12 outubro 2015

Escrito na pedra...

In. “Público”
03.10.2015
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Sim e não são as palavras mais fáceis de serem pronunciadas e também as que exigem maior reflexão.
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Charles Maurice de Talleyrand-Périgord
1754-1838
Político e diplomata francês

11 outubro 2015

A demolição moral de quem diverge...

...a torpe metodologia do estalinismo prático.
Num pequeno excerto das palavras de 

Sérgio Sousa Pinto
cit. in. "Observador", de 10.10.2015
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Sérgio Sousa Pinto
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Desde a derrota eleitoral que o deputado se tem mostrado activo nas redes sociais, sem esconder o descontentamento face à estratégia do seu partido. Na quinta-feira, em reação ao que Daniel Oliveira escreveu na coluna do Expresso, Sousa Pinto escreveu o seguinte comentário: “O compromisso entre socialistas e estalinistas não é isento de certas dificuldades. Exemplo prático: Daniel Oliveira na sua coluna do Expresso encontrou um qualificativo para os socialistas que não se revêm na política da frente de esquerda: o PS dos interesses. Cá está a demolição moral de quem diverge, a desqualificação por grosso de uma categoria indeterminada, a torpe metodologia, cedo inculcada, do estalinismo prático. No PS não estamos habituados a isto. Espero que essa nossa feliz idiossincrasia seja levada ao conhecimento dos nossos futuros aliados”.
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NB -Sérgio Sousa Pinto acaba de se demitir do Secretariado Nacional do PS, em ruptura com o diálogo à esquerda (in. "Público" de hoje, em 11 de Outubro, com título a toda a largura na 1ª página):

"Demissão de Sousa Pinto 
revela cepticismo no PS 
com diálogo à esquerda."

Já não são de hoje...

estas palavras que Viriato Soromenho Marques. 
escreveu no DN.
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Viriato Soromenho Marques
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António Costa pede agora esclarecimentos sobre as propostas de entendimento do BE e do PCP. O ex-presidente da CM Lisboa ainda não percebeu que depois de ter perdido as legislativas, e de ter deixado transformar as presidenciais num passeio do Professor Marcelo, deve limitar-se a impedir que o país fique sem governo, em vez de alimentar a possibilidade de fazer alianças com quem apenas lhe quer morder a carne. Quem está acossado no seu próprio partido não pode fingir que ainda poderá mandar no país.” Mais: “Se os nossos líderes não se entenderem sobre o centro de gravidade do interesse nacional, acabaremos por ser vítimas não só de mais austeridade como de mais humilhação.”

10 outubro 2015

Recordações...

Em 25 de Abril de 1972
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A Gi faz 10 anos


09 outubro 2015

Nunca imaginei que pudesse....

... reproduzir neste blogue as palavras de um comunista, por mais antigo ou por  mais " ex " que ele pudesse ser!
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As palavras de José Milhazes a respeito da Maioria de esquerda vão ser uma excepção:
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"Não quero participar a segunda vez no mesmo filme."
diz José Milhazes
por email, em 8 de Outubro
in "Observador".
José Milhazes
numa foto de DW/J.Carlos

Fui militante comunista e vivi durante 14 anos na URSS. Por isso sei que, não fosse o 25 de Novembro de 1975, e muitos dos que defendem a aliança com o PCP 
estariam a picar pedra numa região remota.

Só a ideia de que é possível ver a extrema-esquerda no governo do meu país, deixa-me envergonhado e indignado. Como será possível o Partido Socialista, que se diz europeísta, que não põe em causa a presença de Portugal na União Europeia, no Euro e na NATO, faça uma coligação com partidos que defendem exactamente o contrário?

Um dos meus amigos socialistas que defende essa aliança escreveu no Facebook: “Aquilo que aqui quero deixar agora, como testemunho pessoal fundado na minha própria experiência de trabalho em comum, é que os comunistas com quem trabalhei e o PCP com quem estive coligado, enquanto socialista militante e dirigente do PS, são portugueses honrados, trabalhadores empenhados e dedicados, que respeitam a palavra dada e honram os compromissos que assumem. Não são, na minha modesta opinião fundada também na observação e vivência pessoal, hoje, nem serão no futuro, nenhuma ameaça ao nosso sistema democrático e às suas regras. Mais, são, também o tenho sublinhado muitas vezes, um dos mais importantes garantes de respeito pela preservação da ordem publica, mesmo no decurso dos mais acirrados protestos politicos ou sindicais”.

