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13 maio 2007

António Russinho

Vernissage em 06.06.1985
Romagem da Saudade - Castelo Branco
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Eng.António Russinho e um dos seus trabalhos
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Num folheto a anunciar a Exposição que fez no Liceu por altura da Romagem de Saudade de 1985, podemos ler o Curriculum de António Russinho:

“Nasceu em Castelo Branco. Estudou em Lisboa. Nesta cidade convive com poetas, pintores, músicos (Sebastião da Gama, Norberto Correia, Júlio Gil, Vasco de Lima Couto, Pedro Homem de Melo, Matilde Rosa Araújo, Manuel Lereno…); Cria com Norberto Correia a “Grei Lusitana”, que reúne colegas de várias Faculdades e que desenvolve um programa de actividades culturais; com Sebastião da Game e Norberto Correia organiza uma embaixada artística a Castelo Branco.
Em Castelo Branco, onde muito cedo passa a residir, funda o Círculo de Educação e Cultura, entrega-se ao Ensino e, em 1952, cria a Delegação da Sociedade de Concertos “Pró Arte” que ao longo de trinta anos vai realizar mais de 150 Concertos; em 1982 é destacado para o Conservatório Regional de Castelo Branco e dedica-se também ao jornalismo. Nos Estabelecimentos por onde passa funda diversos jornais, colaborados e destinados aos jovens. Foi Vereador da Câmara Municipal de Castelo Branco durante dois mandatos.
A sua paixão pelo Desenho e pela Pintura, herda-a de sua Mãe, e é de muito novo que se exercita nestas formas.
Esta Exposição, a primeira individual que realiza tem por temas: “As 4 Estações do Ano” (guaches), Castelo Branco – Cidade” (lápis) e diversos (alguns da sua juventude, como óleos, carvões e lápis).”

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Lembro-me que numas férias grandes, talvez em 1947 ou 1948, os alunos do Liceu ligados à Pré JEC e liderados pelo colega mais velho Hermenegildo Dias e pelo Padre João Mendes Pires, recentemente falecido em Mouricas, fizeram um Acampamento em Alpedrinha, na quinta do Hilário, lá alto da Serra junto à estrada romana, entre a Vila e Alcongosta.
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António Russinho, homem dado às Chefias da Mocidade Portuguesa foi um dia visitar o Acampamento. E nunca mais nos esquecemos daquilo que vimos nessa altura… Um homem lendo poemas e recitando como se ninguém ali estivesse para o ouvir… completamente entregue à tarefa de comunicar cultura às novas gerações… Lembro-me que, gaiatos ainda, gozámos com a situação pouco comum a que estávamos a assistir. Mas o certo é que dessa situação teria ficado alguma coisa!

É deste homem que fala Matilde Rosa Araújo num texto dado à estampa na altura em que inaugura a Exposição, naquela Romagem de Saudade, em Junho de 85.

Romagem de 1985 - 6 de Junho


Talvez seja melhor "traduzir" o que ali ficou escrito:
"Nesta ano Internacional da Juventude, António Russinho, que sempre amou a Juventude vai continuar a ser jovem redescobrindo a poesia das suas mãos: mãos não que estão cansadas porque o sonho acompanhado pela Juventude não cansa.
Talvez a sua exposição a sua verdadeira idade; talvez ele fique a saber que uma estrada longa está à sua frente, que, lembrando os jovens que durante tantos anos acompanhou, veja as árvores, as flores, as gentes desde a sua cidade com a verdade e a poesia com que viveu a sua vida de professor.
Não se trata, sabemo-lo, de uma vocação tardia mas do tempo necessário para que uma vocação, que até agora não teve o tempo de se afirmar, seja cumprida.
Antóni Russinho, daqui de Lisboa para a sua cidade branca, lhe envio um fraternal abraço com votos sinceros não de uma reforma em que as suas mãos tenham o merecido descanso mas de uma reforma em que as suas mãos recriem formas e cores no seu modo de amar.
Os seus antigos alunos virão de vez em quando debruçar-se sobre os seus quadros. a Lurdes estará vigilante na jornada com o companheirismo de sempre, doce comungante.
A Juventude, lá fora, continuará com a sua força poderosa. Com todos os Anos Internacionais de comemoração da Primavera. E o AntónioRussinho só conhecerá o Outono nas tintas dos seus quadros: Outono sobre Primavera.
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Matilde Rosa Araújo

12 maio 2007

Marcelino Mesquita

1854/1919

Marcelino Mesquita

Contraste

Vossa Excelência é feia. É mesmo feia:
Mas tem um tal encanto no sorriso
E tal bondade em seu olhar perpassa...
É tão leal, no conversar, a boca,
Que toda a fealdade se lhe apouca,
Numa núvem de graça
E de bondade.

