28 fevereiro 2015

Memórias antigas...

... em 4 de Janeiro de 1945
in "Setubalense".
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Urbanização
"Está sendo calcetada parcialmente a rua António José Batista. O calcetamento é feito com paralelipípedos, devendo ficar obra para durar."

27 fevereiro 2015

Escrito na pedra...

"Quando hay una tormenta los pajaritos se esconden, pelo las águilas vuelan más alto."
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in "Fb" by Vitória M

26 fevereiro 2015

Escrito no vento...

"A bigamia consiste em ter uma mulher a mais. A monogamia é a mesma coisa…"
 .
Óscar Wilde

25 fevereiro 2015

Parabéns!... 25 de Fevereiro

A Ana F faz anos hoje.
Beijinhos e um dia cheio de Sol...
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Ana Cristina Figueiredo

Frequentava a Cister...

... na Politécnica. Presumo que morava ali por perto. Pequeno-almoço e jornais, o tempo suficiente para ir à vida logo a seguir.
Luís Osório dedica-lhe o Editorial do "i", de hoje, dia 24 de Fevereiro e desenha dele um bom retrato.
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Luís Osório
Director-Adjunto do "i"
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Podia ter sido tudo, mas estava condenado a ser tudo sem ter sido nada do que vários vaticinavam. O preço a pagar pela petulância de ser livre.

José Medeiros Ferreira dizia de si próprio ser um “profeta desarmado”. Um profeta sem as armas do tempo, mas com a arrogância e o ego de uma superioridade moral e intelectual que poucos políticos ou homens do poder suportavam. De todos os que conheci, e foram alguns, ninguém juntava tão bem a liberdade de espírito e acção, a ironia e a sofisticação. Uma mistura explosiva, que nunca dá bons resultados para quem deseja também um comprometimento público com o exercício da cidadania e da política activa.
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José Medeiros Ferreira
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Era um poço sem fundo de sabedoria. Privei com ele nos meus primeiros anos de vida adulta. Arrogante, de ideias absolutas, aprendi a fazer silêncio, a escutar, a pôr palavras na balança. Difícil não fazer silêncio quando o risco de ficar aquém era total, mais difícil ainda resistir incólume ao seu humor finíssimo, ironia que interpela, põe em causa, esmaga o descaramento da ignorância e a infâmia dos que, tendo poder, não têm solidez e cimento.
Deixou de ser ouvido. Não estavam para o aturar. Uma parte substancial dos deputados da sua bancada, ministros e estrelas mediáticas de pacotilha, não suportavam ser confrontados com a sua própria pequenez, a sua incultura, a sua pobreza retórica. Era uma chatice o José Medeiros Ferreira. Como são Vasco Pulido Valente, António Barreto ou Pacheco Pereira. O país dos que decidem, dos que influenciam, habituado e balofo de tanto fast food, nunca aguenta de ânimo leve o raciocínio de gourmet deste príncipe de Maquiavel.
Tinha um ego enorme. Vestia-se bem. Circulava pelo parlamento ou por casa com a leveza de um aristocrata. Os salões eram seus, imagem implacável que pagou cara. Por isso, também por isso, foi o mais jovem ministro dos Negócios Estrangeiros da história, com pouco mais de 30 anos, e nunca mais haveria de ser o que parecia estar escrito. Mais nada. Enquanto ministro ajudou a criar condições para a entrada de Portugal na CEE e lançou a ideia revolucionária dos três D: Democratizar, Desenvolver, Descolonizar. Podia ter sido tudo, mas estava condenado a ser tudo sem ter sido nada do que vários vaticinavam. O preço a pagar pela petulância de ser livre num país acanhado, um pouco cinzento e sempre cruel para quem não se orgulha com a mediania.
Esteve no governo de Mário Soares, apoiou Sá Carneiro, ajudou a fundar o PRD (faz precisamente hoje 30 anos) e voltou ao PS, onde nunca comeu e calou. Defendeu que Sócrates devia abandonar a liderança e não concorrer às últimas eleições legislativas; em troca o ex-primeiro-ministro retirou-o da lista de deputados. Talvez por isso tantas estrelas políticas e mediáticas estiveram na homenagem que lhe fizeram na Gulbenkian. Cavaco, Sampaio, Eanes, quatro ex-presidentes da Assembleia da República e dezenas de homens e mulheres que disseram ao país o quanto Medeiros Ferreira foi importante, decisivo, maravilhoso e o diabo a sete. O actual Presidente da República afirmou que José era avesso a lugares-comuns, afirmação que ela própria foi um lugar-comum. Não interessa, ainda bem que esteve. Ficou-lhe bem.
Uma homenagem justa que foi também uma metáfora de um país hipócrita. Um país em que os políticos falam de liberdade sem realmente a tolerar. José foi ostracizado em vida por pensar pela sua cabeça, por ser um franco-atirador que toda a gente temia. Muitos dos que o celebraram, não todos mas muitos, são os mesmos que não o toleraram, não o convidaram, não suportavam a sua presença. O resto pertence à história. 