Este meu amigo parece ter-se esquecido da história e dos clássicos do marxismo-leninismo-estalinismo, que continuam a ser o catecismo da extrema-esquerda em Portugal. Já não se lembra das tácticas previstas nos manuais comunistas de que, para tomar o poder, faz-se até alianças com o diabo. Talvez não tenha lido a entrevista que a deputada da CDU Rita Rato, formada em Relações Internacionais na Universidade Nova, deu ao Correio da Manhã, onde afirma não saber o que é o “goulag” (rede de campos de “reeducação” soviéticos).

Como é do domínio público, fui militante comunista e tive a oportunidade de viver durante 14 anos numa sociedade por eles edificada na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O Partido Comunista Português, ao que eu saiba, nunca se demarcou dos hediondos crimes cometidos por Lenine e Estaline, continua a ver nestes dois carrascos “timoneiros do povo”, sempre foi fiel e servo do Partido Comunista da União Soviética até ao fim deste. E, para os que já se esqueceram, não fosse o 25 de Novembro de 1975 e a pressão exercida pelos dirigentes soviéticos sobre Álvaro Cunhal, e muitos dos socialistas que defendem hoje a aliança com os comunistas estariam pendurados em postes de iluminação ou a picar pedra algures nalguma pedreira numa região remota.

O Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda estão contra a integração de Portugal na União Europeia, contra o Euro, contra a NATO. E o que nos propõem como alternativa: atirarmo-nos todos ao mar ou aderir à União Económica Eurasiática e ao Tratado da Organização de Segurança Colectiva?

É verdade que a União Europeia está longe da perfeição e mergulhada numa profunda crise, que os portugueses, incluindo eu, foram e continuam a ser massacrados por medidas económicas horrorosas, viram o seu nível de vida descer bruscamente, mas é necessário procurar novas alternativas e não propôr a repetição de ideias utópicas. Os comunistas-bolcheviques russos prometeram, em 1917, paz, pão e terra, mas o povo recebeu uma guerra civil que ceifou milhões de vidas, fomes que mataram mais uns milhões e os camponeses ficaram sem a terra que tinham, tendo muito deles ganho apenas um quinhão nalgum cemitério ou nas imensidões da Sibéria.

Se querem fazer novas experiências sociais, não as façam em pessoas, façam-nas em cobaias, se o PAN autorizar.

Lanço aqui um apelo aos amigos socialistas para que olhem para o Norte da Europa e vejam que há países que encontraram a prosperidade fora do comunismo. Para isso, não é preciso repetir utopias, mas fazer de Portugal um país menos corrupto, onde a justiça funcione, onde todos paguem impostos, onde os mais desprotegidos não sejam esquecidos.

Por favor, não me obriguem a participar duas vezes no mesmo filme, pois este segundo não será ficção como o “Good bye Lenine”.
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E disse... Milhazes disse bem!

O prometido é devido...

... numa breve referência à publicação do teu segundo livro em Setembro de 2015.
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A capa do livro