E, assim, nem se acredita
Esta estranha verdade:
Que, sendo feia, o que se chama feia,
Vossa Excelência é, afinal, bonita.

in"Meridionais"

Marcelino Mesquita nasceu no Cartaxo em 1856 e faleceu em 1919.
Foi um dos autores teatrais mais fecundos do fim do séc.19 e princípios do séc.20 e contribuiu de forma apreciável para o ressurgimento cénico que assinalou aquela época.
À margem do teatro, Marcelino Mesquita escreveu ainda poesias (Meridionais), contos (Na azenha) e romances históricos (Leonor Teles e Os Quatro Reis Impostores)

11 maio 2007

Edmundo Curvelo

Foi um dos mais brilhantes alunos do nosso Liceu.
Edmundo de Carvalho Curvelo… não foi apenas um jovem que fez em Outubro de 1926 a sua primeira matrícula no 1ºano do Liceu de Setúbal. Anos mais tarde, em 1938, regressou para ser aqui professor!

Em 1 de Março de 2007, Luis Soares de Oliveira dedicou-lhe algum espaço no seu blogue mencionando um texto que foi publicado no “Notícias de Arronches”, terra natal daquele “fabuloso professor de Filosofia”, da autoria do Prof. António Brotas que foi Catedrático do Instituto Superior Técnico e que reproduzimos em parte.

Nesse ensaio, que intitulou "Sobre o ensino da Filosofia", António Brotas diz o seguinte de Edmundo Curvelo:
"Eu tive um fabuloso professor de Filosofia. Foi o professor Edmundo Curvelo, no Colégio Militar, em 1946, por ocasião de uma muito curiosa experiência que vale a pena recordar. Havia, na altura, no então chamado ensino liceal, um exame no 6º ano (10º ano de escolaridade). O Ministério da Educação resolveu passar este exame para o 5º ano, mas não o quiz fazer sem antes realizar uma experiência pedagógica. Ou porque lhe era dificil faze-la numa escola dependente do Ministério, ou porque, simplesmente, a não sabia fazer, combinou com o Ministério da Guerra (antecessor do actual Ministério da Defesa) que a experiência fosse feita no Colégio Militar que dele dependia. O Ministério da Guerra, que não estava propriamente vocacionado para fazer experiências pedagógicas do ensino secundário, deu liberdade total aos professores do Colégio Militar para escolherem as disciplinas com os conteúdos, programas, métodos de avaliação e exames que muito bem entendessem. É assim que eu não tenho o curso do liceu, mas sim o curso do Colégio Militar, reconhecido como equivalente pelo Ministério da Educação.
O professor Edmundo Curvelo já tinha sido meu professor de História, disciplina em que não tinha adoptado nenhum livro. Em vez disso, convenceu o Director a abrir aos alunos a biblioteca do Colégio Militar onde até à data não tinham acesso. Também não seguiu, que eu tenha notado, qualquer programa. Distribuía-nos temas que preparávamos e, depois, éramos nós que dávamos as aulas (nalguns casos em francês). A Filosofia ensinada no Liceu tinha, na altura, quatro componentes: a Psicologia, a Lógica, a Estética e a Ética/Moral. Quando o professor Curvelo viu que não tinha de preparar os seus alunos para o exame oficial do 7º ano, pos imediatamente de lado a Estética e a Ética . Não falou do nome de nenhum antigo filosofo e interessou-se, sobretudo, pela Psicologia, em que só nos falou de duas coisas: das sensações e a da memória. Ensinou-nos a olhar para as nossas sensações e para a nossa memória e apaixonou-nos. E, como estava encarregue de organizar o Laboratório de Psicotecnologia do Colégio Militar, responsabilizou um aluno por cada aparelho de medida.
Passados todos estes anos, se escrevo artigos sobre a Educação é porque tive como professor o professor Edmundo Curvelo."


