"Não caia antes de ser empurrado"
.
Provérbio inglês
27 novembro 2015
26 novembro 2015
Humor antigo...
in. "Histórias Francesas"
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
.
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
.
- Agora não tenho nenhum trabalho para si. Só se quiser fazer
o papel de minha esposa enquanto ela está de férias.
25 novembro 2015
A escola e a exclusão entre pares...
... é o título de um "Editorial"
escrito por João Ruivo
no Ensino Magazine
de 13 de Novembro de 2015
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João Ruivo
.
"... e onde até a imbecilidade humana
tem direito à globalização"
.A escola e a exclusão entre pares
A verdade seja dita: sempre houve bullying na escola. Todos guardamos memória disso. Na escola e no emprego, na família e no desporto, nos quartéis e nas igrejas, nos partidos e, até, nos mais insuspeitos grupos de amigos… Sempre o houve, onde e quando se agregaram pessoas e se formaram grupos onde coexistem fortes e fracos, chefes e chefiados, agressores e vitimados, ou seja, sempre e quando se desenvolveram relações de desigualdade na partilha do poder.
Em variadíssimas gerações, e por diversos motivos, os "caixa de óculos", os "pencudos", os "pés de chumbo", as "mamalhudas", os "bucha", os "espinafres", os "fanhosos", os "minorcas", os "graxistas", os "dentolas", os "cabelos de rato", as "asas de corvo", os "nerd"…, sempre foram motivo de jocosidade e, logo, também vítimas de processos de exclusão e de achincalhamento, verbal e quantas vezes físico, pelos seus pares. Outras vezes, dizia a voz dos sociólogos, tudo isso até favorecia a socialização do indivíduo pelo grupo.
Noutros tempos, pouco ou nada se sabia fora das paredes das instituições educativas; ou então, tudo se perdia entre regras de falsa etiqueta proporcionadas pela paridade e homogeneidade dos grupos sociais que tinham acesso à escola, sobretudo aos níveis de escolaridade mais avançados. Hoje, felizmente, sabe-se mais e, sobretudo, sabe-se melhor. Por exemplo, dizem-nos que 40 por cento das crianças portuguesas são vítimas de bullying. E, nesse escandaloso número, ainda nem se contabiliza a violência psicológica exercida por alguns jogos de consola, por alguns sites que as crianças e jovens visitam e, até, por alguns programas de televisão a que assistem, sem qualquer controle parental.
O que mudou entretanto? Tanta coisa! Desde logo, a democratização do acesso ao ensino (uma escola para todos) trouxe para a escola muitos jovens de diferentes culturas sociais, de diferentes "tribos urbanas", com as suas linguagens, gestos, símbolos, valores e vestuários diferenciadores em relação "ao outro" e identificadores "entre si". É que, também se sabe que o bullying se desenvolve mais quando os indivíduos são forçados a coabitar, algumas vezes contra-vontade e noutras contra-natura, no mesmo espaço e ao mesmo tempo.
Depois, as lideranças começaram a centrar-se nos mais "desiguais" perante a maioria: a desigualdade dos que se auto-marginalizam face às regras, a dos manipuladores do poder, da força e da coacção psicológica, a dos detentores de uma enorme capacidade de mentir e de resistir. O impacto foi de tal ordem de grandeza que gerou, em inúmeros casos, que os professores tivessem perdido a governação objectiva das instituições em que trabalham. Isto, quando não são eles mesmos a motivação e o principal alvo da violência que aí se desenrola. Todos os dias…
Finalmente, tenhamos em conta que a exponencial evolução dos meios e dos processos de comunicação de massas (internet em cada esquina, smartphones desde o berço, tablets, PCs portáteis, fotografia e filme digitais, acesso permanente aos dados nas nuvens do ciberespaço…) permitiu que o bullying ultrapassasse rapidamente as portas da escola, do bairro, da cidade, do lar, do país… revelando-se um verdadeiro campeão de audiências nas redes sociais da internet - referimo-nos, claro está, ao cyberbullying, associado ao cybercrime.