e o seu autor
António Salvado
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Com a apetecida dedicatória que fazes o favor de me deixar nestes momentos importantes com que brindas a poesia portuguesa.
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Numa selecção de poemas teus nascidos da "Cantiga partindo-se", de João Roiz de Castelo Branco", realizada por Maria de Lurdes Gouveia da Cunha Barata, esta especialista na tua poesia começa por nos dizer que: 
A "Cantiga Partindo-se" de João Roiz de Castelo Branco pode considerar-se dos mais belos poemas da literatura portuguesa, nela ressumando a dor de separação, que se embebe de lágrimas de tristeza, de saudade antecipada, que se engasta no olhar: os olhos tristes, com uma tristeza sem comparação com quaisquer outros olhos, os olhos saudosos de um presente que anuncia saudade futura, com a partida em que são substantivados os olhos (os tristes), abrangendo toda a dimensão de um ser."
(...) e, mais adiante acrescenta que: "Fica ainda o testemunho do poeta António Salvado, autor-criador no tecer da palavra poética, mesmo que essa palavra seja inspirada em outra palavra poética", 
(...) e acrescenta ainda que: "Não cabe neste espaço a análise dos poemas inspirados em João Roiz, o que permitiria a demonstração de como há um verdadeiro criador, ultrapassando o motivo da inspiração."
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Também o nosso contemporâneo e amigo Manuel Costa Alves nos brinda, no texto inserido nesta obra, com palavras bonitas e sábias que os teus Amigos gostam de ler.

Manuel Costa Alves

O poema "Cantiga partindo-se", de João Roiz de Castelo Branco, talvez o primeiro dos nossos poemas maiores , é uma fala da separação, da despedida, da dilacerante confissão de quem se dói partindo, partindo-se.
No poema com o mesmo título (um poema notável) António Salvado transporta o mesmo conflito: "Dói-me esta ausência, esta margem negra das pupilas dos meus olhos que vão partir para ti." Resta a "noite que nos precipita desprevenidos no âmago de nós".
Manuel Costa Alves diz-nos ainda que: "Vários poemas inseridos neste livro refletem, esmiuçam, fundem, prolongam, dilatam em múltiplas direcções a percepção do conflito interior da separação (por desunião, afastamento forçado, desencontro) tão genialmente escrito por João Roiz.
Constituem um belíssimo exemplo de uma relação poética própria, autónoma, com a obra de um poeta amado de quem é, aliás, um dos principais estudiosos. Os especialistas designam a relação poética, que António Salvado estabeleceu com "Cantiga Partindo-se", por intertextualidade endoliterária. E tem muito que se lhe diga por quem muito mais competentemente possa dizer."
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Escolhi para ilustrar este meu apontamento dedicado à tua "Cantiga partindo-se", um dos seus últimos poemas a que deste o título "Zéjel (1)"
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Zéjel (1)

Só por vós partem tão tristes
meus olhos qu' iguais não vistes.

E bem antes da partida,
débil creio a minha vida
e a saudade tão pungida
pois sei que não a sentistes:
só por vós partem tão tristes
meus olhos qu' iguais não vistes.

Continuamente a tremer,
minh' alma a desfalecer
não atina que é prender
laços que vós desunistes:
só por vós partem tão tristes
meus olhos qu' iguais não vistes.

A minha dor sem igual
é como fino punhal
como feroz vendaval
que, por ser tal, não cingistes:
só por vós partem tão tristes
meus olhos qu' iguais não vistes.

Não achareis a saudade
de mim nesse imensidade
de distância e de ansiedade
pois nela não exististes:
só por vós partem tão tristes
meus olhos qu' iguais não vistes.
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in "O ouro e as sementes", Antologia
org. Maria do Sameiro Barroso, 2015
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NB -
Natural de Castelo Branco, António Salvado possui uma vasta obra, literária e cultural, que tem merecido relevantes reconhecimentos nacionais e além fronteiras. Licenciado em Letras, pela Universidade Clássica de Lisboa, reparte as suas actividades profissionais pelo ensino e pela museologia. É professor jubilado do Ensino Superior Politécnico.

08 outubro 2015

Fotografias de Setúbal...

Vista aérea da Península da Tróia
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Na Net, com data e autor desconhecido

07 outubro 2015

Uma enorme tasca...

 ...chamada futebol
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É o título do Editorial do "Jornal i"
de hoje, dia 7 de Outubro que é assinado pelo Director 
Vitor Rainho
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Vitor Raínho
Director do i

Nas conversas de taberna – as antigas, não as modernaças – é normal os insultos escalarem à medida que os copos de três vão deslizando pelas gargantas dos presentes.
Numa versão mais moderna das tascas, a história não é muito diferente: os palavrões e os ataques soezes andam à solta nas redes sociais, muitas vezes sob o manto do anonimato. Esta semana tivemos um novo capítulo do campeonato da baixaria, com os jogadores a darem a cara e a jogarem em directo para uma vasta plateia. Foi na TVI24 e Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e Pedro Guerra, fervoroso adepto do Benfica sem travões na linguagem, insultaram-se mutuamente, transformando o estúdio numa sala que envergonharia até a tasca mais reles da Zona J de Chelas ou do Bolhão.