No dia 10 de Julho de 1930 acabou o Exame do Curso Geral com 18 valores
A fotografia aqui representada foi tirada num Estúdio Fotográfico que então existia em Setúbal, a Foto Cabecinha, de uma Família muito conhecida aqui existente e da qual recordo muito bem o Maestro Idalino Cabecinha que foi professor de Música na Academia Luisa Tódi e noutras Escolas.
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Em 1999, na altura das Comemorações do Cinquentenário do Edifício do nosso Liceu, dediquei algum do meu tempo a uma pesquisa sobre a passagem do jovem Edmundo pelos bancos do Liceu de Setúbal.
Surgiram então documentos que o referenciam como aluno, do
1ºAno, em 1925/26, na 1ªturma com o nº733 (nº de matrícula)
2ºAno, em 1926/27, na turma A, com o nº733,
3ºAno, em 1927/28, na turma A, com o nº16
4ºAno, em 1928/29, na turma A, com o nº174 e
5ºAno, em 1929/30, na turma A, com o nº14.

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A "caderneta" do aluno Edmundo Curvelo no 2ºano, em 1926/27.

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No ano lectivo de 1925/26, matriculado no 1ºano, teve como companheiros de turma, entre outros, o Eduardo Miguens Rosado Pinto e os "terríveis" irmãos José e Adolfo Pereira Beija; como companheiros de ano, mas da outra turma existente, fomos descobrir os nomes de Aurora da Silva Maximiano, Maria Virgínia de Sousa Fialho, José Cândido Arôcha e Alexandre Faria Blanc.

Edmundo Curvelo com 10 anos

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Curioso é o que se pode ler numa Acta da Reunião conjunta das duas Turmas do 3ºAno, realizada no dia 26 de Outubro de 1927.



...que passamos a "traduzir":

Quando se comenta o aproveitamento do aluno nº16 podemos ler que "foi unanimemente reconhecido este aluno o melhor da classe e não apenas da turma A, mas de ambas as turmas. Já pela sua atenção que pode classificar-se impressionante, já pelo seu completo e inexcedível aproveitamento. O Director da Classe salientou o facto de este aluno poder não só merecer um lugar de destaque durante todo o seu curso como até ser convenientemente utilizado pelos professores como um verdadeiro auxiliar na preparação dos alunos mais atrasados.”
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Anos mais tarde, após os estudos que fez na rua da Academia das Ciências, em Lisboa, onde se licenciou, Edmundo Curvelo regressa ao Liceu de Setúbal para se dedicar ao ensino.
Na primeira reunião de que fez parte, como professor, ocorrida em 22 de Dezembro de 1938, ocupou o cargo de Secretário da Turma A, do 6ºAno, de que era Presidente o Dr. António Pires. Do grupo de professores daquela turma, faziam ainda parte o Dr. Sequeira Ribeiro, a drª Felismina Madeira, o Dr. Pina de Almeida, o Dr. Bernardino Gracias e o Revº Padre Mário de Carvalho.

Como alunos, figuravam alguns nomes bem conhecidos, como:
José Luis Gonzaga Boaventura Claro, José Manuel Noronha Gamito, Maria Lurdes Marques Ramos Reynaud, Maria Manuela S.A. Vieira de Abreu, Sérgio Boaventura Gonçalves Mendes, Vanda Fonseca Silva Galhoz, António Felisberto Pica, Mário Pedro Simonete e Miguel Rendas dos Reis Mendes.
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Eis uma cópia dessa Acta:


Acta da Sessão ordinária do Conselho de Professores da Turma A, do 6ºAno

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Edmundo Curvelo colaborou em várias publicações. No seu curriculum consta os dois artigos seguintes que publicou na Revista "Mundo Literário"

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CURVELO, Edmundo (1946). A Bomba Atómica, a Tabuada e o mais que adiante se verá.
(Com desenhos de Noémia Cruz.) Lisboa.
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CURVELO, Edmundo (1946). O Resto da Bomba Atómica. (Desenhos de Noémia Cruz.) Lisboa

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Este apontamento, com alguns dados sobre Curvelo, terminava com a frase seguinte:

"Mais tarde foi Professor Catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa e impedido de prosseguir a sua carreira por motivos políticos, na mesma linha de Manuel Valadares e Aurélio Quintanilha"

Colocado como legenda da fotografia tirada em 10 de Julho de 1930, este "quadro" esteve afixado no átrio do Liceu, no dia 30/03/1999, fazendo parte de uma Exposição Diária a que chamei

"Fotografia da Saudade e de Outros Tempos"


"50 Anos - A Foto do Dia"

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Durante dois meses, cinco dias úteis vezes oito semanas, impreterivelmente às 9 horas da manhã, era retirada a foto do dia anterior e colocada a foto do próprio dia. Penso serem essas fotografias que ficaram guardadas no, agora chamado "Arquivo Histórico do Liceu", que estão sendo utilizadas como "coisas" sem autor.