Nesta sociedade que tarda a reencontrar-se e onde até a imbecilidade humana tem direito à globalização; onde, infelizmente, não sobram exemplos de coerência e de ética; onde as famílias se constituem mais com base no "ter" do que no "ser"; onde se permite que todos os dias se destrua um pouco mais deste planeta que é única casa de todos, não é de estranhar que desde muito cedo (92% das mães americanas inquiridas admitiram que os seus filhos, com menos de dois anos de idade, já tinham acesso e brincavam na internet…) se incrementem as tentações totalitárias, desumanas e irracionais e que estas se sobreponham ao prazer de brincar, de conviver e de aprender com o "outro". Descansar é preciso, brincar faz tremenda falta, partilhar amadurece e socializar é gratificante e humaniza.
Por isso, hoje, a diferença situa-se na ténue fronteira da amplitude a que pode chegar a pressão dos pares sobre o indivíduo (o mal são os outros?), e da justificação que se quiser dar ao livre arbítrio que conduz à selecção da vítima e da motivação para a violentar.
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NB - Penso que se trata de um texto que merece ser lido por todos os professores e por todos aqueles que de algum modo se sintam com responsabilidades educativas.
24 novembro 2015
Ou se é mentira o que sinto...
...num "poema sem nome"
in.Fb - 25 10 2015
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que a vida
passa de revés
tão ligeira e fugaz
se evapora na aragem
do pensamento
às vezes, pensa-se
que a vida é apenas
a corrida do tempo
flutuando em jardins
de verdade ou de fantasia
que o céu concede e alivia
às vezes, pensa-se
não fosse o pensamento tanto
em inflexões labirínticas
a escoar-se no caminho
mas pressinto,
que às vezes, e quantas vezes
já nem sei
se é verdade o que penso
ou se é mentira o que sinto.
Isabel Monteiro
(Bébé Ribeiro)
in.Fb - 25 10 2015
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Isabel Monteiro
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às vezes pensa-seque a vida
passa de revés
tão ligeira e fugaz
se evapora na aragem
do pensamento
às vezes, pensa-se
que a vida é apenas
a corrida do tempo
flutuando em jardins
de verdade ou de fantasia
que o céu concede e alivia
às vezes, pensa-se
não fosse o pensamento tanto
em inflexões labirínticas
a escoar-se no caminho
mas pressinto,
que às vezes, e quantas vezes
já nem sei
se é verdade o que penso
ou se é mentira o que sinto.
Isabel Monteiro
(Bébé Ribeiro)
23 novembro 2015
Pensamentos...
“Todos admiramos o talento, a coragem, a solidariedade, as grandes dedicações e
as provas difíceis, mas só alguns têm consideração pelo dinheiro”.
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Sébastien-Roch Nicolas de Chamfort
22 novembro 2015
Porfírio Lima ...
...foi homenageado em Castelo Branco.
Cfr."Reconquista"
19.11.2015
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Cfr."Reconquista"
19.11.2015
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Porfírio Rodrigues de Lima
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Escuderia... Sempre.
A máxima que serviu de suporte à noite do dia 14 de Novembro não é certamente inocente em relação ao momento mais sentido do programa: o tributo a Porfírio Lima, sócio Fundador da Escuderia de Castelo Branco, falecido em Maio passado.
Foi "uma homenagem simbólica mas com muito amor" como disse António Sequeira, o presidente da Direcção do Clube. Coube, no entanto, ao Presidente da Assembleia Geral, Nuno Almeida Santos, fazer uma viagem pelo percurso daquele que , reconhecidamente, era "um fervoroso adepto do desporto automóvel".
A sua ligação à Escuderia perdurou pelo tempo fora, desde a data da fundação. "Acompanhou sempre as actividades e, nos últimos anos, foi um conselheiro e um amigo" de toda a equipa dirigente. "A vida da Escuderia ficará para sempre marcada pela presença e atitude de Porfírio Lima."
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NB - A Escuderia foi fundada em 21 de Maio de 1964.