O que terá levado aquelas criaturas a usarem uma linguagem merecedora de bola vermelha no canto superior do ecrã? No mundo da bola valerá tudo? Bruno de Carvalho, de uma arrogância sem limites, chegou ao cúmulo de dar papéis ao moderador para este ler como se fosse seu empregado. Pedro Guerra, que tem o condão de colocar benfiquistas do outro lado da barricada, não percebeu que não era por gritar que conseguia ter a razão do seu lado. Num espectáculo deprimente, de duas horas, muita gasolina foi atirada para a fogueira. As insinuações de parte a parte não podem – ou não devem – ficar no ar. Falou-se ou lançou-se a suspeição de corrupção, de negócios obscuros, de contra-espionagem, de empresários sem escrúpulos, de bancos que emprestam dinheiro sem garantias, etc. Será que depois do show mais degradante em directo tudo ficará igual? O Ministério Público não irá abrir nenhum inquérito? Os responsáveis da arbitragem deixarão passar tudo em claro? O fisco assobiará para o ar?
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E, já agora, a TVI continuará a apostar, apesar das audiências, em confrontos sem qualquer dignidade?

P. S.: O único personagem que se portou bem, e que deve ter gozado loucamente, foi Manuel Serrão, o adepto ferrenho do FC Porto. O que diz muito...

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério.
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António Aleixo

06 outubro 2015

"Dois apontamentos"...

...de António Lobo Antunes
no Suplemento do "Público"
em 30 de Novembro de 1997
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António Lobo Antunes
1. 
“Nisto assemelho-me ao chinês que frequentava as Salas de Concerto: mal os músicos acabavam de afinar os instrumentos aplaudia-os de pé e ia-se embora”.
António Lobo Antunes 
in “Os Museus”
no Suplemento do Público
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2.
”Há anos, numa guinada pedagógica, levei a Isabel à Gulbenkian. Passeei-a de tela em tela, expliquei, chamei a atenção, insisti, informei. Cá fora, no jardim, já na luz natural, já na vida, atirei a medo:
- Gostaste?
Ouvi, a seguir a um silêncio em que tremia o receio de me desagradar:
- O Pai desculpe mas achei aborrecente.
De forma que num pulo de alegria a levei a um café bem rasca e pedi dois sorvetes de baunilha. Levamos horas a lambê-los e o meu era tão bom que ainda me recordo do sabor.”
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António Lobo Antunes 
in “Os Museus”
no Suplemento do Público

05 outubro 2015

Uma balbúrdia...

...com um futuro duvidoso.
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É um pequeno apontamento que o autor 
Vasco Pulido Valente
intitulou 
"A derrota de uma época"
e que surge numa coluna de "Opinião"  
no Público de hoje, 05 10 2015.
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Vasco Pulido Valente
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"Suceda o que suceder, uma coisa é certa: o Partido Socialista de Mário Soares deixou de existir como força agente e movente do regime democrático português. A derrota de António Costa foi a derrota de uma época. Corrupto, irresponsável, envelhecido e caótico, o PS teve o fim que merecia. Daqui em diante a vida política portuguesa, sem esse pilar central, será uma balbúrdia com um futuro duvidoso.

Hoje comemora-se...

o 5 de Outubro 1910.
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Mas em em 1910 nós já tínhamos um 5 de Outubro
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...bastante mais importante do que o do século passado.

O público tem nojo deles...

. numa crónica de Vasco Pulido Valente
na sua habitual coluna de "Opinião" 
na última página do Público de Domingo à qual deu o título de 
"Sem surpresa"
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Vasco Pulido Valente
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A Constituição desta I, II ou III República em que vivemos nunca me inspirou grande confiança. Foi e continua a ser, na sua fase final, uma Constituição doutrinária, obcecada por perigos imaginários (que vieram da nossa história e, como sempre, da ignorância da história francesa).