Nota final:

Que eu tenha conhecimento, no nosso Liceu nunca esteve matriculado qualquer aluno chamado Eduardo de Carvalho Curvelo...

09 maio 2007

Parabéns!... 09 de Maio

A Ana Teresa faz anos hoje!...
Parabéns...


Ana Teresa Goes

08 maio 2007

As minhas fotografias

1ªFotografia
Obtida em 1 de Maio de 1968
Segundo turno de Aulas de Trabalhos Prácticos de Ciências Naturais, do 7ºB

No primeiro plano:
Luís Filipe Rosado, Jean-Pierre de Portugal Trevidic e José Carlos Gonçalves da Clara.

De pé:
José Carlos Estevinho Fronteira, Marçal Teixeira de Gouveia, António Aurélio Pestana da Silva, João Gabriel Moreira, António José Oliveira Almeida, Armando Carvalheira Pedrosa, José João Galhardas de Moura, Carlos Alberto Costa Oliveira, Fernando Diogo Nazário, Ilídio Pais Loureiro e Carlos Carvalho Ganopa.
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2ªFotografia
Obtida em 11 de Junho de 1968
Almoço do 7ºAno, no Refeitório do Liceu

No primeiro plano:
Helder Moura Pereira, Artur Almeida Santos, João Trindade Cané Pestana e José Ricardo Costa Brito.

De pé:
Maria(?) Frigolet, Inês Silva Duarte, Maria de Deus Maximiano, Maria da Conceição Sendas, Vanda Patrício Ferreira, Maria Luisa Cabrita, NN, NN, DrªMaria Stela Lopes da Silva, Drª Maria Isabel Vicente Monteiro, DrªMaria Joana Meira, DrªMaria Teresa Uva e NN (professor de Latim)

Mais atrás, duas figuras:
NN(aluna?) e Dr.Fernando Monteiro.

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3ªFotografia
Obtida no dia 28 de Março de 1969
Excursão do 7ºAno a Madrid


No meio de toda esta gente pudemos identificar, pelos nomes, alguns destes alunos finalistas:

Agora divirtam-se! Eu apenas dou os nomes...
Onde está a Maria Amélia Apolinário Lopes?
Onde está a Manuel Pedro Gama Cachão?
Onde está o João Alves?
Onde está o Dr. Calado?
Onde está o Domingos Ismael?
Onde está o Licínio Cardoso?
Onde está a Leonor Bolala?
Onde está o Júlio Machado Coelho?

Onde está o Carlos Roque?
Onde estão os filhos do Dr.Calado?

E onde foi tirada esta fotografia?

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Uma nota, para que conste…

Apressei-me a pesquisar no meu Arquivo Pessoal a origem destas fotografias… Só para confirmar! Já que ninguém duvida de que possuo os negativos de todos elas.

Uns dias após o lançamento de “um livro anunciado”, ou seja, no sábado dia 5 de Maio, o Dr. Manuel Henrique Figueira, seu autor, teve a gentileza de ter feito chegar às minhas mãos um exemplar do livro acabado de ser apresentado.

Li-o nessa mesma noite e no final folhei as páginas onde o autor inseriu uma série de fotografias entre as quais deparei com estas que aqui vos apresento…apenas com a indicação de terem sido obtidas no “Arquivo Histórico do Liceu Nacional de Setúbal”
Quanto à sua autoria… Nickles!!

Quanto ao “Arquivo Histórico do Liceu Nacional de Setúbal”, este deve ser o nome que dão actualmente a um gabinete “claustrofóbico” onde perdi muitas semanas antes da Comemoração do Cinquentenário do Edifício do Liceu, no meio de carradas de pó, teias de aranha… e um ar irrespirável.

Durante o período que antecedeu as Comemorações, levei a efeito, pessoalmente, uma recolha exaustiva de fotos antigas por entre uma série bem grande de Antigos Alunos do Liceu. Fotos que digitalizei e cataloguei ordenando-as pelos nomes dos alunos e alunas que me cederam essas fotos.