Foram seus Sócios Fundadores:
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01- Joaquim Lopes dos Santos Pio
02- Manuel Augusto Gonçalves da Cunha Tavares
03- Luís Joaquim Carrega Marçal Grilo
04- Amado Ramos Estriga
05- Porfírio Rodrigues de Lima
06- António Manuel Pereira Duarte
07- Jorge Abel de Moura Pinheiro
08- Eduardo Carrega Marçal Grilo
09- Humberto Mendes Salavessa
10- João António Teixeira Montanha Pinto
11- Mário Firmino
12- António Meireles Farias
13- João Caetano d'Abrunhosa
14- Joaquim Nunes Ribeiro
15- Jorge Sequeira Ribeiro
16-José Nápoles Boavida Godinho
17- José Mendes da Costa Carvalhão
18- Manuel Riscado Venâncio Leão
19- João D. Moura Pinheiro
20- Domingos dos Santos Pio
21- Luís Lopes dos Santos Pio
22- Francisco Manuel Ruivo Ferreira Romãozinho
23- José Cardoso Morgado Duarte
24- José Paiva Morão
25- José dos Reis Sanches Júnior
26- António Tavares Lobato Carriço.
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NB - A Escuderia foi fundada em 21 de Maio de 1964.
Foram seus Sócios Fundadores:
.
01- Joaquim Lopes dos Santos Pio
02- Manuel Augusto Gonçalves da Cunha Tavares
03- Luís Joaquim Carrega Marçal Grilo
04- Amado Ramos Estriga
05- Porfírio Rodrigues de Lima
06- António Manuel Pereira Duarte
07- Jorge Abel de Moura Pinheiro
08- Eduardo Carrega Marçal Grilo
09- Humberto Mendes Salavessa
10- João António Teixeira Montanha Pinto
11- Mário Firmino
12- António Meireles Farias
13- João Caetano d'Abrunhosa
14- Joaquim Nunes Ribeiro
15- Jorge Sequeira Ribeiro
16-José Nápoles Boavida Godinho
17- José Mendes da Costa Carvalhão
18- Manuel Riscado Venâncio Leão
19- João D. Moura Pinheiro
20- Domingos dos Santos Pio
21- Luís Lopes dos Santos Pio
22- Francisco Manuel Ruivo Ferreira Romãozinho
23- José Cardoso Morgado Duarte
24- José Paiva Morão
25- José dos Reis Sanches Júnior
26- António Tavares Lobato Carriço.
21 novembro 2015
São quadras, meu bem... são quadras!...
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Desfolhaste o malmequer
A perguntar se eu te queria.
Fizeste mal, oh mulher,
O malmequer não sabia.
A perguntar se eu te queria.
Fizeste mal, oh mulher,
O malmequer não sabia.
20 novembro 2015
Escrito na pedra...
In. “Público”
02.10.2015
“Nem sempre podemos agradar, mas podemos falar sempre agradavelmente.”
.
02.10.2015
“Nem sempre podemos agradar, mas podemos falar sempre agradavelmente.”
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Voltaire
1694-1778
Filósofo, poeta e historiador francês
1694-1778
Filósofo, poeta e historiador francês
19 novembro 2015
Humor antigo...
in. "Histórias Francesas"
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
.
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
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- Não te preocupes, papá! Paul anda a estudar para médico.
Está habituado a ver isto.
18 novembro 2015
Provérbios...
"A paciência é uma árvore de raiz amarga mas de frutos muito doces."
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Provérbio persa.
.
Provérbio persa.
17 novembro 2015
Parabéns!... 17 de Novembro
A Maria Regina faz anos hoje.
Beijinhos e um belo dia cheio de coisas boas...
.
Beijinhos e um belo dia cheio de coisas boas...
.
Maria Regina Bidarra Gomes
16 novembro 2015
Setubalense - 1968 - Dezembro
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02 Dezembro
Câmara Municipal
O Sr. Ministro das Obras Públicas mandou elaborar o
projecto da ligação da Figueirinha ao Portinho da Arrábida.
.
02 Dezembro
Foi
promovido a Ten.Coronel, o Sr. Ernesto Carrilho do Rosário.
.
04 Dezembro
Escola e Liceu vão
jogar no Bonfim, com um fim bom!...
“Embora menos forte a
minha equipa espera conquistar novamente o troféu.”, afirmou o Prof. Domingos
do Rosário.
“A equipa do Liceu está
bastante moralizada…”, confessa-nos o Dr. J. Mendes de Matos.
.