24 fevereiro 2015

Mulher de Veiros...

...Uma fotografia bonita que tirei há quase 42 anos, 
em Veiros, no Alentejo profundo, no dia 23 de Abril de 1973
a caminho de uma Páscoa albicastrense...
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Mulher de Veiros II 

23 fevereiro 2015

Os príncipes de Portugal...

...é o título de um livro da autoria de Aquilino Ribeiroescrito em 1952 e logo a seguir "desaparecido" do mercado.
No entanto, uma ou outra Livraria arriscavam a sua venda "por baixo do balcão" a pessoas da sua confiança...
Muitos destes livros, retirados do mercado pela Comissão de Censura ou mesmo pela "polícia política", furavam essas proibições e chegavam às mãos de algumas pessoas. Era geralmente nas minhas férias em Castelo Branco que eu adquiria alguns deles através do saudoso Amigo José Vidal Sestay, no também saudoso Stand Vidal.
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Editado em 1952
com ilustrações de Cândido Costa Pinto

As primeiras páginas deste livro contêm uma curiosa advertência aos leitores, da autoria de "Os Editores", sobre o modo com o autor aceitou e encarou o desafio de escrever um livro na âmbito da Colecção das Vidas Célebres e dos critérios escolhidos por Aquilino para a organização do livro.

Aquilino Ribeiro
pintado por Maluda
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"Advertência ao Leitor"
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No intuito de integrarmos Portugal na Colecção das Vidas Célebres com seus soberanos notáveis, políticos, navegadores, homens de letras e homens de ciência, recorremos àqueles nomes que nos pareceram mais indicados por seus méritos e justa fama. Um deles foi Mestre Aquilino Ribeiro, que aceitou o encargo de compor a vida duns tantos portugueses, príncipes, reinantes, ou apenas caudilhos, que deixaram na História mais do que uma passagem meteórica e a ilustraram de algum modo por actos individuais, dignos de aplauso ou vitupério, em suma, que bem mereceram a Pátria ou melhor fora não terem existido. O presente livro resultou desse entendimento. Agora vejamos... O critério dele foi o do romancista: interessava-lhe tudo o que não é comum. Para a História, de resto, não há apenas ouro, há também o oricalco. Não tem que considerar apenas a glória mas ainda as sombras salitrosas que a empapam. Arte ou ciência,  olha com o mesmo ar curioso santos e facínoras, contanto que tenham dado leis e conduzido homens ao cadafalso ou à prosperidade. A História é um juízo de Deus, antecipado por um critério humano, sequioso de acerto e de equidade.
Aquilino Ribeiro olhou para esses grandes de Portugal e pintou-os, como Velasquez fazia, com as tintas do arco-íris. Tais como eram. Melhor, tais como lhe pareceram. Sem deixarem de ser a obra do historiador, escreveu estes perfis o novelista.
Escreveu, escreveu, e ao fim de dez vidas tinha tomado mais espaço que o que lhe estava reservado. Haviam de ser vinte. E agora?
Agora, à tout seigneur toute honneur. Saem à parte as vidas dos grandes de Portugal por Mestre Aquilino com este título que lhes assenta como uma luva: Príncipes de Portugal, suas Grandezas e Misérias. Perderam-se para a colecção, mas aí vão singularmente elas, com seu carácter próprio, cor, pitoresco, novidade e verdade. Aquilino Ribeiro, todos o sabem, é um pesquisador de inédito. Vão encontrar neste livro muitas coisas curiosas, mal pressentidas, bosquejadas, confundidas até à data com outras, postas na sombra e nunca vistas nos compêndios que se dão aos meninos das escolas. Mas tudo -- garante-nos ele e nós por ele -- escrito com a exacção de um interprete de velhas escrituras, ajuramentado nos santos Evangelhos.
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Os Editores
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E foi assim... Uma vez editado o livro foi "excomungado" pela política então vigente e retirado da circulação, nas Livrarias... Só na "candonga" se podia adquirir!

