e os “espirros” do Mestre, assinalavam, nos tais cadernos que o Catarino atrás refere… muitas vezes com o registo da hora a que tinham acontecido… A Carolina Cascais, a Elisa Lisbão, a Guida Mayer, a Milú Lemos Cabral mas, principalmente a “nossa” Carolina… “nossa” por ter feito a sua vida em Setúbal de onde é natural e ter sido nossa colega aqui no Liceu de Setúbal até há uns anos atrás.
Claro que uma boa parte dos alunos descuravam um pouco esses apontamentos. Confiávamos no belo trabalho delas… Muitas vezes faltávamos mas… elas estavam lá! Muitas vezes os “afazeres” da Associação de Estudantes eram mais fortes que o “prazer” de ouvir o Mestre, mas… elas estavam lá!

Do grupo que se aproveitava daquele trabalho de “ouve e escreve”, das nossas colegas “da primeira fila”, recordo alguns que nunca mais vi… como o Carlos Ervedosa, o Adolfo Mendes Estudante, o Morgado… Também fazia parte deste Curso do 1ºAno, o Carlos Almaça que permaneceu naquela Faculdade na área das Zoologias e que, tal como o Catarino, também chegou a Professor Catedrático.

Mais adiante, o Fernando Catarino, continua;
Tinha fama de duro e exigente; chumbava-se bastante na Sistemática, pelo que infundia mais temor do que admiração. Nem admira que não soubéssemos nessa altura separar e valorizar, na sua personalidade exigente, o que nele havia de essencial, como docente e pesquisador probo e dedicado, relativamente ao acessório, e menos importante, derivado do seu modo reservado e solitário.”

Na excelente análise que dele faz um dos seus melhores biógrafos e íntimo amigo, Germano Sacarrão, reconhecendo-o embora de “temperamento tímido e retraído, dá-o como pessoa sensível, cortês e de excelente cultura

É ainda o Professor Catarino quem o afirma:”Não me recordo de que alguma vez tenha chegado atrasado , um minuto que fosse (a uma aula), e creio que nunca me brindou, nem aos colegas, com uma única falta.”

“…a exposição das matérias começava mal entrava na sala, antes mesmo de depositar a tralha sobre a mesa. As suas disciplinas eram essencialmente a Sistemática e a Ecologia, mas eu tive a sorte de seguir, logo no primeiro ano, o seu Curso de Botânica Geral, numa das raras ocasiões em que por qualquer razão lhe coube esta regência anual…”

O Fernando Catarino não se recorda da razão… mas recordo-me eu!
Nesse ano em que frequentámos o primeiro ano, o Professor que costumava reger a Cadeira de Botânica Geral era o Prof. Flávio Resende. Só que esse final do ano de 1953, Flávio Resende passou-o na Alemanha a efectuar quaisquer estudos, quem sabe se sobre a Cariocinese, cujos resultados publicaria uns anos mais tarde.

Numa entrevista conduzida por Nuno Campos, a Professora Maria Salomé Soares Pais, minha colega no Estágio Pedagógico no Liceu de Pedro Nunes em 1963/64, referia-se ao Professor Carlos Tavares nos seguintes termos, fazendo uma comparação pontual com Flávio Resende:
”Também houve o Prof. Carlos Tavares, que tinha um temperamento completamente diferente – especialista em líquenes – reconhecido internacionalmente, era muito metódico e de um rigor tremendo, incutia nos alunos um espírito sistemático e a necessidade de uma observação rigorosa. Sem a vivacidade do Prof. Resende, incutia nos alunos um espírito de enorme rigor na observação e na análise dos resultados. Sem dúvida que, usando metodologias completamente diferentes que dependem, em absoluto, da personalidade individual, estes dois professores transmitiram-me o interesse e o entusiasmo pela descoberta de soluções para problemas concretos, ao mesmo tempo que me incutiram a necessidade da observação rigorosa, atitudes indispensáveis no desenvolvimento de investigação de qualidade”.



Carlos Tavares rodeado pelo Curso que terminou em 1959/60

Apenas reconheço a aluna Maria Salomé, atrás à direita do Professor Carlos Tavares. Provavelmente já como Assistentes, estão presentes, o Carlos Almaça (no mesmo "meridiano" de Carlos Tavares) e o Fernando Catarino (com a face meio escondida, na 2ªfila)

cfr. "Memórias de Professores Cientistas" ed. FCUL (incluindo fotos)

12 agosto 2007

A Dona Edite deixou-nos...

Em 10 de Agosto de 2007
Uma Amiga que desaparece...
Que descanse em paz.
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Edith Denise Vicência Jeunehomme Barros do Rosário

Miguel Torga

Faria hoje 100 ANOS


Miguel Torga


Adolfo Correia da Rocha nasceu em S. Martinho de Anta, em 12.8.1907 e faleceu em 17.1 1995. Adoptou o pseudónimo de Miguel Torga porque "eu sou quem sou. Torga é uma planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raizes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península"...
.