07 Dezembro
… um carro conduzido
pelo Sr. António Luís Trindade Teixeira Malheiros atropelou gravemente o cabo do
mar da Capitania do Porto de Setúbal, Sr. José Leitão dos Santos, de 37 anos.
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09 Dezembro
Foi aprovado pelo Sr. Ministro
das Obras Públicas o projecto do grupo escultórico destinado à Fonte Luminosa,
instalada na Avenida Luisa Todi, em frente do Mercado do Livramento.
.
11 Dezembro
O Dr. Melo e Castro foi
nomeado presidente da Comissão Executiva da União Nacional.
.
11 Dezembro
Nota oficiosa do Ministério
da Educação Nacional sobre os vários acontecimentos ocorridos nos meios
estudantis e de modo especial à “greve indefinida às aulas” que seria
desencadeada na passada 2ªfeira, pelos alunos do Instituto superior Técnico.
.
11 Dezembro
O jogo Liceu – Escola
Um golo mal anulado traiu
a justiça do resultado:
Liceu, 1 – Escola, 3
.
14 Dezembro
Abertura Solene do novo
Ano Lectivo, no Liceu Nacional de Setúbal (no passado dia 12 de Dezembro)
.
14 Dezembro
Com a idade de 51 anos,
faleceu na tarde de 5ªfeira (em 12 Dez), o Sr. Eng. Manuel José Lacasta Do
Nascimento e Oliveira professor da Escola Industrial e Comercial de Setúbal.
.
16 Dezembro
O Dr. Manuel Fernando
da Cunha Cardoso tomou posse como Secretário do Governo Civil (em 14 de
Dezembro)
.
18 Dezembro
O Dr. Miguel Rodrigues
Bastos é um dos novos membros da Comissão Executiva da União Nacional.
.
24 Dezembro
Casamento
Na igreja matriz de
Cascais, foi celebrado no sábado, dia 21 de Dezembro, o casamento da Sr.ª Dr.ª
D. Teresa Maria Mendes de Sousa Uva, professora do Liceu de Setúbal, com o Sr. Dr.
Jorge Fernando de Castro Patrício Paul.
.
31 Dezembro
Foi inaugurado o busto
de Calafate, no Parque do Bonfim, em 29 de Novembro.
15 novembro 2015
Humor antigo...
in. "Histórias Francesas"
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
Colecção "Mundo ri"
Ed.Vilhena - 1962
.
- Não é que em me importe, pessoalmente, menina;
mas a lei proíbe que se pratique aqui o nudismo...
14 novembro 2015
Escrito na pedra...
In. “Público”
08.10.2015
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“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”
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Machado de Assis
1839-1908
Escritor brasileiro
13 novembro 2015
Parabéns!... 13 de Novembro
O Luís faz anos hoje...
Um abraço grande e um dia cheio de sol e coisas boas.
.
Um abraço grande e um dia cheio de sol e coisas boas.
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Arq.Luís Joaquim Carrega Marçal Grilo
12 novembro 2015
Fotografias de Castelo Branco...
... Painel de azulejo existente no
Jardim do Paço Episcopal
com base num desenho de
Duarte d'Armas, em finais do séc.15
.
Duarte d'Armas, escudeiro e debuxador da Casa Real, foi encarregado por D.Manuel I, de Portugal, para levantar o estado das fortificações da fronteira com Castela, o que fez em planta e em panorâmicas. Publicou uma obra com o título "Livro das Fortalezas"
Jardim do Paço Episcopal
com base num desenho de
Duarte d'Armas, em finais do séc.15
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Duarte d'Armas, escudeiro e debuxador da Casa Real, foi encarregado por D.Manuel I, de Portugal, para levantar o estado das fortificações da fronteira com Castela, o que fez em planta e em panorâmicas. Publicou uma obra com o título "Livro das Fortalezas"
11 novembro 2015
Actualíssimo no dia de hoje...
"Diz à mãe que eu vou à Lua"
por Pedro Bidarra
in. Diário de Notícias
08-11-2015
Chamemos-lhe pequeno António, para não usar o seu verdadeiro nome. O protagonista não é mais o rapazola que era então. Hoje é um homem feito, e a viagem à Lua é apenas uma memória distante que, com o tempo, passou de dolorosa a cómica. Por outro lado, nomeá-lo de pequeno António abre todo um conjunto de associações que torna a narrativa mais metafórica. Parabólica, mesmo. Vamos a ela.