22 fevereiro 2015

Foi no Alentejo profundo...

... no Cabeção, uma freguesia de Mora e no Restaurante "A Palmeira"que nos serviram umas "Migas" deliciosas, após um passeio ao longo das margens da rio Raiano Parque Ecológico do Gameiro, onde fica o Fluviário de Mora.
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 Que boas estavam as "migas" !!...
Valeu a pena o passeio. Valeram também estas migas...

21 fevereiro 2015

Escrito na pedra...

No "Público"
17.02.2015 
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"A ciência mais necessária àquele que deseja governar com sabedoria é a de tornar os homens capazes de ser bem governados"
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Plutarco
04-125,
filósofo da Grécia Antiga.

20 fevereiro 2015

Humor antigo...

in. "Can Can"12
28 de Janeiro de 1960
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- Os touros não têm nenhum segredo para ele!...

19 fevereiro 2015

Morreu o Luís Salavisa...

...um dos melhores Amigos que recordo da juventude passada em Castelo BrancoSó hoje tive conhecimento da sua morte ocorrida no dia 11 de FevereiroEra Eng.Agrónomo, com passagem pela Herdade da Mitra, em Évora e vivia há muitos anos em Vila Nova de Gaia.

Luís dos Santos Salavisa Vicente
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Descansa em Paz, Luís Salavisa
..
Um abraço para ti, João Salavisa.
Perdeste uma filha há poucos anos e perdes agora o teu irmão.
Não acho que se mereçam castigos assim...

No Restaurante da Torralta...

...em 2 de Abril de 1973.
Um grupo de amigos do "Café Central"
reuniu-se em Tróia para desfrutar um almoço
no Restaurante da Torralta.
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Fazendo horas para o "repasto"  podemos identificar, da esquerda para a direita, o Manuel Floriano, o Sr.Joaquim Oliveira, do BNU, o Luís Filipe Gomes (em primeiro plano), o jjmatoso Eng.Noronha e o Sr. Rogélio Gonçalves, do BdeP.
Entretanto passaram 42 anos e apenas o Luís Filipe, o Noronha e eu por cá andamos ainda...

18 fevereiro 2015

Memórias antigas...

Em 14 de Outubro de 1945, o Jornal "Vitória" publica
uma referência a alguns dos excelentes alunos que, naquele
ano frequentaram o Liceu Nacional de Setúbal.
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Em função das notas obtidas nos exames na época de Julho
foram distinguidos com a atribuição de Diplomas de Honra
os seguintes alunos:
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1ºciclo - 
Albertino Ferrão Martins      - 14 val.
Amável Velez Serra              - 14 val          
António Alberto Claro           - 15 val.          
Eduardo Soveral Rodrigues   - 14 val.          
José Constantino de Goes      - 14 val.          
Maria Madalena Piteira Cruz - 15 val. 
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2ºciclo - 
Rogélia Vanda Ferreira      - 15 val.          
Maria Correia da Fonseca   - 15 val.

17 fevereiro 2015

São quadras, meu bem... são quadras!...

Levas uma rosa ao peito
E tens um andar que é teu...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém como eu.

16 fevereiro 2015

Tristes Vaidades!...

... num poema a que

F l o r b e l a E s p a n c a
deu o título de 

"P a r a  Q u ê "
Florbela Espanca
num desenho de Artur Bual/96

Para Quê?!

Tudo é vaidade neste mundo vão... 
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção 
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!... 

Beijos de amor! Pra quê?!... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca! 
Beijos de amor que vão de boca em boca, 
Como pobres que vão de porta em porta! ... 

Florbela Espanca, 
in "Livro de Mágoas" 

15 fevereiro 2015

Um recado...

...para uma ex-aluna muito querida.
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Já não está muito longe a Feira de Sevilha...
Já mandaste fazer o vestido novo?...

14 fevereiro 2015

Poesia em Castelo Branco...

Os livros “Voluptuário” e “Outra nudez” que reúnem a poesia de Gonçalo Salvado e os desenhos do escultor João Cutileiro foram apresentados no sábado dia 7 de Fevereiro, no Foyer do Cine Teatro Avenida, em Castelo Branco, uma sessão que contou com a presença dos autores dos prefácios, Sousa Dias e Maria João Fernandes.
A apresentação dos livros ficou completa com a inauguração, na Sala da Nora, de uma exposição com os desenhos que ilustram as duas obras e que ali ficará presente até dia 1 de Março.