Preparei, para efeito, algumas Exposições de Fotografia e os vários exemplares das fotos que foram expostas (muitas delas reveladas por mim, num laboratório que eu próprio tinha em casa), foram depositadas, terminadas que foram as comemorações, numa pequena sala anexa à Biblioteca da nossa Escola.

Creio que teria sido aí que o Dr. Manuel Henrique Figueira teria encontrado estas fotografias que integrou no seu livro. Também acho que não lhe cabe a ele a total responsabilidade deste pequeno abuso… se bem que um historiador deveria ter mais cuidado na obtenção dos seus dados.

É evidente que o autor do livro apresentado no dia 30 não podia saber que existiam, e onde existiam, aquelas dezenas de fotografias… Alguém o orientou. Alguém o conduziu àquelas fotos e respectivas “baguettes” mas se esqueceu de comunicar-lhe os nomes dos autores ali representados…

Pormenores sem importância…

Outra nota ainda:

Na página 33, do livro que foi apresentado na tarde do dia 30 de Abril, vê-se uma fotografia histórica de grande importância para o Liceu e para a Cidade.
É pena que uma legenda mais detalhada não tenha sido presente, pois dar-lhe-ia maior dimensão e tornaria o obra mais apelativa…

Num “coup d’oeil” , para além dos mencionados Jorge Botelho Moniz e José Mendonça e Costa, identifiquei o ainda aluno António Manuel Salgado Soares, o veterinário Dr, José Caldeira Areias, o médico Dr. Henrique Machete, o Dr. Luís Teixeira de Macedo e Castro, o Dr. Patrício Paúl, o velho farmacêutico Emílio Curado de Oliveira, o oftalmologista Dr. Eduardo Albarran, o médico analista Dr. Sequeira Lopes, o Eng. João Botelho Moniz Borba, o industrial Rogério Perienes, o veterinário Dr. Joaquim Barros, o Dr. Estêvão Moreira, o Director do Porto Eng. Humberto Ferreira da Cunha e o ilustre advogado Dr. João Cavalheiro.

07 maio 2007

Beira Baixa - Notícias de 1952 - Junho

2 de Junho
Casamento elegante
No dia 26 do mês passado, uniram-se nesta cidade, pelos sagrados laços do matrimónio,
a srªD.Maria Meiga Batista Domingos e o sr.Eng.Agrónomo José Antunes Lourenço.

2 de Junho
Cine Teatro Vaz Preto apresenta:
Amanhã: Céu sobre o Pântano
3ªfeira: Legião do Deserto
5ªfeira: Abott e Costelo no México

9 de Junho
Pelo Município
Foram arrematados os trabalhos da empreitada dos arruamentos que circundam o Liceu
Base: 500.000$00
Arremata a Canteiros,Ldª por 456.000$00

16 de Junho
Festas da Cidade de Castelo Branco
As comissões representativas da Associação Desportiva de Castelo Branco, promotora das festas têm a seguinte constituição:


Comissão Central
Dr.João Frade Correia
Dr.Armindo Gonçalves Ramos
Manuel do Nascimento Barata
Tomás da Costa Carvalhão

23 de Junho
O General Francisco Higino Craveiro Lopes é o candidato da União Nacional à Presidência da República.

30 de Junho
À última hora
Soubemos à hora de encerrar o jornal que no avião da TAP do próximo dia 4 de Julho, partem para Inglaterra, a fim de seguirem um curso de férias e aperfeiçoamento, as estudantes do nosso Liceu D.Maria Doroteia Dias Coutinho e D.Maria da Piedade Lencastre.
Que façam boa viagem e por lá gozem sempre de saúde.

06 maio 2007

Liceu Nacional de Setúbal

Antigos Alunos
Almoço de confraternização

Foi ontem, sábado 5 de Maio, que se realizou num Hotel de Setúbal, o anunciado almoço de confraternização de Antigos Alunos da nossa escola.
Houve muitas inscrições nos dias que antecederam o evento e por isso as expectativas foram superadas.
Em maioria esmagadora encontrámos ali alunos que frequentaram o Liceu entre 1950 e 1970.

O encontro foi agradável e as saudades também ficaram bem demonstradas...
A reunião começou a fazer-se a partir do meio dia e, a cada passo, à medida que as pessoas chegavam, lá íamos ouvindo as frases soltas tão presentes nestas alturas...

"Eh! Pá... Tu és o Fulano?... Tás "porreiro"! Não mudaste nada..."
"Onde é que tens andado durante este tempo todo?..."
E coisas do género... coisas de Amigos que não se vêem há anos...
Mas na verdade, fora os muitos anos que passaram... eles estão de facto na mesma!