Ainda por cima é um produto de juristas, que se aplicaram a diminuir e anular a influência do povo e a servir os partidos. No meio disto tudo, a acção de deputado individual acabou por se perder. Os maiores políticos do século XX (digamos, Churchill e Gambeta) não podiam ter chegado onde chegaram com a Constituição sob que vivemos, com ou sem as revisões, que emendaram as disformidades mais gritantes. De resto, quando a caranguejola se começar a partir, cai aos bocados.

As circunstâncias de hoje não animam o cidadão comum letrado ou semiletrado. Para começar, ele sabe que o indígena não se distingue pelo civismo. A ressaca do pronunciamento de 1974 – dos saneamentos “selvagens” por assembleias de acaso à nacionalização da banca, e da conversão universal aos poderes do dia, mesmo quando eram do Partido Comunista, à ascensão miraculosa dos srs. ministros dos nobilíssimos governos da Ditadura a ministros da liberdadecriou uma pasta indistinta em que se afundou muito a dignidade política. E, a seguir, o predomínio do “arco” CDS, PS, PSD transformou os políticos numa melancólica raça de lacaios, com os lacaios dados à intriga e à venalidade. Basta abrir a televisão para constatar que ninguém acredita neles. Pior, que a generalidade do público tem nojo deles.

Consta que neste momento corremos colectivamente um perigo maior. Não consigo imaginar se há alguma consolação em pensar que em pouco tempo – 40 anos – fomos governados por Vasco Gonçalves, Pinheiro de Azevedo, Maria de Lourdes Pintasilgo, Francisco Balsemão, Cavaco Silva e José Sócrates. Mas consigo imaginar que as barbaridades que ultimamente se disseram, exibindo um desprezo total pelo equilíbrio do Estado e da sociedade, deixaram os meus queridos compatriotas na calma podre e a vista curta com que invariavelmente enfrentaram as grandes dificuldades. Portugal aguenta o inaguentável, disse um banqueiro filósofo. Talvez tenha razão e o país se deixe resvalar pelo inominável, enquanto sofre pelo seu clube e leva a sério a “arte” da “lúmpen” inteligência. Não seria um destino surpreendente.

04 outubro 2015

Morreu José Vilhena...

...já nem quis saber quem ganhou as eleições...
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Com 88 anos, faleceu ontem no Hospital de S.Francisco Xavier vítima de doença prolongada.
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José Vilhena
(auto retrato)
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"Escritor, cartoonista,  humorista e pintor, José Vilhena foi um homem que se dedicou a satirizar, sem poupar ninguém, dos poderosos ao povo oprimido, a realidade política e social do país. Antes da revolução de Abril conviveu com a censura de forma ininterrupta , ou não tivesse assinado 70 livros, todos censurados, vendidos por baixo da mesa nas tabacarias."
"Foi um nome incontornável do humor português, na linha de Bordalo Pinheiro, mas contemporâneo da libertação sexual das décadas de 60 e 80" (cfr.Obituário, by Mário Lopes, in Público de hoje)
O seu traço era inconfundível quer na representação de mulheres  quer dos "homens" que as desejavam.
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Para acompanhar José Vilhena neste "momento negativo" que agora lhe bateu à porta, creio que o próprio cartoonista concordaria com a escolha que fiz para ilustrar a notícia da sua morte:
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A contra capa do livro a que o autor
José Vilhena
deu o nome de 
"Os infiéis defuntos"
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Que descanse em Paz.