Gonçalo Salvado
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Vencedor do prémio da União Brasileira de Escritores ou do prémio Sophia de Melo Breyner Andresen pelo conjunto da sua obra poética, Gonçalo Salvado continua a afirmar-se como o “poeta exclusivo do amor”.
Sousa Dias lembrou os tempos que passou em Castelo Branco, “onde os dias tinham, mais de 24 horas” e onde diz ter conhecido “pessoas únicas” como “o maior dramaturgo vivo, em Portugal, o professor Vicente Sanches”, através de quem conheceu “o poeta António Salvado, pai do Gonçalo Salvado”, reconhecendo que “é uma honra apresentar este livro onde se destaca o traço característico de Gonçalo Salvado, a singularidade com que fala da poesia do amor, com um mínimo de palavras”. Isto porque “dizer com o mínimo de palavras o máximo de silêncio é a forma correcta de fazer poesia."

 
Vicente José Sanches Vaz Pardal
O maior dramaturgo vivo em Portugal.

António Salvado
Poeta

(...) 
Nas palavras de Maria João Fernandes, “estes poemas são mais para ser lidos do que ditos, porque estas palavras parecem inesgotáveis” e destaca que “o feminino aparece como metáfora, como imagem da mulher, da natureza, da lua, da luz. E a poesia evolui a partir da imagem, daí não se poderem dissociar as duas”,
(...)

António e Adelaide Salvado com Gonçalo
na inauguração da Exposição dos desenhos de Cutileiro 

Gonçalo Salvado afirma mais adiante que “o desenho do mestre Cutileiro associado à minha poesia é um sublimado de uma mesma apetência de beleza, de fome e sede de infinito, tendo a mulher como pólo concentrador dessa aspiração.
(…) O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco afirmou, por seu lado, que a poesia de Gonçalo Salvado, “de onde tanto amor transborda em tão poucas palavras faz entrar numa dimensão  que não se consegue medir.” E lembrou que a poesia que existe em Castelo Branco, pela via de António Salvado e de seu filho Gonçalo estão também patentes fora daqui , não só em Salamanca como em muitos pequenos lugares que vão transformando.
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A cidade de Castelo Branco continua a pontificar nas actividades culturais. Está de parabéns!... Assim pudéssemos dar parabéns a outras terras...
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NB - Este "apontamento" é baseado num texto da jornalista Lídia Barata.
        Cfr. "Reconquista" de 12.02.2015, pg.15, com o título "Obra de 
        Gonçalo Salvado ilustrada por João Cutileiro". 

13 fevereiro 2015

A solidão derrotada...

...num poema a que
Alexandre O´Neill
deu o nome de
"A m i g o"
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Alexandre O´Neill
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Mal nos conhecemos 
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso 
De boca em boca, 
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, 
Um coração pronto a pulsar 
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí, 
Escrupulosos detritos?) 
«Amigo» é o contrário de inimigo! 
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado, 
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa, 
Um trabalho sem fim, 
Um espaço útil, um tempo fértil, 
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
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Alexandre O’Neill, 
in No Reino da Dinamarca

12 fevereiro 2015

Escrito na pedra...

No "Público"
10.02.2015 
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"Se comprares aquilo de que não careces, não tardarás a vender o que te é necessário"
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Benjamin Franklin
1706-1790
escritor e cientista norte-americano.

11 fevereiro 2015

Memórias antigas...

...em 14 de Outubro de 1945no jornal "Vitória",  
há uma referência ao bom desempenho de alguns alunos, do 
nosso Liceu, na época de exames no ano lectivo anterior (1944/45).
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"Liceu Bocage

1ºciclo - 
António Augusto Cruz  - 16 val.          
António Augusto Macedo  - 17 val          
Dulcínia Duarte Lopes  - 16 val.          
Manuel Francisco Ganhão Palma  - 16 val          
Reinalda Jorge Dias  - 16 val.

2ºciclo - 
Fernando Santos Formiga  - 18 val.          
Maria Azevedo Rua   - 16 val.          
Risete Albuquerque Monteiro  - 16 val.

Diplomas de Honra:
1ºciclo - 
Albertino Ferrão Martins - 14 val."