Canção do semeador

Na terra negra da vida,
Pousio de desespero,
É que o Poeta semeia
Poemas de confiança,
O Poeta é uma criança
Que devaneia.

Mas todo o semeador
Semeia contra o presente,
Semeia como vidente
A seara do futuro
Sem saber se o chão é duro
E lhe recebe a semente

In, “Nihil sibi

As minhas fotos preferidas

Pescador dormindo

Foto obtida em Sesimbra, em 10 de Novembro de 1969

11 agosto 2007

Cinema no Parque

Castelo Branco - Verão de 1952

02 de Agosto
Os homens rãs
Richard Widmark e Dana Andrews

05 de Agosto
Touros, amor e glória

07 de Agosto
Paixões tormentosas
Maria Felix

09 de Agosto
Rebelde

10 de Agosto
Sol e Touros
Enchente no Parque.
(Só em bicos de pés vi alguma coisa do filme)

12 de Agosto
Carga de cavalaria
Ronald Reagan e Rhonda Fleming

14 de Agosto
Mundos opostos
James Mason, Barbara Stanwick, Van Heflin, Ava Gardner e Cid Charisse

31 de Agosto
Madragoa
Helga Linée

10 agosto 2007

Memória recente 10.Jan.2006

Em 2 de Junho de 1995

Gi

Parabéns!... 10 de Agosto de 1934

Maria de Lourdes Macedo
faz anos hoje!...
Parabéns...

Maria de Lourdes Macedo Mendes de Matos

09 agosto 2007

Setubalense - 1952 - Fevereiro

04-02-1952
Explicações
Professor licenciado explica Matemática e Físico-Químicas.
Preço - 25$00 por lição (uma hora)

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06-02-1952

Faleceu o Rei Jorge VI, da Inglaterra.
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09-02-1952
Morreu um Poeta.
Foi a enterrar ontem, em Azeitão, o novel poeta de 27 anos, Dr.Sebastião da Gama.

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16-02-1952
A Delegação da Cruz Vermelha em Setúbal.
Presidente - Cor.Augusto de Carvalho
V.Presidente - RevºDr.Mário de Carvalho
Secretário - Ten.M.Simões Rosa
Tesoureiro - Ilídio Teodoro Paninho
Vogais - António de Matos Tavares, Manuel Vidigal Biscaya Alves, Joaquim Barreto Mendes e
Ten.Serafim António dos Santos
.
18-02-1952
Pastor Pereira Martins
Foi reformado o Pastor Evangélico que há mais de quarenta anos tem a seu cargo a Igreja do Espírito Santo. É substituido pelo Pastor Dr.Aires Serrano e Silva da Igreja Evangélica de S.Paulo, em Lisboa.

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27-02-1952
Aniversários
Faz hoje 100 anos que nasceu em Setúbal o grande Pintor Francisco Augusto Flamengo.

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27-02-1952
Visitas

De Gasperi, Chefe do Governo Italiano, visitou em Setúbal, a Bateria do Forte do Outão.

08 agosto 2007

As "garotas" de Bosch Penalva

Era esta "garota" que a revista
"Can Can" nº7, publicada em
20 de Agosto de 1959,
apresentava na capa.

Desenho de Bosch Penalva

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Ao lado, uma vidente com "bola de cristal", adivinhava-lhe um futuro promissor...

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Ainda na "primeira página", um um desenho de Don Flowers "cheio de piada"... para "aquela época"!...

-A ver se acordas!... Ou vieste passar
o dia comigo ao campo para descansar?...

07 agosto 2007

Setúbal de outros tempos...

Antigas instalações da Sécil
A poluição ambiental...


Foto obtida em 10 de Julho de 1971

06 agosto 2007

Augusto Gil

I - A lanterna de Diógenes

Busquei e rebusquei entre o comum
(Comum é a soberba e a vaidade)
E entre cada mil homens, achei um!

Passei à outra metade
Da néscia e vil humanidade.
Estudei toda a mulher:
As viúvas, as casadas, as donzelas;
Pois de tantíssimas delas
- Não achei uma sequer...

«Que enorme sandeu!»
À certa dirão.
... Mas quem escreveu isto não fui eu!...

- Está na Bíblia e é de Salomão.

«Eis aqui o que achei, disse o Eclesiastes,
depois de ter conferido uma coisa com outra,
para achar uma razão, que a minha alma busca
e não pode achar. Entre mil homens achei um,
e de todas as mulheres nem uma achei!.»

(Bíblia, Eclesiastes, cap VIII, v. 28 e 29)

Poema dedicado a
Alvelino d'Almeida