A um ou outro que nos cumprimenta temos de perguntar o nome porque a figura pouco nos diz... É uma táctica que adoptei há muito tempo e que dá sempre resultado! Ouvido o nome às vezes nem os deixo chegar ao fim e completo eu o que falta ouvir do resto do nome... Só que a lembrança que tenho ao ouvir os seus nomes "recambia-me" para a fotografia que deles tenho na "caderneta" quando foram meus alunos há mais de quarenta anos! Aí é que eu noto, um pouco mais, a diferença...
Mas estas são situações raras. Normalmente não tenho grande dificuldade em identificar estes Romeiros da Saudade, aqui das margens do Sado. A maior parte deles, nunca os perdi de vista.

"Não te vejo há tanto tempo..." outra frase que surge com frequência, à medida que vão chegando. E os abraços sucedem-se...

A fase dos aperitivos passa-se numa conversa pegada e numa série de abraços entre aqueles que não vêem há muito. Depois passa-se à fase do almoço numa sala um pouco "despida" de qualquer arranjo especial... a demonstrar uma gestão hoteleira mais voltada para os números do que para as coisas do espírito...
Mas, mesmo assim, foi bom estarmos ali num convívio que faz bem à alma e que aperta mais fortemente a Amizade.
Continua, Hugo! Sem pessoas como tu, estas coisas acabam por desaparecer... O que é mau...
Na sala espaçosa onde decorreu o almoço, espalhavam-se oito meses circulares em cada uma das quais se acomodavam dez convivas.
Mas, o melhor é ver alguns dos presentes nesta almoço de confraternização:


O Eurico Garrido, o Francisco Canana, NN, Jacinto Ramalho e Madalena Serra.

A Clara Vieira Gonçalves (nº7 - 7ºA 1961/62) e o António Salgado Soares (nº1 - 7ºA 1957/58)

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O Toy Cabral Graça (nº4 - 6A 1960/61) e o Fernando Marcelino (nº13 - 7ºB 1961/62)
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A Emília Fidalgo Mateus( nº11 - 7ºC 1961/62), a Beatriz Castelo Branco ( nº13 - 5ºB 1960/61) e a Maria Amália Bornay (nº12 - 5ºB 1960/61)
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O João Manuel Teixeira (nº20 - 5ºA 1960/61), o Rui Torres Farinho (nº7 - 7ºB 1960/61), o Domingos Farinha (nº21 - 7ºA 1961/62) e o Ricardo Jorge Reynaud da Silva (nº11 - 4ºC 1959/60)
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Maria Odete Guerreiro (nº19 - 5ºC 1960/61) e Isabel Almeida e Costa (nº5 - 6ºB 1960/61)
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O José Custódio Sanchez Antunez (nº24 - 5ºA 1961/62) e a mulher que foi da turma B, do 1ºAno, em 1959/60)
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O organizador Hugo Silva (nº19 - 3ºB 1954/55) e a Laura Seabra (nº26 - 2ºA 1954/55)
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O João José Canário (nº15 - 1ºA 1956/57) com duas ilustres"desconhecidas"
que não consegui identificar... As minhas desculpas.
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A D.Adelaide Fernandes, antiga professora no Liceu. Uma presença bonita com 90 anos...
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O casal Frasquilho é da "leva" de 1947/98. Ela, do 1ºA (nº27 ?) e ele do 1ºB (nº15)
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O Orlando Valadas (nº25 - 6ºf 1958/59) e o Eurico Nuno Garrido (nº6 - 7ºA 1957/58)
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A Maria Joaquina Nunes Ratão (nº26 - 1ºC 1956/57) e a filha do nosso saudoso colega Dr.Aristides, a Maria Clara Vieira Gonçalves (nº7 - 7ºA 1961/62)
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O António Manuel Salgado Soares que, em 1957/58 era o nº1, da turma A, do 7ºAno
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O Rui Farinho (nº10 - 6ºB 1959/60) e o Mário Eduardo Fráguas (nº27 - 1ºA 1956/57)

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E os últimos são os primeiros!...

É a minha "patrícia" do Salgueiro do Campo, amiga de comuns amigos que tenho por aquelas bandas. .