Setubalense - 1968 - Outubro

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02 Outubro
Setubalense no Ultramar
Passa amanhã o aniversário natalício do Sr.Mário Baltazar Sacramento, furriel miliciano que se encontra em comissão de serviço no Ultramar.
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02 Outubro
Entrou ontem em vigor a proibição de fumar nos transportes colectivos urbanos. As transgressões serão punidas com multa de 300$00 escudos.
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05 Outubro
Exposição
“O Sado e a vela” é o título de uma exposição que Augusto Cabrita vai apresentar no Brasil.
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05 Outubro
Bodas de ouro.
Agostinho Botelho Moniz Albino e Pilar Moreno Sanches Albino comemoram as Bodas de Ouro matrimoniais.
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09 Outubro
O Sr. Ministro da Educação Nacional esteve ontem em Setúbal numa visita de trabalho.
Quase tão cedo como os próprios alunos, o Sr. Dr. José Hermano Saraiva, ilustre Ministro da Educação Nacional, chegou ontem de manhã ao Liceu Nacional de Setúbal, a fim de dar início a uma visita de trabalho.
Para além da honra que a visita representava para Setúbal, por ser a primeira que o Ministro da Educação fez a estabelecimentos de ensino fora da cidade de Lisboa, o ilustre visitante reuniu com o Corpo Docente do Liceu, trocando impressões de interesse geral e assistiu a algumas aulas em funcionamento.
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09 Outubro
Nova licenciada
Concluiu o Curso de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Sr.ª Dr.ª Glicínia Maia Brandão Ferreira.
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16 Outubro
Nomeação
Foi confirmada a nomeação do Sr.Dr. Cardoso Ferreira para governador Civil do distrito de Setúbal.
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16 Outubro
O Presidente da Município visitou o Bairro da Camarinha, numa demonstração de interesse pelos justos reparos que o nosso jornal fez aos graves problemas de higiene, iluminação pública, etc.
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19 Outubro
Assumiu ontem o Comando do RI 11, o Sr. Coronel Serzedelo Coelho, em substituição do Sr.Tenente Coronel  José Alves de Carvalho Fernandes que, de novo, vai partir para o Ultramar em missão de soberania.
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23 Outubro
Augusto Cabrita obteve no Brasil o Grande Prémio Internacional “Foca de Ouro”, com a apresentação da sua película “Algarve” filmada segundo  um improviso musical de Luís Bonfá.
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23 Outubro
A Sociedade União desistiu de construir a sua sede na Praça da República.
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28 Outubro
Pavilhão Gimno-Desportivo do Naval
O Sr. Subsecretário de Estado da Juventude e Desportos, Elmano Alves, inaugurou o pavilhão gimnodesportivo do Clube Naval Setubalense

03 outubro 2015

São quadras, meu bem... são quadras!...

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Vi-te com olhar perdido
pousado num grande nada...
Nada fazia sentido
Estavas de branco, deitada...

02 outubro 2015

01 outubro 2015

Corpo breve...

Corpo breve
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.Vejo e revejo
o desejo
de te ter...
Teu corpo leve
e breve
bem junto do meu peito
num gesto que redime
quem oprime
a alma que não sente!...
Liberta a tua Alma
Solta as amarras do teu corpo desejado
Cerra teus olhos meigos
vacilantes...
E dá de ti
o que pode serenar meus dias...
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Cister
Julho 1980

30 setembro 2015

Esta tarde, em Castelo Branco...

... no Museu Tavares Proença Júnior, a IN-CM fez o lançamento da moeda, da série Etnografia Portuguesa, alusiva às colchas de Castelo Branco e seus maravilhosos bordados.
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As duas faces da moeda
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Estiveram presentes os autores:

Isabel Carriço e Fernando Branco.

NB - Contra o que era meu desejo, não pude estar presente esta tarde em Castelo Branco mas deixo aqui os meus mais sinceros parabéns aos autores da moeda hoje apresentada. [29 09 2015]

29 setembro 2015

Apenas de um ombro amigo...

... é o que às vezes precisamos.
num poema da Isabel Monteiro,
uma Amiga que hei-de sempre tratar por
Bebé Ribeiro.
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Isabel Monteiro
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Às vezes precisamos
ser rio corrente
desafio das margens
ventos e nortadas
rendilhadas ondas
marulho no mar

Às vezes precisamos
ser mais que infinito
no seu definir
enlaçando estrelas
baloiçando nuvens
sombras e luar.

Às vezes precisamos
apenas de um ombro
amigo
para poder chorar.
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Isabel Monteiro
(Bebé Ribeiro)