A coisa passou-se em Alhandra, na velha Alhandra toureira onde se vê e vive o rio, a Alhandra das Viagens na Minha Terra; também ela viajada pelos tempos que entretanto correram. Hoje, a velha Alhandra tomou tonalidades cinza e passou de toureira a Alhandra cimenteira; terra onde se respira, expelido pela fábrica dos brasileiros, o finíssimo pó do investimento estrangeiro. Enfim, a história passa-se em Portugal.
A ideia do pequeno António era ir à Lua. Era um dos sonhos da época. Hoje serão poucas as crianças que sonham ir à Lua, mas naquele tempo de apenas dois canais de TV, e quando o progresso científico e tecnológico não era incontinente como hoje - a inovação, a invenção e os gadgets são banalidades massificadas e partilhadas todos os dias a todas as horas -, naquele tempo, dizia, a ida à Lua era o píncaro do progresso da humanidade. Era uma aventura com fatos espaciais, foguetões, cápsulas, módulos lunares, aterragens e amaragens e gravidade zero. Não havia como não sonhar em ir à Lua. Na época, acreditávamos em viagens espaciais e que as faríamos ainda no nosso tempo.
Ora, ao contrário de quase todos nós, que só sonhávamos, o pequeno António, sendo de Alhandra, terra de gente resoluta e sem medo, resolveu por mãos à obra. Para o pequeno António a imaginação precedia a acção: imaginar-se na Lua era ir à Lua.
O dinheiro para financiar a expedição veio diretamente das subvenções natalícias e aniversariantes. Durante mais de um ano, o pequeno António juntou-o para autofinanciar o sonho. Quando, depois de mais um Natal, finalmente conseguiu o pecúlio, dirigiu-se ao vendedor de foguetes e, com a desculpa de que era para a passagem de ano, comprou dois. O vendedor de foguetes não fez perguntas nem deu conselhos. Limitou-se a entregar-lhe os dois foguetes.
O kit foi todo pensado e desenhado pelo pequeno António e consistia, basicamente, em dois potentes foguetes de doze bombas presos ao tronco com fita isoladora de electricista.
Feito o kit, o pequeno António escolheu o seu Cabo Canaveral. Partiria para a Lua do cimo de uma azinheira, que ficava no quintal das traseiras de sua casa. Fá-lo-ia ao fim da tarde, quando a Lua se enquadrasse numa zona pelada da copa; um buraco que o pequeno António tinha podado, clandestinamente, durante as últimas semanas.
Quando finalmente chegou o dia de levantar voo em direcção à Lua, o pequeno António cintou vigorosamente os foguetes às costas com a fita de electricista e subiu ao alto da azinheira. Lá do alto verificou o equipamento e, em contagem decrescente, esperou que a Lua se enquadrasse com o buraco da copa. Cá em baixo, o seu irmão mais novo assistia.
Quando a Lua chegou finalmente à posição certa, o pequeno António disse então as palavras que o tornaram imortal em Alhandra, "Diz à mãe que fui à Lua", e fez o que tinha a fazer. Apontou, accionou a espoleta e bum.
Claro que o fim da história é previsível. Todos sabemos que o pequeno António nunca chegou à Lua, que acabou queimado, no chão, com uns quantos galos na cabeça, costelas partidas. É o que acontece quando se metem dois foguetes cheios de bombas às costas e se quer ir à Lua.
Mas não se menorize, antes se aplauda o esforço e o engenho do pequeno António que, ainda assim, tentou a Lua e levantou os pés do chão. Que é fazer mais do que fizeram quase todos os da sua geração. A moral da história é confuciana.
por Pedro Bidarra
in. Diário de Notícias
08-11-2015
Pedro Bidarra
Chamemos-lhe pequeno António, para não usar o seu verdadeiro nome. O protagonista não é mais o rapazola que era então. Hoje é um homem feito, e a viagem à Lua é apenas uma memória distante que, com o tempo, passou de dolorosa a cómica. Por outro lado, nomeá-lo de pequeno António abre todo um conjunto de associações que torna a narrativa mais metafórica. Parabólica, mesmo. Vamos a ela.