A Maria da Conceição Martins Azevedo (nº15 - 7ºB 1960/61)

05 maio 2007

Os meus heróis de BD - 6

Bruno Brazil
Bruno Brazil
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WILLIAM VANCE é o autor da figura do Comandante Bruno Brazil.
Depois de estudar na Académie Royale des Beaux-Artes começou a trabalhar em publicidade e, em 1962, iniciou-se na revista Tintin, onde publicou inúmeras ilustrações e histórias completas antes de se dedicar ao desenho de séries como Howard Flynn, Ringo e Bruno Brazil.
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Editado pela Bertrand, em Abril de 1977

Entre 1967 e 1979, desenha a série Bob Morane e posteriormente dedica-se ao realismo histórico com Rodric e as séries Ramiro e Bruce J. Hawker antes de retomar os “westerns” Mongwy e Marshal Blueberry.Já em 1984, dá início à série XIII (argumento de Jean Van Hamme) que se impôs como um dos maiores sucessos da Banda Desenhada. Em 1995, a Lombard reedita a série Bruno Brazil e, em 2002, a colecção Tout Vance que inclui reedições e as suas primeiras histórias completas e ilustrações.

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Gina Loudeac fotografa um monge em Banguecoque
em "A batalha do arrozal"
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O Comando Caimão

O Comando Caimão é a arma mais terrível dos Serviços Secretos.
O seu Chefe? Bruno Brazil, um agente com nervos de aço, elegante, desenvolto. Irresistível.
As missões dos Caimões: altamente secretas.
Os seus pontos comuns: o perigo, a violência, a morte.
Os membros do comando têm todos uma enorme personalidade.
Gaúcho Morales, Whip Rafale, Billy Brazil, Lafayette “Big Boy”, Texas…
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Cena violenta em "A noite dos chacais"

A Agente Whip Rafale convoca os Caimões

Que logo se reunem... Na frente os irmãos Bruno e Billy Brazil

Mademoiselle Loudeac

Concepcion Morales segura uma "ponto em mola"


Whip Rafale em acção

Coisas que Gina Loudeac não devia dizer... e uma "pancadinha" de amor.


A Brigada Caimão reunida no Hotel Morocco, em "Sarabanda em Sacramento"


Os agentes Big Boy Lafayette e Gaúcho Morales


A bonita agente Whip Rafale

Creio que se publicaram apenas três álbuns em Portugal:

"Batalha no arrozal" em 1975,

"A noite dos chacais" em 1976 e

"Sarabanda em Sacramento" em 1977

04 maio 2007

Liceu Bocage - 1944

Já tem uns aninhos, esta fotografia...
Foi tirada ainda no Liceu Velho.
São as alunas da turma B, do 1ºAno

As meninas do 1ºAno do Liceu de Bocage - 1944.

Em 1º Plano;
Maria Josefina Noronha Gamito, Maria João Vieira de Faria, Edite Denise Jeunehomme Barros, Fernanda da Silva Rosa Mendes, Maria Agripina da Silva Belchior, Maria Amália Resende de Pinho, Maria Celina Jorge Martins, Maria Fernanda Rendeiro Ramalho, Graciete Faria da Silva Fernandes, Gabriela Maria Pinto d’Almeida.

Em 2º Plano:
Amélia Batista Nobre de Lacerda, Maria Manuela Madruga Assunção Antunes, Maria Lúcia Freitas Rosado, Maria de Lourdes Anjos Circuncisão, Rita Fuzeta da Ponte, Marília Pais Viterbo de Freitas, Maria das Mercês Barreto de Almeida, Maria de Lourdes Rendeiro Pires, Maria Lucinda Tavares, Maria Suzete Reis e Maria Otília Piedade Matos Nunes.

Em 3º Plano;
Sr. Armando Gomes (Canto Coral), Aurélia Vale, Maria de Lourdes Puga Brandão, Maria de Lourdes Silva Jordão, Srª. Drª. Josefina Gamito (Francês), srª.Drª.Judite Pais (Português), Maria de Lourdes Fonseca Malhador, Maria Georgina Valagão da Cruz e Padre Dr. Mário de Carvalho (Moral)


(foto cedida pela D.Edite do Rosário)

03 maio 2007

Benditos...

Benditos!!!

Benditos os que possuem Amigos, os que os têm sem pedir...
Porque Amigos não se pedem, não se compram nem se vendem…
Amigos a gente sente!

Benditos os que sofrem por Amigos, os que falam com o olhar,
Porque Amigo não se cala não questiona nem se rende
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam Amigos, os que entregam o ombro para chorar.
Porque Amigo sofre e chora
Amigo não tem hora para consolar!