A coisa passou-se em Alhandra, na velha Alhandra toureira onde se vê e vive o rio, a Alhandra das Viagens na Minha Terra; também ela viajada pelos tempos que entretanto correram. Hoje, a velha Alhandra tomou tonalidades cinza e passou de toureira a Alhandra cimenteira; terra onde se respira, expelido pela fábrica dos brasileiros, o finíssimo pó do investimento estrangeiro. Enfim, a história passa-se em Portugal.
A ideia do pequeno António era ir à Lua. Era um dos sonhos da época. Hoje serão poucas as crianças que sonham ir à Lua, mas naquele tempo de apenas dois canais de TV, e quando o progresso científico e tecnológico não era incontinente como hoje - a inovação, a invenção e os gadgets são banalidades massificadas e partilhadas todos os dias a todas as horas -, naquele tempo, dizia, a ida à Lua era o píncaro do progresso da humanidade. Era uma aventura com fatos espaciais, foguetões, cápsulas, módulos lunares, aterragens e amaragens e gravidade zero. Não havia como não sonhar em ir à Lua. Na época, acreditávamos em viagens espaciais e que as faríamos ainda no nosso tempo.
Ora, ao contrário de quase todos nós, que só sonhávamos, o pequeno António, sendo de Alhandra, terra de gente resoluta e sem medo, resolveu por mãos à obra. Para o pequeno António a imaginação precedia a acção: imaginar-se na Lua era ir à Lua.
O dinheiro para financiar a expedição veio diretamente das subvenções natalícias e aniversariantes. Durante mais de um ano, o pequeno António juntou-o para autofinanciar o sonho. Quando, depois de mais um Natal, finalmente conseguiu o pecúlio, dirigiu-se ao vendedor de foguetes e, com a desculpa de que era para a passagem de ano, comprou dois. O vendedor de foguetes não fez perguntas nem deu conselhos. Limitou-se a entregar-lhe os dois foguetes.
O kit foi todo pensado e desenhado pelo pequeno António e consistia, basicamente, em dois potentes foguetes de doze bombas presos ao tronco com fita isoladora de electricista.
Feito o kit, o pequeno António escolheu o seu Cabo Canaveral. Partiria para a Lua do cimo de uma azinheira, que ficava no quintal das traseiras de sua casa. Fá-lo-ia ao fim da tarde, quando a Lua se enquadrasse numa zona pelada da copa; um buraco que o pequeno António tinha podado, clandestinamente, durante as últimas semanas.
Quando finalmente chegou o dia de levantar voo em direcção à Lua, o pequeno António cintou vigorosamente os foguetes às costas com a fita de electricista e subiu ao alto da azinheira. Lá do alto verificou o equipamento e, em contagem decrescente, esperou que a Lua se enquadrasse com o buraco da copa. Cá em baixo, o seu irmão mais novo assistia.
Quando a Lua chegou finalmente à posição certa, o pequeno António disse então as palavras que o tornaram imortal em Alhandra, "Diz à mãe que fui à Lua", e fez o que tinha a fazer. Apontou, accionou a espoleta e bum.
Claro que o fim da história é previsível. Todos sabemos que o pequeno António nunca chegou à Lua, que acabou queimado, no chão, com uns quantos galos na cabeça, costelas partidas. É o que acontece quando se metem dois foguetes cheios de bombas às costas e se quer ir à Lua.
Mas não se menorize, antes se aplauda o esforço e o engenho do pequeno António que, ainda assim, tentou a Lua e levantou os pés do chão. Que é fazer mais do que fizeram quase todos os da sua geração. A moral da história é confuciana.
São quadras, meu bem... são quadras!...
.
Descobri (Não és sincera!...)
Que tens faltado à Verdade!
Actuas como quem espera
Não esperar fidelidade...
10 novembro 2015
Recordações...
... com 8 anos,
em 27 de Setembro de 1970
.
em 27 de Setembro de 1970
.
Gi
(la pequeña Margarita,
con su gracioso lunar en la mejilla)
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