Benditos sejam os Amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque Amigo é a direcção, é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os Amigos de raízes verdadeiras.
Porque Amigos são herdeiros da real sagacidade

Ter Amigos é a melhor cumplicidade.

(autor desconhecido)

Um convite impessoal...

Recebi uma explicação, que aceito como razoável, a justificar que
a interrupção de uma conversa telefónica ocorrida na tarde de 30 de Abril
não foi feita intencionalmente”.
Achei por isso que devia retirar desta página o texto
que aqui permaneceu alguns dias.

02 maio 2007

Apetece-me dizer bem!

Transcrevo alguns fragmentos do texto que o Prof.Marçal Grilo publicou hoje no Público. Mas vale sempre a pena ler todo o artigo que escreveu!
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"Apetece-me dizer bem. E apetece-me dizer bem das coisas mais diversas, porque da política à economia, da educação à saúde, da investigação científica às empresas é possível que cada um de nós se cruze em Portugal com iniciativas, com projectos ou com meras rotinas que nos satisfazem e nos dão algum orgulho de sermos portugueses.

Prof.Eduardo Marçal Grilo

(…)
Por tudo isto e por muitas outras coisas que podia igualmente enumerar, apetece-me dizer bem! E isto apesar de eu saber que há corrupção, incompetência, desleixo, falta de planeamento, gente sem qualificações em lugares onde não devia estar e muitos outros "pecados" que nos afectam e nos penalizam. Penso, no entanto, que chegou o tempo de dar esperança às pessoas e de dizer que é "possível" fazer avançar e fazer progredir o país porque os exemplos estão aí a mostrar que tudo é possível desde que nos convençamos de que é preciso estudo e trabalho e fazer muito esforço e por vezes muitos sacrifícios para atingir os objectivos desejados.Para aqueles que só ouvem rádio, que só lêem jornais ou que só vêem televisão, a ideia que muitas vezes fica é que o país não existe e que nós os que cá vivemos somos todos uns incapazes que nunca sairemos deste "buraco negro" em que nos querem colocar.Estou cansado da maledicência e da crítica malévola, mas sobretudo do que estou farto é dos políticos, dos jornalistas e dos opinion makers, felizmente nem todos, que só sabem dizer mal e que criticam (muito para além do que é indispensável e necessário num regime democrático onde a crítica deve ser livre), porque, não estando de bem consigo próprios, acabam por desprezar o país em que vivem e tratar todos os outros como cidadãos de "segunda", sem cultura, pouco lidos, desgraduados e talvez mesmo sem a inteligência com que só eles se sentem bafejados.Faz impressão ouvir, ler ou ver todos aqueles que diariamente, para existirem, têm que continuar a criticar zurzindo tudo e todos como se isso os colocasse na História. Ora na História só ficarão os que fizerem alguma coisa e isso só será avaliado e valorado daqui por muitos anos talvez mesmo daqui por algumas décadas.


Nota final:
peço desculpa aos leitores do PÚBLICO (que é um jornal de referência) por este desabafo, mas penso que pelo modo como estamos a evoluir em matéria de opinião divulgada e publicada só conseguiremos recuperar a esperança quando alguém decidir distribuir gratuitamente Prozac e outros antidepressivos dissolvendo-os directamente na água que é distribuída pelos nossos domicílios..."

in.Público, 02.05.07

01 maio 2007

Um poema de Maiakovski


Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


Maiakovski


Vladimir Maiakovski (1893-1930)
.


Um contra-ponto de Bertold Brechet (1898-1956)


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas eu não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht


Bertold Brecht (1898-1956)

Incrível é que, passados mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governamentais que vampirizam os erários, aniquilam as instituições e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra há muito se tornou inútil
Até quando?...

(Excertos lidos por Ana Serras, num encontro de Poesia, há uns dias atrás)

30 abril 2007

Albert Dürer

Alte Pinakothek - Munique

Retrato de Oswold Krel

Este quadro, pintado em 1499, representa um mercador de Lindau que residiu em Nuremberga até 1502. São sensíveis neste quadro alguns motivos típicos da pintura veneziana, tais como a paisagem que se abre em perspectiva, à esquerda, e a atitude majestosa do mercador, enquanto a forma poderosa como se define a fisionomia obedece às tradições da arte alemã.

By Hermann Bauer
In, “Grandes Museus do Mundo”, ed.Verbo - 1973